Usando o Kismet
Usando o Kismet
Colaboração: Carlos E. Morimoto
O Kismet é uma ferramenta poderosa, que pode ser usado tanto para checar a segurança de sua própria rede wireless, quanto para checar a presença de outras redes próximas e assim descobrir os canais que estão mais congestionados (configurando sua rede para usar um que esteja livre) ou até mesmo invadir redes. O Kismet em sí não impõe restrições ao que você pode fazer. Assim como qualquer outra ferramenta, ele pode ser usado de forma produtiva ou destrutiva, de acordo com a índole de quem usa.
A página do projeto é a: http://www.kismetwireless.net/.
A principal característica do Kismet é que ele é uma ferramenta passiva. Ao ser ativado, ele coloca a placa wireless em modo de monitoramento (rfmon) e passa a escutar todos os sinais que cheguem até sua antena. Mesmo pontos de acesso configurados para não divulgar o ESSID ou com a encriptação ativa são detectados.
Como ele não transmite pacotes, apenas escuta as transmissões, todo o processo é feito sem prejudicar as redes vizinhas e de forma praticamente indetectável. A principal limitação é que, enquanto está em modo de monitoramento, a placa não pode ser usada para outros fins. Para conectar-se a uma rede, você precisa primeiro parar a varredura.
Esta questão da detecção dos pontos de acesso com o ESSID desativado é interessante. Não é possível detectá-los diretamente, pois eles não respondem a pacotes de broadcast (por isso eles não são detectados por programas como o Netstumbler), mas o Kismet é capaz de detectá-los quando um cliente qualquer se associa a eles, pois o ESSID da rede é transmitido de forma não encriptada durante o processo de associação do cliente.
A partir daí, o Kismet passa a capturar todos os pacotes transmitidos. Caso a rede esteja encriptada, é possível descobrir a chave de encriptação usando o aircrack (que veremos a seguir), permitindo tanto escutar as conexões, quanto ingressar na rede.
Como o Kismet é uma das ferramentas mais usadas pelos crackers, é sempre interessante usá-lo para verificar a segurança da sua própria rede. Tente agir como algum vizinho obstinado agiria, capturando os pacotes ao longo de alguns dias. Verifique a distância de onde consegue pegar o sinal de sua rede e quais informações consegue descobrir. Depois, procure meios de reforçar a segurança da rede e anular o ataque.
Por ser uma ferramenta popular, ele está disponível na maioria as distribuições. Algumas, como o Knoppix (a partir da versão 3.7), já o trazem instalado por padrão.
Nas distribuições derivadas do Debian, você pode instalá-lo via apt-get:
# apt-get install kismet
Antes de ser usar, é preciso configurar o arquivo "/etc/kismet/kismet.conf", especificando a placa wireless e o driver usado por ela, substituindo a linha:
source=none,none,addme
Por algo como:
source=madwifi_ag,ath0,atheros
... onde o "madwifi_ag" é o driver usado pela placa (que você pode verificar usando o comando lspci). Na documentação do Kismet o driver é chamado de "capture source", pois é a partir dele que o Kismet obtém os pacotes recebidos.
o "ath0" é a interface (que você vê através do comando ifconfig) e o "atheros" é um apelido para a placa (que você escolhe), com o qual ela será identificada dentro da tela de varredura.
Isto é necessário, pois o Kismet precisa de acesso de baixo nível ao hardware. Isto faz com que a compatibilidade esteja longe de ser perfeita. Diversas placas não funcionam em conjunto com o Kismet, com destaque para as placas que não possuem drivers nativos e precisam ser configurados através do ndiswrapper. Se você pretende usar o Kismet, o ideal é pesquisar antes de comprar a placa. Naturalmente, para que possa ser usada no Kismet, a placa precisa ter sido detectada pelo sistema, com a ativação dos módulos de Kernel necessários. Por isso, prefira sempre usar uma distribuição recente, que traga um conjunto atualizado de drivers. O Kurumin e o Kanotix estão entre os melhores neste caso, pois trazem muitos drivers que não vem pré instalados em muitas distribuições.
Você pode ver uma lista detalhada dos drivers de placas wireless disponíveis e como instalar manualmente cada um deles no meu livro Linux Ferramentas Técnicas.
Veja uma pequena lista dos drivers e placas suportados no Kismet 2006-04-R1:
- acx100: O chipset ACX100 foi utilizado em placas de diversos fabricantes, entre eles a DLink, sendo depois substituído pelo ACX111. O ACX100 original é bem suportado pelo Kismet, o problema é que ele trabalha a 11 megabits, de forma que não é possível testar redes 802.11g.
