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    Usando o Kismet

    by linuxdicas (02/12/2007 - 17:17)

    Usando o Kismet

    Colaboração: Carlos E. Morimoto

    O Kismet é uma ferramenta poderosa, que pode ser usado tanto para checar a segurança de sua própria rede wireless, quanto para checar a presença de outras redes próximas e assim descobrir os canais que estão mais congestionados (configurando sua rede para usar um que esteja livre) ou até mesmo invadir redes. O Kismet em sí não impõe restrições ao que você pode fazer. Assim como qualquer outra ferramenta, ele pode ser usado de forma produtiva ou destrutiva, de acordo com a índole de quem usa.

    A página do projeto é a: http://www.kismetwireless.net/.

    A principal característica do Kismet é que ele é uma ferramenta passiva. Ao ser ativado, ele coloca a placa wireless em modo de monitoramento (rfmon) e passa a escutar todos os sinais que cheguem até sua antena. Mesmo pontos de acesso configurados para não divulgar o ESSID ou com a encriptação ativa são detectados.

    Como ele não transmite pacotes, apenas escuta as transmissões, todo o processo é feito sem prejudicar as redes vizinhas e de forma praticamente indetectável. A principal limitação é que, enquanto está em modo de monitoramento, a placa não pode ser usada para outros fins. Para conectar-se a uma rede, você precisa primeiro parar a varredura.

    Esta questão da detecção dos pontos de acesso com o ESSID desativado é interessante. Não é possível detectá-los diretamente, pois eles não respondem a pacotes de broadcast (por isso eles não são detectados por programas como o Netstumbler), mas o Kismet é capaz de detectá-los quando um cliente qualquer se associa a eles, pois o ESSID da rede é transmitido de forma não encriptada durante o processo de associação do cliente.

    A partir daí, o Kismet passa a capturar todos os pacotes transmitidos. Caso a rede esteja encriptada, é possível descobrir a chave de encriptação usando o aircrack (que veremos a seguir), permitindo tanto escutar as conexões, quanto ingressar na rede.

    Como o Kismet é uma das ferramentas mais usadas pelos crackers, é sempre interessante usá-lo para verificar a segurança da sua própria rede. Tente agir como algum vizinho obstinado agiria, capturando os pacotes ao longo de alguns dias. Verifique a distância de onde consegue pegar o sinal de sua rede e quais informações consegue descobrir. Depois, procure meios de reforçar a segurança da rede e anular o ataque.

    Por ser uma ferramenta popular, ele está disponível na maioria as distribuições. Algumas, como o Knoppix (a partir da versão 3.7), já o trazem instalado por padrão.

    Nas distribuições derivadas do Debian, você pode instalá-lo via apt-get:

     # apt-get install kismet 

     

    Antes de ser usar, é preciso configurar o arquivo "/etc/kismet/kismet.conf", especificando a placa wireless e o driver usado por ela, substituindo a linha:

     source=none,none,addme 

     

    Por algo como:

     source=madwifi_ag,ath0,atheros 

     

    ... onde o "madwifi_ag" é o driver usado pela placa (que você pode verificar usando o comando lspci). Na documentação do Kismet o driver é chamado de "capture source", pois é a partir dele que o Kismet obtém os pacotes recebidos.

    o "ath0" é a interface (que você vê através do comando ifconfig) e o "atheros" é um apelido para a placa (que você escolhe), com o qual ela será identificada dentro da tela de varredura.

    Isto é necessário, pois o Kismet precisa de acesso de baixo nível ao hardware. Isto faz com que a compatibilidade esteja longe de ser perfeita. Diversas placas não funcionam em conjunto com o Kismet, com destaque para as placas que não possuem drivers nativos e precisam ser configurados através do ndiswrapper. Se você pretende usar o Kismet, o ideal é pesquisar antes de comprar a placa. Naturalmente, para que possa ser usada no Kismet, a placa precisa ter sido detectada pelo sistema, com a ativação dos módulos de Kernel necessários. Por isso, prefira sempre usar uma distribuição recente, que traga um conjunto atualizado de drivers. O Kurumin e o Kanotix estão entre os melhores neste caso, pois trazem muitos drivers que não vem pré instalados em muitas distribuições.

    Você pode ver uma lista detalhada dos drivers de placas wireless disponíveis e como instalar manualmente cada um deles no meu livro Linux Ferramentas Técnicas.

    Veja uma pequena lista dos drivers e placas suportados no Kismet 2006-04-R1:

    • acx100: O chipset ACX100 foi utilizado em placas de diversos fabricantes, entre eles a DLink, sendo depois substituído pelo ACX111. O ACX100 original é bem suportado pelo Kismet, o problema é que ele trabalha a 11 megabits, de forma que não é possível testar redes 802.11g.

       

    • admtek: O ADM8211 é um chipset de baixo custo, encontrado em muitas placas baratas. Ele é suportado no Kismet, mas possui alguns problemas. O principal é que ele envia pacotes de broadcast quando em modo monitor, fazendo com que sua varredura seja detectável em toda a área de alcance do sinal. Qualquer administrador esperto vai perceber que você está capturando pacotes.

       

    • bcm43xx: As placas com chipset Broadcom podiam até recentemente ser usadas apenas no ndiswrapper. Recentemente, surgiu um driver nativo (http://bcm43xx.berlios.de) que passou a ser suportado no Kismet. O driver vem incluído por padrão a partir do Kernel 2.6.17, mas a compatibilidade no Kismet ainda está em estágio experimental.

       

    • ipw2100, ipw2200, ipw2915 e ipw3945: Estes são os drivers para as placas Intel, encontrados nos notebooks Intel Centrino. O Kismet suporta toda a turma, mas você precisa indicar o driver correto para a sua placa entre os quatro.

    O ipw2000 é o chipset mais antigo, que opera a 11 megabits; o ipw2200 é a segunda versão, que suporta tanto o 8011.b, quanto o 802.11g; o ipw2915 é quase idêntico ao ipw2200, mas suporta também o 802.11a, enquanto o ipw3945 é uma versão atualizada, que é encontrada nos notebooks com processadores Core Solo e Core Duo.

    madwifi_a, madwifi_b, madwifi_g, madwifi_ab e madwifi_ag: Estes drivers representam diferentes modos de operação suportados pelo driver madwifi (http://sourceforge.net/projects/madwifi/), usado nas placas com chipset Atheros. Suportam tanto o driver madwifi antigo, quanto o madwifi-ng.

    Usando os drivers madwifi_a, madwifi_b ou madwifi_g, a placa captura pacotes apenas dentro do padrão selecionado (o madwifi_a captura apenas pacotes de redes 802.11a, e assim por diante). O madwifi_g é o mais usado, pois captura simultaneamente os pacotes de redes 802.11b e 802.11g. O madwifi_ag, por sua vez, chaveia entre os modos "a" e "g", permitido capturar pacotes de redes que operam em qualquer um dos três padrões, mas num ritmo mais lento, devido ao chaveamento.

    rt2400 e rt2500: Estes dois drivers dão suporte às placas com chipset Ralink, outro exemplo de chipset de baixo custo que está se tornando bastante comum. Apesar de não serem exatamente "placas de alta qualidade", as Ralink possuem um bom suporte no Linux, graças em parte aos esforços do próprio fabricante, que abriu as especificações e fornece placas de teste para os desenvolvedores. Isto contrasta com a atitude hostil de alguns fabricantes, como a Broadcom e a Texas (que fabrica os chipsets ACX).

    rt8180: Este é o driver que oferece suporte às placas Realtek 8180. Muita gente usa estas placas em conjunto com o ndiswrapper, mas elas possuem um driver nativo, disponível no http://rtl8180-sa2400.sourceforge.net/. Naturalmente, o Kismet só funciona caso seja usado o driver nativo.

    prism54g: Este driver dá suporte às placas com o chipset Prism54, encontradas tanto em versão PCI ou PCMCIA, quanto em versão USB. Estas placas são caras e por isso relativamente incomuns no Brasil, mas são muito procuradas entre os grupos que fazem wardriving, pois as placas PCMCIA são geralmente de boa qualidade e quase sempre possuem conectores para antenas externas, um pré-requisito para usar uma antena de alto ganho e assim conseguir detectar redes distantes.

    orinoco: Os drivers para as placas com chipset Orinoco (como as antigas Orinoco Gold e Orinoco Silver) precisam de um conjunto de patches para funcionar em conjunto com o Kismet, por isso acabam não sendo placas recomendáveis. Você pode ver detalhes sobre a instalação dos patches no http://www.kismetwireless.net/HOWTO-26_Orinoco_Rfmon.txt.

    Depois de definir o driver, a interface e o nome no "/etc/kismet/kismet.conf", você pode abrir o Kismet chamando-o como root:

     # kismet 

     

    Inicialmente, o Kismet mostra as redes sem uma ordem definida, atualizando a lista conforma vai descobrindo novas informações. Pressione a tecla "s" para abrir o menu de organização, onde você pode definir a forma como a lista é organizada, de acordo com a qualidade do canal, volume de dados capturados, nome, etc. Uma opção comum (dentro do menu sort) é a "c", que organiza a lista baseado no canal usado por cada rede.

    Por padrão, o Kismet chaveia entre todos os canais, tentando detectar todas as redes disponíveis. Neste modo, ele captura apenas uma pequena parte do tráfego de cada rede, assim como você só assiste parte de cada programa ao ficar zapiando entre vários canais da TV.

    Selecione a rede que quer testar usando as setas e pressione "shift + L" (L maiúsculo) para travá-lo no canal da rede especificada. A partir daí ele passa a concentrar a atenção numa única rede, capturando todos os pacotes transmitidos:

    Você pode também ver informações detalhadas sobre cada rede selecionando-a na lista e pressionando enter. Pressione "q" para sair do menu de detalhes e voltar à tela principal.

    Outro recurso interessante é que o Kismet avisa sobre "clientes suspeitos", micros que enviam pacotes de conexão para os pontos de acesso, mas nunca se conectam a nenhuma rede, indício de que provavelmente são pessoas fazendo wardriving ou tentando invadir redes. Este é o comportamento de programas como o Netstumbler (do Windows). Micros rodando o Kismet não disparam este alerta, pois fazem o scan de forma passiva:

     ALERT: Suspicious client 00:12:F0:99:71:D1 - probing networks but never participating. 

     

    O Kismet gera um dump contendo todos os pacotes capturados, que vai por padrão para a pasta "/var/log/kismet/". A idéia é que você possa examinar o tráfego capturado posteriormente usando o Ethereal. O problema é que, ao sniffar uma rede movimentada, o dump pode se transformar rapidamente num arquivo com vários GB, exibindo que você reserve bastante espaço no HD.

    Um dos maiores perigos numa rede wireless é que qualquer pessoa pode capturar o tráfego da sua rede e depois examiná-lo calmamente em busca de senhas e outros dados confidenciais transmitidos de forma não encriptada. O uso do WEP ou outro sistema de encriptação minimiza este risco, pois antes de chegar aos dados, é necessário quebrar a encriptação.

    Evite usar chaves WEP de 64 bits, pois ele pode ser quebrado via força bruta caso seja possível capturar uma quantidade razoável de pacotes da rede. As chaves de 128 bits são um pouco mais seguras, embora também estejam longe de ser inquebráveis. Em termos se segurança, o WPA está à frente, mas usá-lo traz problemas de compatibilidade com algumas placas e drivers.

    Sempre que possível, use o SSH, SSL ou outro sistema de encriptação na hora de acessar outras máquinas da rede ou baixar seus e-mails.

    No Guia "Acesso Remoto: SSH, FreeNX e VNC", vemos como é é possível criar um túnel seguro entre seu micro e o gateway da rede, usando o SSH, permitindo assim encriptar todo o tráfego. Ele está disponível no:


    Gostou da dica? Venha fazer um curso com o autor:

    Curso: Redes e servidores Linux

    Com Carlos E. Morimoto

    Em São Paulo, de 29/05 a 03/06 (intensivo, com aulas à tarde)

    Este é um curso sobre a configuração de servidores Linux. Nele você aprende a configurar cada serviço diretamente nos arquivos de configuração ou utilizando ferramentas genéricas, sem se prender a uma única distribuição. Os exemplos dados durante o curso usam como base o Debian e Fedora, com dicas de peculiaridades do Mandriva, Slackware, Kurumin e Ubuntu.

    Este é um curso intensivo, onde você passa menos tempo vendo teoria e opções pouco usadas e mais tempo aprendendo a resolver problemas do dia a dia. O formato das aulas permite que sejam abordados uma grande quantidade de temas numa única semana, oferecendo uma visão global dos recursos disponíveis e onde eles podem ser aplicados. Ao invés de fazer um curso sobre o Squid, outro sobre o Samba, outro sobre o Apache, etc., você aprende muitas coisas de uma única vez, economizando tempo e dinheiro.

    Nesta turma do dia 29/05, combinou do curso de redes e o curso para iniciantes serem ministrados na mesma semana: o curso para iniciantes de segunda a sexta, das 8:00 às 11:00, e o curso de redes das 12:30 às 18:00. Fazendo o curso de redes, você tem acesso também às aulas para iniciantes e pode fazer os dois cursos simultaneamente (pagando apenas um), e assim aproveitar para tirar todas as dúvidas.

    Veja mais detalhes sobre a programação de cursos, temas abordados, preços e formas de pagamento no:

    http://guiadohardware.net/cursos/

    Todas as aulas do curso de redes são ministradas pelo próprio Carlos Morimoto, o que garante o nível do curso. Nada de aulas inaugurais e mutretas do gênero :)




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060509.html

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    Roteamento avançado - Linux - utilizando IPROUTE e IPTABLES - Load Balance

    by linuxdicas (01/12/2007 - 20:08)

    Roteamento avançado - Linux - utilizando IPROUTE e IPTABLES - Load Balance

    Colaboração: Fabricio Ferreira - GUZZY

    Certo tempo atrás, escrevi um script usando IPROUTE2 e IPTABLES que desenvolvi na ocasião, já que havia a necessidade de utilizar 2 links de Internet distintos. Desta vez, reescrevi com muito mais detalhes mostrando exatamente como funciona cada passo.

    Lembrando que, este script foi desenvolvido no SLACKWARE, mas acredito que funcione em qualquer outra distribuição LINUX com Kernel 2.4.x e superiores, com algumas poucas modificações.

    Quanto aos links, vamos chamá-los de LINK1 e LINK2...

    Imagine que você queira que determinado protocolo use o LINK1 e outro protocolo use o LINK2.

    Um exemplo fácil seria dizer que mensagens de E-mail SMTP e POP (portas 110 e 25) utilizam o LINK1, enquanto o tráfego de internet (portas 80, 21, 53, 443...) utiliza o LINK2. Isto permitiria que usuários fizessem downloads pesados sem comprometer o tráfego de mensagens, ou ainda, enviar e receber mensagens de E-mail grandes sem interferir na velocidade dos usuários que navegam na Internet.

