Materialização do Conceito de Software Público: Iniciativa CACIC
Materialização do Conceito de Software Público - Iniciativa CACIC
Colaboração: Daniel Darlen
1. PALAVRAS-CHAVE
Compartilhamento de Conhecimento - Desenvolvimento Colaborativo - Software Livre - Software Público - Informática Pública
2. RESUMO
O texto relata a experiência do Consórcio de Desenvolvimento do Software CACIC, coordenada pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, e viabilizada através de parceria com a instituição responsável pelo desenvolvimento da versão original do software: a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social - DATAPREV.
O relato é feito a partir de breve resgate dos princípios que fundamentam o compartilhamento de software entre instituições públicas de informática, incluindo o conceito de "Software Público Brasileiro", cunhado em 2001. São também tratados em síntese os diferenciais para a temática proporcionados pela consolidação do modelo de licenciamento GPL (Licença Pública Geral), próprio do Software Livre, no âmbito do setor público. A conclusão fortalece a percepção de que o CACIC representa importante passo para a consolidação do conceito de Software Público no país.
3. INTRODUÇÃO
O fundamento para tratar software desenvolvido pelo setor público como objeto de compartilhamento pode ser obtido na Teoria dos Bens Públicos (MUSGRAVE, R. Finanças Públicas, Rio de Janeiro: Campus, 1980.): bem público como aquele que apresenta características de indivisibilidade e de não rivalidade. Ou seja, pode ser usado por todos sem que com isto se estabeleça competição entre os usuários pelo bem. Ora, tais características são inerentes ao software: se um ou muitos o utilizam, os demais não perdem a possibilidade de vir a usá-lo, não há limitação sequer para quem o desenvolveu. Ao contrário, consideradas as possibilidades de aprimoramento a suas funcionalidades por diferentes atores, sua qualidade pode ser em muito ampliada através da disseminação de seus códigos fonte e da efetiva colaboração dos usuários e desenvolvedores.
Por outro lado, o caráter cada vez mais estratégico do software para governos e sociedade, a similaridade de demandas de entes públicos, a restrição de recursos humanos e materiais para seu atendimento e o acervo de soluções desenvolvidas pelos diferentes poderes e esferas, justificariam que iniciativas de cooperação governamental no sentido de compartilhar e publicizar software fossem freqüentes e numerosas. O cenário real, no entanto, é bem outro. Práticas de compartilhamento de software por entes públicos e destes com a sociedade são ainda esporádicas, no Brasil e, até onde se pode enxergar no mundo. Dentre as restrições para tornar cotidianas tais práticas há aspectos financeiros, culturais, tecnológicos e mesmo jurídicos. De forma não exaustiva poderiam ser citadas: * Receio da instituição desenvolvedora quanto a: * Sobrecarga por demandas de serviços de suporte e customização por parte dos demais usuários da solução, sem contrapartidas; * Possíveis restrições jurídicas decorrentes da cessão e uso do bem produzido no âmbito do setor público; * Riscos à segurança das informações governamentais tratadas pela solução decorrentes da publicação de seu código fonte; * Apropriação do código por instituições privadas, com o conseqüente "fechamento" do acesso a melhorias produzidas; * Manutenção do nível de qualidade da solução para atender as demandas crescentes; * Receio de potenciais usuários quanto a mudanças nas regras de acesso ao software, quanto à descontinuidade da solução etc; * Inexistência de padrões universais para produzir e documentar programas; * Desconhecimento de boas práticas similares. * Pela complexa relação entre o setor público, privado, o terceiro setor e o colaborador individual, onde todos os atores tenham os seus papéis compreendidos para o pleno funcionamento de uma Comunidade .
A consolidação das principais modalidades de licenciamento associadas ao software livre (Inclusive com a publicação da CC/GPL em português.) estabelece, em tese, ambiência propícia à superação de boa parte dos limitadores listados, em especial os que se referem aos "receios de instituições desenvolvedoras e de potenciais usuários". Afinal, várias das garantias pretendidas seriam possíveis através da adoção de licenciamento em modalidade GPL no software a ser publicizado. Questões como não fechamento futuro de códigos derivados da versão originalmente livre, impossibilidade de alteração na modalidade de licenciamento de dada versão e direito público às melhorias produzidas em softwares livres são diretamente tratadas pela modalidade de licenciamento referida (Em 2004 foi publicada versão em português da licença, com o reconhecimento formal das autoras da concepção mundialmente aceita: Creative Commons e Free Software Foundation.) Neste contexto foi formulado o conceito de Software Público Brasileiro (PROCERGS. Construindo uma plataforma tecnológica - Software Público Brasileiro, 2001, mimeo.), associado a estratégias para ampla publicização de softwares desenvolvidos pelo governo e prevendo tratamento para o conjunto das restrições tratadas anteriormente. Ainda assim faltava uma experiência bem sucedida, capaz de ser sentida por parcela expressiva da sociedade e de materializar a nova modalidade de licenciamento e modelo de gestão. Como se verá a seguir, o Consórcio CACIC se aproxima muito destas condições e pode se efetivar como um caso concreto do preconizado Software Público.
4. CONSÓRCIO CACIC
4.1. Breve Histórico
Dentre as tarefas a cargo de cada escritório regional da DATAPREV está o gerenciamento das redes locais instaladas nas agências do INSS no território a ele circunscrito, em geral correspondente a uma unidade federativa. Considerado o fluxo de cidadãos nas agências, dispostas em diferentes pontos do estado, a manutenção de níveis satisfatórios de serviço sempre foi um desafio para as equipes técnicas alocadas.
Este quadro foi o elemento motivador para que em 2.000, profissionais que atuavam no escritório regional da empresa no estado do Espírito Santo, iniciassem a concepção de projeto de software com funcionalidades referentes à coleta e consolidação de informações sobre configurações de software e de dispositivos de hardware instalados em redes locais, através de arquitetura de agentes. O projeto foi denominado CACIC - Configurador Automático e Coletor de Informações, e embora tivesse caráter local, resultou ao longo do tempo em versões estáveis e documentadas, utilizadas por outros escritórios da DATAPREV. Adicionalmente, tendo em vista a adoção de premissas de interoperabilidade - interface web e http - e o uso prioritário de ferramentas livres (Arquitetura LAMP: Linux, APACHE, MySql e PHP, com alguns componentes em DELPHI.), no desenvolvimento do software, o CACIC se caracterizava como solução passível de instalação e uso em uma diversidade de ambientes, a custos muito baixos. Ainda assim, o caráter não corporativo do projeto na DATAPREV, não permitia que o CACIC fosse otimizado ao ponto de se estabelecer como solução de "prateleira" da instituição para outros órgãos de governo, ou mesmo que viesse a ser adotado no conjunto do parque por ela atendido.
4.2. A Formação do Consórcio
Paralelamente a este processo, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento - SLTI/MP, vivia o desafio de atender às suas atribuições como órgão central do SISP - Sistema de Administração de Recursos de Informática e Informação da Administração Pública Federal ( Decreto no. 1048, de 21 de janeiro de 1.994 - criação do SISP - e decreto 5.134, de 7 de julho de 2004, a SLTI é seu órgão central.) Neste sentido, deve-se registrar que, até o início de 2003, o suporte à função mais elementar do SISP - obtenção das informações de inventário do imenso parque instalado no Governo Federal - era feito através de aplicação que exigia que coordenadores de informática dos órgãos informassem periodicamente os totais de cada dispositivo/ferramenta instalados em redes locais sob sua responsabilidade. Ainda que a estratégia fosse sustentada por decreto do presidente do Comitê Gestor de Governo Eletrônico (Resolução Nº 14 de 6 de dezembro de 2002 - Comitê Executivo do Governo Eletrônico.), jamais resultou em informações confiáveis. Desta forma, em outubro de 2003, foram iniciados estudos para a adoção de software baseado em arquitetura de agentes, como alternativa mais racional para obtenção do inventário de recursos.
Os estudos, conduzidos no ambiente do Ministério do Planejamento, em parceria entre a SLTI e a coordenação de informática do Ministério, incluíram a avaliação de soluções de mercado e do setor público, dentre elas o CACIC. O processo foi atentamente acompanhado pelos coordenadores de informática dos demais órgãos da Administração Federal, sendo ponto de pauta freqüente de fórum dos coordenadores de informática de ministérios e do Grupo Técnico de Migração para Software Livre (Grupo de trabalho coordenado pela SLTI/MP com o objetivo de apoiar os trabalhos dos Comitês Técnicos do Governo Eletrônico que tratam das temáticas de Software Livre e de Sistemas Legados). O interesse pelo tema justificava-se pela inexistência de soluções similares, em expressivo número de ambientes. O que evidenciava que os resultados da avaliação em curso seriam úteis para muitos órgãos.
Embora o estudo tenha concluído por alguma superioridade de solução de mercado em relação ao CACIC, especialmente no que tange a requisitos de usabilidade e eficiência, muitos fatores apontavam para que fosse recomendado o uso da solução desenvolvida pela DATAPREV, dentre os quais destacam-se * Custo das soluções de mercado; * Não aderência da solução de mercado às diretrizes do Governo Eletrônico, em especial no que tange ao uso de softwares livres na arquitetura de desenvolvimento, atendimento à e-PING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico, disponível em www.governoeletronico.gov.br.) e ; * Pleno acesso ao código fonte do produto.
Neste sentido, considerando ainda o caráter crítico das informações a serem tratadas pela aplicação, foram iniciadas pela SLTI/MP junto à direção da DATAPREV discussões no sentido de que o CACIC viesse a ser gradualmente adotado pela Administração Pública Federal através de estratégia que combinasse duas linhas: (i) a imediata instalação e uso da versão existente e (ii) o desenvolvimento colaborativo de versões futuras, que viessem a contemplar o conjunto de requisitos desejados. Além da SLTI/MP, os coordenadores de informática de três outros órgãos - Ministério do Desenvolvimento Agrário, da Educação e do Meio Ambiente - dispuseram-se a aderir espontânea e prontamente à iniciativa. Inclusive através da alocação de técnicos em tarefas de desenvolvimento de novas funcionalidades prioritárias, dentre as quais agente para uso em estações cliente com sistema operacional livre e camada de web service para consolidação de informações produzidas em diversas redes locais.
Restava no entanto o desafio de garantir que o processo fosse conduzido sob condições juridicamente sustentáveis, conforme tratado no tópico anterior. No caso em questão, tais garantias envolviam: * que os dirigentes da DATAPREV não viessem a ser juridicamente questionados quanto a eventual dano causado aos interesses da empresa pela cessão do produto; * que a DATAPREV ou a SLTI/MP não viessem a ser responsabilizadas por problemas decorrentes do uso do software pelos potenciais usuários; * que os demais órgãos não viessem a ser surpreendidos pela alegação de uso não autorizado do CACIC; * que houvesse garantias de que toda melhoria incorporada ao software pudesse ser reusada pela comunidade usuária, e por conseqüência retornasse à instituição patrocinadora do desenvolvimento original: a DATAPREV .
Embora fosse possível prever que o equacionamento do conjunto de condições relacionadas seria possível através da adoção de licenciamento do software na modalidade GPL, a situação nunca havia sido tratada com esta abrangência por qualquer órgão da Administração Pública Federal. Mas ao contrário de paralisar o processo, o caráter de ineditismo da tarefa motivou os intervenientes a trilhar passo a passo e com todo rigor os procedimentos que viessem a dar sustentabilidade legal à iniciativa. O que envolveu dentre outros instrumentos: registro de autoria/propriedade do software junto ao INPI por parte da DATAPREV, estabelecimento de convênio entre esta e a SLTI/MP e o posterior licenciamento do CACIC na modalidade GPL. Este esforço, coordenado pelas consultorias jurídicas da SLTI/MP e DATAPREV, contou com importante colaboração da procuradoria do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação - ITI, e é hoje entendido como um dos sub produtos mais relevantes da iniciativa do Consórcio: o estabelecimento de modelo de procedimentos para que outros softwares desenvolvidos pelo setor público venham a ser compartilhados e aprimorados pelo conjunto da sociedade, de forma juridicamente responsável (www.governoeletronico.gov.br/cacic/modelos).
4.3. A Comunidade CACIC
Assim que se estabeleceu a convicção de que seria possível equacionar as garantias necessárias para uso e desenvolvimento colaborativo da solução, foi realizada a 1a. Convenção de Usuários do CACIC. O evento, realizado em Brasília em 22 de março corrente, teve participação compatível com o interesse dos coordenadores de informática na Administração Federal pela solução: representantes de cerca de 30 instituições. O processo foi enriquecido pela presença do líder de um dos softwares livres mais utilizados no Brasil: o Open Office, permitindo assim que os participantes tivessem uma visão detalhada e real das condições para interagir com a inovação em pauta.
Nesse ambiente, foi validado o modelo de gestão do Consórcio CACIC com a seguinte lógica geral: * Cabe a SLTI/MP a alocação de recursos humanos e de infra-estrutura para gestão do Consórcio, incluindo-se aí hospedagem (www.governoeletronico.gov.br/cacic) e gestão dos conteúdos, inclusive todo o código fonte, liberação de versões, gerenciamento de usuários e de listas de discussão; * Cabe a cada um dos demais integrantes do Consórcio a alocação de recursos humanos para a instalação e uso do CACIC em seu ambiente computacional; * A alocação de recursos humanos necessários ao desenvolvimento e estabilização de versões futuras será feita pelos participantes do Consórcio, mediante negociação caso a caso, sendo sempre precedida pela avaliação de prioridades dos conjuntos dos membros.
Os resultados da Convenção incluíram ainda cronograma de instalação da versão existente do software nos órgãos interessados, priorização coletiva de requisitos de versões futuras, plano de capacitação das equipes e mecanismos para gestão de configurações.
Ou seja, estava assim instituído o Consórcio CACIC no âmbito da Administração Pública Federal. Mas, como o entendimento dos membros era que a sociedade, especialmente através das comunidades de informática pública e de software livre, deveria também ser convidada a aderir à iniciativa, o Consórcio foi a seguir divulgado em fóruns representativos (XI Congresso Nacional de Informática Pública e VI Fórum Internacional de Porto Alegre). Tais encaminhamentos levaram à expressiva ampliação dos interessados, que hoje incluem estudantes, universidades, empresas, ONGs, governos estaduais, municipais e instituições do legislativo e judiciário. Ou seja, o que parecia a princípio ser uma demanda estritamente da Administração Pública Federal, mostrou-se de interesse para significativa parcela da sociedade, como pode ser ilustrado pelos seguintes exemplos de adesões: * Governos da Argentina, do Paraguai e da Venezuela. A partir da explicitação destes interesses, o governo brasileiro, através da SLTI/MP e o governo venezuelano através da empresa estatal Petróleo da Venezuela - PDVSA, firmaram acordo para gerar a versão em espanhol da ferramenta; * Instituições de Informática Pública Estaduais: a Companhia de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (CIASC) e a Companhia de Informática do Paraná (CELEPAR) estão utilizando e aprimorando o CACIC, com vistas a constituir consórcio estadual de desenvolvedores e de suporte aos estados. Paralelamente, o Governo Eletrônico do estado de Minas Gerais também tem estudado a ferramenta; * Prefeituras: a adequação do software para esta realidade tem sido feita individualmente por várias instituições municipais, dentre as quais a instituições de informática pública de Belo Horizonte, Recife, Curitiba, João Pessoa e Rio das Ostras. Adicionalmente o Consórcio de Municípios para o Software Livre (COMSOLI) tratará da divulgação do CACIC junto a seus associados; * Empresas: o Grupo Mabel, empresa do ramo alimentício, iniciou a prospecção do sistema de inventário e demonstrou interesse em utilizá-lo internamente na organização. Os gerentes e analistas de sistemas de diversas outras grandes empresas, como a Varig, Itapemirim, Águia Branca, BS Colwey Pneus, Tok Stok, Curinga Pneus, também solicitaram acesso à documentação para conhecer com mais detalhes a solução; * Grupos de Pesquisa: A Universidade de Brasília (UnB) está analisando em profundidade o projeto, com vistas a refinar e complementar sua documentação. A UFMG está operacionalizando a acoplagem da ferramenta livre NAGIOS para o controle das máquinas servidoras. Grupos de pesquisa da UFPA, UNICAMP, PUC-Minas, UNISINOS, UNIVATES e CEFET-SC também estão em contato com o CACIC.
Desta forma, o Consórcio CACIC, originário da decisão de agentes públicos de compartilhar responsavelmente um software desenvolvido com recursos públicos, configura-se hoje como experiência de caráter exemplar: o uso do software é feito por dezenas de instituições, melhorias e evoluções de suas funcionalidades estão articuladas sem que sejam necessárias despesas de vulto por qualquer dos parceiros ou da coordenação, a aderência a padrões é premissa básica do desenvolvimento e não são esperados quaisquer problemas jurídicos para o modelo.
Deve-se registrar ainda que os primeiros efeitos positivos de seu uso por equipes de informática do governo permitem antever um novo conjunto de benefícios do empreendimento: fortalecer a cultura de compartilhamento de software entre entes públicos. Ou seja, a vivência de interações em uma comunidade de desenvolvimento ativa e gerenciada tem se mostrado como potente antídoto para resistências em disponibilizar soluções desenvolvidas internamente e mesmo para utilizar softwares livres em maior escala. Neste sentido, já podem ser observadas articulações de coordenadores de informática do governo federal para criação de novos consórcios e a ramificação da Comunidade CACIC para além da esfera governamental.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
É evidente que a iniciativa do Consórcio CACIC não seria possível se ao longo do tempo a tese de defesa do compartilhamento de software pelo setor público não tivesse sido intensamente debatida, se experiências alinhadas a esta tese não tivessem sido implementadas, enfrentado e gradualmente superando obstáculos, ou se a comunidade de software livre não tivesse atingido o grau de maturidade atual. Ou seja, não está se falando de forma alguma do "princípio da história". Tampouco poderia se pensar que a partir da constituição da comunidade CACIC se tenha chegado ao ponto final dos desafios para materialização do Software Público Brasileiro. O estágio atual da iniciativa representa em verdade novos compromissos para os envolvidos: manter gerenciada e ativa a comunidade CACIC, incentivar e planejar cuidadosamente a constituição de novos consórcios. Embora a experiência esteja se consolidando, já é possível perceber que esse protagonismo do governo pode acelerar o processo de compartilhamento de soluções pelo setor público e criar desdobramentos para um novo modelo de negócios no segmento de software. Para tanto, as contribuições serão bem-vindas e todo o aprendizado se tornará um novo passo para sedimentar o conceito de Software Público no país.
6. AUTORIA
Anderson Peterle (<anderson peterle (a) previdencia gov br>) Assistente de Tecnologia da Informação da DATAPREV, lotado no escritório regional do estado do Espírito Santo.
Carlos Alberto Jacques de Castro (<castrocarlos (a) via-rs net>) Analista de Sistemas, Consultor de TI e ex-Diretor de Operações e Telecomunicações da DATAPREV.
Corinto Meffe (<corinto meffe (a) planejamento gov br>) Gerente de Projetos do Departamento de Integração de Sistemas, Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, cedido pela DATAPREV.
Nazaré Lopes Bretas (<nazare bretas (a) planejamento gov br>) Gerente de Projetos do Departamento de Integração de Sistemas, Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, cedida pela PRODABEL.
Rogério Santanna dos Santos (<rogerio santanna (a) planejamento gov br>) Secretário de Logística e Tecnologia da Informação, Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. PALAVRAS-CHAVE Compartilhamento de Conhecimento - Desenvolvimento Colaborativo - Software Livre - Software Público - Informática Pública
7. RESUMO
(*) Publicado na IP - Informática Pública, volume 7, número 2, ISSN 1516-697X, set./2005 - fev./2006, Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte - PRODABEL - Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.
Fonte: http://guialivre.governoeletronico.gov.br/cacic/sisp2/
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060727.html
Criptografando autênticação de FTP pelo OpenSSH
Criptografando autênticação de FTP pelo OpenSSH
Colaboração: André Jaccon
Neste artigo estarei dando um exemplo de como criptografar comandos de autênticação de FTP através de um túnel pelo OpenSSH.
Considerações iniciais:
S.O usado no teste:
- Debian Gnu/Linux 2.4.29
- Servidor SSH: OpenSSH 3.4p1
- Servidor FTP: Proftpd 1.2.10
Para que nosso exemplo funcione é necesário que o o cliente e o servidor tenham suporte a conexões FTP ativo e o servidor precisa ter suporte para aceitar os comandos PORT para máquinas que não sejam do canal de comandos de origem.
Considere o exemplo abaixo:
+--------------------------------------------+ |Cliente - 192.168.0.1 suposta porta ftp 2121| +--------------------------------------------+ | +---------------------------------------+ | Servidor - 192.168.0.2 ftp 21 ssh 2222| +---------------------------------------+
1) Devemos abrir uma conexão SSH com nosso servidor de FTP seguindo o exemplo abaixo:
# ssh -p 2222 -l jaccon -L 2121:192.168.0.2:21 localhost
Explicando as Flags:
- -p 2222: indica a porta do servidor OpenSSH em nosso Servidor
- -l jaccon: usuário válido em nosso Servidor
- -L: Port forwarding
- 2121: suposta porta local
- :192.168.0.2:21 : endereço do servidor ftp seguido da porta de comunicação do serviço FTP.
- localhost: máquina local
2) Depois de logado pelo SSH use o comando abaixo para iniciar a sessão FTP:
# ftp localhost 2121
Com isso o programa ssh criará um túnel pelo ssh a porta (2222) vinculando uma porta local (2121) para o servidor remoto na porta do serviço de ftp indicada após o endereço de IP.
Apesar de usar o próprio comando scp ou ainda o sftp está é mais uma opção para comunicação com um servidor de FTP.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20050401.html
No começo havia a Microsoft. Então ela explodiu...
No começo havia a Microsoft. Então ela explodiu...
Por Charlie Demerjian
http://www.theinquirer.net/?article=13350
Traduzido por: Fernanda Weiden, Marlon Dutra
Algumas vezes, acontece uma grande mudança na indústria. Essas mudanças geralmente não são notadas até que passe um bom tempo do acontecido, olhando para trás e falando: Olha, as coisas estão diferentes do que foram.
Nós estamos passando nesse momento pela maior de todas as mudanças da indústria de TI, e se você souber onde olhar, poderá vê-la enquanto acontece. Esta mudança toda gira em torno da Microsoft e o código aberto.
Até pouco tempo atrás, a Microsoft dominava o mercado de computadores pessoais, do topo à base dessa cadeia alimentar. A parte inferior da base foi ocupada pela Palm, e a parte superior do topo pela Sun, IBM e outros. E o vasto meio era a Microsoft e somente a Microsoft.
Todos que desafiaram este monopólio foram comprados, trapaceados, ou esmagados por truques sujos da competição cruel, ou em raros casos, por um produto melhor. A lista de fracassados consumiria mais colunas do que uma pessoa seria capaz de ler em um ano.
Netscape, Stac, Worldperfect, Novell, e outros dentre as baixas mais notáveis. Aqueles que tecnicamente sobreviveram são fantasmas do que foram.
Foi só a imprensa divulgar a inabilidade de qualquer pessoa para desafiar demônio de Redmond, que ele está perdendo o controle. Como qualquer companhia a beira de uma gigantesca perda de mercado, a Microsoft está agindo conforme o esperado, fingindo que nada está acontecendo, e colocando um sorriso no rosto quando questionada sobre seus prospectos. Por dentro, a Microsoft está temendo o inferno.
Uma das mais ricas companhias do planeta, administrada por uma das pessoas mais ricas do planeta com medo? O que isso pode significar?
Morta, enforcada e esquartejada
Para se ter uma idéia, a Microsoft tem procurado agir cada vez melhor. Sempre que os analistas financeiros estabelecem um ganho trimestral, a Microsoft coloca alguns centavos a mais por ação debaixo do seu chapéu e bate estes ganhos. O bando de cachorros e vermes que são conhecidos como Wall Street ficam boqueabertos, e aplaudem sem entusiasmo. E isso sempre acontece, incluindo as surpresas dos analistas.
O modo como eles fazem isso não é segredo pra ninguém. Nos seus dois maiores produtos, sua margem de lucro é de mais de oitenta porcento. O restante dos produtos, que vão desde os computadores de mão ao portal MSN e o Xbox dão grandes prejuízos. Suas finanças são tão obscuras e mal apresentadas, que eles podem repassar dinheiro de um lado para outro na companhia sem que ninguém perceba. Eles podem ganhar tanto dinheiro em um trimestre? Aplicando dinheiro em investimentos fechados, ou aceitando algumas perdas. Não mostrando os números? Levantando fundos a partir de alguns bens e assim fazendo lucro.
Sobretudo, eles conseguiram mostrar uma curva suave em seus ganhos, e se superar a cada relatório trimestral. Um monopólio e um custo quase zero para fazer o seu produto físico (reprodução de mídias) além de pesquisa e desenvolvimento tem suas vantagens.
As corporações clamam pelo Linux
Há mais ou menos um ano atrás, as coisas começaram a mudar. Os clamores de que o Linux iria derrubar a Microsoft continuam, mas a resposta a esses clamores mudaram. Executivos começaram a dizer "Fale-me sobre isso". Em tempos de vacas magras, grátis é muito mais barato que centenas de dólares, e infinitamente mais atraente. O Linux começou a ganhar espaço com consumidores que poderiam pagar por ele, usando-o para um trabalho real no mundo real.
Até então, a Microsoft vinha simplesmente ignorando a ameaça tuxista. Então eles começaram a reagir com terrorismo, memorandos Halloween, muitos relatórios e estudos pagos e mal elaborados. De alguma maneira, as pessoas não engoliram a estória de que US$ 1.000 seriam mais baratos do que grátis. Então a Microsoft teve que mudar sua tática. Já que ela não pôde comprar a companhia que produzia o Linux, já que a GPL proteje da velha tática usada pela Microsoft para derrubar a concorrência, e o ódio das pessoas por ela vinha crescendo por todas as dores que eles vinham causando durante todos estes anos, a empresa se viu em uma sinuca de bico. Como você pode competir quando todos os seus truques sujos são ou inaplicáveis ou falhos, e quando montanhas de dinheiro não podem ser usadas para tomar o lugar da concorrência? Simples, você compete por seus méritos.
Quando na história, além de nos últimos seis meses, a Microsoft baixou preços ou deu algo que não fosse seus triviais descontos em qualquer coisa? Sim, certo, nunca! Frente à perda do mercado de home office para o OpenOffice/StarOffice, o mercado de servidores para o Linux, de bancos de dados para o MySQL, e o de desktops também para o Linux em um futuro não muito distante, o que eles poderiam fazer? Eles planejaram cortes nos preços de seus produtos mais significativos e em segmentos-chave.
O primeiros desses cortes visou a MySQL, com a Developer Edition do SQL Server, cortando em torno de 80 porcento. Então eles começaram a investir pesado para prevenir que grandes empresas dessem ao Linux uma porta de entrada.