- admtek: O ADM8211 é um chipset de baixo custo, encontrado em muitas placas baratas. Ele é suportado no Kismet, mas possui alguns problemas. O principal é que ele envia pacotes de broadcast quando em modo monitor, fazendo com que sua varredura seja detectável em toda a área de alcance do sinal. Qualquer administrador esperto vai perceber que você está capturando pacotes.
- bcm43xx: As placas com chipset Broadcom podiam até recentemente ser usadas apenas no ndiswrapper. Recentemente, surgiu um driver nativo (http://bcm43xx.berlios.de) que passou a ser suportado no Kismet. O driver vem incluído por padrão a partir do Kernel 2.6.17, mas a compatibilidade no Kismet ainda está em estágio experimental.
- ipw2100, ipw2200, ipw2915 e ipw3945: Estes são os drivers para as placas Intel, encontrados nos notebooks Intel Centrino. O Kismet suporta toda a turma, mas você precisa indicar o driver correto para a sua placa entre os quatro.
O ipw2000 é o chipset mais antigo, que opera a 11 megabits; o ipw2200 é a segunda versão, que suporta tanto o 8011.b, quanto o 802.11g; o ipw2915 é quase idêntico ao ipw2200, mas suporta também o 802.11a, enquanto o ipw3945 é uma versão atualizada, que é encontrada nos notebooks com processadores Core Solo e Core Duo.
madwifi_a, madwifi_b, madwifi_g, madwifi_ab e madwifi_ag: Estes drivers representam diferentes modos de operação suportados pelo driver madwifi (http://sourceforge.net/projects/madwifi/), usado nas placas com chipset Atheros. Suportam tanto o driver madwifi antigo, quanto o madwifi-ng.
Usando os drivers madwifi_a, madwifi_b ou madwifi_g, a placa captura pacotes apenas dentro do padrão selecionado (o madwifi_a captura apenas pacotes de redes 802.11a, e assim por diante). O madwifi_g é o mais usado, pois captura simultaneamente os pacotes de redes 802.11b e 802.11g. O madwifi_ag, por sua vez, chaveia entre os modos "a" e "g", permitido capturar pacotes de redes que operam em qualquer um dos três padrões, mas num ritmo mais lento, devido ao chaveamento.
rt2400 e rt2500: Estes dois drivers dão suporte às placas com chipset Ralink, outro exemplo de chipset de baixo custo que está se tornando bastante comum. Apesar de não serem exatamente "placas de alta qualidade", as Ralink possuem um bom suporte no Linux, graças em parte aos esforços do próprio fabricante, que abriu as especificações e fornece placas de teste para os desenvolvedores. Isto contrasta com a atitude hostil de alguns fabricantes, como a Broadcom e a Texas (que fabrica os chipsets ACX).
rt8180: Este é o driver que oferece suporte às placas Realtek 8180. Muita gente usa estas placas em conjunto com o ndiswrapper, mas elas possuem um driver nativo, disponível no http://rtl8180-sa2400.sourceforge.net/. Naturalmente, o Kismet só funciona caso seja usado o driver nativo.
prism54g: Este driver dá suporte às placas com o chipset Prism54, encontradas tanto em versão PCI ou PCMCIA, quanto em versão USB. Estas placas são caras e por isso relativamente incomuns no Brasil, mas são muito procuradas entre os grupos que fazem wardriving, pois as placas PCMCIA são geralmente de boa qualidade e quase sempre possuem conectores para antenas externas, um pré-requisito para usar uma antena de alto ganho e assim conseguir detectar redes distantes.
orinoco: Os drivers para as placas com chipset Orinoco (como as antigas Orinoco Gold e Orinoco Silver) precisam de um conjunto de patches para funcionar em conjunto com o Kismet, por isso acabam não sendo placas recomendáveis. Você pode ver detalhes sobre a instalação dos patches no http://www.kismetwireless.net/HOWTO-26_Orinoco_Rfmon.txt.
Depois de definir o driver, a interface e o nome no "/etc/kismet/kismet.conf", você pode abrir o Kismet chamando-o como root:
# kismet
Inicialmente, o Kismet mostra as redes sem uma ordem definida, atualizando a lista conforma vai descobrindo novas informações. Pressione a tecla "s" para abrir o menu de organização, onde você pode definir a forma como a lista é organizada, de acordo com a qualidade do canal, volume de dados capturados, nome, etc. Uma opção comum (dentro do menu sort) é a "c", que organiza a lista baseado no canal usado por cada rede.