    Um outro exemplo para quem tem Vlans em suas redes seria dizer que a REDE 192.160.0.X utiliza o Link1, enquanto a REDE 192.170.0.X utiliza o LINK2.

    Basicamente, o processo funciona marcando pacotes que entram e saem do FIREWALL onde o script será implementado com o Comando IPTABLES usando Mark, um artifício que faz com que o Firewall monte uma tabela dinâmica de todos os pacotes que passam por ele. Imagine que você tenha um Firewall com 4 Interfaces, assim vamos chamá-las de: ETH0, ETH1, ETH2 e ETH3, onde ETH0 está conectada à sua LAN interna, a ETH1 conectada em uma DMZ, e as interfaces ETH3 e ETH4 conectadas a 2 Links distintos.

    Se um pacote entrou pela interface ETH0 e saiu pela interface ETH3, é necessário que ele retorne para o mesmo lugar de onde veio. Eis o motivo de marcar os pacotes; caso contrário, eles se utilizarão do DEFAULT GATEWAY do Firewall, que pode não ser o mesmo que você deseja.

    Entendendo isto, podemos seguir adiante com nosso script.

    Abaixo descrevo detalhadamente como fazer cada configuração no Script para que você tenha sucesso na implementação.

    Entendam que os IP´s aqui utilizados são fictícios, bem como seus Defaut Gateways. Você deverá trocá-los pelos IP´S da sua rede conforme a necessidade!

    Eis um exemplo de um script pronto em um Firewall com 3 Interfaces apenas.

    A primeira - ETH0, é a interface conectada à rede interna. A Interface ETH1 é a interface ligada ao LINK1, e por último, a interface ETH2, ligada ao LINK2.

    Vejamos:

     ############################################################################## # Nesta parte denominamos variáveis para as interfaces como segue. # Denominamos que o nome LAN seja referente à Interface ETH0 que no nosso # script é a da rede interna. Verifique no seu Firewall qual é a interface # correta. IF_LAN='eth0' # Aqui denominamos as variáveis dos LINKS 1 e 2, e os chamamos de LINK1 e LINK2 # É claro que você poderá chamá-los do que quiser. Exemplo: ADSL1 e ADSL2, # mas não esqueça de alterar as variáveis no restante do script. IF_LINK1='eth1' IF_LINK2='eth2' # Aqui colocamos os Gateways dos Links de Internet. # Geralmente, os Default Gateways dos Links são os IP´S dos roteadores de # Internet. GW_LINK1='200.70.0.1' GW_LINK2='200.80.0.1' # Nesta parte, utilizamos o comando IPTABLES para mascarar os IP s, ou seja, # fazemos um NAT (Network Address Translation) para que os pacotes que venham da # Interface ETH0 com IP s da rede interna, ou mesmo pacotes gerados dentro do # próprio Firewall, possam sair para a Internet com endereços trocados, usando # os IP s das interfaces ligadas aos Links de Internet. # O MASQUERADE ao final do comando faz exatamente isto. # Caso contrário, utilizaria ACCEPT, mas aí os pacotes sairiam para a Internet # com IP s da rede interna e jamais retornariam ao Firewall. iptables -t nat -A POSTROUTING -o $IF_LINK1 -j MASQUERADE iptables -t nat -A POSTROUTING -o $IF_LINK2 -j MASQUERADE # Aqui começamos a marcar os pacotes diferenciando-os pela porta utilizada. # Observe que escolhemos os pacotes com destino às portas 80 (HTTP) 443 (HTTPS) # 25 (SMTP) 110 (POP) # Todo pacote que passar pelo Firewall com estas particularidades receberão # uma marca , uma espécie de carimbo. Pacotes destinados à porta 80 # recebem carimbo de número 2, pacotes com destino à porta 25 # recebem carimbo número 3. # Desta forma, podemos diferenciá-los para que mais à frente no script tenhamos # controle do que saiu/entrou e por onde saiu/entrou. iptables -t mangle -A PREROUTING -i $IF_LAN -p tcp --dport 80 -j MARK --set-mark 2 iptables -t mangle -A PREROUTING -i $IF_LAN -p tcp --dport 443 -j MARK --set-mark 2 iptables -t mangle -A PREROUTING -i $IF_LAN -p tcp --dport 25 -j MARK --set-mark 3 iptables -t mangle -A PREROUTING -i $IF_LAN -p tcp --dport 110 -j MARK --set-mark 3 # A diferença entre o PREROUTING e o OUTPUT é que, PREROUTING abrange os # pacotes que foram originados fora do FIREWALL, por exemplo Interface ETH0 # ($IF_LAN), enquanto OUTPUT são os pacotes originados no Firewall, ou seja, na # própria console. iptables -t mangle -A OUTPUT -p tcp --dport 80 -j MARK --set-mark 2 iptables -t mangle -A OUTPUT -p tcp --dport 443 -j MARK --set-mark 2 iptables -t mangle -A OUTPUT -p tcp --dport 25 -j MARK --set-mark 3 iptables -t mangle -A OUTPUT -p tcp --dport 110 -j MARK --set-mark 3 # Aqui montamos as tabelas dinâmicas a partir das marcas (carimbos) que fizemos # lá em cima no nosso script. # Pacotes que foram marcados com 2 vão para a tabela table 20 e os marcados # com 3, vão para a tabela table 21 , com a mesma prioridade. Perceba o PRIO 20 # após os comandos. ip rule add fwmark 2 table 20 prio 20 ip rule add fwmark 3 table 21 prio 20 # se quisermos condicionar esta marcação de outra forma, podemos utilizar o # comando das seguintes formas: # Este condiciona que todos os pacotes que vierem da rede 192.160.0.0 vão para # a tabela 20. # O comando está comentado. Caso queira utilizá-lo, apenas retire o sinal de "#" # da frente. # ip rule add from 192.160.0.0/24 table 20 # Este outro condiciona os pacotes da rede 192.170.0.0 a irem para a tabela 21 # O comando está comentado. Caso queira utilizá-lo, apenas retire o sinal de # "#" da frente do comando. # ip rule add from 192.170.0.0/24 table 21 # Agora sim daremos rumo aos pacotes que foram marcados e cadastrados na tabela # dinâmica. # Veja que os pacotes que foram enviados para a tabela 20 têm como DEFAULT # GATEWAY o LINK1. Sendo assim, os pacotes serão enviados para o LINK1 na # Interface ETH1 com o IP 200.70.0.1. # Já os pacotes da tabela 21 serão enviados para o LINK2 na Interface ETH1, com # o IP 200.80.0.1 ip route add default via $GW_LINK1 dev $IF_LINK1 table 20 ip route add default via $GW_LINK2 dev $IF_LINK2 table 21 # Este último comando limpa a tabela, caso ela já tenha sido utilizada # anteriormente, ou apenas para termos certeza de que quando você resetar as # regras todas, o Firewall não guarde nenhum tipo de informação na # memória (cache). Daí o nome FLUSH CACHE. ip route flush cache 

    Você pode utilizar parte do script, se necessário. Por exemplo, se quiser apenas rotear pacotes pela origem, utilize:

     ip rule add from 192.160.0.0/24 table 20 

     

    ou

     ip rule add from 192.160.0.0/24 table 21 

     

    Conforme o Link que deseja utilizar. Onde 192.160.0.0/24 é a origem. Neste exemplo, a rede em questão tem a máscara 255.255.255.0 (/24)

    Desta forma, não há necessidade de marcar pacotes e você poderá deletar as linhas do script.

     Fabrício Ferreira GUZZY Especialista em Segurança Digital MCP Microsoft Certified Professional Linux Specialist 



    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20070327.html

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    php4 e php5 num mesmo apache

    by linuxdicas (01/12/2007 - 18:58)

    php4 e php5 num mesmo apache

    Colaboração: Nasair Júnior da Silva

    A idéia é mais ou menos a seguinte: em uma mesma instalação do apache, rodar o php4 na porta 80 (que é o normal) e o php5 na porta 88 (ou outra porta de sua preferência).

    Como o procedimento de instalação já foi realizado por você, vamos diretamente à configuração do apache: você precisa dois arquivos de configuração - pode manter o httpd.conf para o php4 (porta 80) e criar um httpd5.conf para o php5. No httpd.conf, certifique-se que não é carregado o php5, apenas o php4 (verifique os LoadModule para carregar apenas o módulo do php4).

    No http5.conf, é o contrário: certifique-se que é carregado apenas o php5, e não o php4. No httpd5.conf, troque o Listen 80 por Listen 88 (a nova porta).

    Verifique se há alguma outra configuração no httpd5.conf referenciando a porta 80, e troque pela 88. Depois disso, é só configurar os VirtualHosts normalmente.

    Para carregar o apache, você deve utilizar dois comandos: o apachectl start para inicar o php4 (httpd.conf) e o comando

     httpd -f httpd5.conf 

     

    Para "matar" apenas os processos do php5, você pode utilizar os seguintes comandos:

     kill STOP `fuser -n tcp 88 | grep tcp |cut -d ":" -f 2` 

     

    que é uma combinação do fuser (que verifica os processos "rodando" na porta 88) com o kill




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060223.html

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    A Reconstrução da Torre de Babel

    by linuxdicas (29/11/2007 - 03:38)

    A Reconstrução da Torre de Babel

    Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida

    A mensagem de hoje circulou originalmente na revista de Informação e Tecnologia do Centro de Computação da Unicamp. A mensagem aborda a questão do aprendizado da língua inglesa com fins de leitura e fornece algumas dicas muito boas e mostra que o inglês não é tão difícil de se dominar como muitos pensam.

    A mensagem é um tanto longa, mas se você precisa da língua inglesa para desempenhar a sua profissão, garanto-lhe que vai valer a pena.

    O documento original encontra-se em http://www.revista.unicamp.br/navegacao/index4.html

    Enfim, se o assunto lhe interessa, boa leitura!


    Diz a Bíblia que muitos anos atrás todos os habitantes da Terra se uniram para construir uma torre que chegasse até o céu, para tornar seu nome célebre e impedir que fossem espalhados pelo mundo. Para punir os homens por sua ambição demasiada, Deus confundiu sua linguagem e depois os dispersou pelo mundo.

    Ainda hoje os povos da Terra falam uma imensidão de línguas diferentes. Na Internet entretanto, apesar dos muitos povos que autilizam, existe um meio de comunicação comum. Da mesma forma que os computadores se comunicam independentemente de cor e raça, ou melhor, de fabricante e protocolo de comunicação, também os internautas possuem uma linguagem comum: a língua inglesa. Será a Internet uma nova Torre de Babel, construída para reunificar eletronicamente os habitantes deste lindo mundo azul?

    É claro que nem todos que utilizam a Internet compreendem a língua inglesa. Porém mais de 80% dos documentos e das comunicações feitas através da Internet encontram-se em inglês. Apenas 0,7 % do oceano de informação que é a Internet está em português. É perfeitamente possível usar a Internet e se divertir muito navegando apenas por sites escritos em português. Fazer isto entretanto é o equivalente a ir à praia, não entrar na água e ficar se molhando com um baldinho de água que alguém encher para você. O que fazer? Aprender inglês é difícil e demora muitos anos. Como então adquirir o domínio desta ferramenta tão essencial à utilização plena da Internet? Realmente, para se ler, falar, escrever e ouvir com fluência a língua inglesa são necessários de seis a oito anos de estudo constante. Para que aprender tanta coisa se o mais importante é apenas ler? É muito mais fácil dominar um dos aspectos de um idioma (leitura) do que todos os quatro simultaneamente (ler, ouvir, falar e escrever). A Internet possui muito conteúdo interativo, onde a capacidade de se falar e escrever bem a língua inglesa certamente é uma grande vantagem, mas o mais importante certamente é saber ler. Ler para utilizar a informação existente na Internet para aprender, resolver problemas pessoais ou profissionais, se divertir, enfim, para uma infinidade de propósitos.

    Como aprender a ler? É raro encontrar um curso de inglês onde se ensine o aluno apenas a ler. Só vendem o pacote completo, o que é totalmente insensato. Se precisamos investir vários anos para dominar o idioma em todos os seus aspectos, aprender a ler certamente demora muito menos. Em apenas quatro meses é possível obter uma compreensão razoável do idioma que nos permite começar a compreender textos em inglês.

    Mas porque a leitura é mais fácil de se dominar? A própria Internet nos dá a resposta. Em um estudo realizado em 1997, realizamos um trabalho para determinar as palavras mais comuns da língua inglesa e seu percentual de ocorrência. Para este estudo utilizamos os livros online do Projeto Gutemberg. Este projeto, integrado por voluntários, tem por objetivo digitalizar obras de literatura cujos direitos autorais tenham se expirado. Nos Estados Unidos uma obra é colocada no domínio público 60 anos após a morte do autor. Obras de autores como Jane Austen, Conan Doyle, Edgar Rice Burroughs, e muitos outros estão disponíveis gratuitamente na Internet. De posse destes livros, 1600 ao todo na época da pesquisa, fizemos então nossos cálculos. Os 1600 livros combinados geraram um arquivo de 680 MB contendo aproximadamente sete milhões de palavras. Os resultados foram bastante surpreendentes. As 250 palavras mais comuns compõem cerca de 60% de qualquer texto. Em outras palavras, se você conhece as 250 palavras mais comuns, 60% de qualquer texto em inglês é composto de palavras familiares. Para facilitar ainda mais a nossa tarefa os cognatos, que são as palavras parecidas em ambos os idiomas (possible e possível, por exemplo), totalizam entre 20 e 25% do total das palavras. Aí já temos então 80 a 85% do problema de vocabulário resolvido. Se subirmos o número de palavras mais comuns a 1.000, chegamos a 70%. Somando a este valor os cognatos chegamos a valores entre 90 a 95% de um texto.

    É claro que 90 ou 95% ainda não chega a 100%. Como fazer com o restante das palavras? Mais uma vez, usamos nossa intuição (lembra-se que nossa intuição está correta em 99,999% das vezes?). Pensemos em nosso texto como um enigma a ser desvendado. Possuímos alguns elementos familiares, as palavras que conhecemos, e outros que nos são desconhecidos. Devemos deduzir, por meio de nossa intuição, de nossos conhecimentos anteriores, o que as palavras desconhecidas podem significar. Não precisamos nos preocupar com todas as palavras, apenas com aquelas que desempenhem um papel importante no texto. Quais são elas? Se uma palavra aparece com relativa frequência em um texto, ela certamente desempenha um papel importante na compreensão do todo. Se uma palavra aparece apenas uma vez, muito provavelmente não precisaremos nos preocupar com ela.

