vi: Deleção de caracteres
vi - Deleção de caracteres
Para remover um número determinado de caracteres de um texto, podemos usar o seguinte comando:
%s/^.....//
Como vimos na dica de ontem, o "." se aplica a qualquer caractere. Desta forma, os primeiros cinco caracteres contados a partir do início da linha, serão eliminados.
Um arquivo contendo
12345abcde 12345abcde 12345abcde
após a execução do comando acima, ficará da seguinte forma:
abcde abcde abcde
Da mesma forma, se quisermos apagar os últimos cinco caracteres do mesmo arquivo:
%s/.....$//
e o nosso arquivo ficará da seguinte forma:
12345 12345 12345
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20000105.html
Usando o Kismet
Usando o Kismet
Colaboração: Carlos E. Morimoto
O Kismet é uma ferramenta poderosa, que pode ser usado tanto para checar a segurança de sua própria rede wireless, quanto para checar a presença de outras redes próximas e assim descobrir os canais que estão mais congestionados (configurando sua rede para usar um que esteja livre) ou até mesmo invadir redes. O Kismet em sí não impõe restrições ao que você pode fazer. Assim como qualquer outra ferramenta, ele pode ser usado de forma produtiva ou destrutiva, de acordo com a índole de quem usa.
A página do projeto é a: http://www.kismetwireless.net/.
A principal característica do Kismet é que ele é uma ferramenta passiva. Ao ser ativado, ele coloca a placa wireless em modo de monitoramento (rfmon) e passa a escutar todos os sinais que cheguem até sua antena. Mesmo pontos de acesso configurados para não divulgar o ESSID ou com a encriptação ativa são detectados.
Como ele não transmite pacotes, apenas escuta as transmissões, todo o processo é feito sem prejudicar as redes vizinhas e de forma praticamente indetectável. A principal limitação é que, enquanto está em modo de monitoramento, a placa não pode ser usada para outros fins. Para conectar-se a uma rede, você precisa primeiro parar a varredura.
Esta questão da detecção dos pontos de acesso com o ESSID desativado é interessante. Não é possível detectá-los diretamente, pois eles não respondem a pacotes de broadcast (por isso eles não são detectados por programas como o Netstumbler), mas o Kismet é capaz de detectá-los quando um cliente qualquer se associa a eles, pois o ESSID da rede é transmitido de forma não encriptada durante o processo de associação do cliente.
A partir daí, o Kismet passa a capturar todos os pacotes transmitidos. Caso a rede esteja encriptada, é possível descobrir a chave de encriptação usando o aircrack (que veremos a seguir), permitindo tanto escutar as conexões, quanto ingressar na rede.
Como o Kismet é uma das ferramentas mais usadas pelos crackers, é sempre interessante usá-lo para verificar a segurança da sua própria rede. Tente agir como algum vizinho obstinado agiria, capturando os pacotes ao longo de alguns dias. Verifique a distância de onde consegue pegar o sinal de sua rede e quais informações consegue descobrir. Depois, procure meios de reforçar a segurança da rede e anular o ataque.
Por ser uma ferramenta popular, ele está disponível na maioria as distribuições. Algumas, como o Knoppix (a partir da versão 3.7), já o trazem instalado por padrão.
Nas distribuições derivadas do Debian, você pode instalá-lo via apt-get:
# apt-get install kismet
Antes de ser usar, é preciso configurar o arquivo "/etc/kismet/kismet.conf", especificando a placa wireless e o driver usado por ela, substituindo a linha:
source=none,none,addme
Por algo como:
source=madwifi_ag,ath0,atheros
... onde o "madwifi_ag" é o driver usado pela placa (que você pode verificar usando o comando lspci). Na documentação do Kismet o driver é chamado de "capture source", pois é a partir dele que o Kismet obtém os pacotes recebidos.
o "ath0" é a interface (que você vê através do comando ifconfig) e o "atheros" é um apelido para a placa (que você escolhe), com o qual ela será identificada dentro da tela de varredura.
Isto é necessário, pois o Kismet precisa de acesso de baixo nível ao hardware. Isto faz com que a compatibilidade esteja longe de ser perfeita. Diversas placas não funcionam em conjunto com o Kismet, com destaque para as placas que não possuem drivers nativos e precisam ser configurados através do ndiswrapper. Se você pretende usar o Kismet, o ideal é pesquisar antes de comprar a placa. Naturalmente, para que possa ser usada no Kismet, a placa precisa ter sido detectada pelo sistema, com a ativação dos módulos de Kernel necessários. Por isso, prefira sempre usar uma distribuição recente, que traga um conjunto atualizado de drivers. O Kurumin e o Kanotix estão entre os melhores neste caso, pois trazem muitos drivers que não vem pré instalados em muitas distribuições.
Você pode ver uma lista detalhada dos drivers de placas wireless disponíveis e como instalar manualmente cada um deles no meu livro Linux Ferramentas Técnicas.
Veja uma pequena lista dos drivers e placas suportados no Kismet 2006-04-R1:
- acx100: O chipset ACX100 foi utilizado em placas de diversos fabricantes, entre eles a DLink, sendo depois substituído pelo ACX111. O ACX100 original é bem suportado pelo Kismet, o problema é que ele trabalha a 11 megabits, de forma que não é possível testar redes 802.11g.
- admtek: O ADM8211 é um chipset de baixo custo, encontrado em muitas placas baratas. Ele é suportado no Kismet, mas possui alguns problemas. O principal é que ele envia pacotes de broadcast quando em modo monitor, fazendo com que sua varredura seja detectável em toda a área de alcance do sinal. Qualquer administrador esperto vai perceber que você está capturando pacotes.
- bcm43xx: As placas com chipset Broadcom podiam até recentemente ser usadas apenas no ndiswrapper. Recentemente, surgiu um driver nativo (http://bcm43xx.berlios.de) que passou a ser suportado no Kismet. O driver vem incluído por padrão a partir do Kernel 2.6.17, mas a compatibilidade no Kismet ainda está em estágio experimental.
- ipw2100, ipw2200, ipw2915 e ipw3945: Estes são os drivers para as placas Intel, encontrados nos notebooks Intel Centrino. O Kismet suporta toda a turma, mas você precisa indicar o driver correto para a sua placa entre os quatro.
O ipw2000 é o chipset mais antigo, que opera a 11 megabits; o ipw2200 é a segunda versão, que suporta tanto o 8011.b, quanto o 802.11g; o ipw2915 é quase idêntico ao ipw2200, mas suporta também o 802.11a, enquanto o ipw3945 é uma versão atualizada, que é encontrada nos notebooks com processadores Core Solo e Core Duo.
madwifi_a, madwifi_b, madwifi_g, madwifi_ab e madwifi_ag: Estes drivers representam diferentes modos de operação suportados pelo driver madwifi (http://sourceforge.net/projects/madwifi/), usado nas placas com chipset Atheros. Suportam tanto o driver madwifi antigo, quanto o madwifi-ng.
Usando os drivers madwifi_a, madwifi_b ou madwifi_g, a placa captura pacotes apenas dentro do padrão selecionado (o madwifi_a captura apenas pacotes de redes 802.11a, e assim por diante). O madwifi_g é o mais usado, pois captura simultaneamente os pacotes de redes 802.11b e 802.11g. O madwifi_ag, por sua vez, chaveia entre os modos "a" e "g", permitido capturar pacotes de redes que operam em qualquer um dos três padrões, mas num ritmo mais lento, devido ao chaveamento.
rt2400 e rt2500: Estes dois drivers dão suporte às placas com chipset Ralink, outro exemplo de chipset de baixo custo que está se tornando bastante comum. Apesar de não serem exatamente "placas de alta qualidade", as Ralink possuem um bom suporte no Linux, graças em parte aos esforços do próprio fabricante, que abriu as especificações e fornece placas de teste para os desenvolvedores. Isto contrasta com a atitude hostil de alguns fabricantes, como a Broadcom e a Texas (que fabrica os chipsets ACX).
rt8180: Este é o driver que oferece suporte às placas Realtek 8180. Muita gente usa estas placas em conjunto com o ndiswrapper, mas elas possuem um driver nativo, disponível no http://rtl8180-sa2400.sourceforge.net/. Naturalmente, o Kismet só funciona caso seja usado o driver nativo.
prism54g: Este driver dá suporte às placas com o chipset Prism54, encontradas tanto em versão PCI ou PCMCIA, quanto em versão USB. Estas placas são caras e por isso relativamente incomuns no Brasil, mas são muito procuradas entre os grupos que fazem wardriving, pois as placas PCMCIA são geralmente de boa qualidade e quase sempre possuem conectores para antenas externas, um pré-requisito para usar uma antena de alto ganho e assim conseguir detectar redes distantes.
orinoco: Os drivers para as placas com chipset Orinoco (como as antigas Orinoco Gold e Orinoco Silver) precisam de um conjunto de patches para funcionar em conjunto com o Kismet, por isso acabam não sendo placas recomendáveis. Você pode ver detalhes sobre a instalação dos patches no http://www.kismetwireless.net/HOWTO-26_Orinoco_Rfmon.txt.
Depois de definir o driver, a interface e o nome no "/etc/kismet/kismet.conf", você pode abrir o Kismet chamando-o como root:
# kismet
Inicialmente, o Kismet mostra as redes sem uma ordem definida, atualizando a lista conforma vai descobrindo novas informações. Pressione a tecla "s" para abrir o menu de organização, onde você pode definir a forma como a lista é organizada, de acordo com a qualidade do canal, volume de dados capturados, nome, etc. Uma opção comum (dentro do menu sort) é a "c", que organiza a lista baseado no canal usado por cada rede.
Por padrão, o Kismet chaveia entre todos os canais, tentando detectar todas as redes disponíveis. Neste modo, ele captura apenas uma pequena parte do tráfego de cada rede, assim como você só assiste parte de cada programa ao ficar zapiando entre vários canais da TV.
Selecione a rede que quer testar usando as setas e pressione "shift + L" (L maiúsculo) para travá-lo no canal da rede especificada. A partir daí ele passa a concentrar a atenção numa única rede, capturando todos os pacotes transmitidos:
Você pode também ver informações detalhadas sobre cada rede selecionando-a na lista e pressionando enter. Pressione "q" para sair do menu de detalhes e voltar à tela principal.
Outro recurso interessante é que o Kismet avisa sobre "clientes suspeitos", micros que enviam pacotes de conexão para os pontos de acesso, mas nunca se conectam a nenhuma rede, indício de que provavelmente são pessoas fazendo wardriving ou tentando invadir redes. Este é o comportamento de programas como o Netstumbler (do Windows). Micros rodando o Kismet não disparam este alerta, pois fazem o scan de forma passiva:
ALERT: Suspicious client 00:12:F0:99:71:D1 - probing networks but never participating.
O Kismet gera um dump contendo todos os pacotes capturados, que vai por padrão para a pasta "/var/log/kismet/". A idéia é que você possa examinar o tráfego capturado posteriormente usando o Ethereal. O problema é que, ao sniffar uma rede movimentada, o dump pode se transformar rapidamente num arquivo com vários GB, exibindo que você reserve bastante espaço no HD.
Um dos maiores perigos numa rede wireless é que qualquer pessoa pode capturar o tráfego da sua rede e depois examiná-lo calmamente em busca de senhas e outros dados confidenciais transmitidos de forma não encriptada. O uso do WEP ou outro sistema de encriptação minimiza este risco, pois antes de chegar aos dados, é necessário quebrar a encriptação.
Evite usar chaves WEP de 64 bits, pois ele pode ser quebrado via força bruta caso seja possível capturar uma quantidade razoável de pacotes da rede. As chaves de 128 bits são um pouco mais seguras, embora também estejam longe de ser inquebráveis. Em termos se segurança, o WPA está à frente, mas usá-lo traz problemas de compatibilidade com algumas placas e drivers.
Sempre que possível, use o SSH, SSL ou outro sistema de encriptação na hora de acessar outras máquinas da rede ou baixar seus e-mails.
No Guia "Acesso Remoto: SSH, FreeNX e VNC", vemos como é é possível criar um túnel seguro entre seu micro e o gateway da rede, usando o SSH, permitindo assim encriptar todo o tráfego. Ele está disponível no:
Gostou da dica? Venha fazer um curso com o autor:
Curso: Redes e servidores Linux
Com Carlos E. Morimoto
Em São Paulo, de 29/05 a 03/06 (intensivo, com aulas à tarde)
Este é um curso sobre a configuração de servidores Linux. Nele você aprende a configurar cada serviço diretamente nos arquivos de configuração ou utilizando ferramentas genéricas, sem se prender a uma única distribuição. Os exemplos dados durante o curso usam como base o Debian e Fedora, com dicas de peculiaridades do Mandriva, Slackware, Kurumin e Ubuntu.
Este é um curso intensivo, onde você passa menos tempo vendo teoria e opções pouco usadas e mais tempo aprendendo a resolver problemas do dia a dia. O formato das aulas permite que sejam abordados uma grande quantidade de temas numa única semana, oferecendo uma visão global dos recursos disponíveis e onde eles podem ser aplicados. Ao invés de fazer um curso sobre o Squid, outro sobre o Samba, outro sobre o Apache, etc., você aprende muitas coisas de uma única vez, economizando tempo e dinheiro.
Nesta turma do dia 29/05, combinou do curso de redes e o curso para iniciantes serem ministrados na mesma semana: o curso para iniciantes de segunda a sexta, das 8:00 às 11:00, e o curso de redes das 12:30 às 18:00. Fazendo o curso de redes, você tem acesso também às aulas para iniciantes e pode fazer os dois cursos simultaneamente (pagando apenas um), e assim aproveitar para tirar todas as dúvidas.
Veja mais detalhes sobre a programação de cursos, temas abordados, preços e formas de pagamento no:
http://guiadohardware.net/cursos/
Todas as aulas do curso de redes são ministradas pelo próprio Carlos Morimoto, o que garante o nível do curso. Nada de aulas inaugurais e mutretas do gênero :)
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060509.html
Software Livre e a Personalização na Internet
Software Livre e a Personalização na Internet
Colaboração: Roberto Torres, Msc
Personalização é um conceito moderno que está sendo utilizado por empresas inovadoras, como a Amazon.com, e tem revolucionado a maneira como os clientes são atendidos em sites de Comércio Eletrônico. Personalização permite recomendar aos clientes os produtos que estão de acordo com o seu perfil, baseado em seus hábitos de compra e navegação, aumentando, dessa forma, as chances de compra.
Um exemplo típico de um site personalizado é aquele que recomenda, por exemplo, um DVD do Caetano Veloso aos clientes que costumam comprar DVDs do Djavan e da Maria Rita, em vez de recomendar aos que costumam comprar DVDs do Mettalica e Guns and Roses.
Atualmente, diversas empresas oferecem soluções para Personalização. No exterior, IBM, TripleHop e E.Piphany são alguns exemplos. No Brasil, Go Digital e UNear também oferecem esse serviço.
Para recomendar produtos de forma personalizada, a forma mais tradicional é pedir que os usuários avaliem os produtos que consomem com uma nota (geralmente de 1 a 5 ou representado por estrelas). Essas notas são chamadas de "ratings" e são utilizadas para identificar "vizinhanças" de usuários similares, ou seja, usuários que avaliam produtos de forma semelhante. Dessa forma, é possível identificar como os usuários semelhantes se comportam e, a partir desse "modelo" de comportamento, gerar ofertas personalizadas a cada um deles.
E onde entra o Software Livre?
Tendo em vista que essas soluções são muito caras (nos Estados Unidos, custa centenas de milhares de dólares), soluções de software livre estão sendo utilizadas. Abaixo seguem dois sistemas que permitem oferecer produtos de forma personalizada.
Suggest
Desenvolvido na Universidade de Minnesota, Estados Unidos, Suggest é uma máquina de recomendação do tipo top-n que implementa diversos algoritmos de recomendação. Sistemas de Recomendação top-n são utilizados para identificar um conjunto de n itens de interesse de um determinado usuário (item pode ser um filme, um livro ou até mesmo um restaurante).