Por padrão, o Kismet chaveia entre todos os canais, tentando detectar todas as redes disponíveis. Neste modo, ele captura apenas uma pequena parte do tráfego de cada rede, assim como você só assiste parte de cada programa ao ficar zapiando entre vários canais da TV.
Selecione a rede que quer testar usando as setas e pressione "shift + L" (L maiúsculo) para travá-lo no canal da rede especificada. A partir daí ele passa a concentrar a atenção numa única rede, capturando todos os pacotes transmitidos:
Você pode também ver informações detalhadas sobre cada rede selecionando-a na lista e pressionando enter. Pressione "q" para sair do menu de detalhes e voltar à tela principal.
Outro recurso interessante é que o Kismet avisa sobre "clientes suspeitos", micros que enviam pacotes de conexão para os pontos de acesso, mas nunca se conectam a nenhuma rede, indício de que provavelmente são pessoas fazendo wardriving ou tentando invadir redes. Este é o comportamento de programas como o Netstumbler (do Windows). Micros rodando o Kismet não disparam este alerta, pois fazem o scan de forma passiva:
ALERT: Suspicious client 00:12:F0:99:71:D1 - probing networks but never participating.
O Kismet gera um dump contendo todos os pacotes capturados, que vai por padrão para a pasta "/var/log/kismet/". A idéia é que você possa examinar o tráfego capturado posteriormente usando o Ethereal. O problema é que, ao sniffar uma rede movimentada, o dump pode se transformar rapidamente num arquivo com vários GB, exibindo que você reserve bastante espaço no HD.
Um dos maiores perigos numa rede wireless é que qualquer pessoa pode capturar o tráfego da sua rede e depois examiná-lo calmamente em busca de senhas e outros dados confidenciais transmitidos de forma não encriptada. O uso do WEP ou outro sistema de encriptação minimiza este risco, pois antes de chegar aos dados, é necessário quebrar a encriptação.
Evite usar chaves WEP de 64 bits, pois ele pode ser quebrado via força bruta caso seja possível capturar uma quantidade razoável de pacotes da rede. As chaves de 128 bits são um pouco mais seguras, embora também estejam longe de ser inquebráveis. Em termos se segurança, o WPA está à frente, mas usá-lo traz problemas de compatibilidade com algumas placas e drivers.
Sempre que possível, use o SSH, SSL ou outro sistema de encriptação na hora de acessar outras máquinas da rede ou baixar seus e-mails.
No Guia "Acesso Remoto: SSH, FreeNX e VNC", vemos como é é possível criar um túnel seguro entre seu micro e o gateway da rede, usando o SSH, permitindo assim encriptar todo o tráfego. Ele está disponível no:
Gostou da dica? Venha fazer um curso com o autor:
Curso: Redes e servidores Linux
Com Carlos E. Morimoto
Em São Paulo, de 29/05 a 03/06 (intensivo, com aulas à tarde)
Este é um curso sobre a configuração de servidores Linux. Nele você aprende a configurar cada serviço diretamente nos arquivos de configuração ou utilizando ferramentas genéricas, sem se prender a uma única distribuição. Os exemplos dados durante o curso usam como base o Debian e Fedora, com dicas de peculiaridades do Mandriva, Slackware, Kurumin e Ubuntu.
Este é um curso intensivo, onde você passa menos tempo vendo teoria e opções pouco usadas e mais tempo aprendendo a resolver problemas do dia a dia. O formato das aulas permite que sejam abordados uma grande quantidade de temas numa única semana, oferecendo uma visão global dos recursos disponíveis e onde eles podem ser aplicados. Ao invés de fazer um curso sobre o Squid, outro sobre o Samba, outro sobre o Apache, etc., você aprende muitas coisas de uma única vez, economizando tempo e dinheiro.
Nesta turma do dia 29/05, combinou do curso de redes e o curso para iniciantes serem ministrados na mesma semana: o curso para iniciantes de segunda a sexta, das 8:00 às 11:00, e o curso de redes das 12:30 às 18:00. Fazendo o curso de redes, você tem acesso também às aulas para iniciantes e pode fazer os dois cursos simultaneamente (pagando apenas um), e assim aproveitar para tirar todas as dúvidas.