    O maior problema é que tal enfoque é encarado de forma suspeita pela maioria das pessoas. Como é possível, ignorar uma palavra desconhecida e continuar lendo como se nada houvesse acontecido? O que estamos propondo não é nada absurdo. Qual foi a última vez em que consultou um dicionário? Toda vez que encontramos uma palavra desconhecida vamos em busca do dicionário? Muito provavelmente não. O que acontece é que, como a nossa familiaridade com o português é grande, na hipótese de depararmo-nos com uma palavra desconhecida, o seu sentido, dado o contexto que a cerca, será facilmente deduzido. Isto tudo praticamente sem mesmo nos darmos conta do ocorrido. A não ser que nos proponhamos a tarefa de parar a cada vez que encontrarmos uma palavra desconhecida, a nossa leitura se dá com frequência sem interrupções. As palavras desconhecidas são intuídas, quase que subconscientemente, e passam a integrar o nosso vocabulário. Considerando-se que o vocabulário de um adulto consiste de aproximadamente 50.000 palavras, é ridículo imaginar que tal conhecimento tenha sido adquirido através de 50.000 visitas ao dicionário. Este vocabulário foi adquirido, em um processo iniciado em nossa infância, de forma contínua e através da observação do nosso ambiente, observando outras pessoas falarem, prestando atenção nas palavras utilizadas em determinadas situações e também através da leitura.

    A nossa estratégia para o domínio da língua inglesa para leitura é exatamente aquela utilizada há milhares de anos, com excelentes resultados, pela raça humana. Aprendizado natural, seguindo nossos instintos e pela interação com o ambiente que nos cerca.

    Como vimos, o domínio das palavras mais frequentes da língua inglesa, pode nos ajudar a dar um impulso substancial em nosso aprendizado. Nesta listagem as palavras não estão organizadas alfabeticamente, mesmo porque não é nosso objetivo reproduzir aqui um dicionário. Também não incluímos todos os significados possíveis das palavras apresentadas. Todas as palavras são apresentadas em contexto, em exemplos de utilização. Não fornecemos a definição da palavra. Para cada palavra são listados em média três exemplos de utilização, com a respectiva tradução.

    É muito importante ressaltar que estas palavras não devem ser memorizadas de forma alguma. O ser humano não funciona de forma semelhante ao computador, onde as informações podem ser armazenadas de qualquer forma, e ainda assim estão disponíveis em milésimos de segundos quando necessitamos. O ser humano, para reter alguma informação, precisa situá-la dentro de um referencial de conhecimentos. A informação nova precisa se integrar à nossa visão do mundo, à nossa experiência prévia. Apenas desta forma podemos esperar que o conhecimento adquirido seja duradouro. A maioria de nós certamente já vivenciou situações em que dados memorizados desapareceram de nossa memória quando não mais necessários. Ao contrário, tudo que aprendemos ativamente, permanece presente em nossa memória de forma vívida por muitos e muitos anos.

    Embora esteja sendo fornecida uma lista de palavras, não adote de forma alguma o procedimento padrão de memorização, que é a repetição intensiva dos itens a serem memorizados. É certo que cada um de nós possui estratégias distintas para lidar com o aprendizado, mas eu gostaria de sugerir uma forma de estudo que certamente funciona.

    Primeiramente, não tenha pressa. Não memorize, procure entender os exemplos. Para cada palavra apresentada, leia os exemplos e suas respectivas traduções. Não se preocupe em reter na memória o formato exato das frases e nem de sua tradução. O objetivo é apenas compreender o significado da palavra apresentada e apenas isto. Uma vez compreendido este significado o objetivo foi alcançado.

    Em segundo lugar, procure ler apenas enquanto estiver interessado. Não adianta nada ler todas as palavras de uma vez e esquecer tudo dez minutos depois. Se nos forçarmos a executar uma atividade monótona por muito tempo, depois de alguns momentos a nossa atenção se dispersa e nada do que lemos é aproveitado. Eu sugiro a leitura de dez palavras diariamente. Caso você ache que 10 palavras diárias é muito, não tem importância, este número é sua decisão. Se quiser ler apenas uma palavra, o efeito é o mesmo. Irá demorar um pouco mais, mas chegar ao final é o que importa. É só não esquecer, você deve LER as palavras e NUNCA tentar memorizar as palavras e os exemplos.

    E finalmente, faça revisão. No primeiro dia leia e entenda dez palavras (ou quantas julgar conveniente). No segundo dia leia mais dez palavras e faça a revisão das dez palavras aprendidas no dia anterior. No terceiro dia, aprenda mais dez palavras e revise as vinte palavras aprendidas nos dias anteriores. E assim por diante até o último dia, onde aprenderá as últimas dez palavras e revisará as 240 palavras anteriores. Muito importante, por revisão não quero dizer que se deve fazer a leitura de todas as palavras e exemplos anteriores. As palavras mais frequentes estão grafadas em tipo diferente e em negrito, para que possamos localizá-las facilmente na página. Apenas examine as palavras anteriores em sua revisão. Caso não se recorde de seu significado, então, e apenas então, leia os exemplos. A revisão é extremamente importante. Nós realmente aprendemos quando revisamos conceitos aos quais já fomos expostos. Procedendo desta forma, tenha certeza de que tudo o que aprendeu será absorvido de forma permanente, constituindo a base fundamental de tudo que irá aprender em seus estudos da língua inglesa.

    Caso a sua motivação seja realmente alta e você queira reler todos os exemplos já estudados, vá em frente. Como você pode notar, os exemplos empregam um vocabulário bastante rico. A leitura mais frequente dos exemplos fará com que ao final do estudo o seu vocabulário tenha se enriquecido muito além das 750 palavras básicas.

    Outro ponto importante é a questão do estudo da gramática. A gramática, ou o estudo da estrutura da língua, deve ser apenas para ajudar o aluno a identificar as construções verbais. Não é necessária, para fins de aprendizado da leitura, a memorização de estruturas gramaticais. Como já afirmado, o nosso aprendizado se dá de forma natural. Da mesma forma que uma criança não tem aulas de gramática para aprender sua língua materna, nós também não devemos nos preocupar com este aspecto em nosso estudo. A leitura dos exemplos das palavras mais comuns irá lançar os fundamentos iniciais do conhecimento da estrutura da língua inglesa.

    Resta agora esclarecer um ponto, que é a desculpa favorita de todos nós nos dias de hoje: a falta de tempo. Tempo certamente é fácil de se encontrar para fazer aquilo que nos dá prazer. Para resolver o problema de tempo para este estudo, pense nesta atividade como algo prazeiroso e que lhe trará benefícios enormes, tanto no campo pessoal como profissional. E além do mais, o aprendizado e a revisão das palavras pode ser feito diariamente em não mais de quinze minutos. Se levarmos em conta que os intervalos comerciais em programas de televisão geralmente duram entre quatro a cinco minutos, todo o tempo necessário para este estudo pode ser encaixado nos intervalos de sua novela favorita, certo?

    Então, mãos a obra. Depois que você conhecer as 250 palavras mais comuns da língua inglesa você poderá verificar como o aprendizado da leitura da língua inglesa se tornam muito mais fácil. Nesta lista foram incluídas 750 palavras. Faça um esforço e tente conhecer a todas elas. A sua tarefa vai ficar ainda mais fácil.

    Nos anos de 1996 e 1997 a Diretoria de Recursos Humanos da UNICAMP promoveu um programa de capacitação que incluía um programa de treinamento em inglês instrumental para seus funcionários usando a metodologia descrita nos parágrafos anteriores. Nestes dois anos passaram pelo programa de inglês instrumental aproximadamente 1.000 funcionários. Conseguiu-se atender um número tão grande de pessoas justamente porque o aprendizado da língua inglesa para leitura é consideravelmente mais fácil. Além desta facilidade é possível se ministrar o curso em salas maiores, com até cem alunos, o que é impensável em um curso tradicional. Em cursos normais de inglês cada aluno deve ter atenção especial do professor como pré-requisito indispensável ao aprendizado.

    Como produto deste treinamento foram criados vários materiais didáticos, um dos quais é justamente um pequeno livro, já citado, contendo as 750 palavras mais comuns da língua inglesa. O significado de cada palavra é ilustrado com três exemplos em média, onde a palavra é usada em contextos diferentes. Este pequeno manual está disponível para download na Internet. Além deste manual, existem também outros documentos que descrevem em detalhes como foi realizado o cálculo que determinou estas palavras mais comuns (ver referências).

    Além do aprendizado das palavras mais comuns, o interessado em aprender o inglês para leitura, deve procurar intensificar o seu contato diário com a língua inglesa. Para isso a Internet pode novamente vir em nosso auxílio. Basta procurar nela pelo que nos interessa. Na Internet existe informação de todos os tipos e para todos os gostos. Basta saber e querer procurar.

    No curso de inglês instrumental ministrado na Unicamp, para suplementar o ensino em sala de aula e para manter o aluno em contato diário com a língua inglesa, foi criada uma lista eletrônica chamada EFR (English for Reading). Nesta lista é veiculada diariamente uma história, preferencialmente engraçada (afinal, quem não gosta de uma boa piada?) ou uma citação. As histórias são em inglês e as palavras mais incomuns são comentadas. Desta forma os alunos aprendem todos os dias duas ou mais palavras novas. Todos os dias. Em um ano este pequeno esforço diário pode vir a fazer uma diferença. O curso acabou em 1997 mas a lista continua enviando suas mensagens. Esta lista é hoje aberta a todos os internautas e conta com vários participantes externos além dos participantes do curso ministrado na Unicamp. Todas as mensagens já veiculadas na lista EFR estão arquivadas na Web no endereço http://www.dicas-l.com.br , item "English for Reading".

    O objetivo primordial do curso de inglês instrumental era demonstrar que se é possível aprender inglês para leitura facilmente e despertar o gosto pela leitura. Quanto mais se ler em inglês mais se aprende o idioma, o que não é novidade nenhuma. Como vivemos no Brasil, país de língua portuguesa, as nossas necessidades de utilizar outra habilidade que não a leitura em inglês são bastante esporádicas. Mas não precisamos parar por aí. A leitura serve também para desenvolver as outras habilidades necessárias ao domínio da língua inglesa: a fala, a escrita e a compreensão da língua falada. O principal é que em um período de tempo bastante curto já estaremos habilitados a navegar pela Internet inteira e não apenas pela pequena porção representada pela língua portuguesa.

    Finalmente, queria lembrar a todos que aprender o inglês é bastante fácil. Basta deixar de lado os preconceitos e traumas que temos com a língua inglesa e realmente acreditarmos em nossa capacidade de aprender. Não leva a nada guardar rancores de tentativas frustradas de aprendizado ocorridas no passado. O domínio da língua inglesa é hoje o nosso passaporte para um mundo de informações que podem nos ser úteis tanto na esfera pessoal quanto profissional. Se você não domina a língua inglesa o momento certo para começar é hoje. Consulte as referências deste artigo, estude com calma a lista das palavras mais comuns e assine a lista EFR. Você vai ver que sem fazer muita força em, pouco você estará se locomovendo com desenvoltura cada vez maior pela Torre de Babel reconstruída que é a Internet. Depois me escreva contando os resultados.

    Referências:

    Global Internet Statistics (by Language) http://www.euromktg.com/globstats/

    Projeto Gutenberg http://www.promo.net/pg/

    Dicas-L http://www.dicas-l.com.br

    Palavras mais Comuns da Língua Inglesa http://www.dicas-l.com.br/dicas-l/971002.html Este documento descreve os procedimentos utilizados para se determinar as 1000 palavras mais comuns da língua inglesa e faz uma apresentação dos resultados obtidos. Neste documento as palavras mais comuns são listadas juntamente com seu percentual de ocorrência.

    As 750 palavras mais comuns da Língua Inglesa http://www.dicas-l.com.br/dict.pdf Este documento, no formato PDF, contêm as 750 palavras mais comuns da língua inglesa com exemplos de utilização. Para ler e imprimir arquivos no formato PDF é necessário instalar em seu computador o programa Adobe Acrobat Reader, que pode ser encontrado no endereço http://www.adobe.com

    As 1000 Palavras Mais Comuns da Língua Inglesa http://www.dicas-l.com.br/dicas-l/dicas-l/971003.html Este artigo lista as 1000 palavras mais comuns da língua inglesa e seu percentual de ocorrência.

    Notas:

    1. A comparação da Torre de Babel com a Internet eu encontrei em um artigo escrito por Luiz de Rezende Puech que se encontra em http://www.webmark.com.br/framese.html . Esta analogia, bastante criativa, nunca mais me saiu da cabeça e aproveitei este artigo para abordar o assunto a partir de uma ótica diferente.

    2. A história da Torre de Babel encontra-se na Bíblia, no livro de Genesis, capítulo 11. Reproduzo a seguir alguns dos versículos da história, tal como se encontra na Bíblia.

    (Genesis 11:6) e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.

    (Genesis 11:7) Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro. (Genesis 11:8) Destarte, o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra; e cessaram de edificar a cidade. (Genesis 11:9) Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a terra e dali o SENHOR os dispersou por toda a superfície dela.

    3. Para assinar a lista EFR (English for Reading) basta enviar uma mensagem para o endereço <efr-subscribe (a) onelist com> .Não é necessário digitar nada na mensagem, nem no "Subject:" nem no corpo.




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/19991109.html

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    Guia para o Novato em Linux

    by linuxdicas (29/11/2007 - 02:14)

    Guia para o Novato em Linux

    Colaboração: Alex-Gurgel <<Gurgel (a) linuxdicas com br>>

    Pois bem, depois de muito pensar você resolveu se aventurar pelo mundo Linux! Parabéns! Mas ai começam as duvidas e os problemas: Qual distribuição usar ? Vai funcionar no meu micro ? Onde posso conseguir os CDs ?

    Calma! Este artigo foi escrito com o intuito de ajudar você, novo usuário do Linux, a responder essas e outras perguntas. Antes de começar, apenas um detalhe importante: este artigo não vai responder a todas as suas duvidas, vai apenas lhe dar um ponto de partida.

    Antes de mais nada: como você pretende entrar no mundo Linux ? Quer instalar ou preferia que tivesse outro modo ? Bem, existe outro modo sim: as distribuições que rodam diretamente dos CDs, sem instalar ou modificar nada no seu micro! Pode ser interessante, testar o que é o Linux e depois instalar para realmente aproveitar todo o potencial deste Sistema Operacional.

    Se essa for sua escolha, faça o seguinte: acesse a Internet, vá a um site de busca e procure por 'kurumin' (em português) ou 'knoppix' (em dinamarquês ou inglês). Baixe os arquivos ISO de uma delas, a sua escolha, grave um CD e está pronto! Basta agora dar boot no seu micro, com o CD colocado, que, em poucos instantes, você estará testando seu Linux. Claro, nos sites dessas distribuições existe farta documentação sobre eles, leia tudo o que puder. Quando se decidir por, finalmente, instalar um Linux volte para esse artigo.