Os algoritmos implementados por Suggest são baseados em filtragem colaborativa, que é a mais bem sucedida técnica utilizada para construir sistemas de recomendação. As técnicas implementadas são user-based e item- based. A técnica user-based busca utilizar o relacionamento encontrado entre os usuários para recomendar produtos de forma personalizada. Já a técnica item-based recomenda produtos com base nas relações encontradas entre os produtos.
Para utilizar Suggest como um servidor de recomendações, considere que cada usuário de uma loja virtual consumiu uma série de produtos, que formam o seu perfil. Então, para carregar o servidor com esses produtos pode-se ter um simples arquivo texto no formato abaixo:
11 8 14 7 9 19 21 215 34 49,
onde o primeiro número indica o identificador do usuário (11) e o segundo número indica o número de produtos que esse usuário consumiu (8). Os números seguintes são os identificadores dos produtos consumidos. Num exemplo real, esse arquivo possui centenas de linhas.
Suggest já foi utilizado por diversos trabalhos sistemas, dentre os quais gostaria de destacar o sistema TechLens+, desenvolvido para recomendar artigos científicos baseado nos hábitos de leitura dos usuários. Esse sistema está descrito no site da UFRGS
Para maiores informações, Suggest está disponível livremente para download, e é capaz de gerar recomendações de qualidade em menos de 50 microssegundos, em um Pentium II de 366 MHz.
CoFE
Desenvolvido na Oregon State University, Estados Unidos, foi originalmente chamado de CFEngine, porém, por já existir um pacote público com o mesmo nome, passou a ser chamado de CoFE.
Também foi desenvolvido para suportar algoritmos de filtragem colaborativa, porém, atualmente só suporta o tipo de algoritmo user-based. Outros algoritmos já estão sendo desenvolvidos e, segundo testes já realizados, apresenta resultados bastante satisfatórios e possui uma velocidade de execução eficiente.
CoFE possui uma interface responsável por toda manipulação do servidor de recomendações. Essa interface permite que sejam informados os usuários e os produtos que consumiu, bem como a avaliação que deu a esse produto. Por exemplo, o método
public void setRating(int user, int item, double rating)
permite que seja informado o código do usuário, o código do item e o valor da avaliação dada a esse item. O conjunto completo de avaliações deve estar armazenado em uma base de dados antes de iniciar o servidor.
Após gerar as vizinhanças, é possível obter recomendações utilizando o seguinte método:
recommendations = server.getRecommendations(user.getID(), number, offset);
Onde "user.getID()" informa o usuário, "number" indica o número de recomendações a ser gerado e "offset" indica a partir de qual recomendação da lista total de recomendações será armazenada na lista "recommendations" (geralmente é escolhido 0).
----------
As duas ferramentas apresentadas nesse artigo permitem que qualquer usuário sem muitos recursos computacionais crie um servidor de recomendações. Para o acesso a banco de dados, tanto um arquivo texto como um banco de dados MySQL podem ser utilizados.
Suggest deve ser utilizado somente para fins acadêmicos, porém CoFE não impõe restrições com relação ao uso comercial. De qualquer forma, essas duas ferramentas eliminam a barreira de entrada aos que desejam implementar soluções de personalização, pois permitem que sejam realizados testes robustos para análise.
Para mais detalhes sobre como personalização funciona e de que forma pode ser utilizada em seu negócio, você pode obter o livro Personalização na Internet: Como Descobrir os Hábitos de Consumo de Seus Clientes, Fidelizá-los e Aumentar o Lucro de Seu Negócio
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20041010.html
A Reconstrução da Torre de Babel
A Reconstrução da Torre de Babel
Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
A mensagem de hoje circulou originalmente na revista de Informação e Tecnologia do Centro de Computação da Unicamp. A mensagem aborda a questão do aprendizado da língua inglesa com fins de leitura e fornece algumas dicas muito boas e mostra que o inglês não é tão difícil de se dominar como muitos pensam.
A mensagem é um tanto longa, mas se você precisa da língua inglesa para desempenhar a sua profissão, garanto-lhe que vai valer a pena.
O documento original encontra-se em http://www.revista.unicamp.br/navegacao/index4.html
Enfim, se o assunto lhe interessa, boa leitura!
Diz a Bíblia que muitos anos atrás todos os habitantes da Terra se uniram para construir uma torre que chegasse até o céu, para tornar seu nome célebre e impedir que fossem espalhados pelo mundo. Para punir os homens por sua ambição demasiada, Deus confundiu sua linguagem e depois os dispersou pelo mundo.
Ainda hoje os povos da Terra falam uma imensidão de línguas diferentes. Na Internet entretanto, apesar dos muitos povos que autilizam, existe um meio de comunicação comum. Da mesma forma que os computadores se comunicam independentemente de cor e raça, ou melhor, de fabricante e protocolo de comunicação, também os internautas possuem uma linguagem comum: a língua inglesa. Será a Internet uma nova Torre de Babel, construída para reunificar eletronicamente os habitantes deste lindo mundo azul?
É claro que nem todos que utilizam a Internet compreendem a língua inglesa. Porém mais de 80% dos documentos e das comunicações feitas através da Internet encontram-se em inglês. Apenas 0,7 % do oceano de informação que é a Internet está em português. É perfeitamente possível usar a Internet e se divertir muito navegando apenas por sites escritos em português. Fazer isto entretanto é o equivalente a ir à praia, não entrar na água e ficar se molhando com um baldinho de água que alguém encher para você. O que fazer? Aprender inglês é difícil e demora muitos anos. Como então adquirir o domínio desta ferramenta tão essencial à utilização plena da Internet? Realmente, para se ler, falar, escrever e ouvir com fluência a língua inglesa são necessários de seis a oito anos de estudo constante. Para que aprender tanta coisa se o mais importante é apenas ler? É muito mais fácil dominar um dos aspectos de um idioma (leitura) do que todos os quatro simultaneamente (ler, ouvir, falar e escrever). A Internet possui muito conteúdo interativo, onde a capacidade de se falar e escrever bem a língua inglesa certamente é uma grande vantagem, mas o mais importante certamente é saber ler. Ler para utilizar a informação existente na Internet para aprender, resolver problemas pessoais ou profissionais, se divertir, enfim, para uma infinidade de propósitos.
Como aprender a ler? É raro encontrar um curso de inglês onde se ensine o aluno apenas a ler. Só vendem o pacote completo, o que é totalmente insensato. Se precisamos investir vários anos para dominar o idioma em todos os seus aspectos, aprender a ler certamente demora muito menos. Em apenas quatro meses é possível obter uma compreensão razoável do idioma que nos permite começar a compreender textos em inglês.
Mas porque a leitura é mais fácil de se dominar? A própria Internet nos dá a resposta. Em um estudo realizado em 1997, realizamos um trabalho para determinar as palavras mais comuns da língua inglesa e seu percentual de ocorrência. Para este estudo utilizamos os livros online do Projeto Gutemberg. Este projeto, integrado por voluntários, tem por objetivo digitalizar obras de literatura cujos direitos autorais tenham se expirado. Nos Estados Unidos uma obra é colocada no domínio público 60 anos após a morte do autor. Obras de autores como Jane Austen, Conan Doyle, Edgar Rice Burroughs, e muitos outros estão disponíveis gratuitamente na Internet. De posse destes livros, 1600 ao todo na época da pesquisa, fizemos então nossos cálculos. Os 1600 livros combinados geraram um arquivo de 680 MB contendo aproximadamente sete milhões de palavras. Os resultados foram bastante surpreendentes. As 250 palavras mais comuns compõem cerca de 60% de qualquer texto. Em outras palavras, se você conhece as 250 palavras mais comuns, 60% de qualquer texto em inglês é composto de palavras familiares. Para facilitar ainda mais a nossa tarefa os cognatos, que são as palavras parecidas em ambos os idiomas (possible e possível, por exemplo), totalizam entre 20 e 25% do total das palavras. Aí já temos então 80 a 85% do problema de vocabulário resolvido. Se subirmos o número de palavras mais comuns a 1.000, chegamos a 70%. Somando a este valor os cognatos chegamos a valores entre 90 a 95% de um texto.
É claro que 90 ou 95% ainda não chega a 100%. Como fazer com o restante das palavras? Mais uma vez, usamos nossa intuição (lembra-se que nossa intuição está correta em 99,999% das vezes?). Pensemos em nosso texto como um enigma a ser desvendado. Possuímos alguns elementos familiares, as palavras que conhecemos, e outros que nos são desconhecidos. Devemos deduzir, por meio de nossa intuição, de nossos conhecimentos anteriores, o que as palavras desconhecidas podem significar. Não precisamos nos preocupar com todas as palavras, apenas com aquelas que desempenhem um papel importante no texto. Quais são elas? Se uma palavra aparece com relativa frequência em um texto, ela certamente desempenha um papel importante na compreensão do todo. Se uma palavra aparece apenas uma vez, muito provavelmente não precisaremos nos preocupar com ela.
O maior problema é que tal enfoque é encarado de forma suspeita pela maioria das pessoas. Como é possível, ignorar uma palavra desconhecida e continuar lendo como se nada houvesse acontecido? O que estamos propondo não é nada absurdo. Qual foi a última vez em que consultou um dicionário? Toda vez que encontramos uma palavra desconhecida vamos em busca do dicionário? Muito provavelmente não. O que acontece é que, como a nossa familiaridade com o português é grande, na hipótese de depararmo-nos com uma palavra desconhecida, o seu sentido, dado o contexto que a cerca, será facilmente deduzido. Isto tudo praticamente sem mesmo nos darmos conta do ocorrido. A não ser que nos proponhamos a tarefa de parar a cada vez que encontrarmos uma palavra desconhecida, a nossa leitura se dá com frequência sem interrupções. As palavras desconhecidas são intuídas, quase que subconscientemente, e passam a integrar o nosso vocabulário. Considerando-se que o vocabulário de um adulto consiste de aproximadamente 50.000 palavras, é ridículo imaginar que tal conhecimento tenha sido adquirido através de 50.000 visitas ao dicionário. Este vocabulário foi adquirido, em um processo iniciado em nossa infância, de forma contínua e através da observação do nosso ambiente, observando outras pessoas falarem, prestando atenção nas palavras utilizadas em determinadas situações e também através da leitura.
A nossa estratégia para o domínio da língua inglesa para leitura é exatamente aquela utilizada há milhares de anos, com excelentes resultados, pela raça humana. Aprendizado natural, seguindo nossos instintos e pela interação com o ambiente que nos cerca.
Como vimos, o domínio das palavras mais frequentes da língua inglesa, pode nos ajudar a dar um impulso substancial em nosso aprendizado. Nesta listagem as palavras não estão organizadas alfabeticamente, mesmo porque não é nosso objetivo reproduzir aqui um dicionário. Também não incluímos todos os significados possíveis das palavras apresentadas. Todas as palavras são apresentadas em contexto, em exemplos de utilização. Não fornecemos a definição da palavra. Para cada palavra são listados em média três exemplos de utilização, com a respectiva tradução.
É muito importante ressaltar que estas palavras não devem ser memorizadas de forma alguma. O ser humano não funciona de forma semelhante ao computador, onde as informações podem ser armazenadas de qualquer forma, e ainda assim estão disponíveis em milésimos de segundos quando necessitamos. O ser humano, para reter alguma informação, precisa situá-la dentro de um referencial de conhecimentos. A informação nova precisa se integrar à nossa visão do mundo, à nossa experiência prévia. Apenas desta forma podemos esperar que o conhecimento adquirido seja duradouro. A maioria de nós certamente já vivenciou situações em que dados memorizados desapareceram de nossa memória quando não mais necessários. Ao contrário, tudo que aprendemos ativamente, permanece presente em nossa memória de forma vívida por muitos e muitos anos.
Embora esteja sendo fornecida uma lista de palavras, não adote de forma alguma o procedimento padrão de memorização, que é a repetição intensiva dos itens a serem memorizados. É certo que cada um de nós possui estratégias distintas para lidar com o aprendizado, mas eu gostaria de sugerir uma forma de estudo que certamente funciona.
Primeiramente, não tenha pressa. Não memorize, procure entender os exemplos. Para cada palavra apresentada, leia os exemplos e suas respectivas traduções. Não se preocupe em reter na memória o formato exato das frases e nem de sua tradução. O objetivo é apenas compreender o significado da palavra apresentada e apenas isto. Uma vez compreendido este significado o objetivo foi alcançado.
Em segundo lugar, procure ler apenas enquanto estiver interessado. Não adianta nada ler todas as palavras de uma vez e esquecer tudo dez minutos depois. Se nos forçarmos a executar uma atividade monótona por muito tempo, depois de alguns momentos a nossa atenção se dispersa e nada do que lemos é aproveitado. Eu sugiro a leitura de dez palavras diariamente. Caso você ache que 10 palavras diárias é muito, não tem importância, este número é sua decisão. Se quiser ler apenas uma palavra, o efeito é o mesmo. Irá demorar um pouco mais, mas chegar ao final é o que importa. É só não esquecer, você deve LER as palavras e NUNCA tentar memorizar as palavras e os exemplos.
E finalmente, faça revisão. No primeiro dia leia e entenda dez palavras (ou quantas julgar conveniente). No segundo dia leia mais dez palavras e faça a revisão das dez palavras aprendidas no dia anterior. No terceiro dia, aprenda mais dez palavras e revise as vinte palavras aprendidas nos dias anteriores. E assim por diante até o último dia, onde aprenderá as últimas dez palavras e revisará as 240 palavras anteriores. Muito importante, por revisão não quero dizer que se deve fazer a leitura de todas as palavras e exemplos anteriores. As palavras mais frequentes estão grafadas em tipo diferente e em negrito, para que possamos localizá-las facilmente na página. Apenas examine as palavras anteriores em sua revisão. Caso não se recorde de seu significado, então, e apenas então, leia os exemplos. A revisão é extremamente importante. Nós realmente aprendemos quando revisamos conceitos aos quais já fomos expostos. Procedendo desta forma, tenha certeza de que tudo o que aprendeu será absorvido de forma permanente, constituindo a base fundamental de tudo que irá aprender em seus estudos da língua inglesa.
Caso a sua motivação seja realmente alta e você queira reler todos os exemplos já estudados, vá em frente. Como você pode notar, os exemplos empregam um vocabulário bastante rico. A leitura mais frequente dos exemplos fará com que ao final do estudo o seu vocabulário tenha se enriquecido muito além das 750 palavras básicas.
Outro ponto importante é a questão do estudo da gramática. A gramática, ou o estudo da estrutura da língua, deve ser apenas para ajudar o aluno a identificar as construções verbais. Não é necessária, para fins de aprendizado da leitura, a memorização de estruturas gramaticais. Como já afirmado, o nosso aprendizado se dá de forma natural. Da mesma forma que uma criança não tem aulas de gramática para aprender sua língua materna, nós também não devemos nos preocupar com este aspecto em nosso estudo. A leitura dos exemplos das palavras mais comuns irá lançar os fundamentos iniciais do conhecimento da estrutura da língua inglesa.
Resta agora esclarecer um ponto, que é a desculpa favorita de todos nós nos dias de hoje: a falta de tempo. Tempo certamente é fácil de se encontrar para fazer aquilo que nos dá prazer. Para resolver o problema de tempo para este estudo, pense nesta atividade como algo prazeiroso e que lhe trará benefícios enormes, tanto no campo pessoal como profissional. E além do mais, o aprendizado e a revisão das palavras pode ser feito diariamente em não mais de quinze minutos. Se levarmos em conta que os intervalos comerciais em programas de televisão geralmente duram entre quatro a cinco minutos, todo o tempo necessário para este estudo pode ser encaixado nos intervalos de sua novela favorita, certo?
Então, mãos a obra. Depois que você conhecer as 250 palavras mais comuns da língua inglesa você poderá verificar como o aprendizado da leitura da língua inglesa se tornam muito mais fácil. Nesta lista foram incluídas 750 palavras. Faça um esforço e tente conhecer a todas elas. A sua tarefa vai ficar ainda mais fácil.