Eles apareceram com uma versão educacional para o Office. Dica para os leitores, se você não quiser pagar US$ 500 pelo Office, com a nova versão, você não precisa provar que é um estudante ou professor para ganhar um desconto, como era feito na versão anterior. Bem, nenhuma dessas táticas está funcionando como esperado, e uma das razões para isso é o falho sistema de ativação de produto como forma de ganhar dinheiro. Sem começar com o velho debate sobre o custo de software pirata, é difícil de argumentar contra o fato de que até mesmo com os números que eles publicam sobre a pirataria, a Microsoft continua deixando claro seus bilhões de dólares por trimestre, ou mais. Se não fosse pela pirataria, os filhos de Gates (os 1.0 e 2.0 da vida) poderiam ser enviadas para uma boa escola. Chore por eles. Em sua inteligência, a Microsoft decidiu espremer um pouquinho seus usuários, e para seu pavor, eles começaram a perceber que as pessoas estavam mais dispostas a aceitar a pequena diferença nas funcionalidades do OpenOffice do que pagar US$ 500 pelo MS Office. Quem adivinharia isso? Foi um tiro no pé.
A próxima estratégia campeã foi fechar o cerco e trancar as pessoas. Se você prevenir outros programas de trabalhar com o seu software, e fazer o seu trabalho suficientemente barato, as pessoas vão se acorrentar nisso, certo? Bem, em certo ponto, no mínimo até você ser odiado, ou as pessoas terem uma alternativa.
Com a licença 6.0, a nova "alugue de acordo com seu uso, mas faça isso com nosso concentimento" foi a gota d'água. Quando eles propuseram este esquema, as pessoas deram gargalhadas. Quando a Microsoft disse faça isso ou pague o preço de varejo, as pessoas piscaram, e alguns choraram e lamentaram o monopólio. Foi então que as pessoas começaram a levar o Linux a sério.
Migrações, migrações
Quando a Microsoft anunciou a data limite para o licenciamento 6.0, as pessoas se recusaram. A adoção foi menor que 100% como eles previam, eles piscaram e extenderam a dara limite, que acabou não sendo extendida. As pessoas continuaram se negando a aderir ao plano, então a Microsoft mexeu os pauzinhos e...hmm...piscou de novo. Uma vez que as pessoas não enxergaram os benefícios que justificassem 100% de aumento nos preços, e a Microsoft estava parecendo cada vez mais fraca com cada atraso, ela parou de atrasar. Qualquer pessoa em sã consciência veria que eles iriam perder um terço de seus consumidores e com o tempo seria um desastre absoluto.
A Microsoft percebeu isso como um sinal de que as pessoas não entenderam verdadeiramente a generosidade vinda de Redmond, então ela adoçou o pote de migalhas para os relutantes. Isso incluiu treinamentos e outras coisas, mas não queda de preços. Esta seria a via sacra que nunca seria completada. Por pouco, as pessoas continuaram não voltando, e os grandes clientes começaram a abandonar o barco. O que fazer? O que fazer?
A resposta foi encarar as migrações com descontos pesados. O negócio é fazer qualquer coisa para atingir os objetivos. Quando a Microsoft diz qualquer coisa, certamente algumas dessas coisas nós jamais imaginaríamos.
A coisa mais estranha é que nem mesmo isso funcionou. As pessoas calcularam. Com o software fechado e caro em uma mão, e o mais barato e integrável na outra mão, eles começaram a optar pela via mais barata. Imagine isto, as migrações das grandes empresas cada vez mais frequentes, e Redmond estava quase sem cartas na manga.
Algumas migrações foram evitadas, como a do governo da Tailândia, que paga US$ 36 por um Office e o Windows XP vem com 95% de desconto em relação à tabela. É possível que outras negociações desse tipo tenham acontecido sem que nós ficássemos sabendo. Para cada vitória desse tipo pela Microsoft, o Linux teve duas ou três. Senão quatro ou cinco. Isso não é nem contestável. Migrações de alto nível, como cidades, governos, e, a IBM, estão simplesmente no topo no iceberg, e quase todo mundo está observando os pioneiros para ve se o caminho que eles estão seguindo tem futuro.
Se estas poucas pioneiras tiverem êxito, espere o portão se abrir e todo mundo ir atrás. As falhas de segurança no design, que fazem o software da Microsoft insegura, estão somente somando para a miséria. Cada dia que uma companhia vai abaixo por culpa de um worm ou vírus, ela começa a reavaliar o software da Microsoft. Quando forem renovar os contratos, a lembrança de noites inteiras em claro tende a pesar muito nas mentes de muitos executivos.
Os números do último balanço trimestral mostraram algo inédito os desgostosos números da Microsoft. Eles culparam grandes corporações que estavam vulneráveis ao worm Blaster. Mas se você parar pra pensar, a maioria das empresas estão no licenciamento 6.0 ou outro contrato de longa data, então o faturamento vindo deles estava garantido. Pessoas que vão comprar software da Microsoft estarão sujeitas a isso. Quem pulou fora, pulou. Uma grande empresa não vai adiar uma compra de software em função de uma falha de segurança, eles terão suas licenças perdidas ou eles comprarão o software como planejado e sentarão em cima dele, se necessário. Alguma coisa não cheira bem com essa explicação.
Se a Microsoft não puder aparecer com outra surpresa, algo está muito errado. Agora é a hora deles irem pra rua, ou a ilusão vai acabar, e isso tem um efeito negativo no preço das suas ações. Se a Microsoft não cumpriu as metas desse trimestre, ela mostra ou que não foi capaz, ou decidiu consciente por não cumprir.
A festa está acabando
Se a Microsoft não puder bater os números, isso mostra que a festa está acabando, os clientes-chave estão pegando pesado, e a Microsoft está se rendendo. Sem os bilhões de dólares para perder em produtos como Xbox e MSN, eles podem sobreviver? Se eles não puderem, isso tornaria a Microsoft uma empresa financeiramente saudável, mas ela continuaria sendo a Microsoft? Ela seria capaz de oferecer uma solução completa ponta-a-ponta sendo ela incapaz de controlar a internet? Seria ela capaz de brigar pelo mercado de telefonia sem poder correr o risco de sair com um prejuízo na casa dos nove dígitos? Quanto tempo demorará para que o negócio do set up boxes (Xbox e outros produtos) começarem a dar dinheiro?
A parte mais complicada da história começaria caso a Microsoft resolvesse explicar o que realmente está acontecendo. Quando falamos em números, a Wall Street é o parquinho de diversões da Microsoft. As ações são absurdamente supervalorizadas e, em compensação, o mercado espera algumas coisa em troca. Quando estas coisas param de acontecer, as ações se desvalorizam muito. E, quando isso acontece, os acionistas e todo o resto do mundo começam a perguntar todas aquelas sórdidas questões que os executivos não querem responder. Se o preço das ações implode, aquelas stock options (compra de ações pelos funcionários, por um preço abaixo do mercado) que a Microsoft famosa por oferecer aos funcionários como um incentivo, se tornam muito mais caras e menos atrativas e a moral rola escada abaixo. Resumindo: as coisas ficam bem feias.
Para a Microsoft, mudar ativamente a companhia nesse sentido indicaria nada mais nada menos do que uma mudança na maré, o que causaria muito sofrimento. Eu não vejo ninguém fazer algo deste tipo propositadamente a menos que não haja outra saída. Uma maneira muito mais inteligente seria mudar o curso lentamente em alguns anos e mudar a companhia lentamente. Desta maneira, você pode ir preparando os analistas tolos, e escapar relativamente intacto.
Se eu tivesse que supor, eu diria que a competição está começando a forçar a Microsoft a uma guerra de preços, e qualquer besta sabe que uma guerra de preços contra algo gratuito não é uma boa. Não acreditam em mim? Vá perguntar à Netscape. Um dia é do caçador, outro da caça. Mas as guerras de preço são destrutivas, e afundarão a Microsoft mais rapidamente do que você demora dizer "US$50 bilhões no banco". A Microsoft pode ter recursos para cortar preços, mas uma hora esses descontos de US$10 milhões começarão a pesar no bolso. E isso passará a não funcionar quando todos conhecerem a simples verdade sobre o Linux.
A verdade é que se você está negociando com a Microsoft e sacar uma caixa da Suse ou RedHat, os preços cairão 25 porcento abaixo do melhor acordo que você poderia negociar. Saque um ROI (return of investiment, estudo de retorno de envestimento) e o preço cai em mais 25 porcento milagrosamente. Quer mais? Diga para a Microsoft que a fase piloto dos experimentos foram expetaculares, e que o Java Desktop da Sun parece espetacular no Gnome adaptado para a sua empresa, e os custos de treinamento foram quase zero.
Hoje em dia, não é difícil passar a perna na Microsoft, conseguindo descontos cada vez maiores. Ser um representante da Microsoft deve ser um trabalho difícil. Independente disso, as pessoas continuam abandonando o barco.
Computação confiável
O problema é que, pesquisas questionáveis a parte, a Microsoft simplesmente não é confiável. E essa idéia está se espalhando entre os executivos. Microsoft tem o hábito de prometer coisas para os usuários, mas não entregar.
A segurança é um bom exemplo. Há alguns anos atrás, a Microsoft prometeu parar de codar o XP para fazer uma completa auditoria de segurança e reciclar seus profissionais. E eles disseram: tudo será melhor depois disso, acreditem em nós. As pessoas acreditaram. Blaster, Nashia, e uma montanha de gente viram que a Microsoft não fez nenhum esforço nesse sentido.
Então, porque sair de Redmond atualmente? Ar quente e os vídeos de dança do Ballmer feitos em Mac's. É engraçado ver um homem-macaco, mas passar uma noite ouvindo ele aos gritos, perde o encanto. Lembra do mesmo Ballmer dizendo que a Microsoft não liberaria uma release do Win2k até que tudo estivesse perfeito? E sobre aquela auditoria de segurança que seria feita no XP que acabaria com a possibilidade de qualquer coisa estilo o Blaster de acontecer? Alguém acha que as massas correrão para as lojas no próximo lançamento? A verdade é que isso vai acontecer, e a Microsoft sabe disso.
A frase "isso será consertado em seis meses, confie em nós" parece ter um poder mágico quando vinda da Microsoft. O tempo todo alguém grande aparece com uma lista de reclamações sobre a Microsoft, ela anuncia uma iniciativa, aparece com uma maravilhosa apresentação em Powerpoint, mostra uma dúzia de notícias divulgadas na imprensa, um discurso gravado do Gates, e mais um monte de coisas brilhantes para distrair as pessoas.
O fato é que a segurança tem ficado pior desde o lançamento do Windows 95, a cada ano. Péssima reputação, não acha? O fato é que também, pela primeira vez, a receita da Microsoft está apertada, ela tem competição, e a opinião pública a culpa pelos prejuízos causados pelas falhas de segurança.
De qualquer maneira, a cultura da Microsoft previne mudanças. Eu estava falando com uma pessoa de alto nível de segurança no último Intel Developer Forum, e nós conversamos sobre o que a Microsoft poderia fazer para arrumar a casa. Ele fez as perguntas certas, e eu dei a ele as respostas certas. E mais, eu disse, jogue tudo o que você tem fora e comece denovo. Ele não faria isso. Sem mais nem menos ele se fechou para o eu estava dizendo, a cultura estava tão impregnada nele que a verdade não conseguia entrar. A Microsoft não pode corrigir os bugs que conduzem aos problemas de segurança, porque eles não são bugs, são escolhas do projeto. Quando ameaçada pelo Java, a Microsoft reagiu com o ActiveX. E disse que ele podia fazer tudo o que o Java não era capaz porque o Java estava em uma sandbox e os programas não conseguiam sair dela.
O fato é que esta infraestrutura interna da Microsoft é baseada fundamentalmente em um arquitetura falha, não em código bugado. Este arquitetura não pode ser modificada.
Para mudar isso, a Microsoft teria que jogar fora todas as API's existentes e acabar com a compatibilidade com as versões anteriores. Se a Microsoft fizer isso, ela tem uma chance de corrigir o design que atrapalham a arrumação do produto.
Eu duvido. Mesmo o .NET, a nova infraestrutura de segurança, e construído para ser seguro, deixa você ter acesso à moda antiga. Sim, você não tinha suposto isso, mas algumas pessoas de certo modo sim, e os hackers também. A Microsoft e seus clientes são viciados em compatibilidade retrógrada como um tolo viciado em heroína.
E se a Microsoft mudasse, isso incentivaria você a aderir a Microsoft? Se você tivesse começando a fazer uma aplicação do zero nessa novidade, o ambiente seguro da Microsoft, você pagará centenas ou até milhares de dólares para ir pelo caminho da Microsoft ou US$ 0 para ir com o Linux?
Começando do começo
Recomeçar anularia uma vantagem que a Microsoft tem, que é um código pronto e uma equipe treinada. Características da migração e reciclagem estão na maioria dos documentos internos da Microsoft, e se ela tiver que jogar tudo isso longe, quais são as chances dela?
Às claras ela não fará e não pode fazer, a Microsoft sentará lá, e assistirá o seu mercado se perder. Isto está acontecendo lentamente no começo, mas a bola de neve está rolando. Algumas pessoas estão olhando monte acima e esta grande notícia está correndo solta, e alguns estão claramente mudando seu rumo.
A grande mudança da indústria está acontecendo, e nós estamos no ponto crucial. Olhe atentamente para as pessoas, e leia atentamente todas as notícias. Se você conseguir enxergar o grande quadro atual, esta é uma mudança que não vai te impressionar quando olhar pra trás.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20040215.html
Política Starone
Política Starone
Eu recebi dezenas de mensagens comentando a política da StarOne e sua proibição de uso de Linux. Estou postando aqui as mensagens que me foram enviadas pelo Fernando Roxo e Eduardo Maçan, visto serem representativas das opiniões de todos que me escreveram e por serem muito bem fundamentadas.
Não deixem de ler :-)
From: Fernando M. Roxo da Motta <<roxo (a) conectiva com br> To: Rubens Queiroz de Almeida <<queiroz (a) ccuec unicamp br> Subject: Re: [Dicas-L] Absurdo: Resposta StarOne
Queiroz,
Se o email do Carlos Eduardo Silvino Moreira tivesse sido publicado eu estaria incluindo-o nesta "consulta", mas talvez se tivesse sido publicado ele estaria sendo inundado, como você deve estar sendo, por respostas com este mesmo conteúdo.
Pelo que entendi da explicação abaixo o problema se resume ao uso de um proxy local. Será que o Carlos Eduardo nunca ouviu falar do Squid ? Acho pouco provável, afinal este é (possivelmente) o servidor proxy mais usado no mundo, logo sendo ele um profissional da área deve ter ouvido falar nele.
Entrei no site do FreshMeat ( http://freshmeat.net ) e procurei por "proxy server" e achei uma categoria com este nome contendo 93 (isto !! Noventa e três ) projetos :
http://freshmeat.net/browse/907/?topic_id=907
Não procurei, mas tenho a convicção de que haverá pelo menos um destes projetos capaz de operar nas três plataformas citadas, além de outras não citadas. Se este for o caso, me parece que *poderia* ser bastante interessante eles tentarem conhecer algum(ns) deste(s) projeto(s), afinal poderia economizar algum investimento no desenvolvimento de uma solução proprietária ao passar a usar um Software Livre, além de passar a usar uma solução multiplataforma, o que por sua vez expandiria o mercado atendido.
Ou será que há algo além do "proxy server" no produto deles ?
Eu acho bastante razoável a explicação fornecida pelo Carlos Eduardo com relação à necessidade do uso de um "proxy server", considerando os custos envolvidos em um enlace por satélite, tanto finaceiros quanto de latências. Eu acho até razoável que eles se sintam mais confortáveis com o uso de um servidor próprio. Mas se a única necessidade é ter um "proxy server' instalado, a forma como é colocada esta exigência me parece no mínimo equivocada. Porque em lugar de dizer qual deve ser o sistema operacional conectado eles não especificam a necessidade de ter um proxy server instalado ? Acredito que seria muito mais simples e menos desgastante para a imagem pública da empresa.
Eu até entenderia se eles estabelecessem esta necessidade e se eximissem de suportar qualquer outra plataforma, afinal vários fornecedores de conexão rápida à Internet o fazem, mas não tinha tido ainda notícia de nenhum que proibisse outros sistemas. Normalmente a atitude é dizer : "não damos suporte, você terá que se responsabilizar por configurar a sua máquina". No caso deles acredito que se poderia até fazer algo do gênero. Aliás, é muito comum estas empresas fornecedoras de conexões rápidas terceirizarem o serviço de instalação e configuração, o que eles poderiam fazer com empresas que instalassem um servidor Proxy local no processo de configuração destes outros sistemas operacionais.
Conforme eu disse acima, a menos que exista algo além do "proxy server" no produto deles, a menos que exista a firme decisão da StarOne de abidicar de uma parte do mercado por qualquer razão, continuo em dúvida com relação à razão da forma como foi imposta a restrição e muito mais com relação às explicações.
Eu poderia até pensar em me tornar cliente deles, mas minha única condição seria poder usar o Linux como sistema operacional. Como eles decidiram desistir desta parcela do mercado, justamente em respeito à decisão deles eu também desisto deste objetivo e vou poupá-los de qualquer tentativa neste sentido.
Eduardo Maçan <<macan (a) colband com br>>
Caro Carlos, obrigado por responder à comunidade. Como parte desta comunidade, eu gostaria de sugerir-lhe um modo simples de tornar clara a situação quanto ao acesso através de software livre aos serviços da StarOne.
Dizer que "Macintosh e Linux(sic)" são "proibidos" dá a entender que o serviço até funciona sobre estes sistemas, mas vocês não os desejam acessando seus serviços. Alguns outros representantes da comunidade ao ficarem sabendo da situação chegaram a consultar advogados sobre a legalidade deste tipo de exclusão, segundo a interpretação acima. Ao que parece essa situação que é sugerida chegaria a ferir o código de defesa do consumidor, eu não sou um advogado, não posso afirmar isso, mas essa hipótese chegou a ser levantada.
Sugiro que ao invés de dizer que os sistemas são proibidos, a frase seja substituida por "o serviço não é suportado pelos sistemas GNU/Linux e Macintosh por exigir software especial, disponível atualmente apenas para windows". Isso dá a medida exata da situação, não ofende os usuários (e potenciais clientes) de seu serviço e dá margem aos usuários de se manifestarem a favor de que se crie o suporte para essas plataformas.
Eventualmente a demanda pode crescer e vocês poderão perder clientes apenas porque vocês mascararam a real demanda "proibindo" o uso destes sistemas, tapando os ouvidos e os olhos às solicitações de seus potenciais clientes.
Um grande abraço
Eduardo Maçan Desenvolvedor Debian GNU/Linux <macan (a) debian org>
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20020925.html
Linux Magazine
Linux Magazine
Recentemente eu recebi de presente um exemplar da revista Linux Magazine. A revista é excelente, mas o melhor de tudo é que os artigos das edilções anteriores, como fazia a Revista do Linux, estão disponíveis integralmente na Internet, no formato PDF.
Imperdível, já peguei um monte de coisas para ler.
Não deixe de visitar: http://www.linux-magazine.com
Linux Install Fest
O Linux Install Fest - Cyberoots & Estacio de Sá , cujo objetivo é divulgação do movimento "open source" à comunidade Petropolitana e promovido semestralmente em conjunto pela Universidade Estácio de Sá e pelo Grupo de Estudo Cyberoots (www.cyberoots.cjb.net), chega nesta sua quarta edição com um conjunto de seis palestras. Em paralelo com as palestras será realizado o processo de instalação e atualização dos Sistemas Operacionais Linux de todos os participantes que trouxerem suas respectivas máquinas (somente gabinete). Neste semestre o evento será realizado no Campus Petrópolis I da Universidade Estácio de Sá, sediado à Rua Bingen nº 50, no dia 17 de abril; tendo seu início agendado para às 08:30hs da manhã e seu termino previsto para às 17:00hs, conforme agenda abaixo.
Agenda Official do 4º Linux Install Fest - Cyberoots & Estácio de Sá. Data: 17 de Abril de 2004 Horário de Inicio: 08:30hs Local: Universidade Estácio de Sá Campus: Petrópolis I Rua Bingem nº 50 - Petrópolis - RJ Agenda: 08:30 - Inicio da entrega das máquinas para instalação; 08:45 - Apresentação ; 09:00 - 1ª Palestra - O uso do Software Livre em um Provedor de Acesso a Internet, por Rodrigo Cacilhas - Serra On; 10:00 - 2ª Palestra - Construindo aplicativos WEB com ferramentas Open Source, pelo Prof. Cláudio Decaro - Universidade Estácio de Sá; 11:00 - 3ª Palestra - Soluções Corporativa para Linux, pela CCS; 12:00 - 4ª Palestra - Implementado Jogos com ferramentas Open Source, pelo Dr. Esteban Gonzalez Clua - PUC - Rio de Janeiro 14:00 - 5ª Palestra - Direito da personalidade voltado à Informática na WEB, pelo Dr. Alexandre Zanatta Braga; 15:00 - 6ª Palestra - Projeto Cluster com Linux - OpenMosix, por: Paulo José Castro, Marcelo Rezende, Fabio Martins, Ricardo Flores e João Henrique Santos; 14:00 às 17:00 - Instalação aberta aos alunos; 14:00 - Fim do prazo para entrega das máquinas; OBS: O Cyberoots é um grupo de estudo sobre ferramentas e tecnologias "open source" formado por alunos e professores da Universidade Estácio de Sá, bem como por membros da comunidade petropolitana. O Grupo é orientado pelos professores Luis Rodrigo, Mauro Gil e Rogério Albuquerque e coordenado pelo Alunos: Gustavo P. Weinschütz, Marcelo Rabaço, Rafael Peixoto assim como pelo Sr. Rodrigo Cacilhas.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20040416.html
Professor promove cruzada por computador popular
Professor promove cruzada por computador popular
Este artigo foi publicado no Jornal da Unicamp, edição de 24 a 30 de maio de 2004. A versão original encontra-se em http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2004/ju253pag12.html
Trata-se de um projeto de computador popular desenvolvido por um professor aposentado da Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp. O projeto, desenvolvido sem apoio algum, tendo por motivação principal o idealismo, certamente merece muita atenção.
A seguir, o texto da matéria na íntegra.
Professor promove cruzada por computador popular
Engenheiro eletrônico por formação, Jaime Szajner é professor aposentado da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. Mas estas qualificações talvez não traduzam com precisão a sua atual condição. Ele é, antes de tudo, um cidadão idealista, no melhor sentido do termo. Há pelo menos cinco anos Szajner vem dedicando conhecimento, tempo e até mesmo dinheiro a uma causa que considera vital para o Brasil: produzir um computador popular que ajude a promover a inclusão digital e social de milhões de brasileiros. Depois de inúmeras tentativas, o especialista montou, a partir de componentes encontrados no mercado, uma máquina com processador de velocidade média que, a seu juízo, teria condições de atingir tais objetivos. Sua luta, agora, é para conseguir que as autoridades brasileiras isentem o equipamento de impostos, o que faria com que fosse vendido por algo em torno de R$ 750, 25% mais barato do que o similar anunciado pelas lojas de informática.
Szajner batizou a sua obsessão pela produção do computador popular de Projeto Incluir. O engenheiro eletrônico faz questão de ressaltar que não inventou nada, apenas promoveu a união de idéias e componentes já existentes para dar forma ao seu sonho. Entusiasta da própria causa, ele afirma que foi classificado de louco por várias pessoas quando tentou convencer colegas, políticos e fabricantes da viabilidade do projeto. "Praticamente ninguém me deu ouvidos", queixa-se. Antes de chegar à máquina atual, o especialista montou alguns equipamentos, mas nenhum deles ofereceu as soluções que buscava. Um dia, porém, Szajner encontrou um produto com configuração semelhante àquela com que vinha trabalhando, sendo vendido a US$ 298 (R$ 920, em valores atuais) pela rede Wall-Mart, via internet.
Idéia é usar aparelho de TV no lugar do monitor
O ex-professor da FEEC pensou, então, que se os Estados Unidos podiam vender um computador a esse preço, o Brasil poderia fazer o mesmo, talvez até um pouco mais barato. Pronto, estava praticamente provado que a sua idéia, mais do que meritória, era factível. Mas, antes de tentar convencer a sociedade disso, Szajner precisava resolver outro problema. É que a máquina vendida pela Wall-Mart era composta apenas por CPU, teclado, mouse e caixas de som. Não vinha acompanhada do monitor, impossibilitando, portanto, que o usuário gerasse imagens. A solução encontrada pelo engenheiro eletrônico para substituir tal equipamento foi ao mesmo tempo óbvia e criativa. "No Brasil, mesmo nas casas mais humildes, sempre há um televisor. As estimativas dão conta da presença de 40 milhões de unidades no país. Minha idéia foi utilizar o aparelho no lugar do monitor", explica.
Para isso, Szajner promoveu uma adaptação na saída de vídeo do computador, de modo que a TV fosse conectada e passasse a fazer a interface com a máquina. A qualidade da imagem e do som, conforme o especialista, não é a mesma da proporcionada pelo monitor, mas também não chega a ser ruim. "O importante é que essa solução dispensa a compra do monitor, que custa cerca de R$ 400,00 no mercado. Além disso, essa alternativa não tira a possibilidade de, um dia, a pessoa adquirir um equipamento melhor para gerar imagens", pondera. Incansável, o especialista foi um pouco mais além do que fizeram os norte-americanos. No lugar de um micro dotado de aparelho que toca CD, ele resolveu montar um com o dispositivo que reproduz DVD. A diferença de preço entre um e outro, diz, é de apenas R$ 40,00.
A esta altura, Szajner já tinha chegado a um computador que dispensava o monitor, que era dotado de aparelho que reproduz DVD, que possibilitava a conexão com a internet e que permitia o uso de variados programas, como os editores de texto, de planilha etc. E tudo isso por um preço de aproximadamente R$ 750, considerando-se a isenção dos impostos. Excelente negócio, não? Não para o engenheiro eletrônico. Na sua visão, ainda era possível obter mais algum ganho. Isso foi feito por meio da adoção do software livre, medida que dispensa o pagamento da licença pelo uso do sistema operacional. Agora sim, ele havia finalmente alcançado o objetivo perseguido durante tanto tempo, qual seja, o de montar um computador popular.
Novo desafio Apesar de ter concretizado a idéia de conceber um computador barato, o professor acabou por estabelecer um novo e possivelmente mais complicado desafio: fazer com que o equipamento chegue às pessoas que hoje não têm acesso a essa tecnologia. Para tanto, é preciso encontrar um fabricante interessado em produzir a máquina em escala industrial e convencer as autoridades para a necessidade de isentar o produto de tributos. "Mas tem que ficar claro que a isenção recairia especificamente sobre esse modelo, em razão do impacto social que causaria. Os equipamentos com processadores mais potentes continuariam sendo vendidos pelo preço normal, já incorporados os impostos", assinala.
Szajner conta que tem mantido contato com empresas e políticos, na tentativa de convencê-los a encampar o Projeto Incluir. "Falei com um número incontável de pessoas e já mandei carta ao presidente Lula, mas até agora não tive nenhum retorno", lamenta. O engenheiro eletrônico sustenta que, caso seu projeto vire realidade, será possível produzir aproximadamente 20 milhões de micros num prazo de dez anos. "Se considerarmos que cada máquina pode ser usada por no mínimo duas pessoas, isso promoveria a inclusão digital e social de pelo menos 40 milhões de brasileiros. Sem contar que a fabricação dos computadores abriria novos postos de trabalho e geraria renda para as pessoas que fossem contratadas", argumenta o especialista.