    Ah, você prefere instalar o Linux no seu micro! Pois bem, para começar, é preciso lhe explicar uma coisa básica: o Linux é um Sistema Operacional que exige uma coisa a mais que outros SO's: que você use o seu cérebro !

    Do princípio: você já se decidiu a experimentar o Linux. Mas aonde você vai encontrar as informações iniciais: Ah sim, você já procurou na Internet e encontrou vários sites sobre o assunto, vários deles com fóruns! E o que você vai fazer agora ? Algumas dicas iniciais:

    • Acesse os fóruns que você encontrou, eles são uma fonte valiosa de informações vinda de pessoas que passaram por varias etapas no aprendizado do Linux.

       

    • Quando fizer uma pergunta procure não usar apenas letras maiúsculas. Isso equivale a gritar com os outros. E você não gosta que gritem com você, não é mesmo ?

       

    • Evite perguntar "Qual a melhor distribuição ?". Essa pergunta vai, com certeza, gerar um volume de discussões que podem não lhe responder exatamente o que você quer saber. No fundo, a sua verdadeira duvida é: "Qual distribuição eu vou gostar mais ?". Isso apenas você pode responder. Na maior parte das vezes a resposta que você vai ter será algo como "A melhor distribuição é aquela que se adaptar melhor a você."

       

      Aqui vai um bom conselho: providencie uma distro, qualquer uma, e instale. Teste por algum tempo, providencie outra, instale, teste e assim por diante. Antes que você se de conta você já estará usando bem o Linux e terá se decidido por uma distribuição !

       

      Ok, mas, mesmo assim, você quer saber qual a diferença entre elas ? Tudo bem, ai vai a resposta: a bem da verdade, nenhuma. O Linux em si é o mesmo. Afinal, o Linux é apenas o núcleo, o kernel do sistema. Claro, apenas com ele não se faz nada. O resto dos programas que compõe uma distribuição é que faz a diferença entre elas. Mas esses programas( no Linux chamamos os programas de pacotes) não são Linux ? Não. Eles são softwares, livres ou não( Open-Source, código aberto, ou proprietários), agrupados por uma empresa que, em conjunto com o Linux, dão a forma final a uma distribuição. Esse conjunto pacotes/Linux normalmente é chamado de GNU/Linux.

       

      Apenas como exemplo, podemos comparar esse conjunto ao hardware do seu computador. O processador( Linux) é o computador em si, mas você não faz nada apenas com o computador. Ao montar um micro, você acrescenta itens de diversos fabricantes, como memória, placa-mãe, HD, unidade de CD-Rom, disquete( pacotes) obtendo, assim, um conjunto que convencionamos chamar de computador (GNU/Linux). Simples, não ?

       

      Prosseguindo. Agora você já decidiu que distribuição usar, o que fazer agora ? Onde podemos encontrar uma descrição do modo de instalação ? Lembra dos fóruns que você descobriu ? Não, não, nem tente perguntar como instalar o Linux! Ou você vai obter muita informação ou nenhuma! Mais prático: todos os fóruns tem uma ferramenta de busca. Ela permite que você localize, no fórum, a informação desejada com facilidade. Use-a. Com certeza você vai descobrir que alguém, algum dia, em resposta a uma pergunta qualquer, informou um link para a documentação que você precisa.

       

      Achou a documentação ? O que ? Ela esta em inglês e seu inglês é muito fraco ? Isso pode se tornar um problema, a longo prazo. Tudo bem, lembra que dissemos que o Linux e sempre igual, o que muda são os pacotes que o acompanham ? Pois bem, você pode perfeitamente pegar um manual de outra distribuição( em português, claro)e instalar a sua a partir do que essa documentação lhe informar. Nesse ponto, cuidado! Supondo que você tenha se decidido pela distribuição Slackware ou pela Debian esse processo não vai dar muito certo. Felizmente para isso tem solução. Procure na Internet, use os sites de busca, que você vai encontrar sites com as informações que você precisa sobre essas distribuições em bom português !

       

      Agora, que você já instalou sua distribuição escolhida posso explicar algumas coisinhas importantes.

       

    • Primeiramente, pode acontecer de algum item do seu computador não funcionar de imediato com o Linux. Nesse caso o que fazer ? De novo, vamos aos fóruns! Novamente, não pergunte coisas como: "Sou novato em Linux, como fazer para o hardware xxx funcionar no meu Linux ?" Em 90% dos casos alguém já perguntou isso e, possivelmente, já teve resposta. De novo, use a ferramenta de busca que o fórum lhe oferece.

       

    • Não achou o que precisa ? Certo, nesse caso vamos perguntar o que fazer! Mas pergunte direito: informe qual distribuição você tem, diga exatamente qual o seu hardware e, o mais importante: seja preciso na sua pergunta.

       

    • Agora você já tem a informação que precisa mas, mesmo assim, não funciona. Não adianta perguntar "Instalei o pacote xxx mas meu yyy ainda não funciona. O que fazer ?" Diga o que você já tentou, qual o distribuição, qual o hardware e, o mais importante, quais as mensagens que o sistema lhe fornece. Essas informações são básicas para que os freqüentadores dos fóruns tenham um mínimo de base para te ajudar.

       

    • Você conseguiu a ajuda necessária e tudo funciona agora ? Excelente !! Não se esqueça de retornar ao fórum e informar que seu problema foi resolvido. Diga o que você fez para resolver, a partir das informações que você obteve. Isso vai ajudar novos usuários.

    Complementando: lembre-se de que alguns itens podem não funcionar no seu sistema, mesmo depois de muita ajuda. Duas possíveis causas: o item em questão não é mais suportado pelo Linux ou ainda não é suportado. Se for um item de baixo custo pode-se sempre pensar na sua troca por um que seja suportado. Se for um item de custo mais elevado pode-se aguardar que seja desenvolvido um pacote que permita seu funcionamento ou você mesmo pode desenvolver um processo. Neste último caso, não se esqueça de compartilhar sua descoberta com a comunidade Linux.

    Pronto! Agora você é um usuário Linux! O que ? Você ainda tem problemas ? Resolveu experimentar outra distribuição, instalou sem problemas mas seu modem( por exemplo) se recusa a funcionar ? Vejamos, o pacote que você usou para fazer seu modem funcionar não estaria desatualizado ? Você não teria se esquecido de instalar algum pacote importante (o pacote kernel-source é um bom exemplo) quando instalou o novo sistema ? Verifique esses pontos. Se o problema continuar, aonde você vai encontrar ajuda ? Isso mesmo ! Nos fóruns !

    Como ? Na verdade você simplesmente atualizou a distribuição por uma versão mais moderna ? E, ai, um item de hardware deixou de funcionar ? Certo, ele funcionava sem problemas antes. Voltamos a situação anterior. Será que o pacote que você instalou, para que aquele determinado item funcionasse, não estará obsoleto em relação a essa versão que você está usando agora ? E aonde você vai para conseguir ajuda ? Não, nos fóruns não! Pelo menos ainda não. Em primeiro lugar você deve ir ao site de onde você baixou aquele pacote pela primeira vez, pode ter uma versão mais atual. Depois sim, vá aos fóruns.

    Conforme você pode ver, a Internet, na figura dos sites sobre Linux e seus fóruns são aquelas entidades que irão funcionar como seus professores, permitindo que você tenha uma transição relativamente fácil, de Novo Usuário Linux para Usuário Linux. Mas nunca se esqueça: antes de perguntar pense, pesquise, leia a documentação disponível, experimente. Você vai aprender muito assim !




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20030808.html

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    Mr. Gates e Mr. Da Silva

    by linuxdicas (21/11/2007 - 02:43)

    Mr. Gates e Mr. Da Silva

    Copyright: No Mínimo (http://www.nominimo.com.br), 4/11/02, Pedro Doria

    "A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência mexeu com os nervos da empresa que está no cerne da revoulção tecnológica: a Microsoft. O Brasil é um dos maiores mercados sendo explorados pela companhia fundada por Bill Gates no final dos anos 70 mas, ao longo dos últimos anos, o PT vem se comprometendo com um projeto de tecnologia ligado ao software livre - antítese do que representa a Microsoft. Esta opção está marcada a tinta no programa do próximo governo federal e vem sendo executada por quase todos os governos importantes do PT, incluindo-se aí o Rio Grande do Sul, Campinas, Belo Horizonte e, agora, São Paulo.

    O primeiro gesto público de aproximação veio ainda na última semana da campanha de Lula, quando levados pelo senador petista eleito Cristóvam Buarque, representantes de Gates fizeram ao então candidato um convite formal para conhecê-lo. Esta reunião, que incluiria outros altos executivos de empresas de tecnologia como HP e Sun Microsystems, pode acontecer ainda antes da posse.

    O convite não ficou sem resposta. O grupo petista ligado ao software livre está organizando uma reunião paralela. Se Lula encontrar Gates, deverá encontrar, também nos EUA, gente como Richard Stallmann, presidente da Fundação do Software Livre e Linus Torvalds, criador do Linux. A idéia é mostrar que Lula conversa com todos mas não tem compromisso com ninguém em particular. Se este encontro for no Instituto de Tecnologia de Massachussets, onde Stallmann mantém seu escritório, estarão presentes também meia dúzia de homens que podem colocar em seus currículos a paternidade da Internet. Serão pesos pesados de ambos os lados.

    Vai ser uma dura mudança para a Microsoft. A estatística que circula pelo Congresso Nacional é que, dado o volume da pirataria de software no Brasil, o governo representa 80% dos lucros da empresa no país. Vem sendo uma relação complicada e monopolista. A Microsoft permite a apenas uma empresa, a TBA de Brasília, as vendas para o governo, impedindo qualquer licitação por seus produtos. O software livre é, neste sentido, um competidor árduo, já que sai virtualmente de graça. O que custa é o treinamento. A experiência dos últimos meses do Serpro, ligado ao Ministério da Fazenda, parece indicar que este treino, para o usuário típico, nem é tanto assim.

    Embora em seu discurso oficial a empresa que fabrica o Windows banque horror à pirataria, na prática, desde sua fundação, a relação tem sido diferente. Ela é discretamente estimulada. No início, usuários são incentivados a usar os produtos ao máximo até criar o hábito. Então, quando a base instalada ganha o vulto de milhões, como vem acontecendo no Brasil nos últimos anos, campanhas contra pirataria, que incluem pesadas multas contra empresas que podem levá-las ao fechamento, são movidas. O objetivo é transformar o monopólio adquirido em lucro. Daí a distorção em ter no governo seu maior cliente.

    Virada estratégica

    No último mês, a Microsoft fez uma mudança radical de rumos em sua estratégia mundial. Colocou o Linux, e com ele todo o movimento do software livre, como inimigo primordial. A mudança foi representada por um email enviado pessoalmente por Bill Gates a todos os funcionários da empresa - na última vez que isso aconteceu, em meados da década de 1990, Gates cobrava de todos como compromisso prioritário com a Internet.

    Nesta nova mensagem, o presidente da Microsoft informou a todos que a empresa precisava lidar com a questão da segurança. Seus softwares nunca foram seguros. Têm falhas mil no código que permitem a rápida infecção por vírus ou intrusão de hackers. Se isso, no entanto, nunca havia servido de obstáculo, nos últimos dois, três anos, após prejuízos monumentais, muitas empresas têm-se voltado para o padrão Linux.

    Segundo Gates, entre incluir uma novidade num software e corrigir um problema, passa-se a priorizar a solução do problema. É uma mudança radical de cultura. Parte da estratégia da empresa foi sempre produzir novas versões de seus programas, todas com muitas novidades, permitindo-lhe vender um Word novo para quem já comprou a toda hora. Isso, mesmo que nada das novidades viessem a ser usadas por muita gente.

    Em um ou dois anos, isso quer dizer que os softwares da Microsoft serão melhores - mas não resolve o problema de hoje, nem muitos dos outros de amanhã. Aí entra a crescente diplomacia à qual a empresa tem-se dedicado. Depois que no governo democrata de Bill Clinton viu-se quase condenada à cisão, por conta de práticas que, entendeu na época a Justiça norte-americana, violavam a legislação anti-truste daquele país, a empresa passou a investir nos relacionamentos com os governos.

    Por conta, seu presidente mundial, Steve Ballmer, vem visitando países e encontrando-se com governantes. Esteve com o presidente Fernando Henrique em 2001. Além disto, em abril último convidou políticos proeminentes de todo o mundo para uma grande conferência de líderes mundiais em Seattle a fim de discutir o uso da tecnologia nos governos. Entre os agraciados com o convite estava Cristóvam.

    O uso na educação

    O ex-governador do Distrito Federal esteve a sós com Ballmer na época, quando conversaram a respeito do uso de tecnologia para educação. Cristóvam saiu bem impressionado do encontro. Ele, que é um dos mais importantes nomes do PT na área da educação, é pai do projeto Bolsa Escola que foi encampado pelo governo FH. Seu nome, junto com o do físico carioca Luiz Pinguelli Rosa, é um dos mais cotados para assumir o MEC.

    A relação de informática com educação vem sendo pesadamente questionada nas últimas semanas, após um estudo israelense indicar que o computador na sala de aula às vezes até distrai o aluno do real ensino. Há que se levar em conta, no entanto, a crucial diferença entre Israel - e por conseqüência a Europa, onde o estudo está sendo levado a sério - com o Brasil. Lá, as crianças têm computador em casa. Daí volta à tona um dos mais importantes projetos que se viram frustrados na administração do ministro Paulo Renato: o do FUST, que pretende levar computadores a todas as escolas públicas do país.

    Na época, no segundo semestre de 2001, o MEC decidiu que os computadores deveriam rodar, todos, o Windows da Microsoft. O projeto terminou alvo de uma investigação por parte do Ministério Público, dado que se as máquinas rodassem Linux, poderiam ser compradas em dobro. Os deputados federais Walter Pinheiro (PT-BA) e Sergio Miranda (PCdoB-MG) terminaram por aprovar uma emenda que forçava, também e no mínimo, a instalação do Linux.

    Independentemente da óbvia vantagem do preço, a bancada do software livre no Congresso, que tem em seus líderes Pinheiro e Miranda, apresenta um argumento sólido mas de difícil compreensão: o código aberto. Quando escrito, um programa é literalmente redigido numa linguagem e só no fim deste processo é que ele é transformado num executável, algo que a máquina compreenda. Esta primeira versão, compreensível por pessoas, no caso dos softwares livres, é igualmente pública. No caso da Microsoft, não, ela é considerada informação privilegiada de domínio privado.

    Numa análise geral, isso quer dizer que um técnico nunca sabe exatamente o que um programa da Microsoft faz. Ele pode - e o caso é real - enviar informação a respeito do usuário para os computadores da empresa, nos EUA, sem que o mesmo usuário jamais desconfie. Um perigo quando se pensa numa máquina que lida com informações secretas do governo - e um dos motivos alegados por governos nos quatro cantos do mundo para adotar o Linux.