Nos anos de 1996 e 1997 a Diretoria de Recursos Humanos da UNICAMP promoveu um programa de capacitação que incluía um programa de treinamento em inglês instrumental para seus funcionários usando a metodologia descrita nos parágrafos anteriores. Nestes dois anos passaram pelo programa de inglês instrumental aproximadamente 1.000 funcionários. Conseguiu-se atender um número tão grande de pessoas justamente porque o aprendizado da língua inglesa para leitura é consideravelmente mais fácil. Além desta facilidade é possível se ministrar o curso em salas maiores, com até cem alunos, o que é impensável em um curso tradicional. Em cursos normais de inglês cada aluno deve ter atenção especial do professor como pré-requisito indispensável ao aprendizado.
Como produto deste treinamento foram criados vários materiais didáticos, um dos quais é justamente um pequeno livro, já citado, contendo as 750 palavras mais comuns da língua inglesa. O significado de cada palavra é ilustrado com três exemplos em média, onde a palavra é usada em contextos diferentes. Este pequeno manual está disponível para download na Internet. Além deste manual, existem também outros documentos que descrevem em detalhes como foi realizado o cálculo que determinou estas palavras mais comuns (ver referências).
Além do aprendizado das palavras mais comuns, o interessado em aprender o inglês para leitura, deve procurar intensificar o seu contato diário com a língua inglesa. Para isso a Internet pode novamente vir em nosso auxílio. Basta procurar nela pelo que nos interessa. Na Internet existe informação de todos os tipos e para todos os gostos. Basta saber e querer procurar.
No curso de inglês instrumental ministrado na Unicamp, para suplementar o ensino em sala de aula e para manter o aluno em contato diário com a língua inglesa, foi criada uma lista eletrônica chamada EFR (English for Reading). Nesta lista é veiculada diariamente uma história, preferencialmente engraçada (afinal, quem não gosta de uma boa piada?) ou uma citação. As histórias são em inglês e as palavras mais incomuns são comentadas. Desta forma os alunos aprendem todos os dias duas ou mais palavras novas. Todos os dias. Em um ano este pequeno esforço diário pode vir a fazer uma diferença. O curso acabou em 1997 mas a lista continua enviando suas mensagens. Esta lista é hoje aberta a todos os internautas e conta com vários participantes externos além dos participantes do curso ministrado na Unicamp. Todas as mensagens já veiculadas na lista EFR estão arquivadas na Web no endereço http://www.dicas-l.com.br , item "English for Reading".
O objetivo primordial do curso de inglês instrumental era demonstrar que se é possível aprender inglês para leitura facilmente e despertar o gosto pela leitura. Quanto mais se ler em inglês mais se aprende o idioma, o que não é novidade nenhuma. Como vivemos no Brasil, país de língua portuguesa, as nossas necessidades de utilizar outra habilidade que não a leitura em inglês são bastante esporádicas. Mas não precisamos parar por aí. A leitura serve também para desenvolver as outras habilidades necessárias ao domínio da língua inglesa: a fala, a escrita e a compreensão da língua falada. O principal é que em um período de tempo bastante curto já estaremos habilitados a navegar pela Internet inteira e não apenas pela pequena porção representada pela língua portuguesa.
Finalmente, queria lembrar a todos que aprender o inglês é bastante fácil. Basta deixar de lado os preconceitos e traumas que temos com a língua inglesa e realmente acreditarmos em nossa capacidade de aprender. Não leva a nada guardar rancores de tentativas frustradas de aprendizado ocorridas no passado. O domínio da língua inglesa é hoje o nosso passaporte para um mundo de informações que podem nos ser úteis tanto na esfera pessoal quanto profissional. Se você não domina a língua inglesa o momento certo para começar é hoje. Consulte as referências deste artigo, estude com calma a lista das palavras mais comuns e assine a lista EFR. Você vai ver que sem fazer muita força em, pouco você estará se locomovendo com desenvoltura cada vez maior pela Torre de Babel reconstruída que é a Internet. Depois me escreva contando os resultados.
Referências:
Global Internet Statistics (by Language) http://www.euromktg.com/globstats/
Projeto Gutenberg http://www.promo.net/pg/
Dicas-L http://www.dicas-l.com.br
Palavras mais Comuns da Língua Inglesa http://www.dicas-l.com.br/dicas-l/971002.html Este documento descreve os procedimentos utilizados para se determinar as 1000 palavras mais comuns da língua inglesa e faz uma apresentação dos resultados obtidos. Neste documento as palavras mais comuns são listadas juntamente com seu percentual de ocorrência.
As 750 palavras mais comuns da Língua Inglesa http://www.dicas-l.com.br/dict.pdf Este documento, no formato PDF, contêm as 750 palavras mais comuns da língua inglesa com exemplos de utilização. Para ler e imprimir arquivos no formato PDF é necessário instalar em seu computador o programa Adobe Acrobat Reader, que pode ser encontrado no endereço http://www.adobe.com
As 1000 Palavras Mais Comuns da Língua Inglesa http://www.dicas-l.com.br/dicas-l/dicas-l/971003.html Este artigo lista as 1000 palavras mais comuns da língua inglesa e seu percentual de ocorrência.
Notas:
1. A comparação da Torre de Babel com a Internet eu encontrei em um artigo escrito por Luiz de Rezende Puech que se encontra em http://www.webmark.com.br/framese.html . Esta analogia, bastante criativa, nunca mais me saiu da cabeça e aproveitei este artigo para abordar o assunto a partir de uma ótica diferente.
2. A história da Torre de Babel encontra-se na Bíblia, no livro de Genesis, capítulo 11. Reproduzo a seguir alguns dos versículos da história, tal como se encontra na Bíblia.
(Genesis 11:6) e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.
(Genesis 11:7) Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro. (Genesis 11:8) Destarte, o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra; e cessaram de edificar a cidade. (Genesis 11:9) Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a terra e dali o SENHOR os dispersou por toda a superfície dela.
3. Para assinar a lista EFR (English for Reading) basta enviar uma mensagem para o endereço <efr-subscribe (a) onelist com> .Não é necessário digitar nada na mensagem, nem no "Subject:" nem no corpo.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/19991109.html
Formas de if
Formas de if
Colaboração Júlio Cezar Neves//**
O Júlio Cezar, autor do melhor livro de programação shell que conheço :-) me enviou alguns comentários a respeito de uma dica que escrevi com base em uma palestra dele que assisti no IV Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre.
O livro de Programação Shell do Júlio pode ser encontrado em http://www.brasport.com.br/livro.asp?Cod=85-7452-118-3
Gostaria de agradecer ao Júlio por compartilhar seus grandes conhecimentos e seu eterno bom humor conosco :-)
A seguir, a mensagem do Júlio:
Formas de if
Júlio Cezar Neves
Como eu havia te prometido ai vai uma série de formas de executar a mesma tarefa:
- Forma 1 -
#!/bin/bash if cd dir 2> /dev/null then >a; >b; >c ls -l else mkdir dir cd dir >a; >b; >c ls -l fi pwd
Observações da Forma 1:
Neste exemplo, tirei partido da característica do comando if que diferentemente dos ifs das linguagens tradicionais não testa uma condição, mas sim a instrução a ele associada, isto é, caso o cd seja bem sucedido (e o será se já existir o diretório dir), a seqüência do programa será pelo then, caso contrário pelo else.
Repare que neste script não usei o touch, usei o redirecionamento da saída padrão (>) para criar os arquivos (a, b e c) sem onerar o kernel, ganhando na execução. O ponto-e-vírgula serve para colocar mais de um comando na mesma linha.
O pwd ao final foi colocado para mostrar que o ls foi feito de dentro do diretório dir, pois qdo termina a execução do script (que estava sendo executado em um sub-shell) vc estará novamente no diretório do shell pai. Se vc executar somente do if ao fi no prompt de comando, ele permanecerá em dir pq não foi criado um sub-shell.
- Forma 2 -
#!/bin/bash if test -d dir then >a; >b; >c ls -l else mkdir dir cd dir >a; >b; >c ls -l fi pwd
Observações da Forma 2:
Neste caso, utilizei o cmd test que serve para testar condições. Além das condições tradicionais (maior, menor, igual, diferente, maior-ou-igual, ...) este cmd também possui diversas opções para testar arquivos e diretórios (neste caso, a opção -d foi usada para verificar se havia um diretório dir definido).
Observe que o if continua testando a execução de uma instrução, no caso o test.
Como esta construção é muito feia e xquisita, foi implementado um alias para o cmd test, que consiste em colocar o escopo da instrução entre um par de colchetes, embelezando e tornando a leitura mais fácil. Assim sendo, o script abaixo é exatamente igual ao anterior, e por isso não será chamado de forma 3.
#!/bin/bash if [ -d dir ] then >a; >b; >c ls -l else mkdir dir cd dir >a; >b; >c ls -l fi pwd
- Forma 3 -
#!/bin/bash cd dir 2> /dev/null || { mkdir dir cd dir } >a; >b; >c ls -l pwd
==Observações da Forma 3:==
Neste caso uma construção maluca! Vejam só a criatividade que o shell permite! O conector || significa um ou lógico (o e lógico é &&), então como sabemos que verdadeiro ou qualquer coisa (falso, verdadeiro) resultará em verdadeiro, a otimização do shell qdo encontra verdadeiro, não executa o que segue o ou. Ao contrário, se o primeiro membro for falso o segundo será executado. Desta forma, caso não haja o diretório dir (o cd dir resultará falso), o conector || fará com que o bloco de programa entre as chaves (<>) seja executado.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20030701.html
Semana 4Linux: A importância dos Testes de Segurança
Semana 4Linux - A importância dos Testes de Segurança
Colaboração: Sandro Melo
A Internet notóriamente revolucionou a comunicação e os negócios ao ponto que hoje consideramos ela uma extensão da sociedade em formato digital. Evidentemente isso quer dizer que também temos na internet os problemas que temos na sociedade convencional. Em suma os problemas como contraversões e crimes também tem na Internet a sua forma digital.
Diante das ameaças muitas iniciativas estão sendo tomadas, e entre elas podemos citar o desenvolvimento de documentos que recomendam boas práticas e até mesmo metódologias para avaliarmos a segurança de uma rede através de Testes de Segurança bem definidos.
Entretando demanda-se também o investimento em profissonais devidamente qualificados e consequentemente ferramental de qualidade para realização dos Teste de Segurança.
No que tange profissionais hoje encontramos no mercado nacional cursos que são capazes de gabaritar profissionais para importante tarefa de realização de teste de segurança.
Também temos ferramentas FOSS (sigla em inglês: Free and Open Source Software), que estão disponíveis em grande quantidade e com qualidade de recursos que nos possibilitam a realização de Teste de Segurança permitindo que seja avaliado servidores e até mesmo uma rede por completo.
O documento do NIST denominado "Guideline Network Test Security" enumera os principais teste e até mesmo sugere um plano definido em quanto e quanto tempo um Teste de Segurança deveria ser realizado. E o mais interessante é que ele enumera também várias ferramentas FOSS.
Dentre os teste sugeridos o Pen-test merece um destaque pois ele além de ser pouco aplicado quase sempre é aplicado de forma erronea, sem agregar o devido valor a organização.
O Pen-test é um mecanismo interessante para a validação de sistema de segurança como também um meio de quantificar problemas de segurança nos sistemas computacionais de uma corporação. Todavia a realização desse procedimento demanda sólidos conhecimentos de segurança computacional como também uma metodologia definida e um bom ferramental FOSS que será o meio para realização dos testes.
Claro que poderiamos realizar testes com ferramentas proprietárias mas ferramentas proprietárias tornam muito alto o custo para realização de um Pen-test o qualquer outra categoria de Teste de Segurança.
É relevante falarmos que quando pensamos em realizar Testes de Segurança nos deparamos com um cenário onde a internet torna-se a melhor e maior fonte de recursos de informações e encontramos várias ferramentas FOSS cujo o seu código aberto disponível para sistemas Linux e Unix BSD. Entre essas ferramentas encontarmos:
- Port Scanner B(Nmap, Unicorscan, Autoscan)
- Scanners de Vulnerabilidades** (Nikto, Nessus)
- Sniffers (Ethereal, Dsniff)
- Pen-test Customizados (Framework).
Possibilitando a um Security Office realizar Pen-test ou qualquer outro Teste de Segurança ainda mais realista pois pelo fato dessas ferramentas serem de domínio público, elas normalmente são utilizadas por invasores para subjulgar sistemas de corporações.
Com conhecimentos sólidos um administrador poderá realizar Pen-test e poderá modificar as ferramentas para criar novos cenários durante a realização .
Além das ferramentas disponíveis para essa tarefa contamos também com a Metologia OpenSource OSSTMM (www.isecom.org) que definir o que devemos fazer para ter bons resultado durante todo o processo de um Pen-test.
Uma dica interessante é a facilidade que temos para correlacionamos problemas de segurança e localizarmos ferramentas para prova de conceito de uma vulnerabilidades, para avaliarmos o potencial da real ameaça utilizando o Google.
Lembrando que essa tarefa de correlação tem sentido e agrega valor a segurança de uma corporação quando realizada dentro de um processo de Pen-test após o levantamento de todos as informações possíveis do servidor ou mesmo redes que esta sendo testada.
Por outro lado, essa mesma facilidade esta a disposição de um potencial invasor. Infelizmente esse risco é assumido por todos que tem um servidor ligado a Internet.
Como seria essa correlação? Simples, uma vez que um problema de segurança é notificado, podemos buscar informações de potenciais ferramentas de exploração correlacionando o registro com possiveis informações em sites de segurança.
Um exemplo comum seria o registro CAN correlacionado a um registro BID. Ou seja o CAN é o registro de vulnerabilidade do cve.mitre.org (CVE - Common Vulnerabilities and Exposures) e o BID (bugtraq id) é o registro de segurança do site www.securityfocus.com que normalmente além de manter informações do problema mantém vinculado ao Bid ferramentas de prova de conceito da vulnerabilidade vinculada.
Para uma administrador correlacionar informações usando o google, bastaria pegar um CAN respectivo e consultar, uma forma prática de realizar essa consulta, seria digita para pesquisa:
"CAN-2005-2265"+bid site:securityfocus.com
Ou seja usando o recurso "site:" diz para o google só retornar as informações que esteja no respectivo site, no caso do exemplo o securityfocus.com, lembrando que o mesmo não é o único site que registrar problemas e segurança e ferramentas para exploração.
Dessa forma podemos aplicar a mesma idéia aos registro de segurança das distros de Linux, pois toda boa distro mantem organizadas suas notificações de problemas de segurança.Vejamos alguns exemplos:
Conectiva:
"CLSA-2005:982"+bid site:securityfocus.com
Debian:
"DSA 745-1"+bid site:securityfocus.com
Gentoo
"GLSA 200507-06"+bid site:securityfocus.com
Fedora:
"FEDORA-2005-638"+bid site:securityfocus.com
RedHat:
"RHSA-2005:582-04"+bid site:securityfocus.com
Suse:
"SUSE-SA:2005:046"+bid site:securityfocus.com
Mandravia:
"MDKSA-2005:129"+bid site:securityfocus.com
Ubuntu:
"USN-160-1"+bid site:securityfocus.com
Trustix Linux:
"TSLSA-2005-0038"+bid site:securityfocus.com
Turbo Linux:
"TLSA-2005-81"+bid site:securityfocus.com
Isso nos mostrar como é simples e fácil ter informações sobre um problema de segurança e no caso do Bid em especial ainda temos a possibilidade de ter acesso a uma ferramenta que pode explorar a respectiva vulnerabilidade. E o mesmo conceito se aplica a outros sistema operacionais.
Isso também nos mostra que não é difícil em muitos casos avaliar a real ameaça que uma vulnerabilidade nos traz, mas por outro lado, mostra o quanto é fácil para um potencial invasor conseguir um ferramenta para explorar uma possível falha.
Evidentemente a segurança da empresa não se resume a fazermos downloads de ferramentas para depois tentamos explorar uma respectiva falha. Isso somente não agrega nada, mas dentro de um processo de Teste de Segurança bem definido, a exploracao de uma vulnerabilidade para avaliar a real ameaça tem valor agregador mas é apenas parte desse processo.
Voce sabe fazer um Teste de Vulnerabilidades (//Pen-test// ) em sua rede ?