Uma história emblemática
Embora reconheça que existem inúmeras dificuldades para a execução do Projeto Incluir, o engenheiro eletrônico Jaime Szajner afirma acreditar fortemente nessa possibilidade. "Vou continuar trabalhando por isso até quando puder. É como se a salvação da minha alma dependesse do sucesso desse projeto", exagera, em tom bem-humorado. Ele tem razões consistentes para tamanha fé. O especialista conta que ao longo da sua carreira testemunhou a transformação que o computador pode promover na vida de uma pessoa. Investindo dinheiro do próprio bolso, ele montou e doou máquinas para muita gente. Um dos beneficiados foi o filho de um primo, cuja história Szajner relata.
Ao encontrar o rapaz no velório de um parente, há vários anos, o engenheiro eletrônico foi logo perguntando como iam os estudos. O jovem, que havia sido admitido no curso de Análise de Sistemas, revelou com muito desânimo que abandonara a universidade. Motivo: não tinha condições de comprar um computador, o que o impedia de colocar em prática o que estava aprendendo e de trabalhar suas potencialidades. "Minha reação foi dizer ao rapaz para passar em casa no dia seguinte, pois eu lhe daria um micro", recorda. E assim foi feito. O filho do primo foi à residência Szajner, apanhou o equipamento, agradeceu e foi embora.
Quatro anos depois, o engenheiro eletrônico viu, da sua janela, um táxi estacionando diante do portão. Do interior do veículo surgiu o filho do primo, com um prosaico 286 nas mãos, o mesmo que ganhara de Szajner. "Ele me abraçou e disse que tinha vindo devolver o micro. Contou que, graças à máquina, retomara os estudos e conseguira se formar. Isso me emocionou muito. Agora eu pergunto: quantas pessoas, na mesma condição, poderão viver experiência semelhante sem que façamos algo por elas"?, indaga o ex-professor da FEEC. Com a resposta, a sociedade brasileira.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20040526.html
Customizando o MySQL 4.x no Debian Gnu-Linux
Customizando o MySQL 4.x no Debian Gnu-Linux
Colaboração: André Jaccon
O Mysql é um SGDB (gerenciador de banco de dados), completo e de fácil instalação. Porém quando instalamos ele surge algumas customizações que devem ser feitas para que possamos tirar 100% de aproveitamento do mesmo.
Em nosso exemplo iremos customizar um MySQL na distribuição Debian Gnu/Linux 3.0 (Woody) - Kernel 2.4.32
1. Instalando o MySQL
Devemos criar o usuário e o grupo no qual terá acesso pelo daemon do MySQL, para isso use os comandos abaixo:
groupadd mysql adduser -s /bin/false -d /dev/null -g mysql mysql
2. Descompactando e instalando o MySQL
A principio o pacote do MYSQL vêm compactado em formato TARBALL, para descompactar siga o exemplo abaixo:
cd /usr/local/ gunzip < /path/para/pacote/mysql.tar.gz |tar xvf - ln -s mysql-full-path mysql cd mysql ./scripts/mysql_install_db <press enter to continue> chown -R root . chown -R mysql data chgrp -R mysql . ./configure
3. Customizando scripts de inicializacao e arquivos de configuração.
Quando você instala o MySQL pelos binários você sentirá a falta de um script de inicialização para sua distro, esse problema pode ser solucionado pelo script mysql.server que se encontra dento da pasta support-files do MySQL, basta seguir o exemplo abaixo para disponibilizar na inicialização:
cp /usr/local/mysql/support-files/mysql.server /etc/init.d/mysql
,outro detalhe importante é o arquivo de configuração my.cnf, siga o modelo de configuração abaixo para disponibilizar o arquivo my.cnf:
ln -s /usr/local/mysql/ /etc/my.cnf cp /usr/local/mysql/support-files/my-large.cnf /etc/my.cnf/data/
agora faça um teste inicie o MySQL pelo script que se encontra dentro do diretório init.d:
/etc/init.d/mysql start
Depois para conferir use os comando "ps -aux" para verificar os processos em andamento do daemon do MySQL.
4. Mudando a senha do usuário root do MySQL
/usr/local/mysq/bin/mysqldadmin -u root password nova-senha
5. Gerênciando tudo via web pelo phpMyadmin
Quando você precisa fazer query's remotamente no seu servidor MySQL é interessante usar o phpMyadmin, com ele você possui controle completo do MySQL diretamente via Browser, a sua instalação é simples e rápida. Comece copiando o pacote para a pasta pública do servidor web Apache em nosso caso está localizado em /var/www/:
cp phpMyAdmin-2.7.0-pl2.tar.bz2 /var/www/ cd /var/www tar -jxvf phpMyAdmin-2.7.0-pl2.tar.bz2 mv phpMyAdmin-2.7.0-pl2 phpmyadmin cd phpmyadmin
Edite o arquivo de configuração config.inc.php, e localize a linha onde possui a string 'root', abaixo entre com a senha do usuário root do MySQL, é interessante usar senhas diferentes do S.O do MySQL, abaixo você encontra um exemplo de linha no qual deve ser alterado:
$cfg['Servers'][$i]['user'] = 'root'; $cfg['Servers'][$i]['password'] = 'sua-senha-aqui';
6. Problemas de importação de dados devido ao CHARSETS
Pode ser que futuramente você tenha problemas ao importar base de dados devido a um problema típico de Charset, os charsets controlam a codificação dos caracteres no MySQL, procure usar os charsets como UTF-8, em seu phpMyadmin, ao exportar a base de dados verifique se o Charset está como este padrão UTF-8, senão você terá problemas.
Outras informações sobre as funcionalidades do MySQL podem ser encontradas em formato de texto na pasta
/usr/local/mysql/docs/mysql.info.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060309.html
Buscando Segurança Online: Gerenciando "Trolls" em um fórum feminista
Buscando Segurança Online - Gerenciando "Trolls" em um fórum feminista
Colaboração: Sulamita Garcia
Um fenômeno comum em grupos de discussão online é o indivíduo que provoca outros membros do grupo, frequentemente resultando em carregá-los em uma discussão infrutífera e desviando a atenção dos propósitos estabelecidos pelo grupo. Este estudo documenta um caso no qual os membros de uma comunidade online vulnerável - um fórum feminista de discussão online - foi alvo de um "troll" tentando perturbar o espaço de discussão do grupo. Nós analisamos as estratégias que fazem o troll bem sucedido e o grupo alvo ineficiente em responder ao seu ataque, no sentido de entender como este comportamento pode ser minimizado e controlado em geral. A análise sugere que fóruns feministas e outros que não são usuais são especialmente vulneráveis, já que eles precisam balancear ideais de inclusão e a necessidade de proteção e segurança, e esta tensão pode ser explorada por elementos perturbadores para criar conflitos dentro do grupo.
Este artigo é um estudo feito por uma professora da Universidade de Indiana, com ajuda de três estudantes. Pode ser encontrado aqui: http://rkcsi.indiana.edu/archive/CSI/WP/WP02-03B.html, e tomando como base o caso de um fórum feminista que foi alvo de um troll, analisa toda esta questão. Ela "sugere várias ações pró ativas que podem prevenir um grupo de ser atacado... A primeira é educar os usuários a respeito de trolls. Trolls particularmente caçam usuários inexperientes, incluindo populações que são vulneráveis por outras razões. Administradores podem alertar usuários sobre os padrões que trolls seguem... Porque o dano é emocional e não físico, nós podemos imaginar que alertar sobre eles pode ser similar a alertar sobre trotes telefônicos ou propaganda enganosa, onde conscientizar sobre o modo de operação é frequentemente suficiente para prevenir o efeito surpresa".
Eu gostaria de recrutar voluntários para me ajudarem a traduzir este artigo. Acho que todos temos consciência dos desgastes causados aos membros do grupo, talvez nem todos tenham consciência da freqüência que somos alvos. Mas este artigo é fantástico, tanto para ajudar nosso grupo quanto outros que sofrem do mesmo problema. É um artigo grande, de texto mesmo tem 20 páginas, mas se fizermos uma força tarefa, acho que conseguimos isto em uma semana. Quem se habilita a pegar pelo menos uma página? Eu tenho certeza que depois que começarem a ler, não vão conseguir largar. Acho que precisamos ter mais consciência do jeito que pessoas, que querem perturbar e atrapalhar grupos que os incomodam, atuam. E podemos ajudar outros grupos a se prevenirem também.
Quem puder e quiser ajudar, por favor, entre em contato pelo mail sulamita at linuxchix.org.br
Alguns trechos do texto:
"Trollar se diferencia de criar flames porque o objetivo de uma flame é incitar todo e qualquer leitor, enquanto o objetivo de um troll é atingir em particular usuários ingênuos e vulneráveis. Pegar usuários inexperientes ou newbies é um objetivo comumente estabelecido por trolls."
"Andrew(1996) distingue "trolls de carreira" - indivíduos que deliberadamente querem perturbar um grupo ou criar problemas para um grupo - de outros motivados pelo simples desejo de conseguir chamar atenção."
"Segundo Andrew(1996), podemos identificar três critérios que definem trolls:
- mensagens de um remetente que parece externamente sincero,
- mensagens elaboradas para atrair respostas previsíveis ou flames,
- mensagens que desperdiçam o tempo do grupo provocando discussões inúteis."
"Esta é uma evidência considerável que Kent era um troll - isto é, alguém que intencionalmente representa como se estivesse interessado no debate a respeito do feminismo, mas cujo motivo verdadeiro é provocar e perturbar."
"Na prática, nenhuma das sugestões foram seguidas: os participantes se envolveram com Kent tentando dialogar com ele, e, quando falharam, insultando ele e aumentando o conflito, desta forma caindo na armadilha que o troll tinha preparado para eles. Ao mesmo tempo, o conflito levou membros do grupo a negociar explicitamente o que era um debate apropriado para o fórum, reforçando a identidade do grupo e levando a limites mais claros para comportamentos provocativos."
"Grice(1991[1968]) observa que comunicações significativas assumem a cooperação mutua, levando os comunicantes a assumirem que os outros estão geralmente tentando ser verdadeiros, claros, consistentes,etc., mesmo que o comportamento sugira outra coisa."
"A crença na universalidade do contrato social pode cegar parcialmente aqueles que não entendem as reais motivações de um troll: o desejo de atrair atenção, incluindo atenção negativa; e o desejo de exercitar controle e se sentir superior manipulando outros a caírem em uma armadilha preparada pelo troll."
°v° Sulamita Garcia <sulamita at linuxchix.org.br> /(_) LinuxChix Brasil ^ ^ http://www.linuxchix.org.br/ http://sulamita.net/
Programação Shell, por Júlio Neves
Fonte: http://www.temporeal.com.br/produtos.php?id=170321&rnd=1564
O livro de programação shell de Júlio Neves, chega à sua sexta edição, comprovando a sua qualidade e popularidade.
O livro é a cara do Júlio, de leitura fácil, agradável, e cheio de bom humor. Com diversos apêndices incorporados - como awk, expressões regulares, CGIs e Dialog - o livro é uma referência sobre todo o ambiente Shell, com dicas e aplicações para o dia-a-dia de analistas, programadores e operadores que utilizam esses sistemas operacionais.
O Júlio Neves publicou na Dicas-L, uma semana inteira sobre programação shell:
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060622.html
Exportando Banco de Dados DBF para MySQL
Exportando Banco de Dados DBF para MySQL
Colaboração: André Marques Saunite
Algum tempo atrás comecei a trabalhar em uma pequena empresa que utilizava um programa de gerenciamento feito em Clipper, com banco de dados FoxBase, rodando num servidor linux, o sistema era muito bom, porém havia a necessidade de se alterar algumas coisas, principalmente na parte de geração de relatórios.
Como não tinha acesso ao código fonte, e a documentação sobre FoxBase é escassa, resolvi tentar exportar os dados para MySQL, depois de algumas perguntas para Ele (www.google.com <http://www.google.com>), achei um software livre para linux que fazia essa exportação ( http://www.anubisnet.de/products/dbf), efetuei a instalação:
tar xfvz dbf-<versao>.tar.gz cd dbf-<versao> make su make install
Exportei o dbf para um arquivo SQL sem problemas:
dbf --sql <arquivo-destino.sql> <arquivo-origem.dbf>
Porem na hora de importar o dado para mysql:
mysql -u root -p <senha> CREATE TABLE teste; USE teste; source <arquivo.sql>
Vários registros da tabela apresentaram erros ao tentar passar para o MySQL, analisando melhor os arquivos gerados pelo programa, percebi que algumas das linhas inseridas tinham erros de sintaxe que o MySQL não aceitava, então desenvolvi um pequeno script que (pelo menos no meu caso) consertou 100% das tabelas que não foram exportadas corretamente pelo programa.
Esse script lê a tabela passada como argumento, utiliza o dbf para importar os dados e resulta num arquivo .sql que pode ser facilmente importado pelo MySQL, segue abaixo o script:
# # Descrição: Importa tabelas do banco de dados .DBF para .sql # Dependencia: dbf (http://www.anubisnet.de/products/dbf) # Nome: /usr/bin/dbf2sql # # Autor: André Marques Saunite # e-mail: saunite [a] gmail dot com # # Última atualização: 04/08/2005 # # Coloque aqui os diretórios corretos (sem "/" no final): # Caminho onde serão copiados os arquivos .sql: DBF2SQL_DIR='/home/dbf2sql' # Caminho temporária que será criada e apagada: DBF2SQL_TEMP_DIR='/home/dbf2sql/tmp' # Caminho para o executavel do dbf DBF_DIR='/usr/local/bin' # DATABASE a ser utilizado DATABASE='estoque' if ! [ $# -lt 2 ]; then mkdir $DBF2SQL_TEMP_DIR NAME=$2; DBF=$1; rm $DBF_DIR/$NAME.sql -rf $DBF_DIR/dbf --sql $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.SQL $DBF cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.SQL | grep -v "^$" | grep -v "^'" | grep -v "($" |grep -v "^--" | grep -v "^drop" > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.NOCREATESQL grep "CREATE TABLE" $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.SQL > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CREATESQL cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CREATESQL $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.NOCREATESQL > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CLEANSQL $DBF_DIR/dbf --csv $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CSV $DBF LINHAS=`cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CSV | awk 'END'` LINHAS=`expr $LINHAS - 1` tail -n $LINHAS $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CSV > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CSVLINES cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CSVLINES | sed s/^/"INSERT INTO $NAME VALUES ("/g | sed s/$/");"/g | sed s/",);"/","");"/g > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CLEANCSV cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CLEANSQL $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CLEANCSV > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.JOIN REPLACE=`echo $DBF2SQL_TEMP_DIR | sed s/\//\\\\\//g` cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.JOIN | sed s/",,"/","","/g | sed s/",,"/","","/g | sed s/"$REPLACE/dbf2sql"/$NAME/g | sed s/"\\"/"\\\\"/g | sed s/"(#"/"("/g | sed s/"~"/"_"/g > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.BODY echo "USE $DATABASE;" > $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CAB # Se o script for atualizar automaticamente o MySQL (comentário abaixo) e ainda não existir a tabela criada, comente a linha abaixo; echo "DROP TABLE $NAME;" >> $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CAB cat $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.CAB $DBF2SQL_TEMP_DIR/dbf2sql.BODY > $DBF2SQL_DIR/$NAME.sql # Caso queira que o script importe automaticamente a tabela para o MySQL descomente a linha abaixo # mysql --user=<usuário> --password=<senha> < $DBF2SQL_DIR/$NAME.sql else echo "Uso: $0 <arquivo-dbf> <nome-tabela>" fi rm $DBF2SQL_TEMP_DIR -rf
Caso seja necessária a importação de vários arquivos de uma vez pode-se usar o seguinte script, que converterá todos os arquivos .DBF da pasta atual para uma pasta SQL que será criada:
# # Descrição: Script de apoio para dbf2sql # Dependencia: dbf2sql, dbf (http://www.anubisnet.de/products/dbf) # Nome: /usr/bin/all2sql # # Autor: André Marques Saunite # e-mail: saunite [a] gmail dot com # # Última atualização: 04/08/2005 # #!/bin/bash echo "Criando pasta SQL" mkdir SQL for i in `ls *.DBF`; do NOME=`echo "$i" | sed s/".DBF"/""/` echo "Transformando Arquivo $i em ./SQL/$i.sql " dbf2sql $i $NOME done echo "Movendo todos os arquivos .sql para ./SQL" mv *.sql SQL
Esses pequenos scripts me ajudaram muito, o único problema que encontrei foi que o programa de conversão usado não tem suporte a tabelas .dbf que utilizam o campo memo, como no meu caso as tabelas desse tipo não eram importantes, consegui driblar esse problema.
Algumas das utilidades interessantes do programa de exportação de dbfs utilizado:
Exporta o banco de dados para MySQL
dbf --sql <arquivo-destino> <arquivo-origem>
Exporta o Banco de Dados para um Arquivo CSV (Comma Separated Values)
dbf --csv <arquivo-destino> <arquivo-origem>
Simplesmente mostra o conteúdo da tabela
dbf --view-info <arquiv.dbf>
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20051013.html
Instalação de múltiplos sistemas operacionais em um mesmo equipamento
Instalação de múltiplos sistemas operacionais em um mesmo equipamento
Por Sergio Kneizl, 1997.
Este texto pode ser livremente distribuido por meios eletronicos, desde que se mantenha integral e sem alteracoes (incluindo o nome do autor). Qualquer outra situacao, incluindo publicacao impressa ou traducoes, devem ser autorizadas pelo autor por escrito.
Sugestoes e comentarios podem ser enviados para o endereco <sergiok (a) ax ibase org br>.
Versao: Jan/1997.
Instalacao de DOS, Windows 95 e NT, OS/2 e Linux em uma mesma maquina
A ideia e' usar o menu de boot que vem com o OS/2, o Boot Manager (Gerenciador de Inicializacao), juntamente com o menu de boot que vem com o NT. O Linux sera' carregado a partir do DOS, porem ele nao usara' o DOS, assumindo o controle da maquina.
Eu usei as seguintes versoes:
- DOS 5.00
- Windows 95 (4.00.950 em portugues)
- Windows NT Server 3.51 em ingles (veio em uma PC Magazine)
- OS/2 Warp 3.0 (Ou os dois primeiros discos de instalacao)
- Linux Slackware 2.3 em CD, kernel 1.2.8
Atencao! (depois nao fale que eu nao avisei...)
- Sera' necessario reparticionar o disco rigido, o que significa perder todos os arquivos.
- A forma com que o Windows 95 salva os nomes longos de arquivo (mais de 8_letras.3_letras) nao e' compativel com a forma do OS/2 (em FAT). O melhor e' nao misturar em um mesmo drive os dois sistemas. A forma do OS/2 e' menos invasiva (eles sao gravados em um arquivo a parte) do que a do Windows 95 (varias entradas marcadas como label de disco e invisiveis). Em um disco que tem arquivos gravados pelo Windows 95, deve-se usar apenas o scandisk e o Norton Utilities feitos para o 95, senao voce podera' perder todos os nomes longos. Como o Linux grava diretamente no disco e supoe a estrutura antiga, sem nomes longos, e' melhor nao gravar nomes longos do 95 no direto- rio dele. Seguindo os passos abaixo, o disco do Linux nao estara' visivel para o Windows 95.
- Nao instale programas compressores de disco. Eles trocam alguma perda de desempenho por mais espaco de disco. Depois, em sistemas realmente multitarefa, a perda e' mais notada do que em DOS (estes compressores aproveitam o tempo que o DOS ia desperdicar, esperando os dados chegarem do disco, para descomprimir. Sistemas de verdade aproveitam esse tempo para rodar outros programas). Mas se nao quiser seguir o meu conselho, nao comprima o drive onde os sistemas estao, separe uma particao para isso. Existe uma versao do Stacker para DOS e OS/2, so' que para instalar no OS/2 tem que fazer boot pelo DOS (sem comentarios) e por causa disso o drive do OS/2 deve estar em FAT (a nao ser que voce instale ele editando os arquivos de sistema...)
- Recomendo a instalacao do OS/2 em uma particao separada, formatada em HPFS. O HPFS e' um sistema de arquivos diferente e mais rapido. E o aumento de velocidade e' maior com o proprio OS/2. So' que um drive com o HPFS nao pode ser acessado por outros sistemas, entao neles o drive nao aparece. Por causa disso, o drive com HPFS deve ser o ultimo (evita que drives mudem de letra quando voce carregar um outro sistema). Porem, o HPFS deve ser usado apenas para maquinas com mais de 8 MB de memoria. Obs.: O HPFS e' reconhecido pelo NT 3.51, mas parece que o suporte a ele foi removido do NT 4.0 (o OS/2 e' do concorrente...).
- O Windows NT tambem tem um sistema de arquivos proprio, o NTFS, que tambem pode ser instalado. Assim como o HPFS do OS/2, o drive so' podera' ser acessado pelo NT e deve ser o ultimo. Eu nao tentei usar.
- Quando formatamos um drive pelo DOS ou pelo Windows 95 (estrutura FAT), o espaco livre e' dividido em pedacos fixos chamados clusters. Conforme um arquivo vai aumentando de tamanho, o DOS vai associando clusters ao arquivo. Isso quer dizer, por exemplo, que um arquivo de um byte gastara' um cluster inteiro. O tamanho do cluster depende do tamanho total do drive. Veja a seguinte tabela:
Tamanho do disco Tamanho do Cluster 1GB < t 32K ou mais 512MB < t <= 1GB 16K 256MB < t <= 512MB 8K 128MB < t <= 256MB 4K t <= 128MB 2K ou menos
Quer dizer, um disco de 1.2GB com 9000 arquivos de um byte ocupa 9000 * 32K, ou 281 MB ! Isso e' 23 por cento do disco todo! Detalhe: a primeira instalacao que fiz do Linux tinha 9000 arquivos ... Para simplicidade do texto, eu estou ignorando isso aqui. Se quiser, divida o espaco livre em varias particoes de 512 MB. No HPFS do OS/2, o tamanho do "cluster" e' sempre 0.5K. - Cada disco rigido fisico tem quatro "slots" para particoes, sendo que todas as particoes logicas estendidas ocupam um unico "slot". O menu de boot do OS/2 gasta um destes "slots". Assim, em um mesmo disco rigido, nao sera' possivel criar mais particoes primarias alem das que eu explico aqui. Em um outro disco rigido, tambem podemos instalar particoes primarias e particoes logicas. A que ja' vem instalada de fabrica e' sempre uma particao primaria. As letras dos drives sao atribuidas da seguinte forma: primeiro todas as primarias de cada disco rigido, depois as logicas de todos os discos rigidos. Assim, se instalarmos depois um novo disco rigido, como a particao dele e' primaria, ele vai aparecer no meio dos drives existentes, e varios deles vao mudar de letra. Isso pode ser resolvido se apagarmos a particao primaria do disco novo e recriarmos ela como uma particao logica.
- Por que estou tentando evitar que drives mudem de letra? E' porque alguns programas nao irao funcionar depois que o drive onde eles estao instalados mude. Isto acontece com a maioria dos programas para Windows, mesmo que o path no icone seja consertado.
Passos para a instalacao dos sistemas:
- Boot com os discos de instalacao do OS/2 :
- Disco de instalacao (sem numero)
- Disco numero 1
- Se perguntar sobre instalacao facil ou avancada, escolher a instalacao avancada.
- Vai avisar que o OS/2 sera' instalado no drive C, perguntando se quer aceitar a unidade, ou especificar uma unidade/particao diferente. Pedir outra unidade/particao. Vai aparecer (depois do aviso) o FDISK do OS/2.
- Apagar todas as particoes. Pressionar ENTER sobre uma particao para ver as opcoes, uma delas serve para eliminar a particao. Deve sobrar uma unica linha infor- mando o espaco livre.
- Criar particao do menu. Pressionar ENTER sobre a linha de espaco livre, pedir para instalar o gereciador de inicializacao (ou boot manager) no inicio do espaco livre. Ele vai ocupar de um a dois megabytes.
- Criar a particao que contera' o DOS (e, se quiser, o Linux tambem). Sera' o drive C quando fizer boot com o DOS. Pressionar ENTER sobre a linha de espaco livre, pedir para criar uma particao primaria no inicio do espaco livre. Escolher um tamanho suficiente para o DOS e o Linux.
- Criar a particao que sera' usada para carregar (boot) o Windows 95 (e, se quiser, o Windows NT tambem): Sera' o drive C quando fizer boot pelo Windows 95 (e NT). Pressionar ENTER sobre a linha de espaco livre, pedir para criar uma particao primaria no inicio do espaco livre. Escolher um tamanho minimo de 6 MB (boot pelo drive C e Windows 95 instalado no D) ou mais, se quiser instalar os arquivos do Windows 95 e/ou NT neste drive.
- Criar a particao de programas. Sera' o drive D. Pressionar ENTER sobre a linha de espaco livre, pedir para criar uma particao logica estendida ocupando todo o espaco restante. Ou entao, se quiser criar uma outra particao para instalar o OS/2, crie no inicio do espaco livre e desconte o tamanho ocupado pelo OS/2.
- Criar a particao do OS/2 (se for o caso). Sera' o drive E, aparecera' apenas no OS/2 e no NT 3.51 se for formatada com HPFS. Pressionar ENTER sobre a linha de espaco livre, pedir para criar uma particao logica estendida ocupando todo o espaco restante.
- Incluir as particoes de boot no menu. Pressionar ENTER sobre cada particao primaria e pedir para incluir ela no gerenciador de inicializacao (boot manager). Vai abrir uma janela para digitar o nome que ira' aparecer no menu. Caso va' instalar o OS/2, fazer o mesmo com a particao onde ele sera' instalado.
- Indicar a particao onde sera' instalado o OS/2 (se for o caso). Pressionar ENTER sobre a particao onde sera' instalado o OS/2. Escolher a opcao para marcar a particao como instalavel.
- Acertar a forma como o menu sera' apresentado. Pressionar ENTER em qualquer particao. Escolher a opcao de definir os valores de inicializacao. No menu que vai aparecer, pressionar ENTER na opcao de modo para passar ao modo normal. Na opcao de tempo de espera, recomendo 10 segundos. Esse e' o tempo que o menu vai ficar esperando voce escolher um outro sistema. Se voce nao fizer nada, depois desse tempo a ultima opcao escolhida e' usada. Pressionar F3 para confirmar os novos valores.
- Salvar as novas particoes. Pressionar F3. Se voce nao vai instalar o OS/2:
- vai aparecer um aviso que nenhuma particao foi definida como instalavel e pode ser ignorada. Escolher "salvar e sair".
- quando pedir para inserir o disco do OS/2, pode retirar os discos do drive e apertar o botao de reset. Continue no passo 15. Se voce vai instalar o OS/2, ponha o disco pedido no drive e...
- Instalar o OS/2 (se for o caso) Ele vai avisar que a particao do OS/2 sera' formatada e vai perguntar se usa a estrutura FAT (do DOS) ou a HPFS (do OS/2). Se vai usar uma particao em separado so' para o OS/2, eu recomendo usar HPFS.
- Instalar o DOS.