    Mas há uma questão mais sutil. Quando Bill Gates ainda era um menino maravilhado com tecnologia, no início dos anos 1970, ele aprendeu a fazer seus pequenos milagres digitais usando um computador cedido gentilmente por uma universidade. Neste computador, ele tinha acesso não apenas aos programas prontos, mas também aos esqueletos deles. Lendo o código escrito por outros para os computadores é que entendeu seus processos. Jovens Bill Gates aparecem em todas as classes sociais - dependem, apenas, de ter a mesma oportunidade: acesso a computadores e ao código de seus programas.

    A alegação do MEC era, e continua sendo, que os sistemas da Microsoft são o padrão do mercado. Alunos educados com seus sistemas, no entanto, aprendem no máximo a ser operadores de Excell ou PowerPoint - não têm muito como fuçar as entranhas e descobrir seus segredos, quanto mais condições de sonhar com vôos altos. O Brasil já cometeu este erro uma vez.

    Veja-se o exemplo da Índia. Enquanto aqui o país jogou no alto os impostos dos computadores, nos anos 80, para estimular a produção interna de máquinas, a Índia jogou para baixo. Taxou caro apenas o software. O resultado foi uma legião de meninos brilhantes que hoje ocupam cargos entre os altos executivos de, sem exceção, todas as grandes empresas de tecnologia. Incluindo a própria Microsoft.

    O encontro com Bill Gates

    Não serão poucas as pressões que o presidente-eleito Lula vai enfrentar para lidar com a chaga da exclusão digital, que ameaça, a cada turma formada, mais uma geração de brasileiros. Aprende-se a lidar profundamente com computador ainda criança, não depois. O Brasil precisará de todos os parceiros com os quais pode contar. E Bill Gates, não apenas através da Microsoft, mas também de sua Fundação, é um parceiro precioso.

    Lula confirma, apenas, sua viagem à Argentina. Mas dentro do PT já se lida abertamente com a possibilidade de uma viagem aos EUA anterior à posse, para o encontro com o presidente George W. Bush. Além de um gesto de boa vizinhança, é uma maneira discreta de reiterar que ele não é um ditador como Fidel Castrou ou, a seu modo, Hugo Chávez.

    Aproveitar a passagem para visitar Gates e os outros líderes da indústria digital, na análise do PT, produzirá boas fotos para o consumo interno de Wall Street - distanciando-o da maneira como Castro, por exemplo, lida com Internet. O outro encontro, com os principais líderes do software livre, também não fará nada feio. Ambos formam um compromisso com tecnologia e reiteram o interesse do Brasil.

    E, se Cristóvam está ligado à Microsoft, Pinguelli comandou no governo de Benedita da Silva, no Rio, o início da mudança para o software livre. O mercado de capitais pode estar de olho em quem ocupará a Fazenda e o BC. O de tecnologia está louco para saber quem ficará com o MEC."




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20021109.html

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    Configurando o OpenOffice

    by linuxdicas (20/11/2007 - 04:09)

    Configurando o OpenOffice

    Colaboração: Carlos E. Morimoto

    O OpenOffice é um dos aplicativos mais complexos que temos no Linux, com mais linhas de código que o próprio Kernel e um sem número de componentes e bibliotecas diferentes. Ele também inclui suporte a diversas línguas e a Java, o que torna o conjunto ainda mais complexo :).

    É possível obter o OpenOffice a partir de dois lugares. No http://www.openoffice.org/, você pode baixar o pacote oficial da Sun, disponibilizado em várias línguas (que é o pacote que vem pré-instalado na maioria das distribuições), enquanto no http://www.openoffice.org.br/ você encontra o pacote localizado para o Brasil, mantido pela equipe responsável pela tradução para o Português do Brasil, ainda na época do StarOffice.

    Na pasta de downloads do site, você encontra três pacotes:

    1. OOo_2.0_Win32Intel_install.exe: O pacote com o instalador for Windows.

       

    2. OOo_2.0_LinuxIntel_install_debs.tar.gz: O pacote compactado, contendo o OpenOffice empacotado na forma de pacotes .deb.

       

    3. OOo_2.0_LinuxIntel_install_rpms.tar.gz: Tem o mesmo conteúdo, mas empacotados na forma de pacotes RPM.

    Pela lógica, se você usasse o Ubuntu, Kurumin, ou qualquer outra distribuição derivada do Debian, você baixaria os pacotes contendo os pacotes .deb. Mas, isto nem sempre é uma boa idéia, pois este pacote é gerado para trabalhar no Debian unstable e tem um grande número de dependências, que impedem que seja instalado em muitas distribuições.

    Ao invés disso, a instalação é mais simples se você baixar o pacote com os pacotes RPM e convertê-los usando o alien. Para isso, comece instalando o alien pelo apt-get, como em:

     # apt-get install alien 

     

    Descompacte o pacote e, dentro da pasta contendo os pacotes .rpm, rode o comando que faz a conversão:

     # alien *.rpm 

     

    Isso vai gerar um conjunto de pacotes com o mesmo nome, porém com a extensão .deb. Você pode em seguida instalá-los usando o comando:

     # dpkg -i *.deb 

     

    Na pasta desktop-integration você encontra pacotes contendo os ícones do menu iniciar para várias distribuições. Lembre-se que você deve instalar apenas um deles. O arquivo com os pacotes .deb contém o pacote openoffice.org-debian-menus, com os ícones para as distribuições derivadas do Debian.

    Na verdade, esta parte da instalação não é necessária na grande maioria dos casos, pois o OpenOffice já vem pré instalado na maioria das distribuições. O próximo passo é o corretor ortográfico, uma peça essencial se você realmente usa o OpenOffice no dia a dia.

    O OpenOffice 2.0 é por padrão instalado dentro da pasta /opt/openoffice.org2.0. Em algumas distribuições, que incluem pacotes próprios, a pasta de instalação pode ser a /usr/lib/openoffice2 ou mesmo /usr/share/openoffice, mas este é um daqueles casos em que a ordem não altera o resultado.

    Dentro da pasta de instalação, acesse o diretório share/dict/ooo/, que é onde vão os dicionários da correção ortográfica. O corretor completo é composto por três componentes, o corretor propriamente dito, o hifenizador (que entende a divisão das sílabas) e o dicionário de sinônimos (thesaurus), que inclui uma longa lista com variações de palavras, que complementa o dicionário principal.

    O pacote do OpenOffice da Sun vem apenas com um deles (o corretor). O pacote do OpenOffice.org.br vinha com os três na época do 1.1.3, mas estranhamente passou a vir apenas com apenas o corretor, na versão 2.0, resultando numa correção ortográfica bastante pobre.

    Você pode verificar o status do seu, em Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica. Se apenas o OpenOffice.org MySpell SpellChecker estiver disponível, (como neste screenshot do OpenOffice incluído no Ubuntu 5.10), significa que apenas o corretor está instalado.

    Mas, não existe motivo para pânico :). Você pode baixar o restante dos componentes aqui:

    http://guiadohardware.net/kurumin/download/dics-oo2-kurumin.tar.gz

    Como o nome sugere, este é o arquivo com os dicionários que reuni para uso no Kurumin, mas que naturalmente pode ser usado em qualquer distribuição. Para instalar, descompacte o arquivo e copie seu conteúdo para dentro da pasta /share/dict/ooo/, dentro do diretório de instalação do OpenOffice, substituindo os arquivos existentes.

    Se você escreve textos técnicos, pode baixar também o meu dicionário pessoal, que contém uma lista enorme de termos técnicos, que ao ser instalado faz o corretor deixar de marcar os termos como palavras incorretas. Salve o arquivo na pasta share/wordbook/pt-BR/ dentro da pasta de instalação do OpenOffice. Desculpe pelo link longo ;).

    http://www.guiadohardware.net/kurumin/skel/.openoffice.org2/user/wordbook/kurumin.dic

    Depois de salvar os arquivos, feche todas as janelas do OpenOffice e abra-o novamente. Isso fará com que ele encontre os novos arquivos e ofereça a opção de usá-los. Volte ao Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica e você verá que apareceram mais duas opções no campo Módulos de Idiomas disponíveis e o dicionário kurumin no campo Dicionários definidos pelo usuário. Marque todas as opções e você ficará com o corretor completo.

    No campo opções marque a opção Verificar em todos os idiomas. O pacote dos dicionários que disponibilizei contém também os arquivos do corretor em Inglês (en_US), de forma que ao ativar esta opção o corretor passará a entender também palavras em Inglês (simultaneamente com as em Português) o que acaba sendo bastante útil, já que é muito comum usarmos termos e palavras do Inglês no dia a dia.

    Isso evita que você tenha que abaixar e instalar todo o pacote do Openoffice.org.br só por que os corretores não vieram em ordem. O próximo passo é dar uma olhada geral nas configurações, para reduzir o tempo de carregamento e uso de memória.

    É quase que um consenso que o OpenOffice é pesado e que demora pra abrir. Mas grande parte do peso é devido à configuração padrão, que está longe de ser otimizada. A maior parte das configurações é definida durante a compilação e por isso não podem ser alteradas facilmente, mas existem duas configurações simples que podem ser modificadas rapidamente pelo Ferramentas > Opções e resultam em resultados interessantes.

    A primeira é desativar o Java na opção OpenOffice.org > Java > Usar um JRE. Na verdade, o Java foi integrado artificialmente ao OpenOffice, como uma tentativa da Sun de integrar os dois produtos, fazendo com que a popularidade do OpenOffice impulsionasse também o uso do Java de uma forma geral. O Java é usado apenas em macros, algumas funções dentro do Base (o banco de dados incluído no OpenOffice 2.0) e os assistentes para criação de documentos.

    Desativar o Java reduz o tempo de carregamento do OpenOffice quase pela metade e de quebra diminui o uso de memória em quase 30 MB. Você tem a opção de reativar o Java ao tentar usar qualquer opção que realmente precise dele, de forma que você pode desativa-lo com segurança.

    Um dos motivos do OpenOffice demorar mais para abrir e salvar documentos do que o MS Office é o fato dele salvar todas as imagens e o próprio texto e formatação do documento num formato compactado, que resulta em arquivos brutalmente menores que os do Office, mas que exigem muito mais processamento para serem criados e abertos.

    Uma forma de reduzir o tempo de carregamento é aumentar o tamanho do cache gráfico, na opção OpenOffice.org > Memória > Cache Gráfico. Usar um cache maior faz com que o OpenOffice consuma mais memória RAM, mas fique perceptivelmente mais rápido. Se você tem um micro com 512 MB, vai ter bons resultados reservando de 80 a 150 MB dentro da opção Utilização para o OpenOffice.org. Se, por outro lado, você tem um micro com 256 MB ou menos, vai ter melhores resultados usando um cache menor, de 20 a 40 MB. Ajuste também a opção Memória por Objeto, que deve ser proporcional ao tamanho total do cache. Ao usar um cache maior, aumente o valor e ao usar um cache menor, reduza-o.

    Desativando o Java, aumentando o tamanho dos cache e fuçando um pouco mais nas configurações é possível fazer o OpenOffice carregar em cerca 6 segundos num Sempron 2800 com 512 MB (primeiro carregamento, sem preloading) e em pouco mais de 3 segundos a partir do segundo carregamento (quando ele já está armazenado no cache de disco) e consumindo bem menos memória RAM que de costume.


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    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20051116.html

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    Por que somos contra a propriedade intelectual?

    by linuxdicas (20/11/2007 - 01:04)

    Por que somos contra a propriedade intelectual?

    Colaboração: Pablo Ortellado <pablo arroba riseup.net>

    Enquanto a publicação aberta é uma característica bastante conhecida do site do Centro de Mídia Independente [1] (CMI), a idéia irmã, de "copyleft", de subversão dos direitos autorais, é ainda muito pouco conhecida e discutida. No rodapé da página principal do site, ao invés da tradicional nota lembrando os direitos autorais, lemos o seguinte: "(C) Centro de Mídia Independente. É autorizada a reprodução, na rede ou em outra parte, para uso não comercial, desde que citada a fonte." Ao invés de restringir a divulgação, a nota de "copyleft" (um trocadilho com "copyright"), permite e mesmo estimula a distribuição posterior da informação que o site veicula. Essa política de "copyleft" faz parte de um movimento amplo de oposição aos direitos de propriedade intelectual. [2]

    COPYRIGHT

    Embora nossa sociedade tenha assistido um longo debate sobre a propriedade privada nos últimos dois séculos, pouco ainda foi dito sobre o caráter peculiar desse estranho tipo de propriedade que é a propriedade intelectual. Em geral, a propriedade é justificada como uma garantia de uso e disposição do proprietário àquilo que lhe é de direito (por herança ou por trabalho). Em outras palavras, alguém que adquiriu uma propriedade está garantindo para si a utilização de um bem - e está tendo essa garantia porque fez por merecer. Se alguém possui uma casa, por exemplo, a propriedade privada dessa casa garante ao dono o acesso a ela quando bem entender e sua utilização para os fins que escolher (além de poder dispô-la: vendê-la, emprestá-la, etc. - se desejar). Se essa casa fosse compartilhada com outras pessoas, no momento em que essas outras pessoas a estivessem utilizando, ele estaria privado daquela casa que fez por merecer. Quando uma pessoa utiliza a casa, a outra não consegue utilizá-la (pelo menos não na sua totalidade). Isso vale para todos os tipos de bens materiais.

    Mas o caso da propriedade intelectual é diferente e seus teóricos sabiam disso desde o princípio. A legislação sobre a propriedade intelectual tem origem na Inglaterra, numa lei de 1710, mas foi nos Estados Unidos que ela foi teorizada e consolidada pelos "pais fundadores". Esses homens que fundaram a república americana e escreveram a constituição sabiam que a propriedade intelectual era diferente da propriedade material. Eles sabiam que canções, poemas, invenções e idéias não têm a mesma natureza dos objetos materiais que eram garantidos pelas leis de proteção à propriedade. Se quando eu uso uma bicicleta, a outra pessoa é privada do seu uso (porque, a princípio, duas pessoas não podem usar a mesma bicicleta ao mesmo tempo - principalmente se vão para lugares diferentes), quando eu leio um poema, a coisa é diferente. Eu posso ler o poema ao mesmo tempo que o "dono" do poema e meu ato de ler não apenas não priva, como não atrapalha em nada a leitura dele. Thomas Jefferson, um dos pais fundadores e um dos primeiros responsáveis pelo escritório de patentes dos Estados Unidos discutiu isso numa carta famosa que, à certa altura, diz:

    "Se a natureza produziu uma coisa menos sucetível de propriedade exclusiva que todas as outras, essa coisa é a ação do poder de pensar que chamamos de idéia, que um indivíduo pode possuir com exclusividade apenas se mantém para si mesmo. Mas, no momento em que a divulga, ela é forçosamente possuída por todo mundo e aquele que a recebe não consegue se desembaraçar dela. Seu caráter peculiar também é que ninguém a possui de menos, porque todos os outros a possuem integralmente. Aquele que recebe uma idéia de mim, recebe instrução para si sem que haja diminuição da minha, da mesma forma que quem acende um lampião no meu, recebe luz sem que a minha seja apagada." [3]

    Dessa forma, não parecia haver motivo para se transformar idéias (e canções, livros e invenções) em propriedade. No entanto, o mesmo Thomas Jefferson lembra da necessidade de se estimular a criação de invenções "para o bem do público" e esse estímulo - para ele - só poderia ser a recompensa (com bens materiais) ao "criador". As idéias, justamente porque têm a característica de uma vez expressas serem assimiladas por todos que a recebem, devem ser especialmente protegidas, para que os criadores de idéias não fiquem desistimulados de criá-las e expressá-las. Aquele que cria a idéia deve ter o direito sobre ela, de forma que toda a vez que alguém a utilize ou a receba, ele tenha uma recompensa material. O autor de um livro deve receber os direitos autorais pela publicação e o inventor, o direito pelo uso da patente. Assim, diz a constituição americana: "O Congresso deve ter o poder de promover o progresso das ciências e das artes úteis assegurando aos autores e inventores, por um período limitado, o direito exclusivo aos seus escritos e descobertas." [4] Com o direito exclusivo às suas criações, os autores e inventores podem explorar comercialmente as suas idéias e conseguir a justa recompensa pelo seu esforço e talento. A recompensa é o estímulo para que o criador produza ainda mais e a sociedade progrida em direção ao bem comum.