O curso Hackers Expostos da 4linux mostra como fazer e também, apresenta o conteúdo necessário para a prova de perito criminal da Polícia Federal e para as certificações: Pen-test Specialist (CPTS) e Ethical Hacker (CEH).
Mais informações ligue para (11) 2125-4747 ou visite o site http://www.4linux.com.br/treinamento/hackers406.php
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20050829.html
Configuração do prompt da Shell
Configuração do prompt da Shell
Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
Para facilitar a identificação do diretório onde nos encontramos, o prompt do unix pode ser configurado para sempre exibir o diretório corrente.
Os comandos variam de acordo com a shell utilizada. No caso da cshell, por exemplo, isto pode ser conseguido acrescentando-se as seguintes linhas ao seu arquivo .cshrc:
set prompt="[$cwd] " alias cd 'cd !* ; set prompt="[$cwd] "'
Esta sequencia de comandos fará com que o prompt apareça da seguinte forma:
[/var] cd /usr/include [/usr/include] cd ~ = [/home/queiroz]
Existe uma forma mais complicada de se configurar o prompt que substitui o seu diretório home (/home/queiroz, por exemplo) por "~". Se as seguintes linhas forem incluídas no arquivo .cshrc =
set prompt="[""echo $cwd | sed s@$HOME@~@""] " = alias cd 'cd !* ; set prompt="[""echo $cwd | sed s@$HOME@~@""] "' =
Desta forma o seu prompt ficará da seguinte forma:
[~] cd /usr/include = [/usr/include] cd ~/bin = [~/bin] =
O seu homedir será sempre substituído por "~" sempre que aparecer no = diretório corrente. Desta forma, [/home/queiroz/src], aparecerá como [~/src] e assim por diante. =
Importante, deve haver um espaço entre o asterisco e o ponto e vírgula na definição do alias do comando cd. Caso não houver o script para alteração do prompt não irá funcionar.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/19970420.html
Documentação Web
Documentação Web
Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
A citação de documentos localizados na Internet é algo extremamente complicado devido à grande rapidez com que documentos são publicados, alterados e removidos. Coletâneas de links de um ou mais anos frequentemente apresentam uma alta taxa de documentos não mais existentes ou que mudaram de lugar.
Por esta razão, sempre que as normas de distribuição dos documentos o permitirem, é conveniente obter uma cópia dos documentos referenciados de forma a que se possa ter ao alcance a informação necessária sempre que dela precisarmos, mesmo que ele venha a ser removido da web.
Para nos auxiliar nesta tarefa existe a ferramenta HTMLDOC. Esta ferramenta, na versão 1.18.24, é hoje distribuída sob uma licença comercial e uma licença livre. A versão comercial, pacote básico, é encontrada no site da empresa Easy Software Products, por um preço de U$ 49,95. . O código fonte pode ser encontrado em um site separado. Neste site você encontra o código fonte, que pode ser compilado para uso em sistemas GNU/Linux, Macintosh, Solaris e Windows. Não são distribuídas neste site versões compiladas. Softwares distribuídos sob a licença GPL podem ser usados, distribuídos e modificados livremente.
A empresa criadora do HTMLDOC é também a desenvolvedora do CUPS (Common Unix Printing System) e do EPM (ESP Package Manager), também distribuídos sob a GPL. O sistema CUPS é um dos sistemas de impressão mais conhecidos e usados em plataformas GNU/Linux. Para o sistema Debian GNU/Linux, o software pode ser instalado diretamente, fazendo parte dos repositórios da distribuição.
Resumidamente, a principal funcionalidade do software HTMLDOC é a criação de livros cujo conteúdo possa ser obtido a partir do download de páginas Web. A coletânea pode conter, opcionalmente, um sumário. As páginas podem também ser formatadas incluindo cabeçalho e rodapé configurados segundo alguns parâmetros pré-definidos.
Os livros gerados desta forma podem ser salvos em três formatos: PDF, PostScript e HTML. É recomendável que qualquer material disponibilizado via Web seja distribuído em dois ou mais formatos, para atender a pessoas com necessidades especiais, que podem não ter softwares adequados para visualizar documentos em um formato determinado, como por exemplo PDF.

Para começar a criar sua coletânea, clique no botão Add URL, ou Add File, caso você queira incluir um endereço Web (URL) ou um arquivo residente em seu computador.

Em seguida aparecerá uma tela onde você poderá então fornecer o elemento desejado:

Faça assim para todos os documentos que deseja incluir. Encerrada esta etapa podemos solicitar então que o documento seja gerado. Para tal precisamos especificar a forma como desejamos que o documento seja criado:
Como podemos ver pela figura abaixo, existem diversas opções para a geração do arquivo. Selecione neste passo as alternativas que são mais adequadas. Para gerar o documento clique no botão Generate.

O que foi explicado até o momento cobre as funcionalidades mais básicas. Entretanto podemos especificar, para geração de documentos PDF, a versão do padrão PDF desejado, se desejamos ativar os links e especificar também a forma como estes links serão assinalados no texto, etc.

Podemos também especificar a forma como o sumário será gerado. Por padrão, itens de marcação de título <H1> até <H6>, são entendidos como seções do texto. H1 indica um capítulo, gerando quebra de página no documento gerado. Documentos que usam estas marcações para efeito visual e não como elementos divisores do documento podem ser representados de forma errada no documento final.

Como exemplo de documento criado com o software HTMLDOC, gostaria de citar o livro Free as in Freedom, disponível para download, da biblioteca digital de software livre do Centro de Computação da Unicamp.
Mas para aprender mesmo é necessário estudar as diferentes opções oferecidas, avaliar o resultado final, fazendo o refinamento necessário até se chegar ao ponto desejado. É uma alternativa livre de grande valor e certamente muitas aplicações interessantes e úteis podem ser desenvolvidas.
Fonte: Boletim EAD Centro de Computação da Unicamp
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20050119.html
Instalação Linux em Modo Kickstart
Instalação Linux em Modo Kickstart
Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
1. Introdução
É possível se fazer a instalação do Linux de forma automatizada, onde o programa de instalação obtém a resposta para a maioria das perguntas a partir de um arquivo de configuração. Desta forma o administrador pode obter um ganho considerável de tempo na instalação e configuração de um grande número de estações de trabalho Linux.
Esta modalidade de instalação chama-se kickstart. O administrador de sistemas cria um arquivo de configuração onde são especificadas todas as opções de instalação como tipo de placa de rede, teclado, pacotes a serem instalados, número IP da estação e do gateway, endereço IP do servidor de nomes e várias outras alternativas.
Este documento discute um subconjunto das opções disponíveis de instalação através do modo kickstart. Para maiores informações consultar o guia de instalação do Red Hat Linux, apêndice H (http://www.dicas-l.com.br/linux/rhl-instguide.pdf) Outra fonte útil de referência é o documento Kickstart-HOWTO distribuído juntamente com sistemas Red Hat Linux (/usr/doc/HOWTO).
2. Quando usar?
A opção kickstart de instalação do Red Hat Linux e derivados é interessante quando o administrador de redes necessita configurar um grande número de máquinas que possuem uma configuração de hardware semelhante. Desta forma a maior parte da instalação transcorre sem a necessidade de intervenção humana e apenas os ajustes finais são feitos manualmente.
Como exemplo podemos citar a configuração de equipamentos em laboratórios de ensino, pré-instalação do Linux em máquinas recém-adquiridas antes da entrega ao usuário final e realização de upgrades de versão.
3. Arquivo de configuração
O arquivo onde são especificadas todas as opções para instalação do sistema Linux chama-se ks.cfg. Linhas iniciadas em # são tratadas como comentários. O arquivo abaixo foi utilizado para instalação do Conectiva Red Hat Linux em um micro IBM/PC 486. 66MHZ, 32 MB de memória:
lang pt_BR network --bootproto static --ip 143.106.20.73 --netmask 255.255.255.192 --gateway 143.106.20.65 cdrom device ethernet ne --opts "io=0x300, irq 5" keyboard br-abnt2 zerombr yes clearpart --all part / --size 500 --grow part swap --size 64 install mouse --kickstart generic3ps/2 --emulthree timezone --utc Brazil/East xconfig --server "SVGA" --monitor "lg studioworks 55i" rootpw --iscrypted a1veRaxg0oW/. lilo --location mbr %packages @workstation %post # acrescentar comentário ao arquivo /etc/motd echo Sistema Instalado em modo Kickstart em ""< }/bin/date""{ > > /etc/motd # acrescentar diretiva search ao arquivo /etc/resolv.conf echo search unicamp.br ccuec.unicamp.br
Vamos agora analisar as opções selecionadas:
lang pt_BR
Esta opção seleciona o idioma de instalação, português do Brasil
network --bootproto static|dhcp|bootp --ip 143.106.20.73 --netmask 255.255.255.192 --gateway 143.106.20.65
Aqui temos as opções de configuração IP da máquina. O endereço IP é atribuído estaticamente, sem o uso de servidores DHCP. O endereço IP da máquina é 143.106.20.73, sua máscara de rede é 255.255.255.192 e o gateway da rede onde esta estação de trabalho se encontra é 143.106.20.65.
cdrom|nfs --server nome.do.servidor --dir /caminho/da/imagem/redhatlinux
A instalação será feita a partir de um cdrom
device ethernet ne --opts "io=0x300, irq 5"
A placa de rede é do tipo ne2000 ou compatível e está configurada para utilizar o endereço 0x300 e a interrupção de número 5. Esta informação pode ser obtida através do disquete de configuração normalmente distribuído com a placa de rede.
keyboard br-abnt2
Tipo de teclado. Esta opção, br-abnt2, é a utilizada pelos teclados nacionais. Normalmente apenas o Conectiva Red Hat Linux suporta esta opção.
zerombr yes|no
Indica se o MBR (Master Boot Record) deve ser totalmente apagado. Esta opção é a recomendada para novas instalações. Em máquinas onde existam partições válidas que se queira preservar utilizar ``zerombr no''.
clearpart --all|linux
Sinaliza se todas as partições existentes no equipamento devem ser apagadas.
part / --size 500 --grow
A diretiva part faz a alocação das partições de seu sistema Linux. Neste caso está sendo alocada a partição root com tamanho de 500MB. A diretiva --grow indica que, se ao final do processo de alocação de todas as partições ainda restar algum espaço livre, este espaço será acrescido ao tamanho especificado originalmente.
part swap --size 64
Esta diretiva aloca o espaço de swap
install|upgrade
Será feita uma nova instalação (ou um upgrade)
mouse --kickstart generic3ps/2 --emulthree
Especificação do mouse, tipo PS/2, com dois botões, com suporte à emulação de três botões.
timezone --utc Brazil/East
Região geográfica
xconfig --server "SVGA" --monitor "lg studioworks 55i"
Especificação do tipo de placa de vídeo e monitor
rootpw --iscrypted a1veRaxg0oW/.
A senha do usuário root pode ser incluída de forma encriptada, como acima, ou não. A senha, caso criptografada deve ser precedida da diretiva --iscrypted.
lilo --location mbr
O LILO (Linux Loader) será instalado no registro mestre de boot (MBR). Este é o default.
@workstation|@server
Neste seção especificamos os pacotes a serem instalados. Podemos fazer uma especificação mais genérica, como em nosso exemplo, ou especificar separadamente cada pacote que desejamos instalar. No Conectiva Linux versão 4.0 são os seguintes os valores possíveis, além dos já especificados acima:
Base X Window System Mail/WWW/News Tools File Managers X multimedia support Console Multimedia Networked Workstation Dialup Workstation KDE
Na especificação no arquivo ks.cfg preceder os valores acima do caracter ``@''.
Incluir nesta seção os comandos que você deseja executar após o fim da instalação. Exemplo:
# acrescentar comentário ao arquivo /etc/motd echo Sistema Instalado em modo Kickstart em ""< }/bin/date""{ > > /etc/motd # acrescentar diretiva search ao arquivo /etc/resolv.conf echo search unicamp.br ccuec.unicamp.br
4. Como Instalar em modo Kickstart
4.1. Através do disquete de boot
Para utilizar o disquete de boot basta copiar o arquivo ks.cfg criado para o disquete de boot. No Linux isto pode ser feito através do comando mcopy visto que este disquete está no formato MS-DOS (FAT). A cópia pode também ser feita a partir de um sistema DOS.
Isto feito, inserir o disquete no drive a: de seu computador. Ao aparecer o prompt
boot: linux ks=floppy
A partir deste ponto, se o seu arquivo ks.cfg estiver especificado corretamente, toda a instalação transcorrerá automaticamente.
4.2. Através da Rede
A instalação via rede requer a configuração de um servidor DHCP ou Bootp a partir do qual a estação de trabalho obtém suas informações de rede e a localização do arquivo kickstart. De posse destas informações o cliente tentará montar via NFS o sistema de arquivos com as informações que precisa. Esta opção de instalação será abordada em maiores detalhes nas próximas versões deste documento.
5. Geração Automática do Arquivo ks.cfg
O pacote mkkickstart permite a criação automática do arquivo ks.cfg. Este programa obtém a configuração de seu sistema automaticamente e cria um arquivo ks.cfg apropriado. É recomendável que o arquivo ks.cfg gerado seja examinado para verificar se todos os parâmetros codificados estão adequados.
O pacote mkkickstart pode ser encontrado em
http://ftp.unicamp.br/pub/conectiva/conectiva/RPMS/mkkickstart-1.2-2cl.noarch.rpm
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/19990922.html
Configurando o OpenOffice
Configurando o OpenOffice
Colaboração: Carlos E. Morimoto
O OpenOffice é um dos aplicativos mais complexos que temos no Linux, com mais linhas de código que o próprio Kernel e um sem número de componentes e bibliotecas diferentes. Ele também inclui suporte a diversas línguas e a Java, o que torna o conjunto ainda mais complexo :).
É possível obter o OpenOffice a partir de dois lugares. No http://www.openoffice.org/, você pode baixar o pacote oficial da Sun, disponibilizado em várias línguas (que é o pacote que vem pré-instalado na maioria das distribuições), enquanto no http://www.openoffice.org.br/ você encontra o pacote localizado para o Brasil, mantido pela equipe responsável pela tradução para o Português do Brasil, ainda na época do StarOffice.
Na pasta de downloads do site, você encontra três pacotes:
- OOo_2.0_Win32Intel_install.exe: O pacote com o instalador for Windows.
- OOo_2.0_LinuxIntel_install_debs.tar.gz: O pacote compactado, contendo o OpenOffice empacotado na forma de pacotes .deb.
- OOo_2.0_LinuxIntel_install_rpms.tar.gz: Tem o mesmo conteúdo, mas empacotados na forma de pacotes RPM.
Pela lógica, se você usasse o Ubuntu, Kurumin, ou qualquer outra distribuição derivada do Debian, você baixaria os pacotes contendo os pacotes .deb. Mas, isto nem sempre é uma boa idéia, pois este pacote é gerado para trabalhar no Debian unstable e tem um grande número de dependências, que impedem que seja instalado em muitas distribuições.
Ao invés disso, a instalação é mais simples se você baixar o pacote com os pacotes RPM e convertê-los usando o alien. Para isso, comece instalando o alien pelo apt-get, como em:
# apt-get install alien
Descompacte o pacote e, dentro da pasta contendo os pacotes .rpm, rode o comando que faz a conversão:
# alien *.rpm
Isso vai gerar um conjunto de pacotes com o mesmo nome, porém com a extensão .deb. Você pode em seguida instalá-los usando o comando:
# dpkg -i *.deb
Na pasta desktop-integration você encontra pacotes contendo os ícones do menu iniciar para várias distribuições. Lembre-se que você deve instalar apenas um deles. O arquivo com os pacotes .deb contém o pacote openoffice.org-debian-menus, com os ícones para as distribuições derivadas do Debian.
Na verdade, esta parte da instalação não é necessária na grande maioria dos casos, pois o OpenOffice já vem pré instalado na maioria das distribuições. O próximo passo é o corretor ortográfico, uma peça essencial se você realmente usa o OpenOffice no dia a dia.
O OpenOffice 2.0 é por padrão instalado dentro da pasta /opt/openoffice.org2.0. Em algumas distribuições, que incluem pacotes próprios, a pasta de instalação pode ser a /usr/lib/openoffice2 ou mesmo /usr/share/openoffice, mas este é um daqueles casos em que a ordem não altera o resultado.