Veja mais detalhes sobre a programação de cursos, temas abordados, preços e formas de pagamento no:
http://guiadohardware.net/cursos/
Todas as aulas do curso de redes são ministradas pelo próprio Carlos Morimoto, o que garante o nível do curso. Nada de aulas inaugurais e mutretas do gênero :)
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20060509.html
Configurando o Lilo e o Grub
Configurando o Lilo e o Grub
O lilo e o grub disputam o posto de gerenciador de boot default entre as distribuições Linux. O lilo é o mais antigo e mais simples de configurar, enquanto o grub é o que oferece mais opções. Mas, ao invés de ficar discutindo qual é melhor, vamos aprender logo a configurar e resolver problemas nos dois :-)
O lilo utiliza um único arquivo de configuração, o /etc/lilo.conf. Ao fazer qualquer alteração neste arquivo é preciso chamar o executável do lilo, o "/sbin/lilo" ou simplesmente "lilo" para que ele leia o arquivo e salve as alterações.
Aqui vai um exemplo comentado do arquivo de configuração do lilo, que você pode usar como modelo:
# A opção abaixo (quase sempre a primeira linha do arquivo) indica aonde o lilo # será instalado. Indicando um dispositivo, como em "/dev/hda" ele é instalado # na MBR do HD. Indicando uma partição, como em "/dev/hda1" ele é instalado # no primeiro setor da partição. Fazendo isso o sistema não inicializará diretamente, # você precisará configurar o gerenciador de boot de outro sistema instalado # para carregar o atual. boot=/dev/hda # (caso você use um HD Serial ATA, e o lilo não esteja sendo instalado corretamente, # experimente mudar esta opção de "/dev/hda" para "/dev/sda", a forma como eles # são detectados nas versões recentes do Kernel 2.6 # Esta opção ativa o uso de uma imagem como fundo no menu de boot do lilo. # Este recurso é opcional: bitmap = /boot/kurumin.bmp bmp-colors = 255,9,;9,255, bmp-table = 61,15,1,12 bmp-timer = 73,29,255,9 # RESOLUÇÃO do VÍDEO # Aqui vai o código que determina a resolução do vídeo, em modo texto (usando frame- # buffer) e também no modo gráfico, caso seja usado o driver de vídeo "fb" no arquivo # de configuração do X. # O default na maioria das distribuições é "vga=788", que faz o sistema usar resolução # de 800x600, que é compatível com quase todas as placas de vídeo. # Se você quer usar resolução de 1024x768, mude a opção para: vga=791 # Se você quer usar resolução de 640x480, mude a opção para: vga=785 # Se a sua placa de vídeo não suporta frame-buffer e você quer de volta a velha tela de # texto padrão, mude a opção para: vga=normal # OBS: Se você tem uma placa GeForce 4 ou GeForce 4 MX, deixe esta opção em "788", # pois elas não suportam frame-buffer a 1024x768. vga=788 # Esta linha indica qual será o sistema operacional default, caso você tenha dois ou mais # instalados em dual-boot: prompt default=Kurumin # Tempo de espera antes de entrar no sistema padrão, em décimos de segundo (o # padrão é 10 segundos). O valor máximo é 30000 (3.000 segundos), não use um #número maior que isto, ou o lilo acusará o erro e não será gravado corretamente: timeout=100 # Aqui vão os parâmetros do Kernel. Se você usa deseja desativar o suporte a apci, # para solucionar problemas, por exemplo, adicione a opção "acpi=off" append = "splash=silent apm=power-off nomce quiet devfs=mount" # As linhas abaixo indicam a localização do executável principal do Kernel e do arquivo # initrd, caso seja usado um. Esta é a seção que é duplicada ao instalar um segundo # Kernel image=/boot/vmlinuz-2.6.8.1-kanotix-10 label=Kurumin root=/dev/hda1 read-only
Isso pode ser solucionado facilmente, editando o "/etc/lilo.conf" do Mandrake, para que ele seja reinstalado na partição e adicionando as duas linhas que chamam outros sistemas no lilo do Kurumin.
Você pode editar o lilo do Mandrake e regravá-lo rapidamente através do próprio Kurumin (ou outra distribuição instalada), ou dando boot com um CD do Kurumin ou Knoppix.
Dê boot pelo CD e abra um terminal. Defina a senha de root usando o comando "sudo passwd". Agora vire root usando o comando "su" seguido da senha escolhida.
Monte a partição onde o Mandrake está instalado:
# mount -t reiserfs /dev/hda1 /mnt/hda1
Agora usamos o comando chroot para "entrar" dentro da partição montada, a fim de editar o lilo.conf e gravar o lilo. Todos os comandos dados dentro do chroot são na verdade executados no sistema que está instalado na partição.