    Mas esse mesmo bem comum pode ser ameaçado pela proteção excessiva à propriedade das idéias. Se se cria muitos entraves, então, pode-se impedir, ao invés de promover a "instrução mútua e a melhoria das condições". Partindo de sua experiência no escritório de patentes, Jefferson observa que "considerando o direito exclusivo de invenção como dado, não pelo direito natural, mas para o benefício da sociedade", há inúmeras "dificuldades em separar com clareza as coisas que valem a pena para o público o embaraço de uma patente exclusiva, daquelas que não valem." Em outras palavras, a questão é até que ponto a introdução do direito de propriedade intelectual, ao invés de promover, termina por constranger o progresso do saber, da cultura e da tecnologia. Se os critérios para se estabelecer a propriedade são rígidos e a duração do direito longa demais, então, pode-se dificultar o aproveitamento social da criação. Esta é a questão fundamental discutida em toda a legislação sobre a extensão do direito de propriedade intelectual.

    Na Inglaterra, a pioneira em estabelecer uma legislação de propriedade intelectual, o debate começou no século XVIII e percorreu os três séculos seguintes. Em 1841, foi feita mais uma tentativa de ampliar a duração dos direitos autorais, que, nesse período, cessavam depois de 20 anos da morte do autor. O famoso historiador Thomas Babington Macaulay fez uma histórica intervenção no Parlamento no qual criticava um projeto de lei que propunha ampliar o direito autoral para 60 anos após o falecimento do autor. Seguindo a longa tradição anglo-saxã que legislava sobre o tema, Macaulay balanceava o direito do autor em ser remunerado e o interesse social de usufruir as criações o quanto antes e com o menor custo. Segundo ele, o sistema de direitos autorais, tem vantagens e desvantagens e por isso não é preto, nem branco, mas cinza. O direito exclusivo de propriedade intelectual, para ele, no fundo é ruim, porque cria um "monopólio", o que encarece o "produto" e o torna menos acessivel a todos. Mas, por outro lado, ele é bom, porque permite que o criador seja remunerado pela criação. De um lado, temos a necessidade do monopólio na exploração comercial de um livro - de forma que apenas um editor possa lançar e vender o livro. Mas, por outro, esse monopólio que sustenta o autor, prejudica a sociedade, encarecendo o livro e tornando sua difusão mais difícil. Em suas palavras, "é bom que os autores sejam remunerados e a forma menos excepcional de serem remuneados é pelo monopólio. No entanto, o monopólio é ruim. Para que se consiga o que é bom, devemos nos submeter ao que é ruim."

    Toda a questão para Macaulay (e para toda a tradição anglo-saxã dominante) era saber a medida exata em que a submissão do bom ao ruim era proveitosa: "o ruim não deve durar um único dia a mais do que o necessário para assegurar o que é bom." Mas quanto deve durar esse tempo? O projeto em trâmite no parlamento pretendia ampliar o direito de 20 para 60 anos após a morte do autor. Segundo Macaulay, esse período era muito grande e não trazia nenhuma vantagem em relação ao período vigente de 20 anos (que ele dá a entender que já era excessivo). Se o objetivo do direito autoral é estimular a criação, uma recompensa tão distante e após a morte não parecia ser eficiente. Macauly argumenta: "Sabemos bem quão pouco somos afetados pela perspectiva de vantagens distantes, mesmo quando são vantagens que nós mesmos aproveitaremos. Mas uma vantagem que será aproveitada mais de meio século depois que morrermos, por pessoas que talvez não conhecemos, que talvez não tenham nascido, por pessoas que finalmente não tenham conexão conosco não parece ser motivo algum para a ação [criadora]." [5]

    Com pequenas mudanças de ênfase, o debate sobre a propriedade intelectual permaneceu sempre marcado pela disputa sobre o ponto de equilíbrio entre o estímulo à criação e o interesse social de usufruir o resultado da criação. [6] A primeira lei inglesa, de 1710, dava ao criador o direito exclusivo sobre um livro por 14 anos e, se o autor ainda estivesse vivo quando o direito expirasse, poderia renovar o direito por mais 14 anos. A legislação americana baseou-se na inglesa e nos atos de patentes e de direitos autorais de 1790 retomou os períodos de 14 anos, renováveis por outros 14. Em 1831, o Congresso americano revisou as leis de direitos autorais substituindo o período inicial de 14 anos, por um de 28, renovável por mais 14. Em 1909, as leis foram novamente revisadas e o período foi mais uma vez ampliado para 28 anos iniciais renováveis por mais 28 anos.

    Mais recentemente, porém, com o aumento do poder da indústria cultural, a extensão do direito à propriedade intelectual ultrapassou de longe os vinte anos após a morte que incomodavam o historiador Thomas Macaulay em 1841. As pressões começaram em 1955, quando o Congresso americano autorizou o escritório de patentes a desenvolver um estudo com vistas a revisar as leis de direito autoral vigentes. O relatório final recomendava a ampliação do período de renovação de 28 para 48 anos. As organizações de escritores e a indústria cultural (principalmente as editoras), no entanto, insistiam num período que cobrisse a vida do autor mais 50 anos após a sua morte. O pretexto para esse período longuíssimo era a "modernização" das leis de direitos autorais e a adequação delas à Convenção de Berne. [7] Como a disputa não parecia poder ser resolvida no curto prazo e os direitos estavam começando a expirar, os lobbistas conseguiram um adiamento extraordinário do vencimento dos direitos que estavam por expirar, do ano de 1962 para o ano de 1965, enquanto a matéria não era definitivamente votada no Congresso. Apesar das reiteradas objeções do Departamento de Justiça, a polêmica em torno do assunto levou a outros oito adiamentos "extraordinários", de 1965 para 1967, de 1967 para 1968, de 1968 para 1969, de 1969 para 1970, de 1970 para 1971, de 1971 para 1972, de 1972 para 1974 e de 1974 para 1976, tudo em nome dos interesses dos detentores dos direitos (normalmente empresas e não os descendentes dos autores) e em detrimento do domínio público. Em 1976, finalmente, o Congresso aprovou uma nova e "moderna" lei de direitos autorais, atribuindo um período de vigência do direito por toda a vida do autor mais 50 anos e para trabalhos encomendados por empresas, um período de 75 anos após a publicação ou 100 anos após a criação, o que fosse mais curto.

    Em meados dos 90, no entanto, mais uma vez uma série de preciosas obras em poder da indústria cultural aproximaram-se do prazo de expiração dos direitos autorais. E, mais uma vez, a legislação internacional "mais moderna" [8] serviu de pretexto para a ampliação dos prazos de vigência dos direitos. Desde o final dos anos 80, empresas como a Walt Disney e a Time Warner começaram a preocupar-se com algumas de suas obras cujos direitos autorais cessariam nos primeiros anos do novo século. A Disney preocupava-se com o personagem Mickey Mouse que entraria em domínio público em 2003, com o Pluto que entraria em 2005 e com o Pateta e o Pato Donald que entrariam em 2007 e 2009, respectivamente. Já a Warner preocupava-se com o personagem Perna Longa cujos direitos expiravam em 2015 e com uma série de obras cujos direitos possuia, entre elas, o filme "E o vento levou" que expirava em 2014 e uma série de músicas de George Gershin, entre elas a canção "Rhapsody in Blue" e a ópera "Porgy and Bess", cujos direitos expiravam em 1998 e 2010, respectivamente.

    Temendo sofrer grandes prejuízos pela perda dos direitos autorais, Disney, Warner e a indústria cinematográfica fizeram uma pesada campanha de lobby encabeçada no Congresso pelo Senador Trent Lott. O resultado foi a ampliação, em 1998, dos direitos autorais após a morte do autor de 50 para 70 anos, caso o direito fosse propriedade de uma pessoa e a ampliação de 75 para 95 anos caso o direito fosse propriedade de uma empresa. Com isso, além das obras das duas empresas, ganharam mais 20 anos de exploração comercial exclusiva romances como "O grande Gatsby" de Scott Fitzgerald e "Adeus às armas" de Ernest Hemingway (cujos direitos detidos pela Viacom venceriam em 2000 e 2004, respectivamente) e músicas como o "Concerto número 2 para violino" de Prokofiev e "Smokes Get in Your Eyes" de Kern e Harbach (cujos direitos, da Boosey & Hawks e da Universal, venceriam em 1999 e 2008 respectivamente).

    COPYLEFT

    Voltemos agora aos fundamentos da legislação sobre propriedade intelectual (nome genérico que abrange os direitos autorais, de patentes e de marcas). Como vimos, desde que a legislação foi primeiramente elaborada, ela sempre foi justificada pelo estímulo material que o criador receberia. Mas será que o estímulo material é o único e o melhor estímulo que pode-se dar para o desenvolvimento do saber, da cultura e da tecnologia? Será que antes do advento das leis de propriedade intelectual as pessoas não eram estimuladas a escrever livros e canções e a inventar dispositivos tecnológicos?

    Antes que Thomas Jefferson atuasse no escritório de patentes, Benjamin Franklin que com ele e John Adams redigiria a Declaração de Independência, tinha uma ativa vida de criador, tendo se tornado conhecido em todo mundo por seus experimentos e invenções. Realizador da famosa experiência com a pipa que provava que os raios eram descargas elétricas e autor de invenções como o óculos bi-focal e o pára-raios, Benjamin Franklin sempre se recusou a patentear suas invenções. Em sua autobiografia podemos ver os motivos pelos quais se recusava a explorar comercialmente os inventos. Vale a pena citar um longo trecho:

    "Tendo inventado, em 1742, um forno aberto para o melhor aquecimento de aposentos e ao mesmo tempo, economia de combustível, na medida que o ar fresco incorporado era aquecido na entrada, fiz um presente do modelo para o Sr. Robert Grace, um dos meus amigos mais antigos, que, tendo uma fornalha de ferro, considerou a disposição das placas desse fogão uma coisa muito útil, já que aumetava a sua procura. Para promover essa demanda, eu escrevi e publiquei um panfleto de título: 'Um relato do novo forno da Pensilvânia; no qual sua construção e modo de operação são detalhadamente explicados; suas vantagens sobre qualquer outro método de aquecimento de aposentos são demonstradas; e todas as objeções que foram levantadas contra o seu uso são respondidas e esclarecidas, etc.' O panfleto teve uma boa resposta. O Governador Thomas ficou tão satisfeito com a construção desse fogão, tal como está descrito, que me ofereceu uma patente para a venda exclusiva deles por um período de anos. Eu recusei, no entanto, baseado num princípio que sempre pesou para mim em tais situações: uma vez que tiramos grandes vantagens das invenções alheias, devemos ficar felizes de ter uma oportunidade de servir aos outros com quaisquer de nossas próprias invenções; e isso devemos fazer de forma gratuita e generosa." [9]

    O fato de que homens talentosos como Benjamin Franklin nunca se sentiram estimulados pela perspectiva de retorno material por suas descobertas sempre foi levado em conta no debate sobre os direitos de propriedade intelectual. O historiador Thomas Macauly, por exemplo, que defendia os direitos segundo os princípios clássicos era obrigado a fazer ressalvas quando mencionava a contribuição que os ricos davam para a criação de obras e inventos: "Os ricos e os nobres não são levados ao exercício intelectual pela necessidade. Eles podem ser movidos para a prática intelectual pelo desejo de se distinguirem ou pelo desejo de auxiliar a comunidade." Mas será que a vaidade de produzir uma obra única ou a generosidade de produzir um bem para a comunidade são virtudes exclusivas dos ricos? Boa parte do desenvolvimento artístico parece dizer que não. Pintores importantes como Rembrandt, Van Gogh e Gauguin morreram na pobreza e sem reconhecimento, assim como músicos como Mozart e Schubert e um escritor como Kafka, embora nunca tenha sido verdadeiramente pobre, não chegou a ser reconhecido em vida. Será que a falta de perspectiva de recompensa material em algum momento impediu que eles se dedicassem à música, à pintura ou à literatura? Será que não tinham outro tipo de motivação - a expectativa do reconhecimento póstumo, o simples amor pela sua arte?

    A questão da propriedade intelectual, quando pensada fora da imagem tradicional da balança que opõe estímulo material ao criador e interesse social em usufruir a obra ou invenção, leva a muitas outras ordens de consideração. Será que os artistas devem ser remunerados pela criação das obras? Poderiam eles contribuir para esse bem coletivo e anônimo que é a cultura humana sem ter usufruído e incorporado antes a rica e generosa contribuição dos outros artistas, contemporâneos e do passado? E se achamos que é preciso um estímulo material além da vaidade pessoal e da vontade de contribuir para o bem comum, não seria possível então desenvolver um sistema público de recompensa para os inventores, como sugere o economista Stephen Marglin? [10] Um sistema que premiasse as grandes idéias - por meio de concursos públicos, por exemplo - mas que não limitasse o uso dessas idéias a um empreendor individual?

    Na verdade, questões como essas - se deve-se ou não recompensar materialmente a criação e se a melhor forma de fazê-lo é através da exploração comercial privada - são questões às quais não cabem respostas teóricas. São os movimentos sociais que estão buscando alternativas concretas à propriedade intelectual que deverão oferecer as respostas - e, de fato, já estão a fazer.