Dentro da pasta de instalação, acesse o diretório share/dict/ooo/, que é onde vão os dicionários da correção ortográfica. O corretor completo é composto por três componentes, o corretor propriamente dito, o hifenizador (que entende a divisão das sílabas) e o dicionário de sinônimos (thesaurus), que inclui uma longa lista com variações de palavras, que complementa o dicionário principal.
O pacote do OpenOffice da Sun vem apenas com um deles (o corretor). O pacote do OpenOffice.org.br vinha com os três na época do 1.1.3, mas estranhamente passou a vir apenas com apenas o corretor, na versão 2.0, resultando numa correção ortográfica bastante pobre.
Você pode verificar o status do seu, em Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica. Se apenas o OpenOffice.org MySpell SpellChecker estiver disponível, (como neste screenshot do OpenOffice incluído no Ubuntu 5.10), significa que apenas o corretor está instalado.
Mas, não existe motivo para pânico :). Você pode baixar o restante dos componentes aqui:
http://guiadohardware.net/kurumin/download/dics-oo2-kurumin.tar.gz
Como o nome sugere, este é o arquivo com os dicionários que reuni para uso no Kurumin, mas que naturalmente pode ser usado em qualquer distribuição. Para instalar, descompacte o arquivo e copie seu conteúdo para dentro da pasta /share/dict/ooo/, dentro do diretório de instalação do OpenOffice, substituindo os arquivos existentes.
Se você escreve textos técnicos, pode baixar também o meu dicionário pessoal, que contém uma lista enorme de termos técnicos, que ao ser instalado faz o corretor deixar de marcar os termos como palavras incorretas. Salve o arquivo na pasta share/wordbook/pt-BR/ dentro da pasta de instalação do OpenOffice. Desculpe pelo link longo ;).
http://www.guiadohardware.net/kurumin/skel/.openoffice.org2/user/wordbook/kurumin.dic
Depois de salvar os arquivos, feche todas as janelas do OpenOffice e abra-o novamente. Isso fará com que ele encontre os novos arquivos e ofereça a opção de usá-los. Volte ao Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica e você verá que apareceram mais duas opções no campo Módulos de Idiomas disponíveis e o dicionário kurumin no campo Dicionários definidos pelo usuário. Marque todas as opções e você ficará com o corretor completo.
No campo opções marque a opção Verificar em todos os idiomas. O pacote dos dicionários que disponibilizei contém também os arquivos do corretor em Inglês (en_US), de forma que ao ativar esta opção o corretor passará a entender também palavras em Inglês (simultaneamente com as em Português) o que acaba sendo bastante útil, já que é muito comum usarmos termos e palavras do Inglês no dia a dia.
Isso evita que você tenha que abaixar e instalar todo o pacote do Openoffice.org.br só por que os corretores não vieram em ordem. O próximo passo é dar uma olhada geral nas configurações, para reduzir o tempo de carregamento e uso de memória.
É quase que um consenso que o OpenOffice é pesado e que demora pra abrir. Mas grande parte do peso é devido à configuração padrão, que está longe de ser otimizada. A maior parte das configurações é definida durante a compilação e por isso não podem ser alteradas facilmente, mas existem duas configurações simples que podem ser modificadas rapidamente pelo Ferramentas > Opções e resultam em resultados interessantes.
A primeira é desativar o Java na opção OpenOffice.org > Java > Usar um JRE. Na verdade, o Java foi integrado artificialmente ao OpenOffice, como uma tentativa da Sun de integrar os dois produtos, fazendo com que a popularidade do OpenOffice impulsionasse também o uso do Java de uma forma geral. O Java é usado apenas em macros, algumas funções dentro do Base (o banco de dados incluído no OpenOffice 2.0) e os assistentes para criação de documentos.
Desativar o Java reduz o tempo de carregamento do OpenOffice quase pela metade e de quebra diminui o uso de memória em quase 30 MB. Você tem a opção de reativar o Java ao tentar usar qualquer opção que realmente precise dele, de forma que você pode desativa-lo com segurança.
Um dos motivos do OpenOffice demorar mais para abrir e salvar documentos do que o MS Office é o fato dele salvar todas as imagens e o próprio texto e formatação do documento num formato compactado, que resulta em arquivos brutalmente menores que os do Office, mas que exigem muito mais processamento para serem criados e abertos.
Uma forma de reduzir o tempo de carregamento é aumentar o tamanho do cache gráfico, na opção OpenOffice.org > Memória > Cache Gráfico. Usar um cache maior faz com que o OpenOffice consuma mais memória RAM, mas fique perceptivelmente mais rápido. Se você tem um micro com 512 MB, vai ter bons resultados reservando de 80 a 150 MB dentro da opção Utilização para o OpenOffice.org. Se, por outro lado, você tem um micro com 256 MB ou menos, vai ter melhores resultados usando um cache menor, de 20 a 40 MB. Ajuste também a opção Memória por Objeto, que deve ser proporcional ao tamanho total do cache. Ao usar um cache maior, aumente o valor e ao usar um cache menor, reduza-o.
Desativando o Java, aumentando o tamanho dos cache e fuçando um pouco mais nas configurações é possível fazer o OpenOffice carregar em cerca 6 segundos num Sempron 2800 com 512 MB (primeiro carregamento, sem preloading) e em pouco mais de 3 segundos a partir do segundo carregamento (quando ele já está armazenado no cache de disco) e consumindo bem menos memória RAM que de costume.
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Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20051116.html
CodigoLivre2 - RFC
CodigoLivre2 - RFC
Colaboração: Cesar Brod
A mensagem de hoje é um pouco longa, mas trata-se de um projeto extremamente importante para a comunidade de software livre nacional. Quem tem interesse em colaborar de alguma forma para a consolidação desta comunidade, por favor, leia com atenção esta mensagem.
A seguir, a mensagem do Cesar Brod.
Comunicação aos usuários do Código Livre e à Comunidade de Software Livre Brasileira
Em 8 de janeiro de 2001 a Univates passou a disponibilizar seu ambiente de apoio ao desenvolvimento colaborativo de software livre através do portal CodigoLivre (na época chamado de CodigoAberto). A princípio, o CL utilizava o software do SourceForge, com o qual nossa equipe chegou a colaborar com o desenvolvimento. Em função de algumas decisões de arquitetura do SourceForge, mas especialmente após a decisão do projeto em não mais adotar a licença GPL, o CL acabou por tornar-se um "fork" do SourceForge, com uma estrutura que passou gradualmente a diferenciar-se do projeto original.
O CL hospeda hoje mais de 480 projetos mantidos por mais de 3500 colaboradores, e a sua estrutura está sendo deslocada para a Unicamp, que em conjunto com a Univates passa a administrar o ambiente.
Nossa experiência mais de três anos com o CL mostrou que o mesmo pode ser expandido para atender de melhor forma não apenas projetos de software livre, mas qualquer tipo de projeto que vise a livre disseminação de qualquer tipo de conhecimento. Além disto, enquanto mantínhamos o CL desenvolvíamos o framework MIOLO e uma série de produtos que o utilizavam como base, e passamos a sonhar com uma nova estrutura para o CL, mais dinâmica, simples e escalável que o ambiente original.
Temos observado tanto a necessidade de pessoas, empresas e instituições de poderem ter um ambiente de ferramentas que auxiliem o desenvolvimento de software e a divulgação de informações, como iniciativas destes no sentido de implementação de ambientes com propósito similar, e acreditamos que estes esforços podem ser combinados na criação de um ambiente que atenda, de forma genérica, às necessidades de todos.
Assim, estamos divulgando aqui uma espécie de RFC (Request for Comments), onde colocamos nossa vontade (e buscamos compilar várias vontades que nos tem sido comunicadas) e esperamos a colaboração da comunidade na expressão de novos desejos para a plataforma, assim como a efetiva colaboração em seu desenvolvimento. O CL2 consistirá no ambiente a ser utilizado pela Solis, Cooperativa de Soluções Livres para o desenvolvimento de seus projetos. Este documento será disponibilizado no ambiente Wiki (http://www.solis.coop.br/handler.php?module=miolowiki&action=main:open&item=36),
permitindo a ampla colaboração de todos, e o endereço <cl2 (a) solis coop br> pode também ser utilizado para o envio de sugestões.
O que será o Código Livre 2?
Um ambiente para a hospedagem e disseminação de qualquer tipo de conhecimento livre, com uma interface de acesso que pode ser tão simples ou completa quanto o usuário desejar, através da seleção de ferramentas, que podem ser adicionadas à medida que o usuário as julgue necessárias.
Exemplo 1-: Criação de um manual
O usuário que deseja criar um manual livre cadastra-se no ambiente, e o informa de que deseja iniciar um novo projeto. Ele irá receber algumas instruções básicas e a informação de que qualquer coisa colocada no portal será de acesso público, irrestrito e ilimitado, de acordo com as licenças FDL ou GPL (às quais ele poderá acessar na íntegra) - o usuário deve concordar com isto para seguir adiante. A seguir, o usuário é apresentado a alguns exemplos de interface de uso do sistema, e neste caso, poderá selecionar, por exemplo, um ambiente Wiki integrado a um portal para o projeto, junto a uma lista de discussões.
-Ferramentas-: Frederick (Fred+MioloWiki, já existentes) e MailWoman (em desenvolvimento)
MailWoman - serve ao mesmo propósito do Mailman, mas com uma interface muito mais simples e configurável.
Este mesmo exemplo se aplica a criação de boletins, livros, etc...
Exemplo 2-: Criação de um projeto em software livre
O usuário que deseja criar um projeto em software livre cadastra-se no ambiente, e o informa de que deseja iniciar um novo projeto. Ele irá receber algumas instruções básicas e a informação de que qualquer coisa colocada no portal será de acesso público, irrestrito e ilimitado, de acordo com as licenças FDL ou GPL (às quais ele poderá acessar na íntegra) - o usuário deve concordar com isto para seguir adiante. A seguir, o usuário é apresentado a alguns exemplos de interface de uso do sistema, e neste caso, poderá selecionar, por exemplo:
- um ambiente Wiki integrado a um portal para o projeto, para a elaboração de documentação
- listas e fóruns de discussão
- controle de bugs e chamados técnicos
- sistema de gestão de projetos
- sistema de controle de versões
Ferramentas-:
- Frederick (Fred+MioloWiki, já existentes)
- MailWoman (em desenvolvimento)
- Scotty (para a gestão e estatísticas dos chamados técnicos, já existente)
- JCVS, MIOLO-CVS, e outros, para o acesso simplificado e controlado do sistema de versões
- sistema de gestão de projetos da Unicamp (Rubens), concluindo sua integração ao MIOLO
- Rau-Tu 2 (Rau-Tu com MIOLO)
Exemplo 3
Criação de uma "comunidade" de suporte a um projeto ou produto em software livre
O usuário que deseja criar uma comunidade de suporte a um projeto ou produto livre cadastra-se no ambiente, e o informa de que deseja iniciar um novo projeto. Ele irá receber algumas instruções básicas e a informação de que qualquer coisa colocada no portal será de acesso público, irrestrito e ilimitado, de acordo com as licenças FDL ou GPL (às quais ele poderá acessar na íntegra) - o usuário deve concordar com isto para seguir adiante. A seguir, o usuário é apresentado a alguns exemplos de interface de uso do sistema, e neste caso, poderá selecionar, por exemplo:
- Rau-Tu (para a criação de uma base de perguntas e respostas)
- Scotty (para chamados técnicos, que podem mesmo agenciar grupos ou pessoas que recebam remuneração)
- Wiki (para a criação coletiva de documentação)
Estrutura do CL2
O CL2 será completamente baseado no framework MIOLO (http://miolo.codigolivre.org.br), e permitirá:
- A distribuição de bases de dados e projetos entre várias instituições que desejem hospedar o ambiente, com a manutenção de uma interface única e uma visão única do sistema;
- A replicação de dados visando a tolerância a falhas;
- A possibilidade de criação de ambientes CL2 corporativos independentes (ou interdependentes) da comunidade CL2
- A possibilidade de integração de novos módulos e funcionalidades
- A possibilidade de busca de informações no ambiente do portal através da criação dinâmica (e em parte assistida) de metadados que identifiquem o projeto e seus componentes;
- Mecanismos de internacionalização do ambiente permitirão que o mesmo seja acessado na língua nativa de qualquer geografia;
- Mecanismos de semântica e ontologia permitirão que a informação contida no ambiente tenha significância universal independente da língua original em que a informação foi inserida.
Viagem na maionese
Acreditamos que com as devidas oportunidades e ferramentas, o conhecimento humano se manifesta e se intensifica, na forma de uma inteligência coletiva e planetária tão bem descrita pelo filósofo Pierre Lévy. Ambientes como o SourceForge e mesmo o CodigoLivre em sua versão atual serviram como meio de colaboração em uma situação específica do conhecimento humano -- a produção de softwares. O CL chegou a hospedar e hospeda experiências muito interessantes de criação e difusão de conhecimento livre, que acreditamos poderem ser expandidas. A forma de identificação, catalogação e significância deste conhecimento coletivo ainda engatinha, com propostas muito instigantes de semântica e ontologia para este grande documento multimeios que é a web. O que construímos com o MIOLO, não apenas no resultado real da criação de um framework de desenvolvimento, mas especialmente nas idéias que motivam sua expansão, e nos sistemas que temos conseguido desenvolver a partir dele, tem nos mostrado que esta pode ser uma proposta de fundo, de uma infraestrutura de real significância da web, e queremos convidar a todos que viagem na maionese conosco, contribuindo com idéias, código e recursos.
No momento, a Solis e a Univates estão apostando e investindo pessoas e recursos nesta idéia, mas sabemos que não seremos os únicos.
Atenciosamente
Cesar Brod/Solis/Univates
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20030707.html
Descritivos de configuração do OpenLDAP com suporte a phpLDAPadmin no Slackware 10
Descritivos de configuração do OpenLDAP com suporte a phpLDAPadmin no Slackware 10
Autor: Aldemari G. Borges - LPIC-1 <www.linuxman.com.br, <aldemari (a) linuxman com br>>
Neste artigo abordaremos uma forma prática de configurarmos o openldap com suporte ao phpLDAPadmin, assim como seus adereços necessários, como migração de contas e instalação de pacotes extras. Enfatizando também alguns conceitos básicos acerca desta tecnologia.
- O LDAP-lightweight directory access protocol, baseia-se em um protocolo de rede, que se encontra na camada de aplicação no modelo OSI da ISO.
- Sua função principal é a de armazenar as informações de forma centralizada em uma rede.
- Possui estrutura hierárquica de informações.
- Seu Backend(BD) é em forma de árvore, não em tabelas como é convencional.
- Há o conceito básico de Orientação a Objetos em sua formação.
- Suas entradas populacionais do banco são baseadas em atributos.
- As RFC's(Request For Comments) 1777,1778,1779 e 2251 definem este protocolo. (www.ietf.org/rfc.html)
Em grandes redes, e em alguns particulares "CASOS DE USO", há a necessidade de buscarmos soluções que sejam "definitivas" em se falando de informações de autenticação únicas como em um MTA, Proxy, FileSystem, e outros sistemas que precisam requisitar informaçoes em uma rede. A estrutra de diretórios LDAP é o nosso grande "curinga" nesta tarefa.
Outro fato importante a mencionar, é o de que o LDAP foi construído de forma a responder uma quantidade alta de solicitações de consulta. A princípio as informações armazenadas em seu backend, são pouco atualizadas e/ou escritas.
Obs: Neste caso de uso, estarei utilizando o Gnu/Linux Slackware 10 como sistema operacional.
Precisamos antes e tudo, instalar o Openldap+BerkeleyDB+SASL(Cyrus)
- Recomendo que seja feita esta instalação através do link http://www.dicas-l.com.br/dicas-l/20040713.php
- Após a confirmação de sucesso das procedências do link acima, continuemos então...