É preciso Indicar o sistema de arquivos em que a partição está formatada no comando acima, caso contrário o chroot vai dar um erro de permissão.
# chroot /dev/hda1
Agora use um editor de texto em modo texto, como o mcedit ou o joe para alterar o arquivo "/etc/lilo.conf" e chame o executável do lilo para salvar as alterações. Depois de terminar, pressione Ctrl+D para sair do chroot.
# mcedit /etc/lilo.conf # lilo
Configurando o grub
Muitas distribuições permitem que você escolha entre usar o lilo ou o grub durante a instalação. Outras simplesmente usam um dos dois por padrão. De uma forma geral, o grub oferece mais opções que o lilo e inclui um utilitário, o update-grub que gera um arquivo de configuração básico automaticamente. Por outro lado, a sintaxe do arquivo de configuração do grub é mais complexa o que o torna bem mais difícil de editar manualmente que o do lilo. O grub inclui ainda um prompt de comando, novamente nenhum exemplo de amigabilidade.
De resto, os dois possuem a mesma e essencial função. Sem o gerenciador de boot o sistema simplesmente não inicializa. :-)
O grub usa o arquivo de configuração "/boot/grub/menu.lst". Este arquivo é lido a cada boot, por isso não é necessário reinstalar o grub ao fazer alterações, como no caso do lilo.
Para entender melhor como o grub funciona, vamos ver como instalá-lo no Kurumin, substituindo o lilo que é usado por padrão.
Em primeiro lugar, você precisa instalar o pacote do grub via apt-get. Ele não possui dependências externas, inclui apenas os executáveis principais. Você pode até mesmo arriscar compilar a versão mais recente, baixada no site do projeto.
# apt-get install grub
Depois de instalar, crie a pasta "/boot/grub/" e use o "update-grub" para gerar o arquivo "menu.lst". Basta responder "y" na pergunta e o arquivo é gerado automaticamente:
# mkdir /boot/grub # update-grub Testing for an existing GRUB menu.list file... Could not find /boot/grub/menu.lst file. Would you like /boot/grub/menu.lst generated for you? (y/N) y Searching for splash image... none found, skipping... Found kernel: /boot/vmlinuz-2.6.8.1-kanotix-10 Found kernel: /boot/memtest86.bin Updating /boot/grub/menu.lst ... done
Agora só falta instalar o grub na MBR usando o comando:
# grub-install /dev/hda
Ao gravar o grub, ele naturalmente substitui o lilo ou qualquer outro gerenciador de boot que esteja sendo usado.
Se você mudar de idéia mais tarde e quiser regravar o lilo, subscrevendo o grub, basta chamá-lo novamente:
# lilo
Assim como no caso do lilo, o arquivo de configuração do grub inclui uma seção separada para cada sistema que aparece no menu de boot. O update-grub não é muito eficiente em detectar outros sistemas instalados, por isso depois de gerar o arquivo você ainda precisará adicionar as linhas referentes a eles no final do arquivo "/boot/grub/menu.lst".
Para que o grub inicialize uma cópia do Windows, instalada na primeira partição, /dev/hda1, adicione as linhas:
title Windows rootnoverify (hd0,0) chainloader +1
Elas equivalem à opção "other=/dev/hda1" que seria usada no arquivo do lilo. A linha "title" contém apenas a legenda que é mostrada no menu de boot. O que interessa mesmo é a linha rootnoverify (hd0,0), que indica o HD e a partição onde o outro sistema está instalado. O primeiro número indica o HD e o segundo a partição dentro deste. Na nomenclatura adotada pelo grub temos:
/dev/hda = 0 /dev/hdb = 1 /dev/hdc = 2 /dev/hdd = 3
As partições dentro de cada HD são também nomeadas a partir do zero:
/dev/hda1 = 0,0 /dev/hda2 = 0,1 /dev/hda3 = 0,2 /dev/hda4 = 0,3 /dev/hda5 = 0,4 /dev/hda6 = 0,5
etc...
Se você quisesse que o grub iniciasse também uma instalação do Mandrake no /dev/hda3, cujo lilo (ou grub) foi instalado na partição, adicionaria as linhas:
title Mandrake rootnoverify (hd0,2) chainloader +1
A linha "chainloader +1" especifica que o grub vai apenas chamar o gerenciador de boot instalado na partição e deixar que ele carregue o outro sistema, assim como fizemos ao editar o arquivo do lilo.