    Desde que obras e patentes passaram a ser registradas, os direitos sobre elas passaram a ser violados. Uma parte dessa violação dos direitos é, sem dúvida, mero crime. No entanto, à parte a violação marginal e clandestina dos direitos de propriedade intelectual (que pode ser muito grande, até mesmo dominante), sempre houve um fênomeno diferente de desobediência civil das leis que instauravam esses direitos. A desobediência civil, como se sabe, é muito diferente do crime. O crime é uma violação de lei clandestina, feita às escondidas e com o entendimento de que a lei que se viola é legítima. A desobediência civil, por sua vez, é uma violação pública das leis motivada por seu caráter ilegítimo. A desobediência civil se faz abertamente e ela não reconhece que a lei que está sendo infringida seja justa.

    Desde que os direitos de propriedade intelectual foram instaurados, houve uma resistência aberta à sua aplicação no setor privado e comunitário. A enorme dificuldade de fiscalização fez com que essa desobediência civil tivesse um caráter passivo, que não se engajava na contestação das leis de propriedade intelectual, mas simplesmente as ignorava. As pessoas sabiam que os direitos existiam e deviam ser respeitados e simplesmente passavam por cima deles porque achavam que eram absurdos. Evidentemente não estou me referindo à pirataria comercial que era, sem exagero, apenas crime. A indústria pirata reconhecia a legislação vigente e fugia dela de forma clandestina, sem contestá-la. Aliás, todo industrial pirata não podia aspirar a coisa maior do que transformar sua indústria pirata numa indústria legal e passar a utilizar assim os direitos autorais a seu favor.

    Mas coisa muito diferente eram os usuários que reproduziam a obra para fins não comerciais - "para a sua instrução mútua e a melhoria das condições", como dizia Jefferson. Quando aparelhos de reprodução se popularizaram (o mimeógrafo, a fita cassete, a copiadora e em seguida a reprodução digital por computador), as pessoas automaticamente começaram a reproduzir livros, canções, fotos e vídeos, para si e seus amigos, sem pagar os devidos direitos, assim como, antes, já encenavam peças nas escolas e nos bairros e cantavam e tocavam canções para os amigos e para a comunidade também sem pagar os direitos. Por mais que a campanha "cívica" promovida pela indústria e pelo governo lembrasse a todos a importância de "pagar os direitos", as pessoas desconfiavam, frequentemente de forma intuitiva, que aquele pagamento não fazia sentido pois quem apenas usufria desse bem coletivo que é a cultura humana não podia estar roubando nada de ninguém. Como Benjamin Frankliln havia escrito na sua autobiografia, na produção da cultura (e do saber e da tecnologia), nada pode ser feito sem que se tenha antes aprendido com a imensa comunidade dos outros produtores contemporâneos e dos que nos precederam. E da mesma forma que usufruimos e aprendemos gratuitamente com todos eles - de maneira tão ampla que sequer podemos nomeá-los individualmente - devemos disponibilizar nossa contribuição para a formação das novas gerações.

    Embora nem a indústria, nem o governo tenham conseguido coibir de forma eficiente o uso privado e comunitário das obras sem o pagamento dos direitos autorais correspondentes, [11] eles fizeram o possível e o impossível para obstruir a difusão de tecnologias de reprodução doméstica. [12] Foi assim, em 1964, quando a Phillips lançou o cassete de aúdio e a indústria fonográfica primeiro tentou impedir o lançamento do produto e depois fez lobby no Congresso para que fosse criado um imposto sobre os cassetes virgens para compensar as "perdas" da indústria resultantes das cópias que os usuários fariam de seus LPs para cassetes. O mesmo aconteceu em 1976 quando a Sony lançou o videocassete formato Betamax. A Universal Studios e a Walt Disney abriram um processo contra a Sony acusando-a de incitar a violação dos direitos autorais e, depois de uma batalha judicial que durou oito anos, a Suprema Corte finalmente reconheceu que a pessoa que gravava o último capítulo da novela não praticava pirataria. Depois, em 1987, chegou ao mercado um novo dispositivo de reprodução: a fita de áudio digital, que permitia gravações digitais fiéis sem recurso à compressão de dados (como acontece com o CD). Embora, de início, não tenha tido boa aceitação no mercado e, posteriormente, tenha apenas conquistado o mercado dos profissionais de áudio, a fita de áudio digital fez com que a indústria fonográfica entrasse em desespero. Em função de suas pressões foram propostas diversas leis e emendas no Congresso americano que buscavam limitar a capacidade de reprodução dos aparelhos e taxar as fitas virgens. Depois de muitas disputas, o presidente Bush (pai), ratificou, em 1992, no último dia do seu mandato, o "Ato sobre a gravação doméstica de áudio" que tinha sido aprovado antes, no Congresso, por voto oral (de forma que não se têm registros sobre quem votou a favor e quem votou contra). O Ato, entre outras medidas, obrigava todos os aparelhos de áudio digital a ter um dispositivo que impedia a cópia em série de uma fita (ou seja, depois de feita uma cópia, não se podia fazer outra cópia a partir dela) e instituía um imposto sobre os aparelhos (2% sobre o preço de venda) e sobre as fitas virgens (3% do preço de venda). O imposto, depois de recolhido, era distribuído da seguinte maneira: 57% para as empresas (gravadoras e editoras musicais) e apenas 43% para os autores. Seria este o tipo de incentivo ao autor que norteara o pensamento de Thomas Jefferson e dos fundadores da república americana quando conceberam as leis e instituições que regiam os direitos autorais?

    O interesse crescente das grandes empresas na manutenção e ampliação dos direitos autorais se deve à forma específica como eles foram estabelecidos. Quando a propriedade intelectual foi concebida no final do século XVIII, sua finalidade era conceder ao autor um monopólio sobre a exploração comercial da obra, de forma que quem quisesse ler o livro que tinha escrito ou escutar a música que tinha composto, teria que pagar a ele. Ele poderia exigir esse pagamento porque tinha o direito exclusivo de comercializar a obra, sem concorrência. Mas é óbvio que os autores não podiam fazer isso. A não ser que o autor de um livro se tornasse também editor, ele não poderia diretamente explorar a obra. Ele teria que recorrer a um editor, a um capitalista, que iria explorar a obra por ele e tirar parte dos rendimentos para si próprio, como compensação pelo investimento. Dessa forma, o autor cedia ao capitalista o direito de exploração exclusiva, sem concorrência, que tinha recebido do estado e dividia com ele os dividendos da criação. Mas, nessa relação, o elo fraco era o autor. A distribuição de livros, discos e outros produtos sempre foi relativamente cara e havia muitos autores para poucas empresas interessadas em lançá-los. Isso fez com que as empresas tivessem um poder muito grande de determinar as condições dos contratos e conseguissem assim uma grande participação nos dividendos advindos da exploração comercial da obra. Era evidente que se o objetivo era estimular o autor e não beneficiar as grandes empresas, não havia porque o monopólio de exploração comercial ser cedido à empresa. A melhor forma de beneficiar o autor teria sido ele manter para si o monopólio de exploração e ceder para diferentes empresas concorrentes o direito não exclusivo de publicação da obra. Assim, com a concorrência entre as empresas, a obra seria barateada e melhor difundida e os dividendos se concentrariam com os autores que poderiam disputar licenças de exploração mais vantajosas. Com o monopólio de exploração comercial oferecido pelos direitos autorais sendo cedido integralmente para as empresas, não eram mais os autores que se beneficiavam primariamente, mas as grandes empresas da indústria cultural.

    À medida que o poder da indústria cutural crescia, também cresciam as campanhas contra as violações dos direitos autorais. Essa pressão fez, de certa forma, com que aquela desobediência civil passiva que aparecia quando as pessoas simplesmente ignoravam as leis, se tornasse mais consciente e, assim, movimentos de oposição declarada aos direitos autorais começassem a surgir. Enquanto pequenos grupos de hackers radicais começaram campanhas de violação deliberada dos direitos autorais, distribuindo música, vídeos, textos e programas de graça na internet sob o lema "a informação quer ser livre", grandes movimentos espontâneos menos conscientes e menos radicais tomavam conta de um público mais amplo. Entre esses movimentos, o de maior impacto, sem dúvida, foi a formação da comunidade Napster.

    O Napster era um programa "ponto a ponto" desenvolvido em 1999 pelo estudante Shawn Fanning que buscava superar a dificuldade de encontrar música em formato MP3 na internet. Até então, as músicas em formato MP3 eram disponibilizadas principalmente por meio de servidores FTP que, em geral, ficavam no ar apenas até uma grande gravadora encontrar o servidor e enviar uma mensagem ameaçando deflagrar um processo judicial. Para superar essa dificuldade, Fanning projetou um sistema ponto a ponto, em que usuários poderiam acessar arquivos em pastas compartilhadas em computadores de outros usuários através de links recolhidos por um servidor. Assim, suprimia-se a mediação dos servidores que armazenavam os arquivos. Os arquivos de música ficavam no computador de cada usuário e o servidor do Napster apenas disponibilizava os links de acesso a eles. O Napster trazia uma concepção inteligente que descentralizava o armazenamento dos arquivos. Com isso, criava uma situação legal ambígua. Não se tratava mais de um grande servidor distribuindo música, mas de uma rede de usuários trocando generosamente arquivos de música entre si. De certa forma, nada distinguia a troca de arquivos na rede Napster do hábito que as pessoas sempre tiveram de gravar fitas cassetes para os amigos. A diferença era que isso era feito numa rede de cinco milhões de usuários - e foi com base nessa grande dimensão que a RIAA, a associação das gravadoras americanas, sustentou um processo contra o Napster.

    Um dos fatos mais relevantes do fenômeno Napster foi a constituição da comunidade Napster. Na ausência de um servidor que armazenasse os arquivos, o funcionamento da rede Napster exigia uma comunidade de usuários que compartilhasse suas músicas de maneira generosa. Se todos estivessem na rede apenas para baixar músicas e se recusassem a disponibilizar os seus próprios arquivos, a rede fracassaria. Mas o notável é que, a despeito de não ganharem nada e, pelo contrário, consumirem uma fatia às vezes considerável da sua banda de acesso, milhões de pessoas disponibilizaram músicas para outras pessoas que não conheciam, formando uma verdadeira comunidade virtual.

    O fenômeno Napster deflagrou grandes discussões públicas sobre os direitos autorais entre 1999 e 2001, quando o Napster perdeu o processo na justiça. Por um lado, essa discussão evidenciou o caráter de desobediência civil que envolvia a utilização do programa. Embora o estatuto legal do Napster estivesse em julgamento, na grande imprensa e na opinião pública formada por ela, a mensagem uníssona era a das grandes gravadoras e dos grandes artistas que condenavam o Napster e acusavam-no de roubo, pirataria e de tirar o sustento de milhares de artistas esforçados. Apesar dessa massiva campanha de propaganda dos órgãos de imprensa (muitos dos quais ligados a grupos empresariais que também controlam grandes gravadoras), as pessoas não paravam de aderir à rede Napster numa demonstração aberta de que não consideravam legítima uma lei que impedia a livre troca dos bens culturais.

    A discussão sobre o Napster, por outro lado, gerou um debate sobre a remuneração dos artistas e sobre as dificuldades de se compatibilizar a livre troca de informações com o sustento de uma classe de criadores profissionais remunerados. Não apenas as grandes gravadoras se opuseram ao Napster, mas uma série de artistas estabelecidos, do Metallica a Lou Reed [13], argumentaram que a livre troca de música sem o pagamento dos direitos autorais retirava sua fonte de sustento. E embora esse debate tenha sido muito desequilibrado - porque sempre estava ausente um verdadeiro opositor dos direitos autorais - ele teve o mérito de pôr em evidência o objetivo primário da instituição dos direitos de autor.

    Enquanto em alguns fóruns alternativos a possibilidade de um mundo sem direitos autorais era discutida um tanto teoricamente, um movimento iniciado por programadores começava a mostrar a viabilidade efetiva desse projeto. Não se tratava de pensar como poderia ser uma sociedade sem direitos autorais, mas de começar a pô-la em prática.

    Embora muitas histórias possam ser contatadas sobre a origem desse movimento, podemos dizer que uma das suas principais manifestações teve origem no início dos anos 80 quando o programador Richard Stallman, do laboratório de inteligência artificial do MIT, abandonou seu emprego por se sentir constrangido pelas restrições de direitos autorais que impediam-no de aperfeiçoar programas comprados de empresas. Stallman sentia que as licenças de direitos autorais que negavam acesso ao código fonte dos programas (para impedir cópias ilegais) restringiam liberdades que os programadores haviam usufruído antes do mundo da informática ser dominado pelas grandes corporações - a liberdade de executar os programas sem restrições, a liberdade de conhecer e modificar os programas e a liberdade de redistribuir esses programas na forma original ou modificada entre os amigos e a comunidade. Por esse motivo, Stallman resolveu iniciar um movimento que produzisse programas livres, programas que resguardassem aquelas liberdades que o mundo dos programadores conhecia antes das restrições empresariais. Foi com essas idéias que Stallman começou a conceber o sistema operacional GNU que depois de ter o kernel desenvolvido por Linus Torvalds ficou conhecido como Linux. [14]

    O significado do desenvolvimento e principalmente da difusão do sistema operacional GNU/ Linux não é apenas o de romper o monopólio do sistema Windows, da Microsoft, mas, principalmente, de fazê-lo por meio de um empreendimento em grande medida coletivo e voluntário. Tirando alguns poucos funcionários que recebiam salários relativamente baixos da fundação de Stallman (a Fundação para o Software Livre), a maioria dos desenvolvedores do GNU/Linux eram programadores ligados a empresas e universidades que davam sua contribuição voluntariamente sem esperar qualquer outro tipo de retorno que não o reconhecimento público por um trabalho bem feito. Como Benjamin Franklin, esses programadores, entre os quais encontravam-se alguns dos melhores em sua área, doavam seu trabalho de forma "gratuita e generosa" esperando contribuir para "o bem comum" e "a melhoria das condições". E apenas com esse trabalho voluntário e generoso (que nos últimos anos passou a ser bem explorado por grandes empresas) conseguiu-se montar uma comunidade estimada hoje em mais de 15 milhões de usuários.

    O sucesso da difusão desse sistema operacional e de centenas de outros programas livres deveu-se ao fato de que esses programas garantiam a permanência de suas características "livres". Quando Stallman iniciou o movimento pelo sofware livre, ele concebeu um tipo de licença de direitos autorais que assegurava a manutenção das liberdades em versões reproduzidas e melhoradas dos programas. A esse tipo de licença, Stallman deu o nome de "copyleft" (esquerdo autoral), num trocadilho com "copyright" (direito autoral) [15]. Ao invés de simplesmente abrir mão dos direitos autorais, o que permitiria que empresas se apropriassem de um programa livre, modificando-o e redistribuindo-o de forma não livre, Stallman pensou num mecanismo de constrangimento que assegurasse a manutenção da liberdade que o programador havia dado ao programa. O mecanismo pensado era reafirmar os direitos autorais abrindo mão da exclusividade de distribuição e alteração desde que o uso subsequente não restringisse aquelas liberdades. Em outras palavras, a pessoa que recebia um programa livre, recebia esse programa com a condição de que se o copiasse ou o aprimorasse, mantivesse as características livres que tinha recebido: o direito de rodar livremente, de modificar livremente e de copiar livremente. Com isso, os programas livres, frutos de esforços coletivos voluntários, ganhavam uma licença que garantia que mesmo que as empresas quisessem usá-los e distribuí-los, o fizessem de forma a manter suas liberdades iniciais.