- Rebootar a maquina sem o disquete no drive. Quando aparecer o menu, ir para a opcao do DOS e pressionar ENTER. Ele vai mostrar uma mensagem de erro, porque o DOS nao esta' instalado, mas vai ativar a particao primaria que sera' o drive C.
- Colocar o primeiro dos discos de instalacao do DOS no drive A e pressionar CTRL-ALT-DEL.
- Instalar o DOS normalmente. Ele vai formatar todos os drives que encontrar, e com a estrutura FAT (voce nao tem escolha, e e' por isso que o OS/2 deve ser instalado primeiro).
- Reativar o menu de boot.
- Reiniciar a maquina (reset, CTRL-ALT-DEL) sem disquete no drive. Vai entrar o DOS direto, sem o menu.
- Chamar o FDISK. Pedir para definir a particao ativa. Marcar a menor particao, provavelmente nao-DOS, como a particao ativa. Salvar a alteracao.
- Instalar o Windows 95 (se for o caso).
- Rebootar a maquina sem o disquete no drive. Quando aparecer o menu, ir para a opcao do Windows 95 e pressionar ENTER. Ele vai mostrar de novo a mensagem de erro, ativando a particao primaria que sera' o drive C. Esta outra particao ainda nao esta' forma- tada.
- Fazer o boot antes da instalacao.
- Se for o Windows 95 para maquinas sem sistema, vira' um dis- quete a mais de boot. Colocar este disquete no drive e pressionar CTRL-ALT-DEL. Ele deve iniciar a instalacao.
- Se for um Windows 95 para maquinas com sistema (versao de atualizacao/upgrade) nao existe um disco de boot. Colocar o disco de boot do DOS no drive A e pressionar CTRL-ALT-DEL. No prompt do DOS, digitar "format c:", trocar o disquete pelo primeiro disco do Windows 95, e digitar "instalar" (se for a versao em portugues) ou provavelmente "install" se for a versao em ingles.
- Continuar a instalacao. Se o drive C foi criado apenas para o boot, instalar o Win 95 para um diretorio do drive D.
- O Windows 95 vai avisar que existe o Boot Manager/Gerenciador de Inicializacao na maquina, que ele nao vai poder funcionar com o Windows 95, etc. Nao se impressione, isso e' mentira. O menu sera' reativado depois.
- Reativar o menu de boot.
- Reiniciar a maquina (reset, CTRL-ALT-DEL) sem disquete no drive. Vai entrar o Windows 95 direto, sem o menu.
- Abrir uma janela DOS. Clicar no botao Iniciar no canto inferior esquerdo da tela (ou Start). Escolher a opcao "Programas" e depois a opcao "Prompt do MS-DOS".
- Chamar o FDISK. Pedir para definir a particao ativa. Marcar a menor particao, provavelmente nao-DOS, como a particao ativa. Salvar a alteracao.
- Instalar o Windows NT (se for o caso). Se, ao instalar o Windows NT, ele perceber que o Windows 95 ja' esta' instalado, ele inclui um outro menu para escolher entre os dois sistemas. Assim, passaremos por dois menus para carregar o Windows 95 ou o Windows NT.
- Reiniciar a maquina e escolher a opcao do Windows 95. Isso vai ativar o drive C que carrega ele.
- Reiniciar a maquina novamente com os discos de boot no NT. Eles podem ser gerados a partir do proprio CD com o winnt.exe. Eu tive problemas com o suporte ao drive A durante a instalacao, entao eu tive que instalar sem disquetes (acho que usei "winnt /b")
- Instalar normalmente.
- Instalar o Linux (se for o caso). O Linux pode ser instalado em uma particao separada, com a estru- tura de arquivos dele proprio, ou em uma particao FAT. No meu caso, instalei em uma particao FAT junto com o DOS, e tambem porque nao era possivel ter uma outra particao primaria para ele (estava usando um disco rigido apenas). Esta particao tambem fica invisivel para o Windows 95, entao ela nao tera' os nomes longos do 95.
Eu usei o Linux Slackware 2.3 em CD (kernel 1.2.8). Eu nao conse- gui instalar a partir do CD, entao copiei o subdiretorio de instalacao para o disco rigido. Os dois disquetes de instalacao que gerei foram o Rootdisk para instalar o Linux em um subdiretorio de uma particao DOS e o Bootdisk IDE-CD (IDE/ATAPI). Eu usei o lodlin15.zip, Loadlin v. 1.5 que veio com o CD e serve para carregar o Linux a partir do DOS. O DOS nao sera' usado para o funcionamento do Linux. Descompacte ele e use o seguinte
Linux.bat :
rem Habilite a linha abaixo se o smartdrv estiver sendo usado REM smartdrv /C REM Retirei o vga=3 depois do rw mas nao sei para que serve c:linuxrootloadlin c:linuxvmlinuz root=/dev/hda3 rw
O CD vem tambem com o Lilo, que inclui o Linux no menu de boot do OS/2, mas nao tentei usar.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/19970702.html
Decisão do STJ quanto a software
Decisão do STJ quanto a software
Colaboração: Alexandre C Ferrari <<ferrari (a) adv oabsp org br>>
Estou encaminhando hoje uma mensagem que recebi do Dr. Alexandre Ferrari sobre uma decisão do Superior Tribunal de Justiça com relação a software. O Dr. Alexandre Coutinho Ferrari, é autor do livro Proteção Jurídica de Software, publicado pela Novatec (http://novateceditora.com.br/livros/protecaojuridica/) e criador da lista GPL-BR que visa estabelecer um canal de comunicação entre advogados e programadores com o intuito de criar uma licença GPL adequada à realidade judiciária do Brasil.
Os dados da GPL-BR são os seguintes:
Enviar mensagem: GPL-BR@yahoogrupos.com.br Assinar: GPL-BR-subscribe@yahoogrupos.com.br Cancelar assinatura: GPL-BR-unsubscribe@yahoogrupos.com.br
A seguir, a mensagem do Dr. Alexandre:
Abaixo consta o resumo do STJ de um recurso que envolve software.
Notem que no começo entenderam que deveriam adotar o Código Civil, só na última Instância (última forma de se recorrer ao tribunal, último dos recursos) é que conseguiram fazer emplacar a Lei atinente ao assunto.
Isso que estamos falando de Lei, sequer em peculiaridades do software.
Envolveram (judiciário) até concorrência desleal no assunto, que chega a ser um absurdo.
Só no fim que entenderam em aplicar as Leis corretas, sendo a de Software e Direitos Autorais.
Notem que o software foi colocado como uma criação, como uma obra de arte mesmo.
Depois aplicaram as multas da Lei de Software.
Isso mostra o quê ?
Que o judiciário mal sabe sobre as Leis acerca de Software e muito menos deve saber sobre o próprio software. Muito será necessário para se poder, um dia, ter uma sentença rápida e correta sobre o tema.
O que acabaria dando se envolvessem peculiaridades de uma GPL ? Conceitos jamais vistos pelo nobre julgador ?
Eu sempre coloquei isso: se não há regra específica, incorre na regra do geral !
No geral é Direito Autoral, ou seja, a GPL seria esmagada pela mediocridade e desconhecimento.
É mais fácil fazermos uma adaptação para nós mesmos, trazendo o mínimo de segurança, para que no amanhã possamos recorrer ao judiciário e sermos agraciados com atenção correta.
É sempre bom lembrar que depender do judiciário não é apenas correr risco de não se ter um fim alcançado, mas o tempo e o dinheiro nisso envolvido também é importante.
Uma licença imediata assegurará o futuro !!
Ah, notem o ano da ação, ela é de 1998, ou seja, 5 anos atrás...
Quem sabe não já não há algumas ações envolvendo a GPL e só ficaremos sabendo disso daqui alguns anos ? Só serão publicadas, se houver, no final de tudo, que pode passar dos 5 anos inclusive.
Então, volto a dizer, se é de graça a licença e está correta pela lei (a nossa GPL-BR) por que não usar ? por que fazer tanta força (como vários que enviaram e-mails para mim e para algumas listas) e negar o inevitável ?
A licença será feita, será gratuita e quem usar não terá problema algum, mas terá boas proteções !
O texto que me refiro segue abaixo !
Abraços !
Alexandre Coutinho Ferrari
"Um clássico é um livro que nunca acaba de
dizer o que tem para dizer." Italo Calvino
13/05/2003 -
STJ considera software obra intelectual e condena acusados de pirataria a pagar danos materiais
O software, ou programa de computador, é obra intelectual. Por esse motivo, o direito sobre o software deve ser equiparado, para efeitos judiciais, ao direito autoral (direito sobre obra intelectual), e não à propriedade industrial. O entendimento unânime é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os ministros condenaram Reinaldo Machado e a empresa The Best Marketing e Serviços Ltda, do Rio de Janeiro, a indenizarem a NVL Software e Multimídia Ltda, por danos materiais, com o valor correspondente a três mil exemplares do produto pirateado acrescidos da quantidade que foi apreendida. A The Best e Reinaldo Machado foram acusados pela NVL de piratear e comercializar softwares produzidos pela autora da ação.
Segundo a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, com a inclusão do software no conceito de obra intelectual, para quantificar danos materiais por pirataria e comércio irregular, deve ser aplicado o artigo 103 da Lei 9.610/98, e não a regra prevista no artigo 159 do Código Civil. "Se o direito de propriedade industrial, como positivado no Brasil, expressamente rechaça proteção ao software, não resta outra solução senão a de aceitá-lo enquanto modalidade de direito de propriedade intelectual (autoral), pois do contrário ficaria o seu titular despido de qualquer proteção jurídica a reprimir atos de contrafação", destacou a relatora.
A ação teve início em junho de 1998, quando a NVL Software recorreu à Justiça contra a The Best e seu representante legal à época, Reinaldo Machado.Segundo a NVL, ela teria contratado a The Best e Reinaldo Machado para a elaboração e execução de um projeto de marketing sobre os seus software, como por exemplo, o CD-Rom "Aprendendo Windows 95, Windows 3.1, Excel 7.0, Word 7.0 e Access 7.0", conhecido como "Cinco em um".
De acordo com o processo, um dos sócios da The Best se interessou pelo produto e promoveu a alteração do contrato social da empresa de marketing para incluir a possibilidade de comercialização de software. Por meio do contrato com a NVL, a The Best comercializou o software produzido pela NVL e, segundo a empresa de informática, com o fim do estoque, a The Best, provavelmente, começou a piratear o produto (CD-Rom) para manter o comércio. No entanto, a The Best não teria quitado os valores acordados com a NVL e, ainda, teria deixado de apresentar a movimentação contábil com as vendas.
Segundo a NVL, alguns produtos começaram a apresentar defeitos e, a partir daí, ficou comprovada a pirataria praticada pela The Best. Indignada, a NVL propôs a ação para que a Justiça proibisse a empresa de marketing de continuar fraudando e comercializando seus produtos, sob pena de multa diária. A NVL também exigiu uma indenização por perdas e danos.
O Juízo de primeiro grau acolheu parte do pedido determinando à The Best e a Reinaldo Machado o pagamento de danos materiais à NVL calculados com base no dobro de tudo que tenham obtido com o comércio irregular dos produtos da empresa de software. A sentença teve por base o artigo 159 do Código Civil. A NVL apelou afirmando que a indenização deveria ser determinada de acordo com o artigo 103, parágrafo único, da Lei de Direito Autoral (9.610/98), e não pelo artigo 159 do Código Civil. A empresa de software também reiterou o pedido de danos morais.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido mantendo a sentença. Para o TJ-RJ, estaria correta a fixação dos danos materiais pelo artigo 159 do Código Civil. O Tribunal também entendeu não estar caracterizado o dano moral, pois a pirataria e a concorrência desleal alegadas não seriam capazes de afetar a imagem da pessoa jurídica (NVL). Diante do julgamento, a NVL recorreu ao STJ reiterando seu pedido de modificação dos danos materiais e concessão dos morais. Segundo a empresa, as decisões anteriores estariam divergindo de julgados do STJ que teriam admitido a reparação de danos morais à pessoa jurídica.
No STJ, a Terceira Turma concedeu parte do recurso para modificar as decisões de primeiro e segundo graus quanto aos danos materiais. Os ministros, seguindo o voto da relatora Nancy Andrighi, determinaram o cálculo dos danos materiais pela Lei 9.610/98, com o entendimento de que o software possui natureza jurídica de direito autoral. Com relação aos danos morais, a Turma entendeu que a empresa não demonstrou a semelhança dos julgamentos do STJ apontados no recurso com o pedido da empresa de software e, por esse motivo, prevalece a decisão que negou os danos morais.
Fonte:
http://www.stj.gov.br/webstj/Noticias/detalhes_noticias.asp?seq_noticia=7950
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20030602.html
Fazendo backup e recuperando a MBR e tabela de partições
Fazendo backup e recuperando a MBR e tabela de partições
Ao comprar um novo HD, você precisa primeiro formatá-lo antes de poder instalar qualquer sistema operacional. Existem vários programas de particionamento, como o qtparted, gparted, cfdisk, e outros.
Os programas de particionamento salvam o particionamento na tabela de partição, gravada no início do HD. Esta tabela contém informações sobre o início e final de cada partição. Depois do particionamento, vem a formatação de cada partição, onde você pode escolher o sistema de arquivos que será usado em cada uma (reiserfs,ext3, ntfs, etc.).
Ao instalar o sistema operacional é gravado mais um componente, o gerenciador de boot, responsável por carregar o sistema operacional ao ligar o micro.
Tanto o gerenciador de boot quanto a tabela de particionamento do HD são salvos no primeiro setor do HD, a famosa trilha MBR, que contém apenas 512 bytes. Destes, 446 bytes são reservados para o setor de boot, enquanto os outros 66 bytes guardam a tabela de partição.
Ao trocar de sistema operacional, você geralmente subscreve a MBR com um novo gerenciador de boot, mas a tabela de particionamento só é modificada ao criar ou deletar partições. Caso por qualquer os 66 bytes da tabela de particionamento sejam subscritos ou danificados, você perde acesso a todas as partições do HD. O HD fica parecendo vazio, como se tivesse sido completamente apagado.
Para evitar isso, você pode fazer um backup da trilha MBR do HD. Assim você vai poder recuperar tudo caso ocorra qualquer eventualidade. Para isso, use o comando:
# dd if=/dev/hda of=backup.mbr bs=512 count=1
O comando vai fazer uma cópia dos primeiros 512 bytes do "/dev/hda" no arquivo "backup.mbr". Se o seu HD estivesse instalado na IDE secundária (como master), ele seria visto pelo sistema como "/dev/hdc". Basta indicar a localização correta no comando.
Você pode salvar o arquivo num disquete ou pendrive, mandar para a sua conta do gmail, etc. Caso no futuro, depois da enésima reinstalação do Windows XP, vírus, falha de hardware ou de um comando errado a tabela de particionamento for pro espaço, você pode dar boot com o CD do Kurumin e regravar o backup com o comando:
# dd if=backup.mbr of=/dev/hda
Lembre-se que o backup vai armazenar a tabela de particionamento atual. Sempre que você reparticionar o HD, não se esqueça de atualizar o backup.
Caso o pior aconteça, a tabela de particionamento seja perdida e você não tenha backup, ainda existe uma esperança. O gpart é capaz de recuperar a tabela de partição e salvá-la de volta no HD na maioria dos casos. Você pode executá-lo dando boot pelo CD do Kurumin.
Você pode baixá-lo no: http://www.stud.uni-hannover.de/user/76201/gpart/#download
Baixe o "gpart.linux" que é o programa já compilado. Basta marcar a permissão de execução para ele:
# chmod +x gpart.linux
No Kurumin você pode instala-lo pelo apt-get: apt-get install gpart
Execute o programa indicando o HD que deve ser analisado:
# ./gpart.linux /dev/hda
(ou simplesmente "gpart /dev/hda" se você tiver instalado pelo apt-get)
O teste demora um pouco, pois ele precisará ler o HD inteiro para determinar onde começa e termina cada partição. No final ele exibe um relatório com o que encontrou:
Primary partition(1) type: 007(0x07)(OS/2 HPFS, NTFS, QNX or Advanced UNIX) size: 3145mb #s(6442000) s(63-6442062) chs: (0/1/1)-(1023/15/63)d (0/1/1)-(6390/14/61)r Primary partition(2) type: 131(0x83)(Linux ext2 filesystem) size: 478mb #s(979964) s(16739730-17719693) chs: (1023/15/63)-(1023/15/63)d (16606/14/1)-(17579/0/62)r Primary partition(3) type: 130(0x82)(Linux swap or Solaris/x86) size: 478mb #s(979896) s(17719758-18699653) chs: (1023/15/63)-(1023/15/63)d (17579/2/1)-(18551/3/57)r
Se as informações estiverem corretas você pode salvar a tabela no HD usando o parâmetro "-W":
# gpart -W /dev/hda /dev/hda
Veja que é preciso indicar o HD duas vezes. Na primeira você indica o HD que será vasculhado e em seguida em qual HD o resultado será salvo. Em caso especiais, onde você tenha dois HDs iguais por exemplo, você pode gravar num segundo HD, com em: "gpart -W /dev/hda /dev/hdc"
O gpart não é muito eficiente em localizar partições extendidas (hda5, hda6, etc.) em boa parte dos casos ele só vai conseguir identificar as partições primárias (hda1, hda2, hda3 e hda4). Nestes casos, você pode usar o cfdisk ou outro programa de particionamento para criar manualmente as demais partições (apenas crie as partições e salve, não formate!). Se você souber indicar os tamanhos aproximados, principalmente onde cada uma começa, você conseguirá acessar os dados depois.
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Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20050620.html
Dicas de utilizacao do Find
Dicas de utilizacao do Find
Colaboração: Angelo Roberto Bonfieti Junior
O comando find eh extremamente util para procurar arquivos que obedecam a um criterio particular. O find pode procurar arquivos que foram modificados nos ultimos X dias, arquivos maiores que um tamanho especifico ou arquivos que pertencam a um userid que nao esta definido no seu arquivo /etc/passwd, por exemplo, sao exemplos de situacoes faceis de serem resolvidas pelo comando find (e muito uteis, tambem). Voce tambem pode procurar arquivos de tipos especificos - como diretorios, links simbolicos ou arquivos normais - ou arquivos mais novos que um outro arquivo.
Voce pode procurar arquivos baseando-se em suas permissoes (por exemplo, todos os arquivos que possuem o bit setuid). Voce pode restringir comandos find a um diretorio especifico ou a file-systems.
O que pode nao ser tao obvio quanto a construcao do comando find apropriado para fazer o servico de vasculha que voce procura eh como construir um comando que ira fazer o que voce quer com os arquivos, uma vez que voce os tenha encontrado.
-print e -ls
Os dois comandos mais comuns usados com find sao, nao surpreendentemente, o -print e o -ls. A opcao -print imprime o nome do arquivo do ponto de vista do diretorio corrente (ex. /export/home/teste/tralha.txt ou somente ./teste/tralha.txt se a procura foi iniciada a partir do /export/home). A opcao -ls proporciona o mesmo tipo de informacao que voce iria ver se voce visalizasse os arquivos atraves do comando ls -li.
-exec
A opcao -exec eh indubitavelmente a proxima opcao mais popular e eh usada para especificar o que o find ira fazer com os arquivos que ele encontrar. Quando usamos a opcao -exec, o nome de cada arquivo encontrado pelo find eh representado no comando find pela sequencia de caracteres "<>" (sem as aspas ;-] ). O comando para imprimir o numero de linhas em cada um dos arquivos encontrados pelo find ira se parecer com isso:
root>> find . -type f -exec wc -l <> ;
A sequencia ; marca o fim do comando e, executando-o, voce poderia ter, como resultado, algo como:
74 ./030701_log.txt 12 ./testfile1 6 ./testfile2 5 ./ex
O comando para procurar por strings (sequencias) especificas e imprimir as strings e os nomes dos arquivos nas quais elas foram encontradas irao se parecer com:
find . -type f -exec grep "antes" <> ; -print
O -print neste comando eh colocado no final para que os arquivos mostrados sejam somente os que passaram pelo teste do grep.
Alterando Arquivos com o Find
Para modificar o conteudo de arquivos que sao localizados pelo find, voce pode usar o sed ou voce pode usar ainda um comando Perl como este que eh executado em todos os arquivos HTML no diretorio corrente e subdiretorios para alterar uma URL para outra:
find . -type f -name "*.html" -exec perl -i -p -e
's/www.antes.org/www.depois.com/g;' <> ;
Se voce frequentemente tem que mudar links em um website muito grande, um comando como esse certamente ira livrar muito tempo (e trabalho). Se voce quer dar este comando a alguem que nao ira gostar de lembrar do comando find, voce pode coloca-lo num script como esse:
#!/bin/bash if [ $# != 2 ]; then echo "usage $0 <antes> <depois>" exit else ANTES=$1 DEPOIS=$2 fi find . -type f -name "*.html" -exec perl -i -p -e "s/$ANTES/$DEPOIS/g;" <> ;
Fazendo Muita Coisa com Arquivos Alterados
Se voce quer executar um numero de comandos em cada arquivo que voce encontrar, existe um meio de faze-lo tambem - e isso nao requer a utilizacao da opcao -exec. Ao contrario, redirecione (com pipe) a saida do seu comando find normal para um repetidor while como este e voce pode executar quantos comandos desejar entre os marcadores do e done:
find . -type f | while read i do file $i ls -i $i wc -l $i done
Neste loop o nome do seu arquivo eh associado ao $i. Este comando trabalha com shells da familia Bourne Shell (sh, ksh, bash e outros).
Muito trabalho pode ser realizado com uma combinacao inteligente do comando find.
Algumas ideias deste artigo foram fornecidas por Robert D. e Chang A.
Este texto foi traduzido integralmente do Original veiculado no forum "Unix in the Enterprise" sob titulo "Tricks with find" da revista eletronica ITworld (www.itworld.com) no dia 17/07/2003.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20031203.html
MINICOMPUTADORES BRASILEIROS NOS ANOS 1970...
MINICOMPUTADORES BRASILEIROS NOS ANOS 1970...
Minicomputadores brasileiros nos anos 1970: uma reserva de mercado democrática em meio ao autoritarismo Brazilian minicomputers in the 1970s: a democratic market reserve during the authoritarian dictatorship
MARQUES, I. C. da: Minicomputadores brasileiros nos anos 1970: uma reserva de mercado democrática em meio ao autoritarismo. História, Ciências, Saúde Manguinhos, vol. 10(2): 657-81, maio-ago. 2003.
Um novo entendimento do sucesso e do fracasso da assim chamada política de reserva de mercado dos computadores é oferecido chamando atenção para as redes, as rupturas e as interferências sociotécnicas. São utilizados três modelos de liberdade para abordar os princípios de organização política na tradição liberal democrática. E três desenvolvimentos sociotécnicos dos anos 1970 e 1980 se destacam: o caráter especial da comunidade de profissionais brasileiros de informática nos anos 1970; a intervenção da polícia política da ditadura militar; e o aparecimento do microcomputador. A análise derivada da combinação destes elementos coloca em cena uma divisão do período em duas fases. A primeira apresenta uma afinidade, em geral não levada em conta, entre as práticas democráticas liberais e a possibilidade de implementação bem-sucedida de políticas industriais e tecnológicas buscando simultaneamente o desenvolvimento econômico e o das ciências e tecnologias locais no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: computadores, política industrial, democracia, autoritarismo, comunidade.
MARQUES, I. C. da: Brazilian mini-computers in the 1970s: a democratic market reserve during the authoritarian dictatorship. História, Ciências, Saúde Manguinhos, vol. 10(2): 657-81, May-Aug. 2003. This article offers readers a new understanding of success and failure of the so-called computer market reserve policy, calling their attention to nets, as well as social and technical interruptions and interference. Three models of freedom have been used in order to approach the principles of political organization within liberal and democratic tradition. Three social and technical developmental models stand out during the 1970s and 1980s: the specific characteristics of Brazilian professionals in computer science in the 1970s, the intervention of political police force during the dictatorship and microcomputers themselves. As the result of the combination of these elements, the present analysis has divided the period into two different phases. The first phase shows a strong relation not always taken into account between liberal democratic practice and the possibility of successful industrial and technological policies that simultaneously sought economic development and science and technology development in Brazil. KEYWORDS: computers, industrial policy, democracy, authoritarianism, community.
Ivan da Costa Marques Professor da Pós-Graduação em Informática da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rua Marquês de Abrantes, 88/307 22230-061Rio de Janeiro RJ Brasil <imarques (a) ufrj br>
vol. 10(2):657-81, maio-ago. 2003 vol. 10(2):657-81, maio-ago. 2003
Introdução
As últimas décadas assistiram à desconstrução das grandes narrativas como alicerces para os ideais iluministas, ditos universais, da modernidade. São os efeitos provisionais dos embates sociotécnicos, isto é, embates indissociavelmente científicos/políticos/tecnológicos/ econômicos/sociais, que decidem a vida contemporânea, em meio aos escombros dos edifícios antes confiáveis e estáveis das ideologias modernas.
Não surpreende que, neste quadro de coerências desfeitas, a tradição democrática liberal, com a ampla flexibilidade interpretativa de suas doutrinas, tenha se instalado como ponto de passagem obrigatório na avaliação de qualquer proposta de ação pública. Entra em cena o Estado mínimo e vai para os bastidores a idéia de planejamento e de intervenção do Estado na forma de, por exemplo, políticas industriais e tecnológicas. Daí a importância dos estudos dos espaços das condições de possibilidade e dos limites de convivência das doutrinas liberais democráticas com a implementação de políticas públicas dirigidas para objetivos de longo prazo. Estes estudos podem contribuir para a construção de propostas de novas democracias.
É com este alento que revisito aqui a política de reserva de mercados de computadores no Brasil nas décadas de 1970 e 1980. A história que apresento difere das histórias anteriores, na medida em que encontra e delineia na reserva de mercado um espaço onde experimentos de doutrinas liberais-democráticas e de intervenções propositais no desenvolvimento científico-tecnológico não só coabitaram como também reforçaram-se mutuamente na construção de uma política industrial mais ou menos centralizada. Este espaço estreito de reforço mútuo entre ingredientes de democracia liberal e de planejamento mais ou menos centralizado, orquestrado por ações públicas instrumentais, aparece e desaparece com a entrada em cena dos seguintes elementos da reserva de mercado dos computadores no Brasil: o caráter especial da comunidade de profissionais brasileiros de informática na década 1970; a intervenção do Serviço Nacional de Informações (SNI a polícia política da ditadura) nesta comunidade em 1979; e o advento dos microcomputadores e sua disseminação no Brasil na década de 1980. A imbricação destes elementos heterogêneos problematiza os vínculos entre as reservas dos mercados de mini e microcomputadores, o autoritarismo do regime militar e os ideais do liberalismo democrático.