Considerações iniciais
- Iremos utilizar neste artigo o endereço LDAP "dc=linuxman,dc=com,dc=br"
- Iremos utilizar também o "cn=Manager" com senha "secret", criptografada com md5crypt
===Configuração do arquivo ldap.conf===# vi /usr/local/etc/openldap/lapd.conf
e alterar:BASE dc=linuxman,dc=com,dc=br host localhost sasl yes
Salve e saia....(:wq)
Configuração do arquivo slapd.conf
# vi /usr/local/etc/openldap/slapd.conf
e alterar:
database bdb suffix "dc=linuxman,dc=com,dc=br" rootdn "cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br" rootpw secret
Nota: Aconselho alterar a senha secret que está em "Clear Mode", para alguma opção criptografada. Pode-se fazer isto usando o comando slappasswd como abaixo:
# slappasswd New password: Re-enter new password:IMzCFI4FW4O6gpe0JVm3/+V/rDMmrjj1
copia-se esta linha acima e cola no lugar do secret do arquivo slapd.conf.... ex:
rootpwIMzCFI4FW4O6gpe0JVm3/+V/rDMmrjj1
Iniciar o serviço LDAP
# /usr/local/libexec/slapd -4
obs: a opção -4 refere-se a usar a topologia IPv4 de Ip's.
Criação do arquivo LDIF
LDIF(LDAP Data Interchange Format) - Descreve as entradas de diretório no formato LDAP em modo texto, que serão exportadas para a base de dados posteriormente.
# vi top.ldif dn: dc=linuxman,dc=com,dc=br objectclass: dcObject objectclass: organization o: Linuxman Corporation dc: linuxman dn: cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br objectclass: organizationalRole cn: Manager
Salve e saia...(:wq)
Inclusão do LDIF na base LDAP
Usaremos o ldapadd para adicionarmos o arquivo top.ldif criado anteriormente.
# ldapadd -x -D 'cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br' -W -f top.ldif
Teste de verificação da base
O comando ldapsearch é usado para a verificação de dados no LDAP
# ldapsearch -x -b 'dc=linuxman,dc=com,dc=br' '(objectclass=*)'
Deveremos ter uma resposta a altura da função.
Importação da base de dados usando o Migrationtools
O MigrationTools é um conjunto de scripts usados para a migração dos dados da máquina para um arquivo no formato LDIF, que será importado posteriormente pelo LDAP. Ajudando, e muito, ao administrador de redes.
Pode-se baixá-lo seguindo o seguinte:
# wget ftp://ftp.padl.com/pub/MigrationTools.tgz
Descompactando e instalando o pacote:
# mv MigrationTools.tgz /usr/local; cd /usr/local # tar -zxvf MigrationTools.tgz # cd MigrationTools-45
Alteremos as seguintes linhas do arquivo migrate_common.ph
# Default DNS domain $DEFAULT_MAIL_DOMAIN = "linuxman.com.br"; # Default base $DEFAULT_BASE = "dc=linuxman,dc=com,dc=br"; #Default Host $DEFAULT_MAIL_HOST = "localhost";
Iremos agora finalmente migrar os dados em forma de objetos(LDIF)
# ./migrate_base.pl > base.ldif
O comando/script acima irá gerar o arquivo base.ldif, onde internamente possuírá os dados do sistema em forma de objeto no formato LDIF. No entanto, precisaremos apenas de três deles. o "People", o "Group" e o "Aliases".
Edite o arquivo e deixe apenas os que interessam para nosso caso de uso.
Ex:
# vi base.ldif dn: ou=People,dc=linuxman,dc=com,dc=br ou: People objectClass: top objectClass: organizationalUnit dn: ou=Group,dc=linuxman,dc=com,dc=br ou: Group objectClass: top objectClass: organizationalUnit dn: ou=Aliases,dc=linuxman,dc=com,dc=br ou: Aliases objectClass: top objectClass: organizationalUnit
Salve e saia...(:wq)
Inclusão do LDIF na base LDAP
Usaremos o ldapadd para adicionarmos o arquivo base.ldif criado anteriormente.
# ldapadd -x -D 'cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br' -W -f base.ldif
Façamos um teste agora e vejamos o resultado alterado:
# ldapsearch -x
Veja que veremos os grupos formados pelos objetos...
Migração dos logins,senhas e Grupos do sistema em formato LDIF
# ./migrate_passwd.pl /etc/passwd users.ldif # ./migrate_group.pl /etc/group grupos.ldif
Vamos fazer que o LDAP importe esses dados...
# ldapadd -x -D 'cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br' -W -f users .ldif # ldapadd -x -D 'cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br' -W -f grupos.ldif
Verique como ficou a base
# ldapsearch -x
O comando abaixo seria uma visualização de uma classe de objeto filtrada por uid
# ldapsearch -x -b "dc=linuxman,dc=com,dc=br" -D "cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br" -W "(&(objectclass=account)(uid=linuxman))"
Instalação do WebApplication phpLDAPadmin
O phpLDAPAdmin é uma interface web onde podemos visualizar e administrar o banco do OpenLDAP, assim como sua estrutura de objetos. No entanto, nada tão poderoso se comparado aos comandos em modo texto. Ele usará a porta 389 do protocolo IP aberta pelo slapd. Apesar de ser configurável esta diretiva.
Façamos o download como abaixo:
# wget http://aleron.dl.sourceforge.net/sourceforge/phpldapadmin/phpldapadmin-0.9.4b.tar.gz # mv phpldapadmin-0.9.4b.tar.gz phpldapadmin # mv phpldapadmin /var/www/htdocs (no caso da distro do slackware) # cd /var/www/htdocs/phpldapadim # cp config.php.example config.php
Editemos o arquivo config.php, e alteremos as seguintes linhas(a princípio)
# vi config.php $servers[$i]['host'] = 'localhost'; $servers[$i]['base'] = 'dc=linuxman,dc=com,dc=br' $servers[$i]['login_dn'] = 'cn=Manager,dc=linuxman,dc=com,dc=br';
Salve e saia(:wq)...
OBS: No entanto, para acessarmos o phpLDAPadmin, precisaremos do php compilado com suporte a LDAP.
Instalando o PHP com suporte a LDAP
Vamos baixar o pacote e instalá-lo
# wget http://br2.php.net/get/php-4.3.8.tar.bz2/from/us2.php.net/mirror # mv php-4.3.8.tar.bz2 /usr/local ; cd /usr/local # tar -zxvf php-4.3.8.tar.bz2
Este é o pulo do gato para funcionar no Slackware 10 sem problemas
#cd /usr/local/openldap-2.2.14 #ln -s /usr/local/lib lib #cd /usr/local/php-4.3.7 #./configure --with-apxs=/usr/sbin/apxs --with-ldap=/usr/local/openldap-2.2.14 --libexecdir=/usr/libexec/apache/ #make #make install
Configurar o Apache
Devemos fazer algumas pequenas alterações nos arquivos do apache do Slackware.
# vi /etc/apache/mod_php.conf # Load the PHP module: #LoadModule php4_module libexec/apache/libphp4.so
(Comente esta linha acima)
Salve e saia(:wq)....
Faça as alterações abaixo:
# vi /etc/apache/httpd.conf <IfModule mod_dir.c> DirectoryIndex index.html index.php </IfModule> ## ## Include /etc/apache/mod_php.conf
(DESCOMENTE a linha acima)
Salve e saia(:wq)
Iniciando o Apache e fazendo os testes necessários
Iniciemos o servidor de http apache
# /etc/rc.d/rc.httpd start
Entre no seu browser favorito e digite no caminho de endereços:
Join Now !!!
Autor: Aldemari G. Borges - LPIC-1 (www.linuxman.com.br) aldemari@linuxman.com.br OBS: Autorizo a publicação do artigo em sites realacionados ao assunto, no entanto, preservando o autor.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20040824.html
Por que somos contra a propriedade intelectual?
Por que somos contra a propriedade intelectual?
Colaboração: Pablo Ortellado <pablo arroba riseup.net>
Enquanto a publicação aberta é uma característica bastante conhecida do site do Centro de Mídia Independente [1] (CMI), a idéia irmã, de "copyleft", de subversão dos direitos autorais, é ainda muito pouco conhecida e discutida. No rodapé da página principal do site, ao invés da tradicional nota lembrando os direitos autorais, lemos o seguinte: "(C) Centro de Mídia Independente. É autorizada a reprodução, na rede ou em outra parte, para uso não comercial, desde que citada a fonte." Ao invés de restringir a divulgação, a nota de "copyleft" (um trocadilho com "copyright"), permite e mesmo estimula a distribuição posterior da informação que o site veicula. Essa política de "copyleft" faz parte de um movimento amplo de oposição aos direitos de propriedade intelectual. [2]
COPYRIGHT
Embora nossa sociedade tenha assistido um longo debate sobre a propriedade privada nos últimos dois séculos, pouco ainda foi dito sobre o caráter peculiar desse estranho tipo de propriedade que é a propriedade intelectual. Em geral, a propriedade é justificada como uma garantia de uso e disposição do proprietário àquilo que lhe é de direito (por herança ou por trabalho). Em outras palavras, alguém que adquiriu uma propriedade está garantindo para si a utilização de um bem - e está tendo essa garantia porque fez por merecer. Se alguém possui uma casa, por exemplo, a propriedade privada dessa casa garante ao dono o acesso a ela quando bem entender e sua utilização para os fins que escolher (além de poder dispô-la: vendê-la, emprestá-la, etc. - se desejar). Se essa casa fosse compartilhada com outras pessoas, no momento em que essas outras pessoas a estivessem utilizando, ele estaria privado daquela casa que fez por merecer. Quando uma pessoa utiliza a casa, a outra não consegue utilizá-la (pelo menos não na sua totalidade). Isso vale para todos os tipos de bens materiais.
Mas o caso da propriedade intelectual é diferente e seus teóricos sabiam disso desde o princípio. A legislação sobre a propriedade intelectual tem origem na Inglaterra, numa lei de 1710, mas foi nos Estados Unidos que ela foi teorizada e consolidada pelos "pais fundadores". Esses homens que fundaram a república americana e escreveram a constituição sabiam que a propriedade intelectual era diferente da propriedade material. Eles sabiam que canções, poemas, invenções e idéias não têm a mesma natureza dos objetos materiais que eram garantidos pelas leis de proteção à propriedade. Se quando eu uso uma bicicleta, a outra pessoa é privada do seu uso (porque, a princípio, duas pessoas não podem usar a mesma bicicleta ao mesmo tempo - principalmente se vão para lugares diferentes), quando eu leio um poema, a coisa é diferente. Eu posso ler o poema ao mesmo tempo que o "dono" do poema e meu ato de ler não apenas não priva, como não atrapalha em nada a leitura dele. Thomas Jefferson, um dos pais fundadores e um dos primeiros responsáveis pelo escritório de patentes dos Estados Unidos discutiu isso numa carta famosa que, à certa altura, diz:
"Se a natureza produziu uma coisa menos sucetível de propriedade exclusiva que todas as outras, essa coisa é a ação do poder de pensar que chamamos de idéia, que um indivíduo pode possuir com exclusividade apenas se mantém para si mesmo. Mas, no momento em que a divulga, ela é forçosamente possuída por todo mundo e aquele que a recebe não consegue se desembaraçar dela. Seu caráter peculiar também é que ninguém a possui de menos, porque todos os outros a possuem integralmente. Aquele que recebe uma idéia de mim, recebe instrução para si sem que haja diminuição da minha, da mesma forma que quem acende um lampião no meu, recebe luz sem que a minha seja apagada." [3]
Dessa forma, não parecia haver motivo para se transformar idéias (e canções, livros e invenções) em propriedade. No entanto, o mesmo Thomas Jefferson lembra da necessidade de se estimular a criação de invenções "para o bem do público" e esse estímulo - para ele - só poderia ser a recompensa (com bens materiais) ao "criador". As idéias, justamente porque têm a característica de uma vez expressas serem assimiladas por todos que a recebem, devem ser especialmente protegidas, para que os criadores de idéias não fiquem desistimulados de criá-las e expressá-las. Aquele que cria a idéia deve ter o direito sobre ela, de forma que toda a vez que alguém a utilize ou a receba, ele tenha uma recompensa material. O autor de um livro deve receber os direitos autorais pela publicação e o inventor, o direito pelo uso da patente. Assim, diz a constituição americana: "O Congresso deve ter o poder de promover o progresso das ciências e das artes úteis assegurando aos autores e inventores, por um período limitado, o direito exclusivo aos seus escritos e descobertas." [4] Com o direito exclusivo às suas criações, os autores e inventores podem explorar comercialmente as suas idéias e conseguir a justa recompensa pelo seu esforço e talento. A recompensa é o estímulo para que o criador produza ainda mais e a sociedade progrida em direção ao bem comum.
Mas esse mesmo bem comum pode ser ameaçado pela proteção excessiva à propriedade das idéias. Se se cria muitos entraves, então, pode-se impedir, ao invés de promover a "instrução mútua e a melhoria das condições". Partindo de sua experiência no escritório de patentes, Jefferson observa que "considerando o direito exclusivo de invenção como dado, não pelo direito natural, mas para o benefício da sociedade", há inúmeras "dificuldades em separar com clareza as coisas que valem a pena para o público o embaraço de uma patente exclusiva, daquelas que não valem." Em outras palavras, a questão é até que ponto a introdução do direito de propriedade intelectual, ao invés de promover, termina por constranger o progresso do saber, da cultura e da tecnologia. Se os critérios para se estabelecer a propriedade são rígidos e a duração do direito longa demais, então, pode-se dificultar o aproveitamento social da criação. Esta é a questão fundamental discutida em toda a legislação sobre a extensão do direito de propriedade intelectual.
Na Inglaterra, a pioneira em estabelecer uma legislação de propriedade intelectual, o debate começou no século XVIII e percorreu os três séculos seguintes. Em 1841, foi feita mais uma tentativa de ampliar a duração dos direitos autorais, que, nesse período, cessavam depois de 20 anos da morte do autor. O famoso historiador Thomas Babington Macaulay fez uma histórica intervenção no Parlamento no qual criticava um projeto de lei que propunha ampliar o direito autoral para 60 anos após o falecimento do autor. Seguindo a longa tradição anglo-saxã que legislava sobre o tema, Macaulay balanceava o direito do autor em ser remunerado e o interesse social de usufruir as criações o quanto antes e com o menor custo. Segundo ele, o sistema de direitos autorais, tem vantagens e desvantagens e por isso não é preto, nem branco, mas cinza. O direito exclusivo de propriedade intelectual, para ele, no fundo é ruim, porque cria um "monopólio", o que encarece o "produto" e o torna menos acessivel a todos. Mas, por outro lado, ele é bom, porque permite que o criador seja remunerado pela criação. De um lado, temos a necessidade do monopólio na exploração comercial de um livro - de forma que apenas um editor possa lançar e vender o livro. Mas, por outro, esse monopólio que sustenta o autor, prejudica a sociedade, encarecendo o livro e tornando sua difusão mais difícil. Em suas palavras, "é bom que os autores sejam remunerados e a forma menos excepcional de serem remuneados é pelo monopólio. No entanto, o monopólio é ruim. Para que se consiga o que é bom, devemos nos submeter ao que é ruim."
Toda a questão para Macaulay (e para toda a tradição anglo-saxã dominante) era saber a medida exata em que a submissão do bom ao ruim era proveitosa: "o ruim não deve durar um único dia a mais do que o necessário para assegurar o que é bom." Mas quanto deve durar esse tempo? O projeto em trâmite no parlamento pretendia ampliar o direito de 20 para 60 anos após a morte do autor. Segundo Macaulay, esse período era muito grande e não trazia nenhuma vantagem em relação ao período vigente de 20 anos (que ele dá a entender que já era excessivo). Se o objetivo do direito autoral é estimular a criação, uma recompensa tão distante e após a morte não parecia ser eficiente. Macauly argumenta: "Sabemos bem quão pouco somos afetados pela perspectiva de vantagens distantes, mesmo quando são vantagens que nós mesmos aproveitaremos. Mas uma vantagem que será aproveitada mais de meio século depois que morrermos, por pessoas que talvez não conhecemos, que talvez não tenham nascido, por pessoas que finalmente não tenham conexão conosco não parece ser motivo algum para a ação [criadora]." [5]
Com pequenas mudanças de ênfase, o debate sobre a propriedade intelectual permaneceu sempre marcado pela disputa sobre o ponto de equilíbrio entre o estímulo à criação e o interesse social de usufruir o resultado da criação. [6] A primeira lei inglesa, de 1710, dava ao criador o direito exclusivo sobre um livro por 14 anos e, se o autor ainda estivesse vivo quando o direito expirasse, poderia renovar o direito por mais 14 anos. A legislação americana baseou-se na inglesa e nos atos de patentes e de direitos autorais de 1790 retomou os períodos de 14 anos, renováveis por outros 14. Em 1831, o Congresso americano revisou as leis de direitos autorais substituindo o período inicial de 14 anos, por um de 28, renovável por mais 14. Em 1909, as leis foram novamente revisadas e o período foi mais uma vez ampliado para 28 anos iniciais renováveis por mais 28 anos.