    O sucesso do sistema operacional GNU/Linux e do movimento do software livre trouxe um exemplo concreto da possibilidade de se constituir um sistema de criação onde a remuneração não fosse a forma principal de estímulo e onde o interesse coletivo de usufrir com liberdade a cultura humana fosse mais importante do que a exploração comercial das idéias. Claro que a objeção de que os autores ficariam desprovidos de sustento e teriam que sujar as mãos com trabalhos não puramente criativos permaneceu. Mas o exemplo de Richard Stallman que trocou o papel de programador que cedo ou tarde seria forçado a submeter-se às empresas pelo papel de conferencista e acessor técnico independente ou ainda, o exemplo de George Gershwin, que antes de garantir o sustento de sua família por três gerações, ganhou a vida executando, como pianista e regente, suas próprias composições, mostram que uma vida sem direitos autorais é possível.

    Hoje o movimento pelo copyleft, pela livre circulação da cultura e do saber ampliou-se muito além do universo dos programadores. O conceito de copyleft é aplicado na produção literária, científica, artística e jornalística. Há ainda muito trabalho de divulgação e esclarecimento a ser feito e é preciso que discutamos politicamente os prós e os contras dos diferentes tipos de licença. Precisamos discutir se queremos conciliar a exploração comercial com a utilização não comercial livre ou se devemos simplesmente nos livrar dos mecanismos de difusão comercial de uma vez por todas; precisamos também discutir questões relativas à autoria e à integridade da obra, principalmente numa época em que o sampleamento e a colagem constituem formas de manifestação artística importantes; temos, finalmente, que discutir as inúmeras peculiaridades de cada tipo de produção adequando a licença ao que estamos fazendo (a ênfase na possibilidade de modificação de um programa de computador tem pouco cabimento quando aplicado à produção científica, etc.). Esse trabalho não é o trabalho de imaginar um mundo possível, mas de passar a construí-lo, aqui e agora.

    NOTAS

    1. http://www.midiaindependente.org

       

    2. Direitos de propriedade intelectual é um termo genérico para designar os direitos autorais, de patentes e de marcas. Neste artigo, falo um pouco dos direitos sobre patentes, mas, sobretudo, dos direitos autorais. Para a questão das marcas veja Naomi Klein, Sem Logo (Rio de Janeiro, Record, 2002).

       

    3. Carta de Thomas Jefferson para Isaac McPherson de 13 de agosto de 1813 (The Writings of Thomas Jefferson. Washington, Thomas Jefferson Memorial Association, 1905, vol. 13, pp. 333-335). Essa passagem é muito citada como argumento contrário à propriedade intelectual, mas a intenção de Jefferson é apenas mostrar que a propriedade intelectual não é natural - o que não impede (e ele é um defensor disso) que ela seja instituída pela sociedade.

       

    4. Cláusula de direitos autorais e de patentes da Constituição Americana, art. I, § 8, cl. 8.

       

    5. Thomas Babington Macaulay, "A Speech Delivered in the House of Commons on the 5th of February 1841" In: The Miscellaneous Writtings and Speeches of Lord Macaulay. Londres, Longmans, Green, Reader & Dyer, 1880, vol. IV.

       

    6. Apesar disso, houve várias tentativas de introduzir o direito natural no tratamento da propriedade intelectual. Se a doutrina do direito natural vingasse, o direito de exploração comercial exclusiva perderia o caráter de concessão temporária justificada pelo estímulo à criação e se transformaria num direito permanente e hereditário. Isso levaria num curto prazo à completa mercantilização de todos os bens culturais. Felizmente isso não foi adotado em nenhum lugar. Na França, depois da revolução, a constituição de 1791 consagrou o direito "natural" à propriedade intelectual, mas a regulamentação desse direito sempre restringiu o monopólio a um período de exploração determinado.

       

    7. Evidência de que adequação à Convenção de Berne era apenas um pretexto é dada pelo fato de que apesar do período da vida do autor mais 50 anos ter sido adotado nos EUA em 1976, o país não aderiu à convenção até 1989 porque não abriu mão de outros ítens "menores" como a exigência de registro. Para todo esse levantamento, veja Tyler T. Ochoa "Patent and Copyright Term Extension and the Constitution: a Historical Perspective" Copyright Society of the USA (março de 2002): 19-125.

       

    8. A União Européia havia estendido o prazo de validade dos direitos autorais para a duração da vida do autor mais 70 anos.

       

    9. The Autobiography of Benjamin Franklin. Nova Iorque, P. F. Collier & Son, 1909, p. 112. Stephen Marglin "Origem e funções do parcelamento de tarefas" In: A. Gorz. Crítica da divisão do trabalho. São Paulo, Martins Fontes, 1989, pp. 37-77.

       

    10. Imagine a Warner exigindo das milhões de pessoas que fazem aniversário todos os dias pagamento pelos direitos de "Parabéns para você" (sim, há direito autoral para "Parabéns para você" e ele pertence ao grupo AOL Time Warner que recebe como pagamento pelos direitos aproximadamente dois milhões de dólares todo ano).

       

    11. Muito antes das disputas recentes envolvendo o cassete de áudio e o vídeocassete, pode-se lembrar o processo que a editora musical White-Smith moveu contra a Apollo Co. em 1908 pela venda de "rolos de piano", cartuchos cilíndricos com papel perfurado que eram utilizados por um dispositivo que permitia aos pianos tocarem músicas automaticamente.

       

    12. Quem se debruçar sobre a história da disputa sobre os direitos autorais vai sofrer desilusões com grandes artistas que muitas vezes puseram mesquinhos interesses privados acima dos interesses públicos. Não é apenas o caso do Metallica que identificou os interesses dos novos artistas com o das grandes empresas, lembrando que "apesar de todos nós gostarmos de criticar as gravadoras grandes e más, elas sempre reinvestiram seus lucros na exposição de novas bandas para o público" e que, "sem essa exposição, muitos fãs nunca teriam a oportunidade de conhecer hoje as bandas de amanhã" (Lars Ulrich, baterista do Metallica, em declaração sobre o Napster). Numa audiência no congresso americano, buscando revisar as leis de direito autoral em 1906, o escritor Mark Twain, autor dos clássicos "As aventuras de Tom Sawyer" e "Huckleberry Finn" simplesmente defendeu o direito natural à propriedade intelectual. Após ser informado que tal doutrina era inconstitucional, passou a defender a extensão do direito para o maior prazo possível. Seus argumentos? "Eu gosto da extensão [do direito de propriedade intelectual] para cinquenta anos porque isso beneficia minhas duas filhas que não têm competência para ganhar a vida como eu ganho pois eu as eduquei como jovens senhoras que não sabem e não conseguem fazer nada." (E. F. Brylawsky e A. A. Goldman, Legislative History of the 1909 Copyright Act. Littleton, Fred B. Rothman, 1976, p. 117 citado por T. T. Ochoa, no mencionado, p. 36)

       

    13. Richard Stallman "The GNU Operating System and the Free Software Movement" In: Mark Stone, Sam Ockman e Chris DiBona (eds.) Open Sources: Voices from the Open Source Revolution. Sebastopol, O'Reilly, 1999.

       

    14. O termo "copyleft" partiu de um amigo de Stallman que, brincando, escreveu certa vez numa carta: "Copyleft: all rights reversed" (esquerdos autorais: todos os direitos invertidos) em alusão à nota comum: "Copyright: all rights reserved" (direitos autorais: todos os direitos reservados). Veja o artigo de Stallman citado acima.

       

    15. (c) 2002 É autorizada a reprodução deste artigo para fins não comerciais desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.



    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20020716.html

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    awk - Comandos Úteis (2)

    by linuxdicas (19/11/2007 - 16:10)

    awk - Comandos Úteis (2)

    Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida

    Para se imprimir apenas o último campo de um arquivo com o comando awk, podemos utilizar o comando:

     awk '{print $NF}' arquivo.exemplo 

    A variável NF significa número de campos. Quando precedida por "$" indica o último campo, à semelhança de $1, $2, etc.

    Se quisermos imprimir a contagem do número de campos de um arquivo:

     awk '{print NF}' arquivo.exemplo 

    Se quisermos imprimir apenas as linhas que contenham mais de dez campos:

     awk -F: 'NF > 10 {print}' arquivo.exemplo 

    Ou, se quisermos imprimir apenas as linhas que possuam exatamente 10 campos:

     awk -F: 'NF == 11 {print}' arquivo.exemplo 

    Se quisermos imprimir apenas o segundo campo de registros que contenham a palavra teste:

     awk '/teste/ {print $2}' arquivo.exemplo 

    E agora, o dever de casa, verificar que tudo o que eu falei funciona ;-)


    Ditado do dia

    To err is human, to really foul up requires the root password.




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/19970517.html

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    Configurando teclados multimídia

    by linuxdicas (13/11/2007 - 06:44)

    Configurando teclados multimídia

    Colaboração: Carlos E. Morimoto

    Depois de 6 dias falando sobre redes, vamos a uma dia mais "light", entrando em clima de Domingo.

    Existem no mercado muitos teclados com teclas especiais, que permitem abrir o media player, ajustar o volume, abrir o leitor de e-mails e assim por diante. Estes teclados quase sempre acompanham algum driver ou utilitário de configuração, que naturalmente está disponível apenas para Windows. Mas, você pode definir ações para as teclas especiais do seu teclado também no Linux, com algumas configurações simples.

    A idéia central é que todo teclado utiliza um processador de 8 bits para ler as teclas digitadas. Ele suporta 256 teclas diferentes, mas os teclados possuem apenas 104 ou 105 teclas, deixando um monte de endereços livres. Os "teclados multimídia" aproveitam esta característica para adicionar algumas teclas extras. Ao configurar estes teclados no Linux, você precisa verificar quais são os códigos gerados pelas teclas adicionais e atribuir funções a elas, usando o Painel de controle do KDE.

    Você pode usar o xev, um pequeno utilitário que monitora as teclas digitadas e lhe mostra todas as informações. Ele permite que você veja a forma como o sistema vê cada uma.

    Abra um terminal e execute-o usando seu login de usuário:

     $ xev 

     

    Pressione agora cada uma das teclas especiais. Na saída exibida no terminal, o xev exibe dois eventos para cada tecla pressionada (um ao pressionar, outro ao soltar). O volume de informações é grande, mas o que nos interessa é apenas o código numérico de cada tecla, exibido depois do "keycode" na terceira linha de cada evento:

    Anote o código de cada tecla e abra o arquivo ".xmodmap", dentro do seu diretório de usuário:

     $ kedit ~/.xmodmap 

     

    Vamos agora relacionar cada código com uma tecla de função. No teclado temos as teclas F1 até F12, podemos então relacionar as teclas especiais com, por exemplo, as teclas F18 em diante (que na verdade não existem), como em:

     keycode 144 = F18 keycode 164 = F19 keycode 162 = F20 keycode 153 = F21 keycode 174 = F22 keycode 176 = F23 keycode 160 = F24 keycode 130 = F25 keycode 236 = F26 keycode 234 = F27 keycode 233 = F28 keycode 223 = F29 

     

    Aqui eu coloquei todas as teclas, mas você pode adicionar apenas as que for realmente utilizar :). Para que a alteração entre em vigor sem precisar reiniciar o X, rode o comando:

     $ xmodmap ~/.xmodmap 

     

    A partir daí, você pode configurar ações para elas no "Ações de entrada", no "Painel de Controle do KDE > Regional & Acessibilidade". Você pode tanto definir ações "simples", para que seja aberto um determinado programa quando a tecla é pressionada, quanto ações mais complexas. Neste caso vale a criatividade.

    Para fazer com que a tecla do media player abra o XMMS, clique no "Nova Ação". Na aba "Geral", marque a opção "Tipo da Ação > Atalho do teclado > Comando/URL (simples)". Acesse a aba "Atalho de teclado", defina a tecla usada e, na aba "Configurações do Comando/URL", coloque o aplicativo que será aberto, no caso, "xmms". Você não está restrito apenas a aplicativos, pode usar qualquer comando de terminal.

    Caso esteja em dúvida sobre qual comando abre determinado programa, clique com o botão direito sobre o botão "K" na barra de tarefas e acesse o "Editor de menus". Nele você pode ver o comando correspondente a cada ícone no menu.

    Para os casos mais complicados, onde a tecla não gere nenhuma resposta no xev, existe um procedimento um pouco mais trabalhoso, que "ensina" o sistema o que fazer com cada tecla.

    Mude para um terminal de texto puro (pressione Ctrl+Alt+F1), e pressione as teclas especiais. Elas não farão com que apareça nada na tela, mas se o sistema estiver recebendo algum sinal do teclado, ele incluirá uma entrada no log, falando sobre a tecla "não identificada".

    Rode o comando "dmesg", que mostra o log do sistema:

     # dmesg 

     

    Você verá uma entrada para cada tecla, contendo um código em hexa para cada tecla, como em:

     atkbd.c: Unknown key pressed (translated set 2, code 0x9e on isa0060/serio0). atkbd.c: Use 'setkeycodes e01e <keycode>' to make it known. 

     

    Precisamos agora achar um código livre para associar a tecla a ele. Isto é bem simples, pois os códigos de 121 a 255 estão geralmente livres. Para verificar, use o comando abaixo, substituindo o "122" por um número até 255. Se ele não retornar nada, significa que o código não vago e você pode utilizar sem medo:

     # getkeycodes | grep 122 

     

    Falta agora associar o código em hexa da tecla com o keycode, o que é feito usando o comando "setkeycodes", como em:

     # setkeycodes e01e 122 

     

    Para que o comando torne-se definitivo, abra o arquivo "/etc/init.d/bootmisc.sh" num editor de textos (como root) e adicione o comando no final do arquivo. Todos os comandos dentro do arquivo são executados a cada boot:

     # kedit /etc/init.d/bootmisc.sh 

     

    A partir daí, volte ao arquivo ".xmodmop", associe a nova tecla com o "F18" e defina uma ação para ela no "Ações de entrada". Repita o processo para cada tecla que desejar ativar :).

    Uma observação é que alguns teclados especiais, como os usados nos notebooks Toshiba A70 e A75 realmente não funcionam, pois utilizam um sistema proprietário para o mapeamento das teclas especiais, que não é suportado pelo sistema. Nestes casos, realmente não existe muito o que fazer. '




    Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060514.html

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