O ângulo de inclinação sociotécnica da abordagem que adoto enseja a demarcação de duas fases em que os vínculos entre democracia, computadores e autoritarismo no Brasil diferem radicalmente.[1] A passagem de uma fase à outra acontece na virada da década, 1979-80, pela conjunção dos efeitos do advento dos microcomputadores, acontecimento dito técnico, e da intervenção policial do SNI na política industrial para a fabricação de computadores no país, acontecimento dito social (ou político). Por um lado, a metamorfose do minicomputador, que circulava como um bem de capital, em microcomputador, que adquiriu características de um bem de consumo, não se confinou à esfera estritamente técnica da miniaturização eletrônica, mas fez-se acompanhar de uma reformulação social dos produtores e usuários. Assim o técnico transbordou no social. Por outro lado, a intervenção policial autoritária do SNI não se limitou à esfera estritamente social ou política, gerando também enrijecimento técnico da configuração industrial (máquinas, conhecimentos e práticas) do capital investido dos atores empresariais que naquele momento constituíram uma aliança, mesmo que tácita, com a intervenção autoritária. Assim o social transbordou no técnico. Na ótica sociotécnica, são mudanças nas justaposições de elementos híbridos elementos simultaneamente técnicos e políticos conformando uma rede sem costuras que mudam as condições de possibilidades dos desenvolvimentos, caracterizando as duas fases que vou apresentar. Chamo atenção de que, surpreendentemente, a primeira fase da reserva de mercado dos computadores mostra uma afinidade não explorada entre as formas democráticas e a possibilidade de sucesso de políticas industriais mais ou menos centralizadas para o desenvolvimento das ciências e das tecnologias (e das economias) no Brasil.
A reserva de mercado
A adoção, por mais de uma década, de uma reserva de mercado para a fabricação de computadores no Brasil encontra-se sedimentada no imaginário brasileiro como uma experiência fracassada. Treze anos após o seu abandono, em 1990, ainda hoje ouvem-se referências à reserva de mercado como a uma espécie de descaminho estúpido.[2] O acompanhamento mais detalhado dos acontecimentos, feito pelas muitas histórias da política de informática no Brasil, mostra no entanto que, poucos anos antes da sua condenação, a reserva de mercado aparecia como um expediente de sucesso digno e surpreendente. Nesses estudos, são ressaltadas realizações tecnológicas e econômicas da reserva de mercado: no começo da década de 1980, o Brasil foi um dos poucos países em que empresas sob controle local conseguiram suprir uma parte significativa do mercado interno de minicomputadores com marcas e tecnologias próprias. Equipes de engenheiros e técnicos brasileiros haviam absorvido a tecnologia de produtos originalmente licenciados e efetivamente conceberam e projetaram sistemas completos (hardware e software) de minicomputadores e diversos outros artefatos de computação, colocados no mercado por empresas brasileiras com sucesso econômico e técnico. A comparação entre as características técnicas dos sistemas de minicomputadores colocados no mercado pelas empresas brasileiras e as características dos sistemas então oferecidos no mercado internacional indica o quanto as equipes brasileiras se aproximaram daquelas existentes no mundo desenvolvido no início dos anos 1980.[3] A Tabela I é usualmente tomada como uma representação sumária dos resultados econômicos.
Em suma, as histórias e análises da reserva de mercado, que são muitas, feitas por pesquisadores brasileiros e estrangeiros,[4] reconhecem aquela fase de sucesso. Mas todas deixam entrever a explicação do seu esgotamento e conseqüente abandono em 1990 como um resultado previsível da combinação da oferta ao mercado de produtos tecnicamente defasados a preços altos com a pressão norte-americana para que o Brasil abrisse o mercado dos computadores. Não pretendo diminuir a importância desta combinação, porém, em suas conclusões, esses estudos históricos e análises não chegam a abalar a certeza que muitos têm de que a reserva de mercado se resumiu a uma aliança insólita, formada, dizem, no ranço da ditadura militar, entre setores da esquerda, empresários astuciosos e a direita nacionalista. A reserva de mercado seria hoje, portanto, um desvio no sentido próprio do termo, na medida em que não poderia conduzir a ação pública ao ponto de passagem hoje obrigatório da reconciliação com a tradição democrática liberal.
Para promover a reconciliação dos mecanismos de reserva de mercado com a tradição democrática liberal, cabe, preliminarmente, focalizar as várias concepções de liberdade como um princípio de construção de ordem política que a tradição democrática liberal pode abrigar. É disto que me ocupo na próxima seção.
Três modelos de liberdade como um princípio de ordem política na tradição democrática liberal
Vou destacar esquematicamente três concepções ou modelos principais de liberdade como princípio de construção de ordem política, todos presentes na tradição democrática liberal. Para tanto lançarei mão do excelente estudo de Yaron Ezhavi (1990).
- A primeira concepção -- o equilíbrio involuntário em que Adam Smith ([1776] 1937, p. 423) fincou a raiz da ciência econômica sugere que a interação espontânea entre atores livres a serviço de seus próprios interesses pode gerar um sistema equilibrado de ações cujos resultados agregados são publicamente benéficos. Segundo esse modelo, geralmente o ator individual nem pretende promover nem sabe o quanto está promovendo o interesse público. Ao buscar seu próprio interesse ele freqüentemente promove o da sociedade mais eficazmente do que quando tem a intenção de promovêlo. Em formulação do século XX, Friedrich Hayek, autor de grande influência sobre correntes importantes dos economistas brasileiros, diz que a única alternativa à submissão às forças impessoais e aparentemente irracionais do mercado é a submissão ao poder igualmente incontrolável e portanto arbitrário de outros homens.[5] Hayek aceita o conceito democrático-liberal de liberdade como um princípio de criatividade política, mas insiste que se trata de criatividade cega.
- A segunda concepção de liberdade que habita a tradição democrática liberal parte da hipótese de que a ação é simultaneamente voluntária e informada. A ordem pública é mantida por uma interação esclarecida, isto é, por indivíduos que formam consenso ou geram maiorias em processos de aprendizagem e persuasão racional. As restrições à liberdade são reconhecidas e auto-impostas pelas ações de indivíduos informados. Segundo essa concepção de ajustes reciprocamente informados, em lugar das leis do mercado, é o status normativo de padrões racionais de conduta que impede o comportamento arbitrário, o aspecto destrutivo da liberdade. Essa concepção transitou pelos séculos na tradição democrata liberal nos escritos de Condorcet, John Stuart Mill, John Dewey e Karl Popper.
- Ainda segundo Ezhavi (1990, p. 21), a terceira concepção, a da justificativa por indicadores, é uma variante centralizada da segunda, presente nos pensamentos de Thomas Hobbes, Alexander Hamilton, Jeremy Bentham e Charles Merrian, entre outros. A ordem é mantida por poucos atores esclarecidos, cujas ações não se tornam arbitrárias ou subjetivas por força de padrões de desempenho adequado, extrapolíticos, ou seja, técnicos, estabelecidos publicamente. Como têm de justificar suas ações perante cidadãos livres, os poucos atores no centro precisam recorrer a indicadores de confiança do público para mostrar que estão buscando o interesse público. A reconciliação dessas estruturas centralizadas de ações com valores políticos democráticos é uma estrutura descentralizada de cobrança de responsabilidade ou prestação de contas ao público.
As três concepções, cada uma a seu modo, permitem enxergar as ações livres como relações estruturadas de causa e efeito e separar, de um lado, a liberdade como um princípio criativo do exercício de práticas democráticas liberais, e, de outro lado, a liberdade como uma fonte de ações arbitrárias. As três variantes permitem que as ações sejam externalizadas como padrões identificáveis ou iluminados contra um fundo indiferenciado ou escuro. O que muda de uma para outra é a perspectiva a partir da qual as ações formam um todo ou uma unidade mais ou menos coerente e estável, e as diferentes implicações políticas dessas diferentes perspectivas.
Ezhavi (1990, pp. 25-6) esclarece a diferença entre as três variantes com uma ilustração hipotética, imaginando os atores como vaga-lumes que deixam suas ações marcadas com uma trajetória iluminada contra um fundo escuro. Na primeira variante, a do equilíbrio involuntário ou de mercado, que concebe a liberdade como ação voluntária de egoístas autônomos, os atores-vaga-lumes não vêem (ou ignoram) seus rastros de luz, mas, ao deixá-los, viabilizam uma visão do olho de Deus do padrão harmonioso da composição de todas as trajetórias sob a regência da mão invisível.
Na segunda variante, que concebe a liberdade como uma interação esclarecida, os atores-vaga-lumes observam as trajetórias iluminadas uns dos outros e adaptam mutuamente seus movimentos para formar um padrão coletivo. A perspectiva aqui é a da visibilidade e da transparência recíproca, que tornam possível a coordenação e a coerência na ação coletiva. Enquanto no caso do equilíbrio involuntário a interação é cega e a luz, uma condição para o conhecimento de quem está fora, no caso de interação esclarecida a luz é um meio de ajuste e cooperação mútua. Em ambas as variantes o Estado liberal tem funções mínimas como guardião e facilitador de interações suaves e polidas.
Na terceira variante da liberdade como princípio de construção política, a ordem é mantida pelas ações tomadas em nome do público por poucos funcionários escolhidos mediante uma justificativa por objetivos. Esta variante combina elementos de ambas as outras, equilíbrio espontâneo tipo mercado e coordenação descentralizada esclarecida. A reivindicação do governo de agir em nome do público se assenta na hipótese de que as preferências dos cidadãos são claras para o governo. O olho de Deus da primeira concepção é substituído aqui pelo olho do Estado, mas o potencial autoritário de tal condição é supostamente cerceado por igual clareza das ações do governo liberal-democrático perante os cidadãos como espectadores. O princípio de transparência recíproca entre cidadãos, principal característica da interação esclarecida, é transformado no terceiro modelo em transparência recíproca entre cidadãos e o governo. Na medida em que a prerrogativa de observar e testemunhar de todos os atores (cidadãos livres) exista e seja descentralizada, a imprescindibilidade da transparência das ações governamentais surge para limitar a centralização do poder (poder observado é poder decaído).
Em cada uma das três variantes da ação pública liberal-democrática (equilíbrio involuntário, interação esclarecida e justificativa por objetivo), uma distribuição diferente da visibilidade ou propriedade de aparecer para o outro pressupõe uma distribuição particular do poder de controlar a ação. O que torna a variante centralizada ainda consistente com os valores democráticos liberais é que, ao contrário do centralismo autoritário-tecnocrático, seu instrumentalismo democrático implica um governo que permaneça visível e portanto exposto aos cidadãos como espectadores que podem questioná-lo em seus próprios termos.
Utilizarei esse esquema de três concepções ideais para analisar o espaço de reconciliação da reserva de mercado com a tradição democrática liberal. A primeira concepção, tomada em sua idealidade, não é conciliável com uma política de reserva de mercado ou, mais precisamente, com uma ação pública instrumental do tipo que será caracterizado aqui como o daquela que resultou na reserva de mercado . Mas vou argumentar que as outras duas, ideal e praticamente, o são.
A construção de ação voluntária e informada
Negociação e convergência de visões e de interesses diversos
Na primeira metade da década de 1970, professores, alunos de pósgraduação e pesquisadores projetaram diversos produtos de informática nas universidades brasileiras: modems, terminais de vídeo, terminais inteligentes (precursores dos microcomputadores de hoje), processadores dedicados, compiladores, protocolos de comunicação. Nessa mesma época alguns birôs estatais de processamento de dados especialmente o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) investiram em laboratórios de desenvolvimento de produtos. Da mesma forma, nos laboratórios de organizações militares especialmente o Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) artefatos de informática recebiam atenção especial. Também em meados da década de 1970, a ditadura militar fez circular o conceito de democracia relativa com o intuito de tentar domesticar as formas democráticas em lugar de procurar simplesmente eliminá-las. A democracia relativa significava a ampliação dos espaços onde se podia falar, escrever e agir, em termos de pessoas e temas permitidos, sem contudo admitir todo e qualquer tema.
Foi no estreito e precário espaço da democracia relativa que indivíduos oriundos de três categorias distintas de profissionais de computação relacionaram-se e, voluntária e informadamente, negociaram suas atuações, formando pouco a pouco uma comunidade que se aglutinou por meio de seminários e congressos realizados periodicamente (SECOMUs e SECOPs)[6] e de uma imprensa especializada (o jornal quinzenal Datanews e a revista bimestral Dados e Idéias). Essas três categorias de profissionais de computação eram, grosso modo, os professores universitários, os oficiais militares engenheiros, e os administradores de empresas estatais. Durante os anos 1970, esses grupos díspares de profissionais, tendo pontos de partida diferentes mas interagindo em congressos e seminários e por intermédio de artigos na imprensa especializada, gradativamente passaram a ver que, pelo menos em parte, suas percepções e análises das questões tecnológicas coincidiam em muitos pontos. O levantamento da coleção da revista Dados e Idéias mostra que, de agosto de 1975 a maio de 1979, lá escreveram e participaram dos SECOMUs e SECOPs profissionais de informática das mais diversas opções políticas e vinculações institucionais, incluindo um grupo pouco numeroso de oficiais militares da ativa dentre um número bem maior de administradores, quase todos das empresas estatais de processamento de dados e das empresas estatais de comunicações, além da maioria composta por professores universitários. Esses profissionais escreveram artigos cobrindo uma gama ampla de aspectos e interesses: comparações com o que outros países vinham fazendo a respeito de política de informática; uso e produção dos computadores, desde a (falta de) mecânica fina no país até problemas éticos relativos ao projeto do número único para cada cidadão; tendências vigentes no desenvolvimento do software básico e de aplicativos etc. A revista apresenta também freqüentes entrevistas com funcionários públicos que ocupavam cargos cujo desempenho a comunidade relacionava direta ou indiretamente com a informática, abrangendo questões que variavam desde os controles de importação e exportação até os problemas de educação e de currículos dos cursos, fazendo da revista um ponto de encontro de observações do poder do governo.
Havia uma grande diversidade de interesses e abordagens, mas praticamente todas as intervenções, fossem elas nos congressos ou nos periódicos, compartilhavam a idéia de que dominar a tecnologia dos computadores era uma questão estratégica para um país como o Brasil. Os profissionais de informática estavam bem posicionados para criar e expandir seus vínculos com a oportunidade que a democracia relativa oferecia para que discutissem suas atuações profissionais em termos sociais e políticos mais abrangentes. Para aquelas três identidades de profissionais de informática professores universitários, administradores públicos, militares técnicos , soluções mais apropriadas e mais econômicas do que aquelas restritas à programação das máquinas estrangeiras poderiam ser desenvolvidas localmente levando em consideração as especificidades dos serviços que eram executados no Brasil. O bem conhecido esforço de projetar um sistema de minicomputador completo no Brasil executado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e pela Universidade de São Paulo (USP), e consubstanciado no projeto G-10, que integrava os interesses das duas universidades e da Marinha estimulou o governo a financiar várias outras iniciativas locais de concepção e projeto de artefatos de computação. Foi o caso, por exemplo, do processador de ponto flutuante desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ para ser acoplado aos computadores IBM 1130 instalados no Brasil, aumentando-lhes a capacidade de executar operações aritméticas típicas de suas aplicações e assim adiando a necessidade de sua substituição por outros novos modelos importados. Foi o caso, também, do concentrador de teclados, um sistema mais econômico e mais simples do que as soluções oferecidas pelas multinacionais, por não ter terminais de vídeo e utilizar um único disco, mas igualmente eficiente, para a transcrição das declarações de renda pelo método digita-e-redigita-para-conferir que era a prática do SERPRO.[7]
Na década de 1970, o desenvolvimento local da tecnologia de computadores possibilitou o encontro de visões, interesses e identidades profissionais diversas. Os professores dos recém-constituídos cursos de pós-graduação em engenharia [8] estavam preocupados em criar um mercado de trabalho qualificado para os profissionais que formavam. Para eles, suas qualificações deveriam ser legitimadas por uma demanda no mercado de trabalho brasileiro por profissionais capazes de conceber e projetar computadores. Os militares julgavam importante saberem abrir as caixas-pretas eletrônicas instaladas em seus armamentos, especialmente depois que uma nova geração de fragatas com computadores a bordo foi adquirida da Inglaterra, tornando mais evidente a dependência de técnicos estrangeiros. Os administradores das empresas estatais entendiam que o leque de soluções possíveis para uma determinada aplicação se abriria muito mais se houvesse no país a capacidade de projetar também o hardware e o chamado software básico, mesmo que de pequenos artefatos computacionais.
Interação esclarecida para a construção de uma proposta de adaptação mútua e formação de um padrão normativo racional
Os protótipos ou produtos desenvolvidos na pesquisa não tinham sido inventados aqui. Eram, no entanto, engenharia reversa, feita por brasileiros, do que havia de mais atualizado na época em matéria de equipamentos que podiam ser adquiridos no mercado internacional. O trabalho de pesquisa empírica nas universidades e centros de pesquisa consistia justamente em aprender a fabricar aqueles misteriosos produtos, de tal forma que grupos de profissionais brasileiros adquirissem a capacidade de projetá-los. Nessa concepção de pesquisa, que situa a fronteira do conhecimento como uma fronteira local, os pesquisadores brasileiros descobriram como conceber e projetar produtos e também como ligar equipamentos de fabricantes diferentes para formar um único sistema. Disseminou-se pela comunidade acadêmica a preocupação com a dependência tecnológica: se passasse a depender cada vez mais de computadores e não soubesse fazê-los, o Brasil se veria na contingência de pagar o preço fixado pelos poucos países que sabiam como fazer os computadores. A partir de uma comunidade que praticamente não incluía empresários, a idéia de que o Brasil deveria fazer um investimento estratégico para superar a dependência tecnológica disseminou-se e tornou-se predominante entre os profissionais brasileiros de informática da década de 1970. Estava formado um consenso: nas palavras de um profissional de então, se na época inicial desses esforços (de desenvolvimento local de tecnologia de computadores), a industrialização e a comercialização efetiva do que fosse produzido eram ao mesmo tempo esperança e promessa, hoje se está cobrando uma decisão urgente e definitiva de que dependerá o êxito ou fracasso de dez anos de política científica e tecnológica para o setor (Franken, 1976). A partir de meados da década de 1970, um número cada vez maior de profissionais de informática passou a ser de opinião de que os esforços para que profissionais brasileiros participassem da concepção e projeto de uma tecnologia de minicomputadores não poderiam ter continuidade sem o envolvimento de empresas privadas.[9]
Os artigos da revista Dados e Idéias e as edições do jornal Datanews mostram o encadeamento lógico dos argumentos que circulavam na comunidade: 1) sem que um produto tecnológico seja produzido, vendido e mantido não se completa o ciclo do produto e não se pode ter segurança de que se detém a sua tecnologia e claramente as universidades e entidades estatais que até então vinham se envolvendo com a concepção e o projeto de produtos não tinham condições de completar o ciclo dos produtos; 2) não existiam empresas fabricantes brasileiras [10] e as empresas estrangeiras que tinham fábricas instaladas aqui (IBM, Burroughs e Olivetti) não dispunham de estrutura local de concepção e projeto de produtos nem estavam em princípio dispostas a montá-las dado que tradicionalmente recebiam os projetos de seus produtos já prontos, desenvolvidos nos laboratórios nas matrizes; 3) além disso, havia uma necessidade de cunho mais estritamente econômico que exigia a fundação de empresas com capacidade técnica própria local: o Estado brasileiro não teria condições de continuar acompanhando as necessidades financeiras crescentes dos trabalhos de pesquisa a fundo perdido, como vinha fazendo. Já havia sido atingido o ponto em que os recursos para concepção e projeto local de produtos teriam que vir, pelo menos em parte, diretamente do mercado usuário, e as empresas eram as instituições-organizações consagradas para desempenhar essa função. E, finalmente, o x da questão: 4) se, por um lado, o capital estrangeiro não se interessava pelo investimento em concepção e projeto de minicomputadores no Brasil, por outro lado, o capital privado nacional não se interessava em investir em empresas fabricantes de minicomputadores aqui, pois entendia que, em regime chamado de livre concorrência, a competição estava perdida a priori para as empresas estrangeiras.
Os anais dos SECOMUs, SECOPs e congressos da SUCESU, e os artigos publicados na revista Dados e Idéias e no jornal Datanews, mostram que, em 1976-77, uma conclusão lógica a partir dos argumentos mencionados se impunha praticamente como um consenso entre a comunidade de profissionais de informática: era preciso introduzir um artifício no jogo do mercado para que o investimento em concepção e projeto local de minicomputadores no Brasil se tornasse mais atraente para o capital privado nacional. Nos termos da tradição democrática liberal, um conjunto pequeno mas heterogêneo de atores professores, administradores de empresas estatais, militares técnicos dera início a um processo de interação esclarecida para construção de uma proposta de adaptação mútua e formação de um padrão normativo racional de conduta que cerceasse a liberdade como fonte de comportamento arbitrário, que na época passou a ser associado à importação arbitrária d e tecnologia, isto é, a importação de tecnologia decidida individualmente por cada empresa fabricante.
Entre o olho de Deus e o olho do Estado
Uma reserva (de mercado) para empresas que realizassem a pesquisa e o desenvolvimento de seus produtos no Brasil acabou sendo construída como um artifício acoplado ao mecanismo de mercado para que o investimento em concepção e projeto local de minicomputadores no Brasil se tornasse mais atraente para o capital privado.
Ancorado na comunidade de profissionais de informática, o órgão da Secretaria de Planejamento da Presidência da República (SEPLAN, atual Ministério do Planejamento) encarregado de racionalizar o uso dos computadores no âmbito do governo federal, denominado Coordenação das Atividades de Processamento Eletrônico de Dados (CAPRE), fez publicar no Diário Oficial da União, em 15 de julho de 1976, sua Resolução 1 anunciando que a política nacional de informática para os minicomputadores buscaria a consolidação de um parque industrial com total domínio, controle da tecnologia e decisão no país.[11] A esta resolução seguiu-se, em 1977, uma concorrência internacional para selecionar as empresas que poderiam fabricar e comercializar sistemas de minicomputadores no Brasil. Só as vencedoras poderiam entrar no mercado brasileiro de minicomputadores. Um critério anunciado na seleção das candidatas era o compromisso com pesquisa e desenvolvimento local de produtos e o correspondente plano de investimento da empresa (Helena, 1977). Resumindo rudemente um processo político-tecnológico cujos detalhes Vera Dantas (1988) registra com fluência e riqueza e que não se desenrolou sem combates, o principal deles envolvendo o minicomputador IBM/32 , foi com a recomendação da comunidade de profissionais que a CAPRE buscou um artifício o que veio a ser chamado uma reserva de mercado que tornasse atraente o investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Foram vencedoras as empresas Edisa, Labo e SID.[12] O artifício mostrou-se eficaz para atrair o capital nacional, mobilizando-o para constituir empresas que assumiram o compromisso de investir em pesquisa e desenvolvimento de produtos no Brasil em troca de não enfrentarem a concorrência com produtos de concepção e projeto estrangeiros que seriam meramente montados aqui. A Tabela II ilustra a mobilização do capital nacional pelo crescimento do número de aberturas de empresas no setor após a Resolução 1 da CAPRE, uma vez que a quase totalidade das novas empresas era de capital nacional. Daí resultou a implantação da reserva de mercado para minicomputadores em 1977 e naquela ocasião, convém frisar, ainda não existiam microcomputadores. É i m p o r t a n t e observar que, embora a resolução incluísse microcomputadores, esta palavra referia-se ao pequeno mercado, classificado na categoria outros, de sistemas com processadores integrados dedicados, não dizendo respeito propriamente aos micros tais como os entendemos hoje estes surgiram depois, a partir de 1981, nas estatísticas da SEI e, rapidamente, isto é, em 1985, suplantaram os minis em termos de vendas ao mercado, conforme indica a Tabela III.
A política de reserva de mercado para o desenvolvimento da tecnologia de minicomputadores foi concebida naquela comunidade sui generis que nos 1970 reuniu um espectro mais ou menos amplo de p r o f i s s i o n a i s especializados em computação originários das universidades, das forças armadas e das empresas estatais de processamento de dados. Com o advento da democracia relativa, juntaram-se à comunidade jornalistas especializados, empresários, políticos e alguns líderes de associações profissionais. Pode-se conjeturar se a comunidade de profissionais de informática não começava a esbarrar nos limites da redoma da relatividade democrática, pois ela configurou, embora instável e fracamente, o que chamo de um coletivo técnica e politicamente agenciador, que poderia tender a se expandir, conferindo uma nova inflexão às tentativas de desenvolver tecnologia no Brasil. Durante os anos 1970 o caráter e a dinâmica da reserva de mercado dependeram das atuações dessa comunidade sui generis de profissionais brasileiros de informática.[13]
As atuações desse coletivo técnica e politicamente agenciador podem ser compreendidas em dois eixos. No eixo horizontal, esse grupo legitimava e propagava para a sociedade em geral a idéia da reserva de mercado dos minicomputadores. Os projetos de pesquisa discutidos e levados a cabo nas universidades, nas organizações militares e nas empresas estatais articulavam conceitos que o público em geral considerava (e ainda hoje considera) disjuntos, como, por exemplo, dependência tecnológica e ausência relativa de demanda por trabalho tecnicamente qualificado na indústria brasileira. No seio da comunidade articulações desse tipo, ligando maior autonomia tecnológica a aumento de oportunidades de trabalho mais valioso, legitimavam a idéia de reserva de mercado, facilitando sua disseminação. A comunidade tornava-se assim uma fonte de suporte político amplo e horizontal, que vinha de baixo, renovado por discussões vivas disseminadas e descentralizadas entre os profissionais, para que o governo brasileiro lançasse mão da reserva de mercado de minicomputadores como um expediente para diminuir a dependência tecnológica do Brasil. De acordo com o interesse de cada um, diminuir a dependência tecnológica do Brasil podia ser traduzido como gerar mais oportunidade de trabalho qualificado para brasileiros (professores), poder abrir as caixas-pretas instaladas nos navios de guerra (militares) ou processar mais eficientemente o imposto de renda (administradores públicos).
Por outro lado, no eixo vertical, aquele coletivo ou comunidade sui generis de profissionais de informática representava uma espécie de inteligência descentralizada que acompanhava e discutia a atuação do governo na implementação da reserva de mercado, avaliando continuamente sua adequação aos objetivos que a legitimavam. Em outras palavras, como bem mostram as coleções da revista Dados e Idéias e do jornal Datanews de 1975 a 1980, era também a comunidade q u e fazia a crítica da política de reserva de mercado de minicomputadores, discutindo sua implementação, criando focos a partir dos quais eram distribuídos o apoio ao que era visto como acerto e a oposição ao que era visto como erro, na rota para o objetivo mais ou menos consensual de diminuir a dependência tecnológica na concepção, projeto e fabricação dos minicomputadores.
Em plena ditadura, sob um manto de duas camadas, democracia relativa e alta tecnologia, a comunidade dos profissionais de informática nos anos 1970 tinha adquirido ainda que timidamente, como dito anteriormente, o caráter de um coletivo técnica e politicamente agenciador capaz de participar e interferir na política nacional e nos decretos governamentais. Nos termos da tradição democrática liberal, esse grupo havia rejeitado a crença de que, diante do olho de Deus, surgiria um comportamento harmonioso e frutífero para a sociedade brasileira naturalmente ajustado unicamente pela mão invisível do mercado, para abraçar a crença, igualmente moderna, na possibilidade de construir um olho do Estado que dirigiria a mão do Estado ajustando os comportamentos sociais e coibindo a liberdade arbitrária. Os profissionais de informática nos anos 1970 propuseram que no Brasil a questão tecnológica fosse tratada a partir da prática política que Yaron Ezhavi argumenta que preponderou nos Estados Unidos durante o século XIX e até meados do século XX, o instrumentalismo democrático.