Mais recentemente, porém, com o aumento do poder da indústria cultural, a extensão do direito à propriedade intelectual ultrapassou de longe os vinte anos após a morte que incomodavam o historiador Thomas Macaulay em 1841. As pressões começaram em 1955, quando o Congresso americano autorizou o escritório de patentes a desenvolver um estudo com vistas a revisar as leis de direito autoral vigentes. O relatório final recomendava a ampliação do período de renovação de 28 para 48 anos. As organizações de escritores e a indústria cultural (principalmente as editoras), no entanto, insistiam num período que cobrisse a vida do autor mais 50 anos após a sua morte. O pretexto para esse período longuíssimo era a "modernização" das leis de direitos autorais e a adequação delas à Convenção de Berne. [7] Como a disputa não parecia poder ser resolvida no curto prazo e os direitos estavam começando a expirar, os lobbistas conseguiram um adiamento extraordinário do vencimento dos direitos que estavam por expirar, do ano de 1962 para o ano de 1965, enquanto a matéria não era definitivamente votada no Congresso. Apesar das reiteradas objeções do Departamento de Justiça, a polêmica em torno do assunto levou a outros oito adiamentos "extraordinários", de 1965 para 1967, de 1967 para 1968, de 1968 para 1969, de 1969 para 1970, de 1970 para 1971, de 1971 para 1972, de 1972 para 1974 e de 1974 para 1976, tudo em nome dos interesses dos detentores dos direitos (normalmente empresas e não os descendentes dos autores) e em detrimento do domínio público. Em 1976, finalmente, o Congresso aprovou uma nova e "moderna" lei de direitos autorais, atribuindo um período de vigência do direito por toda a vida do autor mais 50 anos e para trabalhos encomendados por empresas, um período de 75 anos após a publicação ou 100 anos após a criação, o que fosse mais curto.
Em meados dos 90, no entanto, mais uma vez uma série de preciosas obras em poder da indústria cultural aproximaram-se do prazo de expiração dos direitos autorais. E, mais uma vez, a legislação internacional "mais moderna" [8] serviu de pretexto para a ampliação dos prazos de vigência dos direitos. Desde o final dos anos 80, empresas como a Walt Disney e a Time Warner começaram a preocupar-se com algumas de suas obras cujos direitos autorais cessariam nos primeiros anos do novo século. A Disney preocupava-se com o personagem Mickey Mouse que entraria em domínio público em 2003, com o Pluto que entraria em 2005 e com o Pateta e o Pato Donald que entrariam em 2007 e 2009, respectivamente. Já a Warner preocupava-se com o personagem Perna Longa cujos direitos expiravam em 2015 e com uma série de obras cujos direitos possuia, entre elas, o filme "E o vento levou" que expirava em 2014 e uma série de músicas de George Gershin, entre elas a canção "Rhapsody in Blue" e a ópera "Porgy and Bess", cujos direitos expiravam em 1998 e 2010, respectivamente.
Temendo sofrer grandes prejuízos pela perda dos direitos autorais, Disney, Warner e a indústria cinematográfica fizeram uma pesada campanha de lobby encabeçada no Congresso pelo Senador Trent Lott. O resultado foi a ampliação, em 1998, dos direitos autorais após a morte do autor de 50 para 70 anos, caso o direito fosse propriedade de uma pessoa e a ampliação de 75 para 95 anos caso o direito fosse propriedade de uma empresa. Com isso, além das obras das duas empresas, ganharam mais 20 anos de exploração comercial exclusiva romances como "O grande Gatsby" de Scott Fitzgerald e "Adeus às armas" de Ernest Hemingway (cujos direitos detidos pela Viacom venceriam em 2000 e 2004, respectivamente) e músicas como o "Concerto número 2 para violino" de Prokofiev e "Smokes Get in Your Eyes" de Kern e Harbach (cujos direitos, da Boosey & Hawks e da Universal, venceriam em 1999 e 2008 respectivamente).
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Voltemos agora aos fundamentos da legislação sobre propriedade intelectual (nome genérico que abrange os direitos autorais, de patentes e de marcas). Como vimos, desde que a legislação foi primeiramente elaborada, ela sempre foi justificada pelo estímulo material que o criador receberia. Mas será que o estímulo material é o único e o melhor estímulo que pode-se dar para o desenvolvimento do saber, da cultura e da tecnologia? Será que antes do advento das leis de propriedade intelectual as pessoas não eram estimuladas a escrever livros e canções e a inventar dispositivos tecnológicos?
Antes que Thomas Jefferson atuasse no escritório de patentes, Benjamin Franklin que com ele e John Adams redigiria a Declaração de Independência, tinha uma ativa vida de criador, tendo se tornado conhecido em todo mundo por seus experimentos e invenções. Realizador da famosa experiência com a pipa que provava que os raios eram descargas elétricas e autor de invenções como o óculos bi-focal e o pára-raios, Benjamin Franklin sempre se recusou a patentear suas invenções. Em sua autobiografia podemos ver os motivos pelos quais se recusava a explorar comercialmente os inventos. Vale a pena citar um longo trecho:
"Tendo inventado, em 1742, um forno aberto para o melhor aquecimento de aposentos e ao mesmo tempo, economia de combustível, na medida que o ar fresco incorporado era aquecido na entrada, fiz um presente do modelo para o Sr. Robert Grace, um dos meus amigos mais antigos, que, tendo uma fornalha de ferro, considerou a disposição das placas desse fogão uma coisa muito útil, já que aumetava a sua procura. Para promover essa demanda, eu escrevi e publiquei um panfleto de título: 'Um relato do novo forno da Pensilvânia; no qual sua construção e modo de operação são detalhadamente explicados; suas vantagens sobre qualquer outro método de aquecimento de aposentos são demonstradas; e todas as objeções que foram levantadas contra o seu uso são respondidas e esclarecidas, etc.' O panfleto teve uma boa resposta. O Governador Thomas ficou tão satisfeito com a construção desse fogão, tal como está descrito, que me ofereceu uma patente para a venda exclusiva deles por um período de anos. Eu recusei, no entanto, baseado num princípio que sempre pesou para mim em tais situações: uma vez que tiramos grandes vantagens das invenções alheias, devemos ficar felizes de ter uma oportunidade de servir aos outros com quaisquer de nossas próprias invenções; e isso devemos fazer de forma gratuita e generosa." [9]
O fato de que homens talentosos como Benjamin Franklin nunca se sentiram estimulados pela perspectiva de retorno material por suas descobertas sempre foi levado em conta no debate sobre os direitos de propriedade intelectual. O historiador Thomas Macauly, por exemplo, que defendia os direitos segundo os princípios clássicos era obrigado a fazer ressalvas quando mencionava a contribuição que os ricos davam para a criação de obras e inventos: "Os ricos e os nobres não são levados ao exercício intelectual pela necessidade. Eles podem ser movidos para a prática intelectual pelo desejo de se distinguirem ou pelo desejo de auxiliar a comunidade." Mas será que a vaidade de produzir uma obra única ou a generosidade de produzir um bem para a comunidade são virtudes exclusivas dos ricos? Boa parte do desenvolvimento artístico parece dizer que não. Pintores importantes como Rembrandt, Van Gogh e Gauguin morreram na pobreza e sem reconhecimento, assim como músicos como Mozart e Schubert e um escritor como Kafka, embora nunca tenha sido verdadeiramente pobre, não chegou a ser reconhecido em vida. Será que a falta de perspectiva de recompensa material em algum momento impediu que eles se dedicassem à música, à pintura ou à literatura? Será que não tinham outro tipo de motivação - a expectativa do reconhecimento póstumo, o simples amor pela sua arte?
A questão da propriedade intelectual, quando pensada fora da imagem tradicional da balança que opõe estímulo material ao criador e interesse social em usufruir a obra ou invenção, leva a muitas outras ordens de consideração. Será que os artistas devem ser remunerados pela criação das obras? Poderiam eles contribuir para esse bem coletivo e anônimo que é a cultura humana sem ter usufruído e incorporado antes a rica e generosa contribuição dos outros artistas, contemporâneos e do passado? E se achamos que é preciso um estímulo material além da vaidade pessoal e da vontade de contribuir para o bem comum, não seria possível então desenvolver um sistema público de recompensa para os inventores, como sugere o economista Stephen Marglin? [10] Um sistema que premiasse as grandes idéias - por meio de concursos públicos, por exemplo - mas que não limitasse o uso dessas idéias a um empreendor individual?
Na verdade, questões como essas - se deve-se ou não recompensar materialmente a criação e se a melhor forma de fazê-lo é através da exploração comercial privada - são questões às quais não cabem respostas teóricas. São os movimentos sociais que estão buscando alternativas concretas à propriedade intelectual que deverão oferecer as respostas - e, de fato, já estão a fazer.
Desde que obras e patentes passaram a ser registradas, os direitos sobre elas passaram a ser violados. Uma parte dessa violação dos direitos é, sem dúvida, mero crime. No entanto, à parte a violação marginal e clandestina dos direitos de propriedade intelectual (que pode ser muito grande, até mesmo dominante), sempre houve um fênomeno diferente de desobediência civil das leis que instauravam esses direitos. A desobediência civil, como se sabe, é muito diferente do crime. O crime é uma violação de lei clandestina, feita às escondidas e com o entendimento de que a lei que se viola é legítima. A desobediência civil, por sua vez, é uma violação pública das leis motivada por seu caráter ilegítimo. A desobediência civil se faz abertamente e ela não reconhece que a lei que está sendo infringida seja justa.
Desde que os direitos de propriedade intelectual foram instaurados, houve uma resistência aberta à sua aplicação no setor privado e comunitário. A enorme dificuldade de fiscalização fez com que essa desobediência civil tivesse um caráter passivo, que não se engajava na contestação das leis de propriedade intelectual, mas simplesmente as ignorava. As pessoas sabiam que os direitos existiam e deviam ser respeitados e simplesmente passavam por cima deles porque achavam que eram absurdos. Evidentemente não estou me referindo à pirataria comercial que era, sem exagero, apenas crime. A indústria pirata reconhecia a legislação vigente e fugia dela de forma clandestina, sem contestá-la. Aliás, todo industrial pirata não podia aspirar a coisa maior do que transformar sua indústria pirata numa indústria legal e passar a utilizar assim os direitos autorais a seu favor.
Mas coisa muito diferente eram os usuários que reproduziam a obra para fins não comerciais - "para a sua instrução mútua e a melhoria das condições", como dizia Jefferson. Quando aparelhos de reprodução se popularizaram (o mimeógrafo, a fita cassete, a copiadora e em seguida a reprodução digital por computador), as pessoas automaticamente começaram a reproduzir livros, canções, fotos e vídeos, para si e seus amigos, sem pagar os devidos direitos, assim como, antes, já encenavam peças nas escolas e nos bairros e cantavam e tocavam canções para os amigos e para a comunidade também sem pagar os direitos. Por mais que a campanha "cívica" promovida pela indústria e pelo governo lembrasse a todos a importância de "pagar os direitos", as pessoas desconfiavam, frequentemente de forma intuitiva, que aquele pagamento não fazia sentido pois quem apenas usufria desse bem coletivo que é a cultura humana não podia estar roubando nada de ninguém. Como Benjamin Frankliln havia escrito na sua autobiografia, na produção da cultura (e do saber e da tecnologia), nada pode ser feito sem que se tenha antes aprendido com a imensa comunidade dos outros produtores contemporâneos e dos que nos precederam. E da mesma forma que usufruimos e aprendemos gratuitamente com todos eles - de maneira tão ampla que sequer podemos nomeá-los individualmente - devemos disponibilizar nossa contribuição para a formação das novas gerações.
Embora nem a indústria, nem o governo tenham conseguido coibir de forma eficiente o uso privado e comunitário das obras sem o pagamento dos direitos autorais correspondentes, [11] eles fizeram o possível e o impossível para obstruir a difusão de tecnologias de reprodução doméstica. [12] Foi assim, em 1964, quando a Phillips lançou o cassete de aúdio e a indústria fonográfica primeiro tentou impedir o lançamento do produto e depois fez lobby no Congresso para que fosse criado um imposto sobre os cassetes virgens para compensar as "perdas" da indústria resultantes das cópias que os usuários fariam de seus LPs para cassetes. O mesmo aconteceu em 1976 quando a Sony lançou o videocassete formato Betamax. A Universal Studios e a Walt Disney abriram um processo contra a Sony acusando-a de incitar a violação dos direitos autorais e, depois de uma batalha judicial que durou oito anos, a Suprema Corte finalmente reconheceu que a pessoa que gravava o último capítulo da novela não praticava pirataria. Depois, em 1987, chegou ao mercado um novo dispositivo de reprodução: a fita de áudio digital, que permitia gravações digitais fiéis sem recurso à compressão de dados (como acontece com o CD). Embora, de início, não tenha tido boa aceitação no mercado e, posteriormente, tenha apenas conquistado o mercado dos profissionais de áudio, a fita de áudio digital fez com que a indústria fonográfica entrasse em desespero. Em função de suas pressões foram propostas diversas leis e emendas no Congresso americano que buscavam limitar a capacidade de reprodução dos aparelhos e taxar as fitas virgens. Depois de muitas disputas, o presidente Bush (pai), ratificou, em 1992, no último dia do seu mandato, o "Ato sobre a gravação doméstica de áudio" que tinha sido aprovado antes, no Congresso, por voto oral (de forma que não se têm registros sobre quem votou a favor e quem votou contra). O Ato, entre outras medidas, obrigava todos os aparelhos de áudio digital a ter um dispositivo que impedia a cópia em série de uma fita (ou seja, depois de feita uma cópia, não se podia fazer outra cópia a partir dela) e instituía um imposto sobre os aparelhos (2% sobre o preço de venda) e sobre as fitas virgens (3% do preço de venda). O imposto, depois de recolhido, era distribuído da seguinte maneira: 57% para as empresas (gravadoras e editoras musicais) e apenas 43% para os autores. Seria este o tipo de incentivo ao autor que norteara o pensamento de Thomas Jefferson e dos fundadores da república americana quando conceberam as leis e instituições que regiam os direitos autorais?
O interesse crescente das grandes empresas na manutenção e ampliação dos direitos autorais se deve à forma específica como eles foram estabelecidos. Quando a propriedade intelectual foi concebida no final do século XVIII, sua finalidade era conceder ao autor um monopólio sobre a exploração comercial da obra, de forma que quem quisesse ler o livro que tinha escrito ou escutar a música que tinha composto, teria que pagar a ele. Ele poderia exigir esse pagamento porque tinha o direito exclusivo de comercializar a obra, sem concorrência. Mas é óbvio que os autores não podiam fazer isso. A não ser que o autor de um livro se tornasse também editor, ele não poderia diretamente explorar a obra. Ele teria que recorrer a um editor, a um capitalista, que iria explorar a obra por ele e tirar parte dos rendimentos para si próprio, como compensação pelo investimento. Dessa forma, o autor cedia ao capitalista o direito de exploração exclusiva, sem concorrência, que tinha recebido do estado e dividia com ele os dividendos da criação. Mas, nessa relação, o elo fraco era o autor. A distribuição de livros, discos e outros produtos sempre foi relativamente cara e havia muitos autores para poucas empresas interessadas em lançá-los. Isso fez com que as empresas tivessem um poder muito grande de determinar as condições dos contratos e conseguissem assim uma grande participação nos dividendos advindos da exploração comercial da obra. Era evidente que se o objetivo era estimular o autor e não beneficiar as grandes empresas, não havia porque o monopólio de exploração comercial ser cedido à empresa. A melhor forma de beneficiar o autor teria sido ele manter para si o monopólio de exploração e ceder para diferentes empresas concorrentes o direito não exclusivo de publicação da obra. Assim, com a concorrência entre as empresas, a obra seria barateada e melhor difundida e os dividendos se concentrariam com os autores que poderiam disputar licenças de exploração mais vantajosas. Com o monopólio de exploração comercial oferecido pelos direitos autorais sendo cedido integralmente para as empresas, não eram mais os autores que se beneficiavam primariamente, mas as grandes empresas da indústria cultural.