Você pode usar o grub para carregar diretamente o outro sistema, sem precisar passar pelo outro gerenciador de boot. Neste caso você usaria as linhas:
title Mandrake root (hd0,2) kernel /boot/vmlinuz-2.6.8 root=/dev/hda3 ro savedefault boot
Veja que neste caso você precisa especificar a localização do executável do Kernel dentro da partição. Você pode especificar também opções para o Kernel e usar um arquivo initrd, caso necessário, como neste segundo exemplo:
title Mandrake root (hd0,2) kernel /boot/vmlinuz-2.6.8 root=/dev/hda3 ro vga=791 acpi=off splash=verbose initrd /boot/initrd.gz savedefault boot
Assim como no caso do lilo, você pode usar um CD do Kurumin ou Knoppix para reinstalar o grub, caso ele seja subscrito por uma instalação do Windows ou outra distribuição Linux.
Neste caso, depois de dar boot pelo CD, você só precisa montar a partição onde o sistema está instalado, como em:
# mount -t reiserfs /dev/hda2 /mnt/hda2
E usar o chroot para obter o prompt de comando do sistema que está recuperando:
# chroot /mnt/hda2
No prompt, você precisa apenas editar o arquivo "/boot/grub/menu.lst", ou gerá-lo novamente usando o comando "update-grub" e reinstalar o grub, usando o comando:
# grub-install /dev/hda
Gostou da dica? Veja a agenda de cursos presenciais com Carlos E. Morimoto em Porto Alegre e São Paulo
- Curso: Redes e Servidores Linux (com Carlos E. Morimoto) Em Porto Alegre, início dia 04/07
- Curso: Programando em Shell Script (com Júlio Cezar Neves) Em Porto Alegre, início dia 11/07
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20050626.html
Convertendo rapidamente arquivos de audio
Convertendo rapidamente arquivos de audio
Colaboração: Márcio China
Tinha uma coleção enorme de discos de vinil que digitalizei e armazenei no HD do computador, que, ligado ao sistema de som da casa, virou um excelente "music center". Acontece que ganhei no meu aniversário um desses players de mp3 e percebi que tinha digitalizado minhas músicas no formato ogg, por ser livre, e decidi converter algumas músicas para o formato mp3 para poder usar o presente que só entende este formato. Depois de algum tempo pesquisando ví que converter arquivos de audio é mais simples e menos trabalhoso do que imaginei.
Para isso vamos usar o bash em um terminal, com as ferramentas sox e lame, que certamente você já deve ter instalado. Se ainda não tem, é só procurar nos repositorios oficiais de sua distro ou direto na fonte: http://sox.sourceforge.net/ e http://lame.sourceforge.net/
1 passo: criar uma pasta e colocar as músicas a serem convertidas lá ;) Como vamos fazer a conversão em lote, trabalhar na mesma pasta é fundamental.
2 passo: converter os oggs para wav:
for i in *.ogg; do sox "$i" "$
3 passo: converter os wavs para mp3:
for i in *.wav; do lame -h "$i" "$
4 passo: espetar o player na USB e copiar os mp3 para lá:
cp -v *.mp3 /media/usbdisk/
Observações:
Como usei um 'for', os nomes dos arquivos não podem estar separados por espaços em branco. Voce pode usar as funcçõeszz para arrumar o nome dos arquivos: http://aurelio.net/zz
Outra alternativa é usar outro método de listar os arquivos, 'while' por exemplo.
Usei o sox e o lame, mas você pode usar qualquer ferramenta, bastando substituir na sintaxe do comando.
Você também pode converter de qualquer formato para qualquer formato usando a metodologia, basta ter as ferramentas e adequar a sintaxe.
Deve existir algum programa gráfico que faça isso, ou outros métodos de converter arquivos de audio entre vários formatos, mas este é simples, rápido e funciona :)
CDLivre - Disponível para replicação
Fonte: Notícias Linux
De forma rápida e sucinta, seguindo os processos de definição de produtos de softwares, apresentamos a baixo o que é de fato o nosso projeto, o CDLivre.
Para: Usuários do Microsoft Windows(r)
Que: necessitam usar programas de computador(softwares) de forma legalizada
O CDLivre: é uma coletânea de softwares livres Isto é: que permitem qualquer pessoa utilizá-los de forma gratuita e distribui-los dentro da lei Ao contrário: dos softwares proprietários, que o usuário necessita pagar licenças, que geralmente custam muito mais que o valor do próprio computador nosso produto: vem provar que softwares livres podem e devem ser opção de escolha para o usuário no dia a dia.