Do instrumentalismo democrático relativo ao centralismo autoritário-tecnocrático
Mas como bem observou Sérgio Buarque de Holanda ([1982] 1936, p. 5) (no Brasil) os decretos dos governos nasceram ... só raras vezes da pretensão de se associarem permanentemente as forças ativas (da sociedade). No final dos anos 1970, sopesados os avanços e os retrocessos da democracia relativa, embora a evolução política geral apontasse para a democratização do país, as liberdades civis não estavam asseguradas. Até 1985 todos os órgãos governamentais eram obrigados a submeter suas contratações ao crivo do SNI, uma espécie de polícia política congregando militares e civis que se autodenomivam uma comunidade de informações e que pretendiam vigiar e punir todos que não repudiassem o que eles entendiam como ideologias de esquerda. Como o SNI trabalhava baseado em informes confidenciais isto é, o cidadão comum não tinha acesso à sua própria ficha a arbitrariedade e o autoritarismo ali concentravam-se especialmente. Em 1979 foi colocado na chefia da ditadura militar o general João Baptista de Figueiredo, até então chefe do SNI.
A partir de março de 1977, uma equipe contratada pelo Itamaraty pretendeu desenvolver em sigilo, sob a rede de proteção do SNI, um sistema de criptografia para troca de mensagens entre as embaixadas brasileiras, denominado Projeto Prólogo. O projeto tornou-se uma obscura zona de contato entre a comunidade de informações do SNI e os profissionais de informática. Não surpreende que o SNI julgasse estranho aquele coletivo sui generis, técnica e politicamente agenciador, cada vez mais heterogêneo, que reunia professores, militares e funcionários públicos discutindo política tecnológica (e econômica), elaborando sugestões e acompanhando suas implementações pelo governo ditatorial, fazendo, às vezes, críticas, embora relativas.
A chegada dos coronéis
Tão logo seu antigo chefe foi indicado para comandar a nação, a comunidade de informações do SNI formou a Comissão Cotrim, com a finalidade de investigar o setor de informática. Essa comissão, conhecida pelo nome do embaixador informante que dela fez parte, foi integrada por coronéis do SNI [14] e outros informantes que gravitavam em torno do serviço de informações, alimentando-o com seus informes confidenciais. Nas palavras de Dantas (1988, pp. 181-2),
(p)ara preparar a intervenção, o general Otávio Aguiar de Medeiros[15] decidiu formar uma comissão que fizesse um levantamento do setor de informática e propusesse um plano de ação destinado ao futuro governo de seu chefe, general Figueiredo. ... Obtida a autorização do general Figueiredo, formou-se a comissão com Cotrim, Dytz, Joubert, Loyola e Cuinhas. ... Para cobrir suas despesas ... Cotrim pensou primeiro em obter o dinheiro no BNDE ... mas Marcos Vianna (então presidente do BNDE) impôs condições ... Cotrim recorreu ao CNPq. A reação de (José) Dion (então presidente do CNPq) foi exatamente oposta à de Marcos Vianna: não precisou de muita conversa para entender que o embaixador (Cotrim) buscava, além de dinheiro, uma aliança.
Certamente aqui também podemos nos lembrar das observações de Sérgio Buarque de Holanda ([1936] 1982, pp. 3-11) sobre o personalismo exagerado (dos brasileiros) e suas conseqüências. À época, na comunidade de informática, era conhecida a simpatia entre Marcos Vianna e Ricardo Saur, secretário-executivo da CAPRE e notório desafeto de José Dion. A Comissão Cotrim teve como alvo principal os professores universitários e os funcionários da CAPRE que vinham até então implementando a política de reserva de mercado.
A comissão incluiu entre seus suspeitos os funcionários de outras organizações estatais não universitárias, como o SERPRO, a Digibrás e ainda outras dentro das próprias forças armadas, como o Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Segundo Dantas (1988, p. 183), (o)s membros da Comissão Cotrim preferiram convocar para depoimentos em Brasília todas as pessoas que julgassem necessárias. Começaram pelos pesquisadores e professores universitários. A Comissão Cotrim trabalhou durante alguns meses usando métodos e práticas policiais cuja falta de legalidade não constrangia seus coronéis. Tratou como suspeitos de crimes políticos os professores universitários, os gerentes de estatais e os próprios militares que compunham a comunidade de profissionais de informática evocada nos seminários e congressos e também nos artigos, declarações e discussões públicas da revista Dados e Idéias e do jornal Datanews. Sem constrangimento, os coronéis do SNI interrogaram de forma intimidante um grande número dos profissionais de informática e grampearam seus telefones.[16] E, logo, instalou-se entre estes um tal clima de medo que aos mais irônicos inspirou até brincadeiras de autêntico humor negro.
A partir daí, como resultado dessa ação repressiva, a participação dos profissionais de informática se arrefeceu. O levantamento da coleção da revista Dados e Idéias confirma tanto a transformação de enfoque quanto a mudança dos autores colaboradores após a interrupção de sua publicação de junho de 1979 a janeiro de 1980. Também nos seminários e congressos o ambiente era outro, tendo desaparecido as condições que davam vida às discussões acerca de como deveria ser uma política diferenciada para a construção de uma indústria de computadores no Brasil. Os seminários e congressos, bem como os artigos da revista, passaram a se restringir aos assuntos considerados estritamente técnicos. Compreende-se a facilidade com que os coronéis do SNI desfizeram a comunidade de profissionais de informática como um coletivo técnica e politicamente agenciador, bastando lembrar que naquela época eles podiam agir impunemente acima de quaisquer garantias civis.
Além disso, apresentada em relatório secreto ao general Figueiredo, a conclusão da Comissão Cotrim surpreendeu parte da já desmobilizada comunidade de profissionais de informática. O relatório concluía que o Brasil na realidade não possuía uma política de informática, tão tímida ela era ... deixando de lado as questões do software e da microeletrônica, o coração dos computadores.
Alguns enxergaram tal conclusão como uma vitória para as idéias até pouco meses antes defendidas na comunidade de profissionais de informática, um tanto docemente constrangidos pela sensação de terem conquistado, mesmo à revelia, novos e poderosos aliados no aparato repressivo da ditadura.[17] Os coronéis do SNI propunham a substituição da pequena e, dentro do governo ditatorial, sempre um tanto deslocada CAPRE por um novo órgão de alto nível hierárquico, com status de ministério, ligado diretamente ao general Figueiredo. Tal órgão, denominado Secretaria Especial de Informática (SEI), foi prontamente criado e seus cargos de direção ocupados pelos próprios coronéis do SNI que haviam integrado a Comissão Cotrim, a qual, em regime de substituição sucessiva por subalternos, lá permaneceu até sua aplaudida extinção em 1990.[18]
A chegada dos microcomputadores
No tempo em que só havia computadores de grande porte (mainframes), o mercado de computadores era um segmento muito especializado do mercado de bens de capital, e ao redor dele circulavam relativamente poucas pessoas. No Brasil eram ao todo poucos milhares de profissionais, mais propriamente algumas centenas. Para a imensa maioria das pessoas comuns, dos leigos, os computadores (de grande porte) eram máquinas esotéricas, cérebros eletrônicos mantidos em aquários refrigerados.
Hoje talvez as ovelhas clonadas em Edimburgo coloquem-se mais próximas da vida diária dos leigos do que na década de 1960 os mainframes conseguiam se aproximar da rotina cotidiana dos homens comuns.
Os minicomputadores, sistemas menores do que os mainframes, que proliferaram por cerca de uma década a partir do começo dos anos 1970, mantiveram as características básicas de um mercado especializado. É verdade que os minicomputadores aumentaram significativamente a diversidade de produtos, de fornecedores e de compradores, pois estão associados ao crescimento do mercado OEM e ao desenvolvimento dos VAR nos Estados Unidos.[19] Entretanto, se pensarmos em como eram tomadas as decisões de compra e venda, e nas condições de utilização e de manutenção dos minicomputadores, enxergamos ainda nitidamente uma continuidade mercadológica na produção e na comercialização entre eles e os computadores de grande porte: os minicomputadores ainda eram típicos bens de capital. Embora de preços e complexidades industriais de dez a cem vezes menores, os prazos de entrega, as condições de manutenção e os preços dos minicomputadores, que estavam nas casas das dezenas de milhares de dólares, eram sempre negociados entre vendedores e compradores especializados.
Já o microcomputador, como artefato, foi adiante do minicomputador e deixou definitivamente para trás os limites do ambiente decisório formal dos (CPDs), centros de processamento de dados, característico do tratamento por especialistas que se dá, ainda hoje, às aquisições de bens de capital pelas organizações grandes e médias. O microcomputador ocasionou a ruptura desses limites do computador como um bem de capital típico, dotando o artefato computador de características próximas às de um bem de consumo durável, um eletrodoméstico ou um telefone, ambicionado potencialmente por qualquer indivíduo. Como vimos, o fenômeno já aparece nas estatísticas feitas pela própria SEI (Tabela III), a partir das vendas do setor no Brasil correspondentes ao ano de 1981, e torna-se avassalador a partir do (IBM/)PC com a padronização de que se fez acompanhar tanto na arquitetura como no software. As técnicas de miniaturização tornaram possível disponibilizar em cima de uma mesa recursos para processar informação que antes não podiam ser mobilizados mesmo em máquinas que ocupavam salas inteiras. Os aumentos exponenciais da velocidade de processamento e da capacidade das memórias abriram possibilidades de concretizar aplicações antes somente imaginadas, como a substituição das máquinas de escrever, disseminando o computador de uma forma que poucos anos antes seria considerada ficção. O efeito da possibilidade de cada indivíduo dispor do computador como uma extensão de si próprio, e do seu próprio corpo, já descortinada pelo PC, provocou uma mudança de estrutura de mercado muito mais radical do que a mudança antes trazida pelos minicomputadores.
O microcomputador rompeu os limites restritos de um mercado de bem de capital especializado e provocou uma rápida mudança de toda a estrutura do setor no que se refere a qualificações de engenharia, industriais, comerciais e financeiras dos fornecedores e compradores. Por um lado, os custos e preços caíram mais uma ordem de grandeza, e a capacidade de processamento e a escala de produção subiram várias ordens de grandeza. Por outro lado, o micro passou a integrar o rol dos objetos de uso doméstico e pessoal ambicionados pelo leigo. No começo dos anos 1980, o computador saiu de um mundo fechado de milhares de profissionais para um universo aberto de milhões de leigos diretamente interessados e envolvidos.
A perda da transparência e a dispensa de prestar contas à sociedade passam do SNI para a política de informática
Esperava-se que o microcomputador, como fenômeno novo, exigisse mudança e renegociação da política que havia sido gestada na comunidade de profissionais de informática e posta em prática pela C A P R E . Mas, ao contrário da reserva de mercado para minicomputadores, que foi precedida de vários anos de discussões p ú b l i c a s em uma comunidade, a reserva de mercado para microcomputadores foi adotada sem discussão. Como integrantes do órgão de repressão de um regime ditatorial, os coronéis instalados na SEI não se julgavam responsáveis por apresentar a visão do olho do Estado com maior clareza, precisão e transparência possíveis para os cidadãos em geral e para os profissionais de informática em particular, nem tampouco julgavam-se obrigados a prestar contas e justificar, também com o máximo de transparência, o que fazia a mão do Estado, isto é, suas próprias ações, táticas e estratégias. O fenômeno microcomputador não existia e não havia sido considerado anos antes, quando os procedimentos para a operação da reserva de mercado de minicomputadores foram concebidos e discutidos na comunidade e postos em prática pela CAPRE, ao longo da década de 1970. Os coronéis do SNI, recém-instalados em seus novos altos cargos públicos na SEI, formalmente extinguiram e criaram órgãos e cargos, mas explicitamente não criaram uma política nova nem reformularam aquela recebida da CAPRE.
É justamente a ausência de transparência, a falta de obrigatoriedade de prestar contas e a inexistência de uma configuração descentralizada de cobrança que transformam o instrumentalismo democrático em centralismo autoritário-tecnocrático irreconciliável com a tradição democrática liberal. Desmobilizada a comunidade que configurava a cobrança descentralizada, e sendo ausente de seu ethos a obrigação da transparência e da prestação de contas à sociedade, os coronéis do SNI, em movimento típico de centralismo autoritário-tecnocrático, sem c o n s u l t a e sem explicação, estenderam para o mercado de microcomputadores os mesmos procedimentos que vinham sendo adotados com sucesso para incentivar a concepção, o projeto e a fabricação de minicomputadores no Brasil.
Conclusão
Nos anos 1980 os microcomputadores chegaram ao Brasil formando um segmento de mercado, antes inexistente, que começou a crescer a taxas muito altas abaixo da área reservada (eram sistemas completos menores do que os minicomputadores). Os sinais da grande mudança apareceram com a proliferação dos micros de oito bits utilizando o sistema operacional CP/M. Após o lançamento do (IBM/)PC podia-se perceber que a área reservada (mini) logo ficaria, como efetivamente ficou, comprimida entre o grande mercado anterior (grande porte, midi e pequeno) e o mercado de crescimento explosivo que surgira (micro). Ou seja, o aparecimento do microcomputador mudou uma estrutura de mercado até então estavelmente configurada.
No início da década de 1980 empresas e tecnologias brasileiras haviam ocupado o mercado de minis, sendo que as primeiras vinham cumprindo os compromissos, assumidos em 1977, de investir na formação de equipes técnicas. Nesses anos, Cobra, Edisa, Labo, Sid e Sisco apresentaram ao mercado e, com sucesso, venderam melhoramentos e upgrades dos modelos licenciados e novos modelos já inteiramente desenvolvidos pelas equipes brasileiras. Em cinco anos tornaram-se efetivamente independentes das suas fontes originais de tecnologia. Mas o mercado de microcomputadores, como mostra a Tabela III, logo interferiu fortemente no mercado de minis (e depois também nos de portes maiores), apresentando outra estrutura de produção e comercialização. Os microcomputadores requeriam organizações industriais e comerciais diferentes das dos minicomputadores, mais apropriadas a uma tecnologia muito mais padronizada que fazia com que diferenciais de custo e de preço, por exemplo, adquirissem uma importância muito maior, o que, por sua vez, requeria a revisão de uma série de decisões relativas à política da reserva de mercado como, por exemplo, que partes desenvolver e fabricar no Brasil e que partes importar. O primeiro problema estratégico enfrentado pela SEI foi decidir que reformulação deveria ser dada à política de reserva de mercado face às mudanças estruturais trazidas pelo emergente mercado de microcomputadores no começo dos anos 1980.
No entanto, embora tivessem escrito no relatório da Comissão Cotrim que consideravam a política anterior como inexistente ... de tão tímida (que era), os coronéis do SNI limitaram-se a dar continuidade a muitos (embora não a todos) procedimentos que vinham sendo adotados pela CAPRE. Os funcionários da CAPRE e da Digibrás forneceram tais procedimentos na forma de manuais de operação aos integrantes da Comissão Cotrim. Em outras palavras, os coronéis do SNI ocuparam a SEI de posse de manuais que sintetizavam detalhadamente os procedimentos (como delimitar segmentos de mercado, como realizar concorrências para a ocupação de segmentos de mercado, como especificar os investimentos de contrapartida pela entrada em segmentos reservados) para construir no Brasil uma indústria de minis, e não necessariamente de microcomputadores, a partir de uma reserva de mercado. A postura de aplicar sem discussão à industria deste novo objeto sociotécnico o microcomputador vinculado a um novo conjunto de empresas fabricantes e um universo aberto de milhões de potenciais compradores leigos os mesmos procedimentos de reserva de merca
Falsificação de mensagens de email
Falsificação de mensagens de email
Colaboração: Carlos F. A. Paniago
Eu estava procurando uma solucao para os mails que vem de fora do meu dominio e sao assinadas por pessoas de dentro do nosso dominio (o que faz o subordinado acreditar que o chefe mandou o mail, quando na verdade é um SPAM ou um virus que falsifica o from: do mail). Como o exemplo abaixo:
Date: Sex 23 Jul 2004 15:25:39 BRT From: "Chefe" <chefe@unicamp.br> To: queiroz@unicamp.br Subj: Para sua informacao Received: from lfit_84.org (jcocker.uenf.br [200.20.228.56])
Que é um suposto mail do Chefe para o Queiroz, mas veio de uma maquina (real) que manda virus toda hora para todo mundo de outra universidade. A gente que conhece email olha o Received é sabe que é forjada, mas esse header nem aparece para os usuarios normais, que rapidamente clicam nos virus achando que realmente foi o seu superior que mandou o mail. (-; (-;
Depois de meses de procura (ate mudei de mail pois achava que o sendmail ja estava na sola, mas isso não me arrependo), indo para o postfix. Achei uma solucao para todos eles no endereco:
http://tmda.net/faq.cgi?req=show&file=faq04.010.htp
A solucao do problema no postfix, é so acrescentar no arquivo de configuracao main.cf
smtpd_recipient_restrictions = [...], permit_mynetworks, check_sender_access pcre:/etc/mail/sender_checks, [...]
e o arquivo /etc/mail/sender_checks com a seguinte configuracao:
/@seu.dominio.br/ DISCARD /@suamaquina.seu.dominio.br/ DISCARD /@localhost.seu.dominio.br/ DISCARD
Veja que se usa o DISCARD e não o REJECT senao o mail acaba indo para quem não o mandou. Agora isso so funciona se voce não permite que seus usuarios mandem mail de outro lugar como se fosse dai (uma pratica que deveria ser abolida da internet). Para quem esta remoto, e quer mandar email como funcionario, use o webmail que esta dentro do https na nossa home page (e o mail sai realmente do nosso escritorio).
Para finalizar aqui esta a linha que estou usando agora para fazer essas restricoes no main.cf
smtpd_recipient_restrictions = reject_invalid_hostname, reject_non_fqdn_hostname, reject_non_fqdn_sender, reject_non_fqdn_recipient, permit_mynetworks, reject_unauth_destination, check_sender_access pcre:/etc/mail/sender_checks, check_helo_access hash:/etc/mail/helo_access, check_client_access hash:/etc/mail/access, reject_rbl_client relays.ordb.org, reject_rbl_client opm.blitzed.org, reject_rbl_client list.dsbl.org, reject_rbl_client sbl-xbl.spamhaus.org, reject_rbl_client cbl.abuseat.org, reject_rbl_client dul.dnsbl.sorbs.net, permit
Nessa configuracao tenho mais 2 arquivos o /etc/mail/helo_access
seu.dominio.br REJECT You are not me localhost.seu.dominio.br REJECT You are not me localhost REJECT You are not me
Para rejeitar maquinas que usem o HELO/EHLO dizendo que sao nossas, quando elas na verdade sao maquinas externas. E finalmente o arquivo de acesso que esta em /etc/mail/access, aonde uso uma lista branca ou negra para nao ficar sendo acessado por maquinas com virus e com provedores, no exemplo aqui vai um que eu estou usando agora:
# aqui vao os acessos indesejados 200.141.192.218 REJECT You are a virus sender. 200.148.142.98 REJECT You are a virus sender. 200.161.142.201 REJECT You are a virus sender. 200.162.114.194 REJECT You are a virus sender. 200.164.88.34 REJECT You are a virus sender. 201.2.52.146 REJECT You are a virus sender. # # # dsl.brasiltelecom.net.br REJECT Use your provider to send a email. dial.brasiltelecom.net.br REJECT Use your provider to send a email. e.brasiltelecom.net.br REJECT Use your provider to send a email. dsl.telesp.net.br REJECT Use your provider to send a email. dialup.gvt.net.br REJECT Use your provider to send a email. xdsl-fixo.ctbcnetsuper.com.br REJECT Use your provider to send a email.
Normalmente os virus senders depois de um tempo eu libero. Se uma maquina comeca a mandar muito virus eu incluo nessa lista.
Boa solucao, isso vai ajudar muita gente a não receber mail dos falsarios e virus (so pelo header sem ter de receber o mail e passar por um antivirus ou um procurador de SPAM). Mas isso é so uma ajuda. Seu sistema de email pode e deve fazer tambem algumas acoes defensivas:
Se voce tem um firewall ou um router, configure-o de forma a deixar so seu servidor de email mandar mail para fora e receber mail de fora. Isso é muito facil de fazer, e caso algum usuario de sua rede pegue virus, pelo menos o virus fica contido na sua instalacao, ja que esses filtros impedem as maquinas dos usarios de mandar mail diretamente (eles mandam mail para o servidor de email que manda isso para fora e so o servidor de email recebe os mails de fora. Esse servidor pode ser unico, ou pode ser varios). Se voce fizer um log dessa regra, voce descobre pelo log que tem usuario com virus na sua rede interna.
Afinal não é feio para a sua empresa (qualquer que seja ela) estar associada ao fato de mandar virus para os outros? Seja uma empresa que pelo menos contenha seus virus dentro de suas paredes. Se voce tem um antivirus bem atualizado (ou mais de um) para todo mail que entra e sai, voce fica com menos chance de atrapalhar os outros e ajudar a internet que esta "dura de roer" nesses dias de muito virus e SPAM.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20040727.html
Configurando o OpenOffice
Configurando o OpenOffice
Colaboração: Carlos E. Morimoto
O OpenOffice é um dos aplicativos mais complexos que temos no Linux, com mais linhas de código que o próprio Kernel e um sem número de componentes e bibliotecas diferentes. Ele também inclui suporte a diversas línguas e a Java, o que torna o conjunto ainda mais complexo :).
É possível obter o OpenOffice a partir de dois lugares. No http://www.openoffice.org/, você pode baixar o pacote oficial da Sun, disponibilizado em várias línguas (que é o pacote que vem pré-instalado na maioria das distribuições), enquanto no http://www.openoffice.org.br/ você encontra o pacote localizado para o Brasil, mantido pela equipe responsável pela tradução para o Português do Brasil, ainda na época do StarOffice.
Na pasta de downloads do site, você encontra três pacotes:
- OOo_2.0_Win32Intel_install.exe: O pacote com o instalador for Windows.
- OOo_2.0_LinuxIntel_install_debs.tar.gz: O pacote compactado, contendo o OpenOffice empacotado na forma de pacotes .deb.
- OOo_2.0_LinuxIntel_install_rpms.tar.gz: Tem o mesmo conteúdo, mas empacotados na forma de pacotes RPM.
Pela lógica, se você usasse o Ubuntu, Kurumin, ou qualquer outra distribuição derivada do Debian, você baixaria os pacotes contendo os pacotes .deb. Mas, isto nem sempre é uma boa idéia, pois este pacote é gerado para trabalhar no Debian unstable e tem um grande número de dependências, que impedem que seja instalado em muitas distribuições.
Ao invés disso, a instalação é mais simples se você baixar o pacote com os pacotes RPM e convertê-los usando o alien. Para isso, comece instalando o alien pelo apt-get, como em:
# apt-get install alien
Descompacte o pacote e, dentro da pasta contendo os pacotes .rpm, rode o comando que faz a conversão:
# alien *.rpm
Isso vai gerar um conjunto de pacotes com o mesmo nome, porém com a extensão .deb. Você pode em seguida instalá-los usando o comando:
# dpkg -i *.deb
Na pasta desktop-integration você encontra pacotes contendo os ícones do menu iniciar para várias distribuições. Lembre-se que você deve instalar apenas um deles. O arquivo com os pacotes .deb contém o pacote openoffice.org-debian-menus, com os ícones para as distribuições derivadas do Debian.
Na verdade, esta parte da instalação não é necessária na grande maioria dos casos, pois o OpenOffice já vem pré instalado na maioria das distribuições. O próximo passo é o corretor ortográfico, uma peça essencial se você realmente usa o OpenOffice no dia a dia.
O OpenOffice 2.0 é por padrão instalado dentro da pasta /opt/openoffice.org2.0. Em algumas distribuições, que incluem pacotes próprios, a pasta de instalação pode ser a /usr/lib/openoffice2 ou mesmo /usr/share/openoffice, mas este é um daqueles casos em que a ordem não altera o resultado.
Dentro da pasta de instalação, acesse o diretório share/dict/ooo/, que é onde vão os dicionários da correção ortográfica. O corretor completo é composto por três componentes, o corretor propriamente dito, o hifenizador (que entende a divisão das sílabas) e o dicionário de sinônimos (thesaurus), que inclui uma longa lista com variações de palavras, que complementa o dicionário principal.
O pacote do OpenOffice da Sun vem apenas com um deles (o corretor). O pacote do OpenOffice.org.br vinha com os três na época do 1.1.3, mas estranhamente passou a vir apenas com apenas o corretor, na versão 2.0, resultando numa correção ortográfica bastante pobre.
Você pode verificar o status do seu, em Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica. Se apenas o OpenOffice.org MySpell SpellChecker estiver disponível, (como neste screenshot do OpenOffice incluído no Ubuntu 5.10), significa que apenas o corretor está instalado.
Mas, não existe motivo para pânico :). Você pode baixar o restante dos componentes aqui:
http://guiadohardware.net/kurumin/download/dics-oo2-kurumin.tar.gz
Como o nome sugere, este é o arquivo com os dicionários que reuni para uso no Kurumin, mas que naturalmente pode ser usado em qualquer distribuição. Para instalar, descompacte o arquivo e copie seu conteúdo para dentro da pasta /share/dict/ooo/, dentro do diretório de instalação do OpenOffice, substituindo os arquivos existentes.
Se você escreve textos técnicos, pode baixar também o meu dicionário pessoal, que contém uma lista enorme de termos técnicos, que ao ser instalado faz o corretor deixar de marcar os termos como palavras incorretas. Salve o arquivo na pasta share/wordbook/pt-BR/ dentro da pasta de instalação do OpenOffice. Desculpe pelo link longo ;).
http://www.guiadohardware.net/kurumin/skel/.openoffice.org2/user/wordbook/kurumin.dic
Depois de salvar os arquivos, feche todas as janelas do OpenOffice e abra-o novamente. Isso fará com que ele encontre os novos arquivos e ofereça a opção de usá-los. Volte ao Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica e você verá que apareceram mais duas opções no campo Módulos de Idiomas disponíveis e o dicionário kurumin no campo Dicionários definidos pelo usuário. Marque todas as opções e você ficará com o corretor completo.
No campo opções marque a opção Verificar em todos os idiomas. O pacote dos dicionários que disponibilizei contém também os arquivos do corretor em Inglês (en_US), de forma que ao ativar esta opção o corretor passará a entender também palavras em Inglês (simultaneamente com as em Português) o que acaba sendo bastante útil, já que é muito comum usarmos termos e palavras do Inglês no dia a dia.
Isso evita que você tenha que abaixar e instalar todo o pacote do Openoffice.org.br só por que os corretores não vieram em ordem. O próximo passo é dar uma olhada geral nas configurações, para reduzir o tempo de carregamento e uso de memória.
É quase que um consenso que o OpenOffice é pesado e que demora pra abrir. Mas grande parte do peso é devido à configuração padrão, que está longe de ser otimizada. A maior parte das configurações é definida durante a compilação e por isso não podem ser alteradas facilmente, mas existem duas configurações simples que podem ser modificadas rapidamente pelo Ferramentas > Opções e resultam em resultados interessantes.