À medida que o poder da indústria cutural crescia, também cresciam as campanhas contra as violações dos direitos autorais. Essa pressão fez, de certa forma, com que aquela desobediência civil passiva que aparecia quando as pessoas simplesmente ignoravam as leis, se tornasse mais consciente e, assim, movimentos de oposição declarada aos direitos autorais começassem a surgir. Enquanto pequenos grupos de hackers radicais começaram campanhas de violação deliberada dos direitos autorais, distribuindo música, vídeos, textos e programas de graça na internet sob o lema "a informação quer ser livre", grandes movimentos espontâneos menos conscientes e menos radicais tomavam conta de um público mais amplo. Entre esses movimentos, o de maior impacto, sem dúvida, foi a formação da comunidade Napster.
O Napster era um programa "ponto a ponto" desenvolvido em 1999 pelo estudante Shawn Fanning que buscava superar a dificuldade de encontrar música em formato MP3 na internet. Até então, as músicas em formato MP3 eram disponibilizadas principalmente por meio de servidores FTP que, em geral, ficavam no ar apenas até uma grande gravadora encontrar o servidor e enviar uma mensagem ameaçando deflagrar um processo judicial. Para superar essa dificuldade, Fanning projetou um sistema ponto a ponto, em que usuários poderiam acessar arquivos em pastas compartilhadas em computadores de outros usuários através de links recolhidos por um servidor. Assim, suprimia-se a mediação dos servidores que armazenavam os arquivos. Os arquivos de música ficavam no computador de cada usuário e o servidor do Napster apenas disponibilizava os links de acesso a eles. O Napster trazia uma concepção inteligente que descentralizava o armazenamento dos arquivos. Com isso, criava uma situação legal ambígua. Não se tratava mais de um grande servidor distribuindo música, mas de uma rede de usuários trocando generosamente arquivos de música entre si. De certa forma, nada distinguia a troca de arquivos na rede Napster do hábito que as pessoas sempre tiveram de gravar fitas cassetes para os amigos. A diferença era que isso era feito numa rede de cinco milhões de usuários - e foi com base nessa grande dimensão que a RIAA, a associação das gravadoras americanas, sustentou um processo contra o Napster.
Um dos fatos mais relevantes do fenômeno Napster foi a constituição da comunidade Napster. Na ausência de um servidor que armazenasse os arquivos, o funcionamento da rede Napster exigia uma comunidade de usuários que compartilhasse suas músicas de maneira generosa. Se todos estivessem na rede apenas para baixar músicas e se recusassem a disponibilizar os seus próprios arquivos, a rede fracassaria. Mas o notável é que, a despeito de não ganharem nada e, pelo contrário, consumirem uma fatia às vezes considerável da sua banda de acesso, milhões de pessoas disponibilizaram músicas para outras pessoas que não conheciam, formando uma verdadeira comunidade virtual.
O fenômeno Napster deflagrou grandes discussões públicas sobre os direitos autorais entre 1999 e 2001, quando o Napster perdeu o processo na justiça. Por um lado, essa discussão evidenciou o caráter de desobediência civil que envolvia a utilização do programa. Embora o estatuto legal do Napster estivesse em julgamento, na grande imprensa e na opinião pública formada por ela, a mensagem uníssona era a das grandes gravadoras e dos grandes artistas que condenavam o Napster e acusavam-no de roubo, pirataria e de tirar o sustento de milhares de artistas esforçados. Apesar dessa massiva campanha de propaganda dos órgãos de imprensa (muitos dos quais ligados a grupos empresariais que também controlam grandes gravadoras), as pessoas não paravam de aderir à rede Napster numa demonstração aberta de que não consideravam legítima uma lei que impedia a livre troca dos bens culturais.
A discussão sobre o Napster, por outro lado, gerou um debate sobre a remuneração dos artistas e sobre as dificuldades de se compatibilizar a livre troca de informações com o sustento de uma classe de criadores profissionais remunerados. Não apenas as grandes gravadoras se opuseram ao Napster, mas uma série de artistas estabelecidos, do Metallica a Lou Reed [13], argumentaram que a livre troca de música sem o pagamento dos direitos autorais retirava sua fonte de sustento. E embora esse debate tenha sido muito desequilibrado - porque sempre estava ausente um verdadeiro opositor dos direitos autorais - ele teve o mérito de pôr em evidência o objetivo primário da instituição dos direitos de autor.
Enquanto em alguns fóruns alternativos a possibilidade de um mundo sem direitos autorais era discutida um tanto teoricamente, um movimento iniciado por programadores começava a mostrar a viabilidade efetiva desse projeto. Não se tratava de pensar como poderia ser uma sociedade sem direitos autorais, mas de começar a pô-la em prática.
Embora muitas histórias possam ser contatadas sobre a origem desse movimento, podemos dizer que uma das suas principais manifestações teve origem no início dos anos 80 quando o programador Richard Stallman, do laboratório de inteligência artificial do MIT, abandonou seu emprego por se sentir constrangido pelas restrições de direitos autorais que impediam-no de aperfeiçoar programas comprados de empresas. Stallman sentia que as licenças de direitos autorais que negavam acesso ao código fonte dos programas (para impedir cópias ilegais) restringiam liberdades que os programadores haviam usufruído antes do mundo da informática ser dominado pelas grandes corporações - a liberdade de executar os programas sem restrições, a liberdade de conhecer e modificar os programas e a liberdade de redistribuir esses programas na forma original ou modificada entre os amigos e a comunidade. Por esse motivo, Stallman resolveu iniciar um movimento que produzisse programas livres, programas que resguardassem aquelas liberdades que o mundo dos programadores conhecia antes das restrições empresariais. Foi com essas idéias que Stallman começou a conceber o sistema operacional GNU que depois de ter o kernel desenvolvido por Linus Torvalds ficou conhecido como Linux. [14]
O significado do desenvolvimento e principalmente da difusão do sistema operacional GNU/ Linux não é apenas o de romper o monopólio do sistema Windows, da Microsoft, mas, principalmente, de fazê-lo por meio de um empreendimento em grande medida coletivo e voluntário. Tirando alguns poucos funcionários que recebiam salários relativamente baixos da fundação de Stallman (a Fundação para o Software Livre), a maioria dos desenvolvedores do GNU/Linux eram programadores ligados a empresas e universidades que davam sua contribuição voluntariamente sem esperar qualquer outro tipo de retorno que não o reconhecimento público por um trabalho bem feito. Como Benjamin Franklin, esses programadores, entre os quais encontravam-se alguns dos melhores em sua área, doavam seu trabalho de forma "gratuita e generosa" esperando contribuir para "o bem comum" e "a melhoria das condições". E apenas com esse trabalho voluntário e generoso (que nos últimos anos passou a ser bem explorado por grandes empresas) conseguiu-se montar uma comunidade estimada hoje em mais de 15 milhões de usuários.
O sucesso da difusão desse sistema operacional e de centenas de outros programas livres deveu-se ao fato de que esses programas garantiam a permanência de suas características "livres". Quando Stallman iniciou o movimento pelo sofware livre, ele concebeu um tipo de licença de direitos autorais que assegurava a manutenção das liberdades em versões reproduzidas e melhoradas dos programas. A esse tipo de licença, Stallman deu o nome de "copyleft" (esquerdo autoral), num trocadilho com "copyright" (direito autoral) [15]. Ao invés de simplesmente abrir mão dos direitos autorais, o que permitiria que empresas se apropriassem de um programa livre, modificando-o e redistribuindo-o de forma não livre, Stallman pensou num mecanismo de constrangimento que assegurasse a manutenção da liberdade que o programador havia dado ao programa. O mecanismo pensado era reafirmar os direitos autorais abrindo mão da exclusividade de distribuição e alteração desde que o uso subsequente não restringisse aquelas liberdades. Em outras palavras, a pessoa que recebia um programa livre, recebia esse programa com a condição de que se o copiasse ou o aprimorasse, mantivesse as características livres que tinha recebido: o direito de rodar livremente, de modificar livremente e de copiar livremente. Com isso, os programas livres, frutos de esforços coletivos voluntários, ganhavam uma licença que garantia que mesmo que as empresas quisessem usá-los e distribuí-los, o fizessem de forma a manter suas liberdades iniciais.
O sucesso do sistema operacional GNU/Linux e do movimento do software livre trouxe um exemplo concreto da possibilidade de se constituir um sistema de criação onde a remuneração não fosse a forma principal de estímulo e onde o interesse coletivo de usufrir com liberdade a cultura humana fosse mais importante do que a exploração comercial das idéias. Claro que a objeção de que os autores ficariam desprovidos de sustento e teriam que sujar as mãos com trabalhos não puramente criativos permaneceu. Mas o exemplo de Richard Stallman que trocou o papel de programador que cedo ou tarde seria forçado a submeter-se às empresas pelo papel de conferencista e acessor técnico independente ou ainda, o exemplo de George Gershwin, que antes de garantir o sustento de sua família por três gerações, ganhou a vida executando, como pianista e regente, suas próprias composições, mostram que uma vida sem direitos autorais é possível.
Hoje o movimento pelo copyleft, pela livre circulação da cultura e do saber ampliou-se muito além do universo dos programadores. O conceito de copyleft é aplicado na produção literária, científica, artística e jornalística. Há ainda muito trabalho de divulgação e esclarecimento a ser feito e é preciso que discutamos politicamente os prós e os contras dos diferentes tipos de licença. Precisamos discutir se queremos conciliar a exploração comercial com a utilização não comercial livre ou se devemos simplesmente nos livrar dos mecanismos de difusão comercial de uma vez por todas; precisamos também discutir questões relativas à autoria e à integridade da obra, principalmente numa época em que o sampleamento e a colagem constituem formas de manifestação artística importantes; temos, finalmente, que discutir as inúmeras peculiaridades de cada tipo de produção adequando a licença ao que estamos fazendo (a ênfase na possibilidade de modificação de um programa de computador tem pouco cabimento quando aplicado à produção científica, etc.). Esse trabalho não é o trabalho de imaginar um mundo possível, mas de passar a construí-lo, aqui e agora.
NOTAS
- http://www.midiaindependente.org
- Direitos de propriedade intelectual é um termo genérico para designar os direitos autorais, de patentes e de marcas. Neste artigo, falo um pouco dos direitos sobre patentes, mas, sobretudo, dos direitos autorais. Para a questão das marcas veja Naomi Klein, Sem Logo (Rio de Janeiro, Record, 2002).
- Carta de Thomas Jefferson para Isaac McPherson de 13 de agosto de 1813 (The Writings of Thomas Jefferson. Washington, Thomas Jefferson Memorial Association, 1905, vol. 13, pp. 333-335). Essa passagem é muito citada como argumento contrário à propriedade intelectual, mas a intenção de Jefferson é apenas mostrar que a propriedade intelectual não é natural - o que não impede (e ele é um defensor disso) que ela seja instituída pela sociedade.
- Cláusula de direitos autorais e de patentes da Constituição Americana, art. I, § 8, cl. 8.
- Thomas Babington Macaulay, "A Speech Delivered in the House of Commons on the 5th of February 1841" In: The Miscellaneous Writtings and Speeches of Lord Macaulay. Londres, Longmans, Green, Reader & Dyer, 1880, vol. IV.
- Apesar disso, houve várias tentativas de introduzir o direito natural no tratamento da propriedade intelectual. Se a doutrina do direito natural vingasse, o direito de exploração comercial exclusiva perderia o caráter de concessão temporária justificada pelo estímulo à criação e se transformaria num direito permanente e hereditário. Isso levaria num curto prazo à completa mercantilização de todos os bens culturais. Felizmente isso não foi adotado em nenhum lugar. Na França, depois da revolução, a constituição de 1791 consagrou o direito "natural" à propriedade intelectual, mas a regulamentação desse direito sempre restringiu o monopólio a um período de exploração determinado.
- Evidência de que adequação à Convenção de Berne era apenas um pretexto é dada pelo fato de que apesar do período da vida do autor mais 50 anos ter sido adotado nos EUA em 1976, o país não aderiu à convenção até 1989 porque não abriu mão de outros ítens "menores" como a exigência de registro. Para todo esse levantamento, veja Tyler T. Ochoa "Patent and Copyright Term Extension and the Constitution: a Historical Perspective" Copyright Society of the USA (março de 2002): 19-125.
- A União Européia havia estendido o prazo de validade dos direitos autorais para a duração da vida do autor mais 70 anos.
- The Autobiography of Benjamin Franklin. Nova Iorque, P. F. Collier & Son, 1909, p. 112. Stephen Marglin "Origem e funções do parcelamento de tarefas" In: A. Gorz. Crítica da divisão do trabalho. São Paulo, Martins Fontes, 1989, pp. 37-77.
- Imagine a Warner exigindo das milhões de pessoas que fazem aniversário todos os dias pagamento pelos direitos de "Parabéns para você" (sim, há direito autoral para "Parabéns para você" e ele pertence ao grupo AOL Time Warner que recebe como pagamento pelos direitos aproximadamente dois milhões de dólares todo ano).
- Muito antes das disputas recentes envolvendo o cassete de áudio e o vídeocassete, pode-se lembrar o processo que a editora musical White-Smith moveu contra a Apollo Co. em 1908 pela venda de "rolos de piano", cartuchos cilíndricos com papel perfurado que eram utilizados por um dispositivo que permitia aos pianos tocarem músicas automaticamente.
- Quem se debruçar sobre a história da disputa sobre os direitos autorais vai sofrer desilusões com grandes artistas que muitas vezes puseram mesquinhos interesses privados acima dos interesses públicos. Não é apenas o caso do Metallica que identificou os interesses dos novos artistas com o das grandes empresas, lembrando que "apesar de todos nós gostarmos de criticar as gravadoras grandes e más, elas sempre reinvestiram seus lucros na exposição de novas bandas para o público" e que, "sem essa exposição, muitos fãs nunca teriam a oportunidade de conhecer hoje as bandas de amanhã" (Lars Ulrich, baterista do Metallica, em declaração sobre o Napster). Numa audiência no congresso americano, buscando revisar as leis de direito autoral em 1906, o escritor Mark Twain, autor dos clássicos "As aventuras de Tom Sawyer" e "Huckleberry Finn" simplesmente defendeu o direito natural à propriedade intelectual. Após ser informado que tal doutrina era inconstitucional, passou a defender a extensão do direito para o maior prazo possível. Seus argumentos? "Eu gosto da extensão [do direito de propriedade intelectual] para cinquenta anos porque isso beneficia minhas duas filhas que não têm competência para ganhar a vida como eu ganho pois eu as eduquei como jovens senhoras que não sabem e não conseguem fazer nada." (E. F. Brylawsky e A. A. Goldman, Legislative History of the 1909 Copyright Act. Littleton, Fred B. Rothman, 1976, p. 117 citado por T. T. Ochoa, no mencionado, p. 36)
- Richard Stallman "The GNU Operating System and the Free Software Movement" In: Mark Stone, Sam Ockman e Chris DiBona (eds.) Open Sources: Voices from the Open Source Revolution. Sebastopol, O'Reilly, 1999.
- O termo "copyleft" partiu de um amigo de Stallman que, brincando, escreveu certa vez numa carta: "Copyleft: all rights reversed" (esquerdos autorais: todos os direitos invertidos) em alusão à nota comum: "Copyright: all rights reserved" (direitos autorais: todos os direitos reservados). Veja o artigo de Stallman citado acima.
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Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20020716.html





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