Leia mais no site: http://www.noticiaslinux.com.br/nl1176088599.html
Comente: http://www.noticiaslinux.com.br/nl1176088599.html#comentarios
Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20070412.html
Configurando o OpenOffice
Configurando o OpenOffice
Colaboração: Carlos E. Morimoto
O OpenOffice é um dos aplicativos mais complexos que temos no Linux, com mais linhas de código que o próprio Kernel e um sem número de componentes e bibliotecas diferentes. Ele também inclui suporte a diversas línguas e a Java, o que torna o conjunto ainda mais complexo :).
É possível obter o OpenOffice a partir de dois lugares. No http://www.openoffice.org/, você pode baixar o pacote oficial da Sun, disponibilizado em várias línguas (que é o pacote que vem pré-instalado na maioria das distribuições), enquanto no http://www.openoffice.org.br/ você encontra o pacote localizado para o Brasil, mantido pela equipe responsável pela tradução para o Português do Brasil, ainda na época do StarOffice.
Na pasta de downloads do site, você encontra três pacotes:
- OOo_2.0_Win32Intel_install.exe: O pacote com o instalador for Windows.
- OOo_2.0_LinuxIntel_install_debs.tar.gz: O pacote compactado, contendo o OpenOffice empacotado na forma de pacotes .deb.
- OOo_2.0_LinuxIntel_install_rpms.tar.gz: Tem o mesmo conteúdo, mas empacotados na forma de pacotes RPM.
Pela lógica, se você usasse o Ubuntu, Kurumin, ou qualquer outra distribuição derivada do Debian, você baixaria os pacotes contendo os pacotes .deb. Mas, isto nem sempre é uma boa idéia, pois este pacote é gerado para trabalhar no Debian unstable e tem um grande número de dependências, que impedem que seja instalado em muitas distribuições.
Ao invés disso, a instalação é mais simples se você baixar o pacote com os pacotes RPM e convertê-los usando o alien. Para isso, comece instalando o alien pelo apt-get, como em:
# apt-get install alien
Descompacte o pacote e, dentro da pasta contendo os pacotes .rpm, rode o comando que faz a conversão:
# alien *.rpm
Isso vai gerar um conjunto de pacotes com o mesmo nome, porém com a extensão .deb. Você pode em seguida instalá-los usando o comando:
# dpkg -i *.deb
Na pasta desktop-integration você encontra pacotes contendo os ícones do menu iniciar para várias distribuições. Lembre-se que você deve instalar apenas um deles. O arquivo com os pacotes .deb contém o pacote openoffice.org-debian-menus, com os ícones para as distribuições derivadas do Debian.
Na verdade, esta parte da instalação não é necessária na grande maioria dos casos, pois o OpenOffice já vem pré instalado na maioria das distribuições. O próximo passo é o corretor ortográfico, uma peça essencial se você realmente usa o OpenOffice no dia a dia.
O OpenOffice 2.0 é por padrão instalado dentro da pasta /opt/openoffice.org2.0. Em algumas distribuições, que incluem pacotes próprios, a pasta de instalação pode ser a /usr/lib/openoffice2 ou mesmo /usr/share/openoffice, mas este é um daqueles casos em que a ordem não altera o resultado.
Dentro da pasta de instalação, acesse o diretório share/dict/ooo/, que é onde vão os dicionários da correção ortográfica. O corretor completo é composto por três componentes, o corretor propriamente dito, o hifenizador (que entende a divisão das sílabas) e o dicionário de sinônimos (thesaurus), que inclui uma longa lista com variações de palavras, que complementa o dicionário principal.
O pacote do OpenOffice da Sun vem apenas com um deles (o corretor). O pacote do OpenOffice.org.br vinha com os três na época do 1.1.3, mas estranhamente passou a vir apenas com apenas o corretor, na versão 2.0, resultando numa correção ortográfica bastante pobre.
Você pode verificar o status do seu, em Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica. Se apenas o OpenOffice.org MySpell SpellChecker estiver disponível, (como neste screenshot do OpenOffice incluído no Ubuntu 5.10), significa que apenas o corretor está instalado.