A primeira é desativar o Java na opção OpenOffice.org > Java > Usar um JRE. Na verdade, o Java foi integrado artificialmente ao OpenOffice, como uma tentativa da Sun de integrar os dois produtos, fazendo com que a popularidade do OpenOffice impulsionasse também o uso do Java de uma forma geral. O Java é usado apenas em macros, algumas funções dentro do Base (o banco de dados incluído no OpenOffice 2.0) e os assistentes para criação de documentos.
Desativar o Java reduz o tempo de carregamento do OpenOffice quase pela metade e de quebra diminui o uso de memória em quase 30 MB. Você tem a opção de reativar o Java ao tentar usar qualquer opção que realmente precise dele, de forma que você pode desativa-lo com segurança.
Um dos motivos do OpenOffice demorar mais para abrir e salvar documentos do que o MS Office é o fato dele salvar todas as imagens e o próprio texto e formatação do documento num formato compactado, que resulta em arquivos brutalmente menores que os do Office, mas que exigem muito mais processamento para serem criados e abertos.
Uma forma de reduzir o tempo de carregamento é aumentar o tamanho do cache gráfico, na opção OpenOffice.org > Memória > Cache Gráfico. Usar um cache maior faz com que o OpenOffice consuma mais memória RAM, mas fique perceptivelmente mais rápido. Se você tem um micro com 512 MB, vai ter bons resultados reservando de 80 a 150 MB dentro da opção Utilização para o OpenOffice.org. Se, por outro lado, você tem um micro com 256 MB ou menos, vai ter melhores resultados usando um cache menor, de 20 a 40 MB. Ajuste também a opção Memória por Objeto, que deve ser proporcional ao tamanho total do cache. Ao usar um cache maior, aumente o valor e ao usar um cache menor, reduza-o.
Desativando o Java, aumentando o tamanho dos cache e fuçando um pouco mais nas configurações é possível fazer o OpenOffice carregar em cerca 6 segundos num Sempron 2800 com 512 MB (primeiro carregamento, sem preloading) e em pouco mais de 3 segundos a partir do segundo carregamento (quando ele já está armazenado no cache de disco) e consumindo bem menos memória RAM que de costume.
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Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20051116.html
MRTG - Instalação e Configuração
MRTG - Instalação e Configuração
Colaboração: Alexandre Takahashi
O MRTG (Multi Router Traffic Grapher) é, inicialmente, uma ferramenta desenvolvida para monitorar o tráfego em links de rede. Escrito em PERL, utiliza o SNMP para ler os dados dos roteadores e um programa em C para criar os gráficos, que são mostrados em páginas HTML. O MRTG para *nix é distríbuido em Código Fonte, assim, você dever ter um compilador C e o PERL instalado em sua máquina, na maioria das distribuições *nix, ambos já estão disponíveis na instalação padrão, se não estiverem, leia o item Pré-Requisitos
Pré-Requisitos *nix
GCC
O compilador GCC (GNU C Compiler) esta disponível na instalação padrão da maioria dos sistemas *nix, é necessário para compilar o MRTG.
Para procurar o gcc
whereis gcc
Em distribuições baseadas em RPM é possivel procurar pelo comando
rpm -qa | grep gcc
Caso você não tenha o gcc instalado, faça o download em
Perl
Grande parte do MRTG esta escrita em PERL, verifique se você tem o Perl instalado e qual a versão
Para procurar o perl
whereis perl
Em distribuições baseadas em RPM é possivel procurar pelo comando
rpm -qa | grep perl
Caso o perl não esteja instalado faça o download em
Para ver a versão do Perl
perl -v
A versão mínima requerida é a 5.005
gd
GD é uma biblioteca para gerar gráficos, no formato PNG
Para procurar o gd
whereis gd
Em distribuições baseadas em RPM é possivel procurar pelo comando
rpm -qa | grep gd
Caso o gd não esteja instalado, faça o download em
libpng
Requerido pelo gd para gerar arquivos PNG
Para procurar o libpng
whereis libpng
Em distribuições baseadas em RPM é possivel procurar pelo comando
rpm -qa | grep libpng
Caso o libpng não esteja instalado, faça o download em
http://www.libpng.org/pub/png/
zlib
Requerido para compactar os gráficos criados
Para procurar o zlib
whereis zlib
Em distribuições baseadas em RPM é possivel procurar pelo comando
rpm -qa | grep zlib
Caso o libpng não esteja instalado, faça o download em
http://www.info-zip.org/pub/infozip/zlib/
MRTG
Não esquecendo do principal, baixe o MRTG
Compilacação/Instalação
Para descompactar os arquivos execute o seguinte comando
tar -xvzf <<arquivo>>
Dentro de cada diretório , execute os seguintes comandos (Deixe o MRTG por último)
./configure
./make
./make install
Isto irá instalar todos os pacotes e o MRTG.
Configuração
A configuração é relativamente simples, não há a necessidade de criar um arquivo de configuração manualmente, utilize o comando cfgmaker(usualmente no diretorio /usr/local/mrtg-2/bin), como mostrado abaixo
```./cfgmaker --global 'WorkDir: /var/www/mrtg' --global 'Options[_]: bits,growright' --global 'RunAsDaemon:Yes' --output /home/usuario/mrtg/mrtg.cfg <comunidadesnmp (a) xxx xxx xxx xxx>
WorkDir: /var/www/mrtg
Define o local onde sera gerada a pagina html com os graficos
Options[_]: bits,growright
A opção bits define que o gráfico trará as informações em bits e a opção growright fará com que o gráfico caminhe da direita para a esquerda, sendo que o horário atual fique a direita do gráfico
output /home/usuario/mrtg/mrtg.cfg
Define onde será armazenado o arquivo de configuracao (aqui chamado de mrtg.cfg)
RunAsDaemon:Yes
Define que o MRTG rode como daemon(processo), ou seja, o MRTG ficará carregado e vai buscar dados do equipamento conforme o parametro interval (--global 'Interval:10') se este parametro não for definido, então o intervalo padrão será adotado (5 minutos)
comunidadesnmp
Comunidade snmp do equipamento a ser monitorado (roteador, switch, etc) com permissão de leitura
xxx.xxx.xxx.xxx
Endereco IP do equipamento a ser monitorado.
Para mais opções do cfgmaker consulte
```./cfgmaker --man
ou
http://mrtg.hdl.com/cfgmaker.html
Executando o MRTG
Para executar o MRTG
/usr/local/mrtg-2/bin/mrtg /home/usuario/mrtg/mrtg.cfg
Simples, não?? ;-)
Se a opção RunAsDaemon:Yes estiver definida, então ele irá rodar como daemon e os dados serão atualizados automaticamente, conforme o intervalo definido ou a cada 5 minutos.
Considerações Finais
O MRTG é uma excelente ferramente de monitoramento, mas não se restringe apenas a ativos de rede, ele pode ser usado para monitorar qualquer equipamento com suporte a SNMP, além de poder receber variáveis de scripts e em conjunto com outras ferramentas, o limite é a criatividade de quem o usa ;-). Existem diversos artigos de utilização do MRTG combinado com outras ferramentas e para outros fins(um deles postado aqui no Dicas-L sobre como monitorar performance em um servidor *nix. O MRTG roda também na plataforma MS. Espero que este pequeno tutorial ajude aqueles que ainda não conhecem o MRTG.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20050627.html
Por que somos contra a propriedade intelectual?
Por que somos contra a propriedade intelectual?
Colaboração: Pablo Ortellado <pablo arroba riseup.net>
Enquanto a publicação aberta é uma característica bastante conhecida do site do Centro de Mídia Independente [1] (CMI), a idéia irmã, de "copyleft", de subversão dos direitos autorais, é ainda muito pouco conhecida e discutida. No rodapé da página principal do site, ao invés da tradicional nota lembrando os direitos autorais, lemos o seguinte: "(C) Centro de Mídia Independente. É autorizada a reprodução, na rede ou em outra parte, para uso não comercial, desde que citada a fonte." Ao invés de restringir a divulgação, a nota de "copyleft" (um trocadilho com "copyright"), permite e mesmo estimula a distribuição posterior da informação que o site veicula. Essa política de "copyleft" faz parte de um movimento amplo de oposição aos direitos de propriedade intelectual. [2]
COPYRIGHT
Embora nossa sociedade tenha assistido um longo debate sobre a propriedade privada nos últimos dois séculos, pouco ainda foi dito sobre o caráter peculiar desse estranho tipo de propriedade que é a propriedade intelectual. Em geral, a propriedade é justificada como uma garantia de uso e disposição do proprietário àquilo que lhe é de direito (por herança ou por trabalho). Em outras palavras, alguém que adquiriu uma propriedade está garantindo para si a utilização de um bem - e está tendo essa garantia porque fez por merecer. Se alguém possui uma casa, por exemplo, a propriedade privada dessa casa garante ao dono o acesso a ela quando bem entender e sua utilização para os fins que escolher (além de poder dispô-la: vendê-la, emprestá-la, etc. - se desejar). Se essa casa fosse compartilhada com outras pessoas, no momento em que essas outras pessoas a estivessem utilizando, ele estaria privado daquela casa que fez por merecer. Quando uma pessoa utiliza a casa, a outra não consegue utilizá-la (pelo menos não na sua totalidade). Isso vale para todos os tipos de bens materiais.
Mas o caso da propriedade intelectual é diferente e seus teóricos sabiam disso desde o princípio. A legislação sobre a propriedade intelectual tem origem na Inglaterra, numa lei de 1710, mas foi nos Estados Unidos que ela foi teorizada e consolidada pelos "pais fundadores". Esses homens que fundaram a república americana e escreveram a constituição sabiam que a propriedade intelectual era diferente da propriedade material. Eles sabiam que canções, poemas, invenções e idéias não têm a mesma natureza dos objetos materiais que eram garantidos pelas leis de proteção à propriedade. Se quando eu uso uma bicicleta, a outra pessoa é privada do seu uso (porque, a princípio, duas pessoas não podem usar a mesma bicicleta ao mesmo tempo - principalmente se vão para lugares diferentes), quando eu leio um poema, a coisa é diferente. Eu posso ler o poema ao mesmo tempo que o "dono" do poema e meu ato de ler não apenas não priva, como não atrapalha em nada a leitura dele. Thomas Jefferson, um dos pais fundadores e um dos primeiros responsáveis pelo escritório de patentes dos Estados Unidos discutiu isso numa carta famosa que, à certa altura, diz:
"Se a natureza produziu uma coisa menos sucetível de propriedade exclusiva que todas as outras, essa coisa é a ação do poder de pensar que chamamos de idéia, que um indivíduo pode possuir com exclusividade apenas se mantém para si mesmo. Mas, no momento em que a divulga, ela é forçosamente possuída por todo mundo e aquele que a recebe não consegue se desembaraçar dela. Seu caráter peculiar também é que ninguém a possui de menos, porque todos os outros a possuem integralmente. Aquele que recebe uma idéia de mim, recebe instrução para si sem que haja diminuição da minha, da mesma forma que quem acende um lampião no meu, recebe luz sem que a minha seja apagada." [3]
Dessa forma, não parecia haver motivo para se transformar idéias (e canções, livros e invenções) em propriedade. No entanto, o mesmo Thomas Jefferson lembra da necessidade de se estimular a criação de invenções "para o bem do público" e esse estímulo - para ele - só poderia ser a recompensa (com bens materiais) ao "criador". As idéias, justamente porque têm a característica de uma vez expressas serem assimiladas por todos que a recebem, devem ser especialmente protegidas, para que os criadores de idéias não fiquem desistimulados de criá-las e expressá-las. Aquele que cria a idéia deve ter o direito sobre ela, de forma que toda a vez que alguém a utilize ou a receba, ele tenha uma recompensa material. O autor de um livro deve receber os direitos autorais pela publicação e o inventor, o direito pelo uso da patente. Assim, diz a constituição americana: "O Congresso deve ter o poder de promover o progresso das ciências e das artes úteis assegurando aos autores e inventores, por um período limitado, o direito exclusivo aos seus escritos e descobertas." [4] Com o direito exclusivo às suas criações, os autores e inventores podem explorar comercialmente as suas idéias e conseguir a justa recompensa pelo seu esforço e talento. A recompensa é o estímulo para que o criador produza ainda mais e a sociedade progrida em direção ao bem comum.
Mas esse mesmo bem comum pode ser ameaçado pela proteção excessiva à propriedade das idéias. Se se cria muitos entraves, então, pode-se impedir, ao invés de promover a "instrução mútua e a melhoria das condições". Partindo de sua experiência no escritório de patentes, Jefferson observa que "considerando o direito exclusivo de invenção como dado, não pelo direito natural, mas para o benefício da sociedade", há inúmeras "dificuldades em separar com clareza as coisas que valem a pena para o público o embaraço de uma patente exclusiva, daquelas que não valem." Em outras palavras, a questão é até que ponto a introdução do direito de propriedade intelectual, ao invés de promover, termina por constranger o progresso do saber, da cultura e da tecnologia. Se os critérios para se estabelecer a propriedade são rígidos e a duração do direito longa demais, então, pode-se dificultar o aproveitamento social da criação. Esta é a questão fundamental discutida em toda a legislação sobre a extensão do direito de propriedade intelectual.
Na Inglaterra, a pioneira em estabelecer uma legislação de propriedade intelectual, o debate começou no século XVIII e percorreu os três séculos seguintes. Em 1841, foi feita mais uma tentativa de ampliar a duração dos direitos autorais, que, nesse período, cessavam depois de 20 anos da morte do autor. O famoso historiador Thomas Babington Macaulay fez uma histórica intervenção no Parlamento no qual criticava um projeto de lei que propunha ampliar o direito autoral para 60 anos após o falecimento do autor. Seguindo a longa tradição anglo-saxã que legislava sobre o tema, Macaulay balanceava o direito do autor em ser remunerado e o interesse social de usufruir as criações o quanto antes e com o menor custo. Segundo ele, o sistema de direitos autorais, tem vantagens e desvantagens e por isso não é preto, nem branco, mas cinza. O direito exclusivo de propriedade intelectual, para ele, no fundo é ruim, porque cria um "monopólio", o que encarece o "produto" e o torna menos acessivel a todos. Mas, por outro lado, ele é bom, porque permite que o criador seja remunerado pela criação. De um lado, temos a necessidade do monopólio na exploração comercial de um livro - de forma que apenas um editor possa lançar e vender o livro. Mas, por outro, esse monopólio que sustenta o autor, prejudica a sociedade, encarecendo o livro e tornando sua difusão mais difícil. Em suas palavras, "é bom que os autores sejam remunerados e a forma menos excepcional de serem remuneados é pelo monopólio. No entanto, o monopólio é ruim. Para que se consiga o que é bom, devemos nos submeter ao que é ruim."
Toda a questão para Macaulay (e para toda a tradição anglo-saxã dominante) era saber a medida exata em que a submissão do bom ao ruim era proveitosa: "o ruim não deve durar um único dia a mais do que o necessário para assegurar o que é bom." Mas quanto deve durar esse tempo? O projeto em trâmite no parlamento pretendia ampliar o direito de 20 para 60 anos após a morte do autor. Segundo Macaulay, esse período era muito grande e não trazia nenhuma vantagem em relação ao período vigente de 20 anos (que ele dá a entender que já era excessivo). Se o objetivo do direito autoral é estimular a criação, uma recompensa tão distante e após a morte não parecia ser eficiente. Macauly argumenta: "Sabemos bem quão pouco somos afetados pela perspectiva de vantagens distantes, mesmo quando são vantagens que nós mesmos aproveitaremos. Mas uma vantagem que será aproveitada mais de meio século depois que morrermos, por pessoas que talvez não conhecemos, que talvez não tenham nascido, por pessoas que finalmente não tenham conexão conosco não parece ser motivo algum para a ação [criadora]." [5]
Com pequenas mudanças de ênfase, o debate sobre a propriedade intelectual permaneceu sempre marcado pela disputa sobre o ponto de equilíbrio entre o estímulo à criação e o interesse social de usufruir o resultado da criação. [6] A primeira lei inglesa, de 1710, dava ao criador o direito exclusivo sobre um livro por 14 anos e, se o autor ainda estivesse vivo quando o direito expirasse, poderia renovar o direito por mais 14 anos. A legislação americana baseou-se na inglesa e nos atos de patentes e de direitos autorais de 1790 retomou os períodos de 14 anos, renováveis por outros 14. Em 1831, o Congresso americano revisou as leis de direitos autorais substituindo o período inicial de 14 anos, por um de 28, renovável por mais 14. Em 1909, as leis foram novamente revisadas e o período foi mais uma vez ampliado para 28 anos iniciais renováveis por mais 28 anos.
Mais recentemente, porém, com o aumento do poder da indústria cultural, a extensão do direito à propriedade intelectual ultrapassou de longe os vinte anos após a morte que incomodavam o historiador Thomas Macaulay em 1841. As pressões começaram em 1955, quando o Congresso americano autorizou o escritório de patentes a desenvolver um estudo com vistas a revisar as leis de direito autoral vigentes. O relatório final recomendava a ampliação do período de renovação de 28 para 48 anos. As organizações de escritores e a indústria cultural (principalmente as editoras), no entanto, insistiam num período que cobrisse a vida do autor mais 50 anos após a sua morte. O pretexto para esse período longuíssimo era a "modernização" das leis de direitos autorais e a adequação delas à Convenção de Berne. [7] Como a disputa não parecia poder ser resolvida no curto prazo e os direitos estavam começando a expirar, os lobbistas conseguiram um adiamento extraordinário do vencimento dos direitos que estavam por expirar, do ano de 1962 para o ano de 1965, enquanto a matéria não era definitivamente votada no Congresso. Apesar das reiteradas objeções do Departamento de Justiça, a polêmica em torno do assunto levou a outros oito adiamentos "extraordinários", de 1965 para 1967, de 1967 para 1968, de 1968 para 1969, de 1969 para 1970, de 1970 para 1971, de 1971 para 1972, de 1972 para 1974 e de 1974 para 1976, tudo em nome dos interesses dos detentores dos direitos (normalmente empresas e não os descendentes dos autores) e em detrimento do domínio público. Em 1976, finalmente, o Congresso aprovou uma nova e "moderna" lei de direitos autorais, atribuindo um período de vigência do direito por toda a vida do autor mais 50 anos e para trabalhos encomendados por empresas, um período de 75 anos após a publicação ou 100 anos após a criação, o que fosse mais curto.
Em meados dos 90, no entanto, mais uma vez uma série de preciosas obras em poder da indústria cultural aproximaram-se do prazo de expiração dos direitos autorais. E, mais uma vez, a legislação internacional "mais moderna" [8] serviu de pretexto para a ampliação dos prazos de vigência dos direitos. Desde o final dos anos 80, empresas como a Walt Disney e a Time Warner começaram a preocupar-se com algumas de suas obras cujos direitos autorais cessariam nos primeiros anos do novo século. A Disney preocupava-se com o personagem Mickey Mouse que entraria em domínio público em 2003, com o Pluto que entraria em 2005 e com o Pateta e o Pato Donald que entrariam em 2007 e 2009, respectivamente. Já a Warner preocupava-se com o personagem Perna Longa cujos direitos expiravam em 2015 e com uma série de obras cujos direitos possuia, entre elas, o filme "E o vento levou" que expirava em 2014 e uma série de músicas de George Gershin, entre elas a canção "Rhapsody in Blue" e a ópera "Porgy and Bess", cujos direitos expiravam em 1998 e 2010, respectivamente.
Temendo sofrer grandes prejuízos pela perda dos direitos autorais, Disney, Warner e a indústria cinematográfica fizeram uma pesada campanha de lobby encabeçada no Congresso pelo Senador Trent Lott. O resultado foi a ampliação, em 1998, dos direitos autorais após a morte do autor de 50 para 70 anos, caso o direito fosse propriedade de uma pessoa e a ampliação de 75 para 95 anos caso o direito fosse propriedade de uma empresa. Com isso, além das obras das duas empresas, ganharam mais 20 anos de exploração comercial exclusiva romances como "O grande Gatsby" de Scott Fitzgerald e "Adeus às armas" de Ernest Hemingway (cujos direitos detidos pela Viacom venceriam em 2000 e 2004, respectivamente) e músicas como o "Concerto número 2 para violino" de Prokofiev e "Smokes Get in Your Eyes" de Kern e Harbach (cujos direitos, da Boosey & Hawks e da Universal, venceriam em 1999 e 2008 respectivamente).
COPYLEFT
Voltemos agora aos fundamentos da legislação sobre propriedade intelectual (nome genérico que abrange os direitos autorais, de patentes e de marcas). Como vimos, desde que a legislação foi primeiramente elaborada, ela sempre foi justificada pelo estímulo material que o criador receberia. Mas será que o estímulo material é o único e o melhor estímulo que pode-se dar para o desenvolvimento do saber, da cultura e da tecnologia? Será que antes do advento das leis de propriedade intelectual as pessoas não eram estimuladas a escrever livros e canções e a inventar dispositivos tecnológicos?
Antes que Thomas Jefferson atuasse no escritório de patentes, Benjamin Franklin que com ele e John Adams redigiria a Declaração de Independência, tinha uma ativa vida de criador, tendo se tornado conhecido em todo mundo por seus experimentos e invenções. Realizador da famosa experiência com a pipa que provava que os raios eram descargas elétricas e autor de invenções como o óculos bi-focal e o pára-raios, Benjamin Franklin sempre se recusou a patentear suas invenções. Em sua autobiografia podemos ver os motivos pelos quais se recusava a explorar comercialmente os inventos. Vale a pena citar um longo trecho:
"Tendo inventado, em 1742, um forno aberto para o melhor aquecimento de aposentos e ao mesmo tempo, economia de combustível, na medida que o ar fresco incorporado era aquecido na entrada, fiz um presente do modelo para o Sr. Robert Grace, um dos meus amigos mais antigos, que, tendo uma fornalha de ferro, considerou a disposição das placas desse fogão uma coisa muito útil, já que aumetava a sua procura. Para promover essa demanda, eu escrevi e publiquei um panfleto de título: 'Um relato do novo forno da Pensilvânia; no qual sua construção e modo de operação são detalhadamente explicados; suas vantagens sobre qualquer outro método de aquecimento de aposentos são demonstradas; e todas as objeções que foram levantadas contra o seu uso são respondidas e esclarecidas, etc.' O panfleto teve uma boa resposta. O Governador Thomas ficou tão satisfeito com a construção desse fogão, tal como está descrito, que me ofereceu uma patente para a venda exclusiva deles por um período de anos. Eu recusei, no entanto, baseado num princípio que sempre pesou para mim em tais situações: uma vez que tiramos grandes vantagens das invenções alheias, devemos ficar felizes de ter uma oportunidade de servir aos outros com quaisquer de nossas próprias invenções; e isso devemos fazer de forma gratuita e generosa." [9]
O fato de que homens talentosos como Benjamin Franklin nunca se sentiram estimulados pela perspectiva de retorno material por suas descobertas sempre foi levado em conta no debate sobre os direitos de propriedade intelectual. O historiador Thomas Macauly, por exemplo, que defendia os direitos segundo os princípios clássicos era obrigado a fazer ressalvas quando mencionava a contribuição que os ricos davam para a criação de obras e inventos: "Os ricos e os nobres não são levados ao exercício intelectual pela necessidade. Eles podem ser movidos para a prática intelectual pelo desejo de se distinguirem ou pelo desejo de auxiliar a comunidade." Mas será que a vaidade de produzir uma obra única ou a generosidade de produzir um bem para a comunidade são virtudes exclusivas dos ricos? Boa parte do desenvolvimento artístico parece dizer que não. Pintores importantes como Rembrandt, Van Gogh e Gauguin morreram na pobreza e sem reconhecimento, assim como músicos como Mozart e Schubert e um escritor como Kafka, embora nunca tenha sido verdadeiramente pobre, não chegou a ser reconhecido em vida. Será que a falta de perspectiva de recompensa material em algum momento impediu que eles se dedicassem à música, à pintura ou à literatura? Será que não tinham outro tipo de motivação - a expectativa do reconhecimento póstumo, o simples amor pela sua arte?
A questão da propriedade intelectual, quando pensada fora da imagem tradicional da balança que opõe estímulo material ao criador e interesse social em usufruir a obra ou invenção, leva a muitas outras ordens de consideração. Será que os artistas devem ser remunerados pela criação das obras? Poderiam eles contribuir para esse bem coletivo e anônimo que é a cultura humana sem ter usufruído e incorporado antes a rica e generosa contribuição dos outros artistas, contemporâneos e do passado? E se achamos que é preciso um estímulo material além da vaidade pessoal e da vontade de contribuir para o bem comum, não seria possível então desenvolver um sistema público de recompensa para os inventores, como sugere o economista Stephen Marglin? [10] Um sistema que premiasse as grandes idéias - por meio de concursos públicos, por exemplo - mas que não limitasse o uso dessas idéias a um empreendor individual?
Na verdade, questões como essas - se deve-se ou não recompensar materialmente a criação e se a melhor forma de fazê-lo é através da exploração comercial privada - são questões às quais não cabem respostas teóricas. São os movimentos sociais que estão buscando alternativas concretas à propriedade intelectual que deverão oferecer as respostas - e, de fato, já estão a fazer.
Desde que obras e patentes passaram a ser registradas, os direitos sobre elas passaram a ser violados. Uma parte dessa violação dos direitos é, sem dúvida, mero crime. No entanto, à parte a violação marginal e clandestina dos direitos de propriedade intelectual (que pode ser muito grande, até mesmo dominante), sempre houve um fênomeno diferente de desobediência civil das leis que instauravam esses direitos. A desobediência civil, como se sabe, é muito diferente do crime. O crime é uma violação de lei clandestina, feita às escondidas e com o entendimento de que a lei que se viola é legítima. A desobediência civil, por sua vez, é uma violação pública das leis motivada por seu caráter ilegítimo. A desobediência civil se faz abertamente e ela não reconhece que a lei que está sendo infringida seja justa.
Desde que os direitos de propriedade intelectual foram instaurados, houve uma resistência aberta à sua aplicação no setor privado e comunitário. A enorme dificuldade de fiscalização fez com que essa desobediência civil tivesse um caráter passivo, que não se engajava na contestação das leis de propriedade intelectual, mas simplesmente as ignorava. As pessoas sabiam que os direitos existiam e deviam ser respeitados e simplesmente passavam por cima deles porque achavam que eram absurdos. Evidentemente não estou me referindo à pirataria comercial que era, sem exagero, apenas crime. A indústria pirata reconhecia a legislação vigente e fugia dela de forma clandestina, sem contestá-la. Aliás, todo industrial pirata não podia aspirar a coisa maior do que transformar sua indústria pirata numa indústria legal e passar a utilizar assim os direitos autorais a seu favor.
Mas coisa muito diferente eram os usuários que reproduziam a obra para fins não comerciais - "para a sua instrução mútua e a melhoria das condições", como dizia Jefferson. Quando aparelhos de reprodução se popularizaram (o mimeógrafo, a fita cassete, a copiadora e em seguida a reprodução digital por computador), as pessoas automaticamente começaram a reproduzir livros, canções, fotos e vídeos, para si e seus amigos, sem pagar os devidos direitos, assim como, antes, já encenavam peças nas escolas e nos bairros e cantavam e tocavam canções para os amigos e para a comunidade também sem pagar os direitos. Por mais que a campanha "cívica" promovida pela indústria e pelo governo lembrasse a todos a importância de "pagar os direitos", as pessoas desconfiavam, frequentemente de forma intuitiva, que aquele pagamento não fazia sentido pois quem apenas usufria desse bem coletivo que é a cultura humana não podia estar roubando nada de ninguém. Como Benjamin Frankliln havia escrito na sua autobiografia, na produção da cultura (e do saber e da tecnologia), nada pode ser feito sem que se tenha antes aprendido com a imensa comunidade dos outros produtores contemporâneos e dos que nos precederam. E da mesma forma que usufruimos e aprendemos gratuitamente com todos eles - de maneira tão ampla que sequer podemos nomeá-los individualmente - devemos disponibilizar nossa contribuição para a formação das novas gerações.
Embora nem a indústria, nem o governo tenham conseguido coibir de forma eficiente o uso privado e comunitário das obras sem o pagamento dos direitos autorais correspondentes, [11] eles fizeram o possível e o impossível para obstruir a difusão de tecnologias de reprodução doméstica. [12] Foi assim, em 1964, quando a Phillips lançou o cassete de aúdio e a indústria fonográfica primeiro tentou impedir o lançamento do produto e depois fez lobby no Congresso para que fosse criado um imposto sobre os cassetes virgens para compensar as "perdas" da indústria resultantes das cópias que os usuários fariam de seus LPs para cassetes. O mesmo aconteceu em 1976 quando a Sony lançou o videocassete formato Betamax. A Universal Studios e a Walt Disney abriram um processo contra a Sony acusando-a de incitar a violação dos direitos autorais e, depois de uma batalha judicial que durou oito anos, a Suprema Corte finalmente reconheceu que a pessoa que gravava o último capítulo da novela não praticava pirataria. Depois, em 1987, chegou ao mercado um novo dispositivo de reprodução: a fita de áudio digital, que permitia gravações digitais fiéis sem recurso à compressão de dados (como acontece com o CD). Embora, de início, não tenha tido boa aceitação no mercado e, posteriormente, tenha apenas conquistado o mercado dos profissionais de áudio, a fita de áudio digital fez com que a indústria fonográfica entrasse em desespero. Em função de suas pressões foram propostas diversas leis e emendas no Congresso americano que buscavam limitar a capacidade de reprodução dos aparelhos e taxar as fitas virgens. Depois de muitas disputas, o presidente Bush (pai), ratificou, em 1992, no último dia do seu mandato, o "Ato sobre a gravação doméstica de áudio" que tinha sido aprovado antes, no Congresso, por voto oral (de forma que não se têm registros sobre quem votou a favor e quem votou contra). O Ato, entre outras medidas, obrigava todos os aparelhos de áudio digital a ter um dispositivo que impedia a cópia em série de uma fita (ou seja, depois de feita uma cópia, não se podia fazer outra cópia a partir dela) e instituía um imposto sobre os aparelhos (2% sobre o preço de venda) e sobre as fitas virgens (3% do preço de venda). O imposto, depois de recolhido, era distribuído da seguinte maneira: 57% para as empresas (gravadoras e editoras musicais) e apenas 43% para os autores. Seria este o tipo de incentivo ao autor que norteara o pensamento de Thomas Jefferson e dos fundadores da república americana quando conceberam as leis e instituições que regiam os direitos autorais?
O interesse crescente das grandes empresas na manutenção e ampliação dos direitos autorais se deve à forma específica como eles foram estabelecidos. Quando a propriedade intelectual foi concebida no final do século XVIII, sua finalidade era conceder ao autor um monopólio sobre a exploração comercial da obra, de forma que quem quisesse ler o livro que tinha escrito ou escutar a música que tinha composto, teria que pagar a ele. Ele poderia exigir esse pagamento porque tinha o direito exclusivo de comercializar a obra, sem concorrência. Mas é óbvio que os autores não podiam fazer isso. A não ser que o autor de um livro se tornasse também editor, ele não poderia diretamente explorar a obra. Ele teria que recorrer a um editor, a um capitalista, que iria explorar a obra por ele e tirar parte dos rendimentos para si próprio, como compensação pelo investimento. Dessa forma, o autor cedia ao capitalista o direito de exploração exclusiva, sem concorrência, que tinha recebido do estado e dividia com ele os dividendos da criação. Mas, nessa relação, o elo fraco era o autor. A distribuição de livros, discos e outros produtos sempre foi relativamente cara e havia muitos autores para poucas empresas interessadas em lançá-los. Isso fez com que as empresas tivessem um poder muito grande de determinar as condições dos contratos e conseguissem assim uma grande participação nos dividendos advindos da exploração comercial da obra. Era evidente que se o objetivo era estimular o autor e não beneficiar as grandes empresas, não havia porque o monopólio de exploração comercial ser cedido à empresa. A melhor forma de beneficiar o autor teria sido ele manter para si o monopólio de exploração e ceder para diferentes empresas concorrentes o direito não exclusivo de publicação da obra. Assim, com a concorrência entre as empresas, a obra seria barateada e melhor difundida e os dividendos se concentrariam com os autores que poderiam disputar licenças de exploração mais vantajosas. Com o monopólio de exploração comercial oferecido pelos direitos autorais sendo cedido integralmente para as empresas, não eram mais os autores que se beneficiavam primariamente, mas as grandes empresas da indústria cultural.
À medida que o poder da indústria cutural crescia, também cresciam as campanhas contra as violações dos direitos autorais. Essa pressão fez, de certa forma, com que aquela desobediência civil passiva que aparecia quando as pessoas simplesmente ignoravam as leis, se tornasse mais consciente e, assim, movimentos de oposição declarada aos direitos autorais começassem a surgir. Enquanto pequenos grupos de hackers radicais começaram campanhas de violação deliberada dos direitos autorais, distribuindo música, vídeos, textos e programas de graça na internet sob o lema "a informação quer ser livre", grandes movimentos espontâneos menos conscientes e menos radicais tomavam conta de um público mais amplo. Entre esses movimentos, o de maior impacto, sem dúvida, foi a formação da comunidade Napster.
O Napster era um programa "ponto a ponto" desenvolvido em 1999 pelo estudante Shawn Fanning que buscava superar a dificuldade de encontrar música em formato MP3 na internet. Até então, as músicas em formato MP3 eram disponibilizadas principalmente por meio de servidores FTP que, em geral, ficavam no ar apenas até uma grande gravadora encontrar o servidor e enviar uma mensagem ameaçando deflagrar um processo judicial. Para superar essa dificuldade, Fanning projetou um sistema ponto a ponto, em que usuários poderiam acessar arquivos em pastas compartilhadas em computadores de outros usuários através de links recolhidos por um servidor. Assim, suprimia-se a mediação dos servidores que armazenavam os arquivos. Os arquivos de música ficavam no computador de cada usuário e o servidor do Napster apenas disponibilizava os links de acesso a eles. O Napster trazia uma concepção inteligente que descentralizava o armazenamento dos arquivos. Com isso, criava uma situação legal ambígua. Não se tratava mais de um grande servidor distribuindo música, mas de uma rede de usuários trocando generosamente arquivos de música entre si. De certa forma, nada distinguia a troca de arquivos na rede Napster do hábito que as pessoas sempre tiveram de gravar fitas cassetes para os amigos. A diferença era que isso era feito numa rede de cinco milhões de usuários - e foi com base nessa grande dimensão que a RIAA, a associação das gravadoras americanas, sustentou um processo contra o Napster.
Um dos fatos mais relevantes do fenômeno Napster foi a constituição da comunidade Napster. Na ausência de um servidor que armazenasse os arquivos, o funcionamento da rede Napster exigia uma comunidade de usuários que compartilhasse suas músicas de maneira generosa. Se todos estivessem na rede apenas para baixar músicas e se recusassem a disponibilizar os seus próprios arquivos, a rede fracassaria. Mas o notável é que, a despeito de não ganharem nada e, pelo contrário, consumirem uma fatia às vezes considerável da sua banda de acesso, milhões de pessoas disponibilizaram músicas para outras pessoas que não conheciam, formando uma verdadeira comunidade virtual.
O fenômeno Napster deflagrou grandes discussões públicas sobre os direitos autorais entre 1999 e 2001, quando o Napster perdeu o processo na justiça. Por um lado, essa discussão evidenciou o caráter de desobediência civil que envolvia a utilização do programa. Embora o estatuto legal do Napster estivesse em julgamento, na grande imprensa e na opinião pública formada por ela, a mensagem uníssona era a das grandes gravadoras e dos grandes artistas que condenavam o Napster e acusavam-no de roubo, pirataria e de tirar o sustento de milhares de artistas esforçados. Apesar dessa massiva campanha de propaganda dos órgãos de imprensa (muitos dos quais ligados a grupos empresariais que também controlam grandes gravadoras), as pessoas não paravam de aderir à rede Napster numa demonstração aberta de que não consideravam legítima uma lei que impedia a livre troca dos bens culturais.
A discussão sobre o Napster, por outro lado, gerou um debate sobre a remuneração dos artistas e sobre as dificuldades de se compatibilizar a livre troca de informações com o sustento de uma classe de criadores profissionais remunerados. Não apenas as grandes gravadoras se opuseram ao Napster, mas uma série de artistas estabelecidos, do Metallica a Lou Reed [13], argumentaram que a livre troca de música sem o pagamento dos direitos autorais retirava sua fonte de sustento. E embora esse debate tenha sido muito desequilibrado - porque sempre estava ausente um verdadeiro opositor dos direitos autorais - ele teve o mérito de pôr em evidência o objetivo primário da instituição dos direitos de autor.
Enquanto em alguns fóruns alternativos a possibilidade de um mundo sem direitos autorais era discutida um tanto teoricamente, um movimento iniciado por programadores começava a mostrar a viabilidade efetiva desse projeto. Não se tratava de pensar como poderia ser uma sociedade sem direitos autorais, mas de começar a pô-la em prática.
Embora muitas histórias possam ser contatadas sobre a origem desse movimento, podemos dizer que uma das suas principais manifestações teve origem no início dos anos 80 quando o programador Richard Stallman, do laboratório de inteligência artificial do MIT, abandonou seu emprego por se sentir constrangido pelas restrições de direitos autorais que impediam-no de aperfeiçoar programas comprados de empresas. Stallman sentia que as licenças de direitos autorais que negavam acesso ao código fonte dos programas (para impedir cópias ilegais) restringiam liberdades que os programadores haviam usufruído antes do mundo da informática ser dominado pelas grandes corporações - a liberdade de executar os programas sem restrições, a liberdade de conhecer e modificar os programas e a liberdade de redistribuir esses programas na forma original ou modificada entre os amigos e a comunidade. Por esse motivo, Stallman resolveu iniciar um movimento que produzisse programas livres, programas que resguardassem aquelas liberdades que o mundo dos programadores conhecia antes das restrições empresariais. Foi com essas idéias que Stallman começou a conceber o sistema operacional GNU que depois de ter o kernel desenvolvido por Linus Torvalds ficou conhecido como Linux. [14]
O significado do desenvolvimento e principalmente da difusão do sistema operacional GNU/ Linux não é apenas o de romper o monopólio do sistema Windows, da Microsoft, mas, principalmente, de fazê-lo por meio de um empreendimento em grande medida coletivo e voluntário. Tirando alguns poucos funcionários que recebiam salários relativamente baixos da fundação de Stallman (a Fundação para o Software Livre), a maioria dos desenvolvedores do GNU/Linux eram programadores ligados a empresas e universidades que davam sua contribuição voluntariamente sem esperar qualquer outro tipo de retorno que não o reconhecimento público por um trabalho bem feito. Como Benjamin Franklin, esses programadores, entre os quais encontravam-se alguns dos melhores em sua área, doavam seu trabalho de forma "gratuita e generosa" esperando contribuir para "o bem comum" e "a melhoria das condições". E apenas com esse trabalho voluntário e generoso (que nos últimos anos passou a ser bem explorado por grandes empresas) conseguiu-se montar uma comunidade estimada hoje em mais de 15 milhões de usuários.
O sucesso da difusão desse sistema operacional e de centenas de outros programas livres deveu-se ao fato de que esses programas garantiam a permanência de suas características "livres". Quando Stallman iniciou o movimento pelo sofware livre, ele concebeu um tipo de licença de direitos autorais que assegurava a manutenção das liberdades em versões reproduzidas e melhoradas dos programas. A esse tipo de licença, Stallman deu o nome de "copyleft" (esquerdo autoral), num trocadilho com "copyright" (direito autoral) [15]. Ao invés de simplesmente abrir mão dos direitos autorais, o que permitiria que empresas se apropriassem de um programa livre, modificando-o e redistribuindo-o de forma não livre, Stallman pensou num mecanismo de constrangimento que assegurasse a manutenção da liberdade que o programador havia dado ao programa. O mecanismo pensado era reafirmar os direitos autorais abrindo mão da exclusividade de distribuição e alteração desde que o uso subsequente não restringisse aquelas liberdades. Em outras palavras, a pessoa que recebia um programa livre, recebia esse programa com a condição de que se o copiasse ou o aprimorasse, mantivesse as características livres que tinha recebido: o direito de rodar livremente, de modificar livremente e de copiar livremente. Com isso, os programas livres, frutos de esforços coletivos voluntários, ganhavam uma licença que garantia que mesmo que as empresas quisessem usá-los e distribuí-los, o fizessem de forma a manter suas liberdades iniciais.
O sucesso do sistema operacional GNU/Linux e do movimento do software livre trouxe um exemplo concreto da possibilidade de se constituir um sistema de criação onde a remuneração não fosse a forma principal de estímulo e onde o interesse coletivo de usufrir com liberdade a cultura humana fosse mais importante do que a exploração comercial das idéias. Claro que a objeção de que os autores ficariam desprovidos de sustento e teriam que sujar as mãos com trabalhos não puramente criativos permaneceu. Mas o exemplo de Richard Stallman que trocou o papel de programador que cedo ou tarde seria forçado a submeter-se às empresas pelo papel de conferencista e acessor técnico independente ou ainda, o exemplo de George Gershwin, que antes de garantir o sustento de sua família por três gerações, ganhou a vida executando, como pianista e regente, suas próprias composições, mostram que uma vida sem direitos autorais é possível.
Hoje o movimento pelo copyleft, pela livre circulação da cultura e do saber ampliou-se muito além do universo dos programadores. O conceito de copyleft é aplicado na produção literária, científica, artística e jornalística. Há ainda muito trabalho de divulgação e esclarecimento a ser feito e é preciso que discutamos politicamente os prós e os contras dos diferentes tipos de licença. Precisamos discutir se queremos conciliar a exploração comercial com a utilização não comercial livre ou se devemos simplesmente nos livrar dos mecanismos de difusão comercial de uma vez por todas; precisamos também discutir questões relativas à autoria e à integridade da obra, principalmente numa época em que o sampleamento e a colagem constituem formas de manifestação artística importantes; temos, finalmente, que discutir as inúmeras peculiaridades de cada tipo de produção adequando a licença ao que estamos fazendo (a ênfase na possibilidade de modificação de um programa de computador tem pouco cabimento quando aplicado à produção científica, etc.). Esse trabalho não é o trabalho de imaginar um mundo possível, mas de passar a construí-lo, aqui e agora.
NOTAS
- http://www.midiaindependente.org
- Direitos de propriedade intelectual é um termo genérico para designar os direitos autorais, de patentes e de marcas. Neste artigo, falo um pouco dos direitos sobre patentes, mas, sobretudo, dos direitos autorais. Para a questão das marcas veja Naomi Klein, Sem Logo (Rio de Janeiro, Record, 2002).
- Carta de Thomas Jefferson para Isaac McPherson de 13 de agosto de 1813 (The Writings of Thomas Jefferson. Washington, Thomas Jefferson Memorial Association, 1905, vol. 13, pp. 333-335). Essa passagem é muito citada como argumento contrário à propriedade intelectual, mas a intenção de Jefferson é apenas mostrar que a propriedade intelectual não é natural - o que não impede (e ele é um defensor disso) que ela seja instituída pela sociedade.
- Cláusula de direitos autorais e de patentes da Constituição Americana, art. I, § 8, cl. 8.
- Thomas Babington Macaulay, "A Speech Delivered in the House of Commons on the 5th of February 1841" In: The Miscellaneous Writtings and Speeches of Lord Macaulay. Londres, Longmans, Green, Reader & Dyer, 1880, vol. IV.
- Apesar disso, houve várias tentativas de introduzir o direito natural no tratamento da propriedade intelectual. Se a doutrina do direito natural vingasse, o direito de exploração comercial exclusiva perderia o caráter de concessão temporária justificada pelo estímulo à criação e se transformaria num direito permanente e hereditário. Isso levaria num curto prazo à completa mercantilização de todos os bens culturais. Felizmente isso não foi adotado em nenhum lugar. Na França, depois da revolução, a constituição de 1791 consagrou o direito "natural" à propriedade intelectual, mas a regulamentação desse direito sempre restringiu o monopólio a um período de exploração determinado.
- Evidência de que adequação à Convenção de Berne era apenas um pretexto é dada pelo fato de que apesar do período da vida do autor mais 50 anos ter sido adotado nos EUA em 1976, o país não aderiu à convenção até 1989 porque não abriu mão de outros ítens "menores" como a exigência de registro. Para todo esse levantamento, veja Tyler T. Ochoa "Patent and Copyright Term Extension and the Constitution: a Historical Perspective" Copyright Society of the USA (março de 2002): 19-125.
- A União Européia havia estendido o prazo de validade dos direitos autorais para a duração da vida do autor mais 70 anos.
- The Autobiography of Benjamin Franklin. Nova Iorque, P. F. Collier & Son, 1909, p. 112. Stephen Marglin "Origem e funções do parcelamento de tarefas" In: A. Gorz. Crítica da divisão do trabalho. São Paulo, Martins Fontes, 1989, pp. 37-77.
- Imagine a Warner exigindo das milhões de pessoas que fazem aniversário todos os dias pagamento pelos direitos de "Parabéns para você" (sim, há direito autoral para "Parabéns para você" e ele pertence ao grupo AOL Time Warner que recebe como pagamento pelos direitos aproximadamente dois milhões de dólares todo ano).
- Muito antes das disputas recentes envolvendo o cassete de áudio e o vídeocassete, pode-se lembrar o processo que a editora musical White-Smith moveu contra a Apollo Co. em 1908 pela venda de "rolos de piano", cartuchos cilíndricos com papel perfurado que eram utilizados por um dispositivo que permitia aos pianos tocarem músicas automaticamente.
- Quem se debruçar sobre a história da disputa sobre os direitos autorais vai sofrer desilusões com grandes artistas que muitas vezes puseram mesquinhos interesses privados acima dos interesses públicos. Não é apenas o caso do Metallica que identificou os interesses dos novos artistas com o das grandes empresas, lembrando que "apesar de todos nós gostarmos de criticar as gravadoras grandes e más, elas sempre reinvestiram seus lucros na exposição de novas bandas para o público" e que, "sem essa exposição, muitos fãs nunca teriam a oportunidade de conhecer hoje as bandas de amanhã" (Lars Ulrich, baterista do Metallica, em declaração sobre o Napster). Numa audiência no congresso americano, buscando revisar as leis de direito autoral em 1906, o escritor Mark Twain, autor dos clássicos "As aventuras de Tom Sawyer" e "Huckleberry Finn" simplesmente defendeu o direito natural à propriedade intelectual. Após ser informado que tal doutrina era inconstitucional, passou a defender a extensão do direito para o maior prazo possível. Seus argumentos? "Eu gosto da extensão [do direito de propriedade intelectual] para cinquenta anos porque isso beneficia minhas duas filhas que não têm competência para ganhar a vida como eu ganho pois eu as eduquei como jovens senhoras que não sabem e não conseguem fazer nada." (E. F. Brylawsky e A. A. Goldman, Legislative History of the 1909 Copyright Act. Littleton, Fred B. Rothman, 1976, p. 117 citado por T. T. Ochoa, no mencionado, p. 36)
- Richard Stallman "The GNU Operating System and the Free Software Movement" In: Mark Stone, Sam Ockman e Chris DiBona (eds.) Open Sources: Voices from the Open Source Revolution. Sebastopol, O'Reilly, 1999.
- O termo "copyleft" partiu de um amigo de Stallman que, brincando, escreveu certa vez numa carta: "Copyleft: all rights reversed" (esquerdos autorais: todos os direitos invertidos) em alusão à nota comum: "Copyright: all rights reserved" (direitos autorais: todos os direitos reservados). Veja o artigo de Stallman citado acima.
- (c) 2002 É autorizada a reprodução deste artigo para fins não comerciais desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20020716.html
Perguntas e respostas
Perguntas e respostas
Por Rubens Queiroz de Almeida
Alimentado pelo conhecimento da própria comunidade, o sistema Rau-Tu é uma valiosa fonte de ajuda sobre vários tópicos, inclusive o Linux
Publicado originalmente na Revista do Linux
Uma lenda antiga, que circula no imaginário de todas as nações, diz respeito ao oráculo, aquele que tudo vê e tudo sabe.
Ao que parece, ninguém ainda encontrou esse tal oráculo, embora muitos tentem se passar por ele. Existe, porém, um software que atende pelo nome de Rau-Tu, desenvolvido por meio de uma parceria entre o Centro de Computação da Unicamp e o Instituto Vale do Futuro, que é um sério candidato ao posto.
O sistema Rau-Tu de perguntas e respostas, desenvolvido em PHP e utilizando o banco de dados PostgreSQL, está em funcionamento há cerca de um ano. Sua distribuição é livre e gratuita e regida pela licença GPL. Seu principal objetivo é criar comunidades ao redor de diversos assuntos, congregando especialistas e pessoas com perguntas a serem respondidas. Adicionalmente, o sistema foi desenvolvido para ser simples e fácil de usar. Ao invés de se criar um sistema monolítico congregando diversos assuntos diferentes, optou-se pela criação de estruturas menores que pudessem ser facilmente replicadas em locais diferentes, com recursos computacionais variando do mais simples ao mais sofisticado.
O Rau-Tu pode ser usado em qualquer situação onde existam perguntas e a necessidade de respostas. Intranets, sistemas de helpdesk, informações institucionais, sistemas computacionais e uma grande variedade de cenários. Problemas de comunicação são um problema presente na maioria das empresas e o Rau-Tu certamente pode colaborar para reduzir os atritos decorrentes da falta de comunicação. Enfim, a criatividade é o que conta.
O sistema Rau-Tu foi projetado para ser flexível. Toda a administração e tarefas do dia a dia são realizadas a partir de uma interface Web, dispensando qualquer tipo de conhecimento de seu funcionamento interno.
Fiel às suas raízes colaborativas, desde o lançamento recebeu um grande número de sugestões para seu aperfeiçoamento, grande parte das quais foram incorporadas, melhorando em muito sua facilidade de uso.
Existem hoje (abril d 2006) diversos sistemas Rau-Tu em funcionamento. O mais bem sucedido, sem sombra de dúvida, é o de Linux. São hoje cerca de 560 colaboradores de todo o país, e mais de 26.000 perguntas já armazenadas no banco de dados. Além do Linux, diversos outros tópicos são abordados, como banco de dados, editoração eletrônica, FreeBSD, planilhas eletrônicas. No total tem-se conhecimento de onze sistemas, nove dos quais hospedados na Unicamp. O Centro de Computação da Unicamp também utiliza o sistema Rau-Tu como um tira dúvidas para seus sistemas corporativos, atendendo aos usuários internos.
Mas em que o sistema Rau-Tu difere dos meios convencionais existentes na Internet para resolução de dúvidas, como listas eletrônicas, newsgroups, FAQs e outros? O primeiro ponto é a objetividade. A maioria das listas eletrônicas, para evitar spam e outros inconvenientes, autoriza apenas seus membros a postarem perguntas. Ou seja, para perguntar, é necessário o cadastramento na lista. As listas mais populares geralmente possuem um alto tráfego de mensagens, o que nem todos têm condições de gerenciar. O sistema Rau-Tu não exige nada.
Qualquer um pode fazer suas perguntas ou consultar seu banco de dados. O segundo ponto principal é a qualidade. Todas as respostas que integram o banco de dados foram avaliadas. Se a sugestão proposta funcionou, a pergunta vai para o banco de dados. Caso contrário, volta ao sistema. Temos também a rapidez. A pontuação dada aos colaboradores leva em conta não apenas a qualidade, mas também a rapidez de resposta. Respostas postadas uma hora depois de serem submetidas ao sistema recebem uma pontuação adicional.
A maioria das dúvidas é respondida no mesmo dia. Finalmente, eliminamos muito do retrabalho comum em muitos lugares. Com o armazenamento das perguntas no banco de dados, forma-se um banco coletivo de conhecimento, que poderá ser usado de diversas formas diferentes. Elimina-se a necessidade de responder continuamente as mesmas perguntas. Um fato bastante conhecido de todos nós é que a maior parte das perguntas diz respeito a um pequeno número de respostas.
Mas como funciona o sistema? Resumidamente, o sistema trabalha tendo por base quatro figuras principais: o administrador, os responsáveis pelos tópicos, os colaboradores e os visitantes. Destes personagens, apenas o visitante não precisa se identificar para o sistema. O visitante pode fazer uso das facilidades do sistema Rau-Tu livremente, perguntando e consultando as perguntas armazenadas no banco de dados. Todos os demais possuem um grau de responsabilidade. O administrador é aquele que é responsável pela administração do sistema em geral, criando tópicos, nominando os responsáveis pelos tópicos e realizando outras tarefas administrativas. Os responsáveis pelos tópicos aceitam colaboradores e tomam decisões quanto a perguntas não respondidas ou não avaliadas. Os colaboradores são aqueles que respondem às perguntas.
O controle de qualidade é feito pelo visitante, que atribui uma nota às respostas que recebe, que pode variar do insatisfatório ao ótimo. Caso a resposta seja considerada insatisfatória, a pergunta retorna ao sistema e o responsável pelo tópico decide então o que fazer com ela. A pergunta pode ser reenviada aos colaboradores, pode ser removida do sistema ou pode ser respondida pelo responsável pelo tópico.
Historicamente, a comunidade usuária de software livre sempre foi conhecida por seu alto grau de comprometimento. Perguntas e problemas freqüentemente são resolvidos muito rapidamente, com a ajuda de especialistas que doam seu tempo e conhecimento aos novatos.
O sistema Rau-Tu é uma forma de arranjar estes recursos de forma organizada, propiciando à sua crescente base de usuários um porto seguro onde se amparar em caso de problemas. Este sistema precisa, mais do que nunca, de uma comunidade crescente, tanto de especialistas quanto de visitantes com suas perguntas. Para isto, a divulgação deste serviço e da disponibilidade livre e gratuita do software é fundamental para seu crescimento e consolidação.
A esta altura você certamente deve estar se perguntando: O que exatamente significa a palavra Rau-Tu? Bom, a palavra Rau-Tu deriva de um idioma indígena desaparecido e significa Como fazer.
Dúvidas sobre Linux? Perguntem ao Rau-Tu
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060404.html





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