Mas, não existe motivo para pânico :). Você pode baixar o restante dos componentes aqui:
http://guiadohardware.net/kurumin/download/dics-oo2-kurumin.tar.gz
Como o nome sugere, este é o arquivo com os dicionários que reuni para uso no Kurumin, mas que naturalmente pode ser usado em qualquer distribuição. Para instalar, descompacte o arquivo e copie seu conteúdo para dentro da pasta /share/dict/ooo/, dentro do diretório de instalação do OpenOffice, substituindo os arquivos existentes.
Se você escreve textos técnicos, pode baixar também o meu dicionário pessoal, que contém uma lista enorme de termos técnicos, que ao ser instalado faz o corretor deixar de marcar os termos como palavras incorretas. Salve o arquivo na pasta share/wordbook/pt-BR/ dentro da pasta de instalação do OpenOffice. Desculpe pelo link longo ;).
http://www.guiadohardware.net/kurumin/skel/.openoffice.org2/user/wordbook/kurumin.dic
Depois de salvar os arquivos, feche todas as janelas do OpenOffice e abra-o novamente. Isso fará com que ele encontre os novos arquivos e ofereça a opção de usá-los. Volte ao Ferramentas > Opções > Configurações de Idioma > Recursos de Correção Ortográfica e você verá que apareceram mais duas opções no campo Módulos de Idiomas disponíveis e o dicionário kurumin no campo Dicionários definidos pelo usuário. Marque todas as opções e você ficará com o corretor completo.
No campo opções marque a opção Verificar em todos os idiomas. O pacote dos dicionários que disponibilizei contém também os arquivos do corretor em Inglês (en_US), de forma que ao ativar esta opção o corretor passará a entender também palavras em Inglês (simultaneamente com as em Português) o que acaba sendo bastante útil, já que é muito comum usarmos termos e palavras do Inglês no dia a dia.
Isso evita que você tenha que abaixar e instalar todo o pacote do Openoffice.org.br só por que os corretores não vieram em ordem. O próximo passo é dar uma olhada geral nas configurações, para reduzir o tempo de carregamento e uso de memória.
É quase que um consenso que o OpenOffice é pesado e que demora pra abrir. Mas grande parte do peso é devido à configuração padrão, que está longe de ser otimizada. A maior parte das configurações é definida durante a compilação e por isso não podem ser alteradas facilmente, mas existem duas configurações simples que podem ser modificadas rapidamente pelo Ferramentas > Opções e resultam em resultados interessantes.
A primeira é desativar o Java na opção OpenOffice.org > Java > Usar um JRE. Na verdade, o Java foi integrado artificialmente ao OpenOffice, como uma tentativa da Sun de integrar os dois produtos, fazendo com que a popularidade do OpenOffice impulsionasse também o uso do Java de uma forma geral. O Java é usado apenas em macros, algumas funções dentro do Base (o banco de dados incluído no OpenOffice 2.0) e os assistentes para criação de documentos.
Desativar o Java reduz o tempo de carregamento do OpenOffice quase pela metade e de quebra diminui o uso de memória em quase 30 MB. Você tem a opção de reativar o Java ao tentar usar qualquer opção que realmente precise dele, de forma que você pode desativa-lo com segurança.
Um dos motivos do OpenOffice demorar mais para abrir e salvar documentos do que o MS Office é o fato dele salvar todas as imagens e o próprio texto e formatação do documento num formato compactado, que resulta em arquivos brutalmente menores que os do Office, mas que exigem muito mais processamento para serem criados e abertos.
Uma forma de reduzir o tempo de carregamento é aumentar o tamanho do cache gráfico, na opção OpenOffice.org > Memória > Cache Gráfico. Usar um cache maior faz com que o OpenOffice consuma mais memória RAM, mas fique perceptivelmente mais rápido. Se você tem um micro com 512 MB, vai ter bons resultados reservando de 80 a 150 MB dentro da opção Utilização para o OpenOffice.org. Se, por outro lado, você tem um micro com 256 MB ou menos, vai ter melhores resultados usando um cache menor, de 20 a 40 MB. Ajuste também a opção Memória por Objeto, que deve ser proporcional ao tamanho total do cache. Ao usar um cache maior, aumente o valor e ao usar um cache menor, reduza-o.
Desativando o Java, aumentando o tamanho dos cache e fuçando um pouco mais nas configurações é possível fazer o OpenOffice carregar em cerca 6 segundos num Sempron 2800 com 512 MB (primeiro carregamento, sem preloading) e em pouco mais de 3 segundos a partir do segundo carregamento (quando ele já está armazenado no cache de disco) e consumindo bem menos memória RAM que de costume.
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Fonte: http://www.dicas-l.com.br/print/20051116.html





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